Notas iniciais
Preparem-se...

Capítulo 31

Uma mochila e uma fotografia de Megan era tudo que Davi possuía quando fez o seu desembarque em São Francisco. Aliado a isso, ainda se somava ser péssimo na língua inglesa. Então por onde começar a procurar por ela? No mínimo, ele precisava de alguém que falasse ou ao menos compreendesse sua língua, talvez um guia turístico...
Olhou de um lado para o outro, mas todos que passavam por ele, falavam inglês e ele não conseguia entender absolutamente nada. Procurou pelo balcão de informações e foi recebido por um bela moça de cabelo longos e dourados, que levava em seus belos olhos azulados um óculos de grau de aro transparente.

— Can I help You? — perguntou a moça, polidamente.

Davi piscou os olhos. Poucas eram as frases que ele conseguia entender. Graças a Deus, aquela era uma delas.

— Pode me ajudar sim — ele respondeu para si mesmo, mas a moça franziu o cenho, tentando entendê-lo. — Do you speak portuguese? — ele perguntou se ela falava português na cara dura, e mesmo sem esperança, ele esperou sua reação, que demorou alguns minutinhos, até que...

— Oooohhh, yeah! Eu falar portuguese. No muito bien. Mas falar! — A gringa misturou as palavras, tentando fazê-lo compreender.

Davi quase riu, mas se segurou. Aquilo seria humilhar a pobre moça e esse não era o objetivo.

— Eu me chamo Davi — ele se apresentou, estendendo a mão. — Qual o seu nome?

— Angeline, but todos me chamar Angel. Você poder me chamar também, se quiser. — Ela apertou a mão de Davi, com um sorriso estampado no rosto. — Nice to meet you!

— Nice to meet you, too, Angel. — Davi sorriu. E de alguma forma despertou o interesse de Angel, que deu um suspiro discreto.

Angel limpou a garganta para se recompor.

— Em que poder ajudar você, Davi?

Davi tirou do bolso de detrás da calça, a fotografia de Megan.

— Eu estou a procura dessa pessoa aqui. — Davi apontou para foto. Angel prestou atenção, sorrindo. — Ela é a minha namorada e está desaparecida em São Francisco. — O sorriso de Angel morreu em seu rosto.

— Namorada? Like, girlfriend? — Angel questionou, desapontada.

Davi riu, recordando-se do “like” de Megan. Como poderia esquecer aquela marca registrada dela, que para ele se tornara tão fofa e tão ela com o passar do tempo. Já estava sentindo saudades. Como estava!

— Namorada, like, girlfriend. Exatamente isso. Será que você talvez não... sei lá... pudesse... de alguma forma... me ajudar a encontrá-la.

Angel cerrou os lábios finos.

— Well, talvez ser quase impossível. — Davi baixou os ombros, decepcionado. — But, eu poder avisar aqui in aeroporto, como se ela fosse alguém perdido aqui mesmo e... wathever, alguém vir aqui saber dela. So... você perguntar pra essa pessoa se ela saber onde está sua girlfriend? Isso ser contra normas, but...

Mas antes que ela pudesse completar a frase, Davi, eufórico, atravessou o balcão, sorrindo, e deu um abraço forte nela.

— Valeu! Valeu mesmo! Eu nem sei como agradecer esse favorzão que você está me fazendo. Nem sei.

Ruborizada, Angel ainda conseguiu responder, quase num murmúrio:

— Você poder até não entender, mas você já me agradecer.

Davi sorriu, envergonhado. Deveria ter se contido. Ele e seus rompantes! Droga!

— Eu falar no microfone agora — Angel disse para quebrar o clima de constrangimento. Depois disso, ela pegou o microfone, mas antes ela se dirigiu a Davi: — Qual ser o nome dela?

— Megan Lily Parker-Marra — Davi falou, e Angel percebeu o brilho que emanava do olhar dele. Se ela achava que tinha alguma chance com ele, tudo se esvaiu naquele instante.

Ela ligou o botão e aproximou os lábios do microfone.

— Attention, attention! Looking for a girl who is lost and goes by the name of Megan Lily. Any information, you can go to the information desk! Thank you! — ela anunciou umas cinco vezes seguidas, mas com intervalos de vinte minutos a cada frase dita.

Nesse meio tempo, Davi foi até a cafeteria mais próxima em busca de algo para alimentar-se, ele estava faminto. Quando voltou, qual não foi sua surpresa quando avistou um rapaz todo vestido de preto, boné na cabeça, também preto. Era bastante franzino e estava conversando com Angel.

Apressou o passo.

Chegando lá, o rapaz já não se encontrava mais. Era como se o mesmo tivesse evaporado no ar. Davi achou aquilo um tanto quanto suspeito. Por isso, franziu a testa, desconfiadíssimo.

— Quem era o cara? — Davi perguntou a Angel, enquanto lhe servia um copo de café.

Angel abriu um sorriso, feliz, e agradecida pelo café.

— Good news! Aquele ser um friend de sua namorada e ele vir justamente para te trazer isso. — Ela entregou um bilhete a Davi, que continha o endereço de Megan. Davi ficou ainda mais desconfiado. — Que acontecer? Não ser exatamente isso que você mais querer? — perguntou Angel, sem entender.

— Angel, por favor, me diga exatamente o que aconteceu aqui? Com detalhes. Eu sei que é estranho eu te perguntar assim, mas minha namorada vem sendo perseguida a algum tempo... Sofrendo ameaças. Por isso, minha estranheza com esse cara. Ou com qualquer um que pareça suspeito.

Angel arregalou o olhar.

— Okay. Eu explicar... — Respirou fundo. — Assim que você sair, esse boy aparecer aqui e perguntar se eu ter certeza que Megan desaparecer mesmo in San Francisco. Of course que eu falar que sim. So... Ele olhar de um lado para outro e quando ver que você estava voltando, ele deixar bilhete e... correr. — Angel franziu a testa, com estranheza. — Não sei por que boy correr... Eu ainda tentar chamar por ele, mas quando ver, ele já tinha atravessado rua e escapar. I’m so sorry!

Davi segurou uma das mãos de Angel.

— Relaxa, Angel. Você não tem culpa desse cara ter fugido. Afinal, como você podia adivinhar que eu poderia estar atrás dele...? — Davi sorriu, solidário.

Angel sorriu em retribuição.

— Well, pelo menos, agora você ter endereço e poder ir atrás de sua girlfriend, right?!

— Right — Davi imitou-a. — E é exatamente isso que eu vou fazer agorinha mesmo. — Ele deu um beijo na mão dela, agradecido. — Obrigado. De verdade. Você foi ótima, Angel! Eu numca vou esquecer o que você fez por mim. — Sorriu, um sorriso extremamente terno.

— De nada. É assim que se fala in Brazil?

Ele soltou uma risada gostosa.

— É exatamente assim, Angel. Mas... agora eu vou mesmo. Sabe onde eu posso pegar um táxi por aqui?

— Eu te acompanhar até lá.

— Não, não precisa. Eu só quero que você me ajude a encontrar e...

Mas antes que Davi pudesse protestar, Angel já tinha segurado a mão de Davi a fim de conduzi-lo até o ponto de táxi, que ficava em frente ao aeroporto.

Despedidas feitas, com promessas de se verem algum dia, quem sabe, Davi entrou no táxi. Entregou o bilhete — que explicava exatamente o endereço de Megan — para o motorista e se deixou conduzir pelas ruas de São Francisco, tranquilamente. Entretanto, com a demora em chegar, ao passar pela ponte Golden gate, ele abriu a janela para apreciar a paisagem e foi aí que ele o viu. Através do retrovisor lateral. O mesmo cara franzino de boné preto do aeroporto. Será que ele o estava seguindo? O que ele queria, afinal? Seria muita coincidência ele estar bem atrás de seu táxi? Ou não?

Davi quis dizer ao motorista para desviar o caminho, fazer zigue-zague, qualquer coisa que deixasse aquele cara para trás, mas seu inglês, infelizmente, mais uma vez, o deixaria na mão. Ele teve de suportar o fato de estar sendo seguido até o destino final de sua viagem, quando duas ruas antes — assim como o homem no aeroporto -, o carro simplesmente, desapareceu, como em um passe de mágica.

— Thanks — agradeceu Davi, entregando alguns dólares para o motorista com a intenção de para pela viagem.

Depois de alguns minutos, talvez esperando, educadamente, que Davi entrasse na casa, o táxi foi embora. Então foi aí que antes de tocar à campainha, Davi olhou de um lado para o outro a fim de avistar o cara de boné preto, pois ele ainda desconfiava de que o mesmo ainda poderia estar por perto.

Nada.

Nenhum sinal do cara, para alivio de Davi.

Por isso, sem mais delongas, Davi tocou à campainha.

Alguns minutos depois, alguém veio atender, e para imensa surpresa de Davi...

Era ela.

— Davi! — exclamou Megan, sem acreditar no que seus olhos estavam vendo. Mas logo um sorriso foi se abrindo em seus lábios e seus braços se jogaram em volta do pescoço de seu amado em um abraço extremamente apertado e emocionado. — Oh, my God! É você mesmo! I Don’t believe. Parece até que estou sonhando.

Davi soltou a mochila no chão e enlaçando a cintura de Megan, içou-a do chão e rodopiou com ela, abraçando-a, tal qual se faz com um ursinho de pelúcia.

— Sou eu, meu amor. Sou eu mesmo. Eu vim pra te buscar. Você e o Júnior. E eu juro por Deus que só saio daqui com vocês dois.

Megan segurou o rosto de Davi entre as mãos, quando ele parou de rodopia-la. Então o olhou no fundo dos olhos, as lágrimas brilhando em suas pupilas.

— My love — murmurou ela, para em seguida capturar os lábios de Davi em um beijo de tirar o fôlego.

— Cadê o Júnior? — perguntou Davi, ofegante pelo beijo e ainda abraçado a ela. Era muita saudade.

— O Júnior está no quarto com a baby sitter dele. — Ela deu um beijinho no queixo dele. — Why? — perguntou.

— E o Artur? — Agora foi a vez dele dar um beijo no queixo dela.

— Trabalhando. — Ela tascou um selinho nos lábios dele.

Ele sorriu, triunfante.

— Ótimo. Porque agora mesmo, você, Megan, vai entrar, arrumar algumas coisas de que precisa e pegar o Júnior pra gente fugir o mais rápido possível desse lugar!

Megan arregalou o olhar.

— What?!

— Você entendeu.

— Yeah, eu entendi, but...

— Nada de but, Megan! Vai logo, antes que o Artur chegue e queira estragar tudo! Não se preocupe que eu já tenho tudo esquematizado na cabeça. A gente vai fugir pra outro lugar que não seja o Brasil. — Ele segurou uma das mãos dela, com os dedos entrelaçados e levou-a até os lábios, onde tascou um beijinho. — Você confia em mim?

Megan piscou os olhos, repetidamente, fascinada.

— Yeah. Confio.

— Então...

Ele não precisou nem completar, pois Megan já tinha corrido porta adentro, deixando-o com a frase no ar.

Meia hora depois, ela apareceu com o Júnior nos braços e, por incrível que pareça, uma única mochila nas costas.

Assim que Júnior viu Davi, ele estirou os bracinhos, feliz da vida.

— A...vi, mamã! Dunio qué A...vi, mamã — pediu Júnior para Megan, que entregou o filho para Davi, imediatamente, antes que o mesmo caísse no choro, pois detalhe, o garotinho — desde que saíra do Brasil — não parara de perguntar por “Avi”, o que tinha provocado bastante discussão entre ela e Artur.

— E aí, garotão! Como você está? O tio Davi tava morrendo de saudades! — Davi abraçou o garotinho, que agarrou seu pescoço, sorrindo numa felicidade sem fim. — Você também, pelo jeito.

Megan sorriu, feliz, vendo a cena pai-filho. E que vontade deu nela de contar a verdade naquele momento. Mas eles estavam fugindo. E se Davi reagisse mal? Como ela viveria com aquela mágoa? Não! O melhor era esperar o momento perfeito, que ela sabia, seria em breve.

— Mamã, cá, cá! — Júnior chamou, pois como sempre, o pequeno não demorava muito nos braços de ninguém. Megan o segurou, rindo de Davi, que fingiu um bico de decepção.

— Esse Júnior não sabe o que quer. Puxou a mãe.

— Ou ao pai — retrucou Megan, mas logo se arrependeu, pois para Davi, o pai do Júnior era Artur, então é claro que a cara de Davi se fechou.

— Você poderia chamar um táxi? — pediu ele para Megan. — É que meu inglês não é muito lá essas coisas e...

Megan revirou os olhos, sorrindo.

— Oh, boy, Of course! — Pegou o celular e digitou uma mensagem. — Pronto. Logo, logo, ele estará aqui.

— Quê? Como assim?

Ela riu.

— Easy, boy. Aqui nós temos um sistema chamado: Uber.

Davi fez uma careta.

— Hum, tá bancando a engraçadinha, é?

Megan foi até Davi, segurou o rosto dele com uma das mãos e tascou um beijo em seus lábios.

— Só porque você gosta — ela sussurrou.

— E gosto mesmo. — Ele sorriu e tascou outro beijo nela — Gosto de tudo em você. Até dos seus defeitos.

Ela sorriu, apaixonada, e um beijo ia começar, se não fosse a chegada de um carro.

— Ops, o uber chegou. Let’s go, baby! — Megan se entusiasmou, já adentrando o carro.

— Meu amor, você não acha melhor a gente olhar no seu celular pra verificar se esse é o carro certo e... Megan! — gritou ele, quando diante de seus olhos, o carro deu partida e cantando pneus, saiu acelerado com Megan, batendo no vidro, desesperada. — Megaaaaaaaaaann — gritou ele mais uma vez, correndo o máximo que ele podia pra tentar alcançar o carro, que agora ele reconhecia, era o mesmo do cara de boné preto. Davi ficou louco, desesperado, angustiado... ainda mais quando o carro fez uma curva e simplesmente desapareceu, levando um pedaço e um pedacinho de seu coração.

Megan e Júnior.

Notas finais
Aaaaaiiiiiinnnnnn :,(
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.