Turnaround In Love
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Capítulo 11 de TIL 💑
FLASH BACK ON continua...
– Senhorita Megan Lily, a senhorita é a próxima a entrar. — Anunciou a recepcionista do consultório.
Já fazia algumas semanas desde que Megan soubera de sua gravidez. Sendo assim, sua barriguinha estava protuberante e já não usava mais roupas que definiam sua silhueta. Todo o seu guarda-roupa fora trocado por vestidinhos charmosos, delicados e esvoaçantes.
Ao ouví-la, Megan levantou a cabeça, pois estava a mais de meia hora entretida, digitando e digitando em seu celular. Seu objetivo era mandar o máximo de mensagens possíveis para Artur, pois temia que talvez ele houvesse se esquecido daquele dia em especial mesmo que ela o tenha dito um milhão de vezes só naquela semana.
– Oh, será que dá pra esperar a lilttle bite, só um pouquinho? — Megan pediu à recepcionista, que fez careta — É que estou tentando falar com o meu namorado... You know, ele me prometeu que estaria aqui para me acompanhar.
E foi então que antes que ela pudesse argumentar mais alguma coisa, seu celular apitou anunciando a chegada de uma mensagem.
Ela olhou o visor. Era de Artur e dizia:
"Pirralha, acabei de ver suas mensagens. Desculpa, mas é que estava muito ocupado antes... Enfim, só saí um pouquinho do escritório pra te dizer que infelizmente a reunião ainda não acabou e acho que não tem hora pra acabar. Portanto, me perdoa, mas acho que não vou poder estar com você hoje pra ver sua ultrassonografia. E olha que estava ansioso, mas fazer o que né?! Ossos do ofício. Te amo e à noite nos vemos."
Quando Megan terminou de ler a última frase, sua decepção era tão grande que quase nem percebeu quando apertou fortemente o aparelho em suas mãos, ao mesmo tempo, em que uma lágrima rolava em seu rosto.
Enxugou o rosto com as mãos, mas não se atreveu a levantar a cabeça. Não queria que ninguém a visse assim, tão vulnerável.
Contudo, mudou de idéia ao ouvir o barulho de algo que fora jogado no chão. Tratava-se de uma mochila. Franziu a testa sem compreender. Foi levantando o olhar vagarosamente e à medida em que ia fitando a roupa daquela pessoa à sua frente, se convencia cada vez mais — mesmo que achando aquilo surreal — de que aquele garoto só poderia ser, só poderia ser...
– Davi?! — falou espantada ao se deparar com o rosto do garoto. Levantou de supetão, sua respiração quase que lhe faltando. — Mas o quê...? Como...? Como me encontrou?
O sorriso de lado que o garoto lhe lançou retirou todas as suas dúvidas de que era mesmo, ele ali. Na sua frente. Tal qual um fantasma. Um lindo fantasma, diga-se de passagem.
– Megan. — pronunciou o seu nome, em um sussurro. Ele também mal podia acreditar que estava ali à frente dela. Dela que tantas vezes povoara seus sonhos mais encantadores e tórridos.
Lágrimas verteram dos olhos de ambos, molhando suas faces e em um rompante os dois se atiraram, um nos braços do outro, em um abraço apertado, apaixonado e sôfrego.
Alguns minutos se passaram. Era como se ambos estivessem esperando o outro terminar o abraço. Mas quem teria coragem depois de tanta saudade sentida e abafada pela distância?
– So... Acho que me deve uma resposta, right? — questionou Megan, soltando-se e olhando profundamente nos olhos de Davi.
– Pâmela. — responde de forma natural — Foi ela quem me disse aonde eu podia te encontrar. Então eu peguei o primeiro avião e vim bater aqui. Em São Francisco.
– Minha mom fez isso? — Megan franziu a testa. — Mas por quê? O que você quer comigo, Davi?
– O que eu quero com você? — Davi segurou o rosto de Megan entre as mãos. Lágrimas escorrendo em seu rosto sem pudor. Precisava dizer o que há muito tempo estava entalado em sua garganta. E a hora era aquela. — Megan, me escuta, quando a gente se despediu no aeroporto naquele dia, eu fiquei desesperado achando que nunca mais ia te ver. E só aí me dei conta do quanto você é importante pra mim. Do quanto eu estava sendo um idiota de te deixar. Do quanto eu te amo Megan Lily Parker-Marra.
– Do quanto what?! — Megan quis ouvir mais uma vez aquela última frase. Só assim para acreditar.
Davi sorriu perante à dúvida de sua amada. Então repetiu com todas as letras.
– Do quanto eu te amo. — murmurou, enquanto olhava os lábios e olhos da garota, alternadamente.
– Oh, Davi, eu também te amo. Tanto, tanto que...
Mas em sua ânsia, Davi não permitiu nem que Megan continuasse sua frase, capturando seus lábios para um beijo de tirar o fôlego.
E a garota se entregou sem reservas, logo dando condições para que a língua dele redescobrisse a dela, que estava ansiosa para se entrelaçar a dele.
Para complementar, Davi a apertou ainda mais contra seu corpo e só aí se deu conta que o corpo de Megan já não era mais o mesmo. Soltou o beijo com um estalo. Olhou para a barreira entre seus corpos. Tratava-se do ventre de Megan. Um pouco maior do que ele se lembrava. Aliás, bem maior do que ele se lembrava, constatou, e arregalou os olhos.
Megan sorriu ao perceber o espanto. Então delicadamente segurou a mão de Davi e a levou até sua barriguinha.
– Sente. — sussurrou Megan, segurando a mão de Davi, que estava em sua barriga.
Davi engoliu a seco e mesmo sabendo que aquela era uma pergunta idiota, arriscou:
– O quê?
– Nosso filho. — sorriu com ternura, principalmente pelo chute que seu filho deu em seu ventre. Parecia até que estava adivinhando.
– N-No-Nosso filho? Que brincadeira é essa, Megan?
– I'm not kidding. C'mom?! — chamou, segurando a mão dele, guiando-o até a sala do ginecologista.
– Ah, até que enfim. — Reclamou o médico quando os viu abrir a porta. — O que aconteceu com o seu namorado? — indagou ao se dar conta do estado petrificado em que Davi se encontrava — Parece em choque.
– Yeah. But don't worry. Já já ele acorda.
– Tá certo, então. Queira se deitar. — apontou para uma cama à sua frente, que ficava ao lado de um computador e um monitor.
Megan o obedeceu prontamente, deitando-se. A enfermeira que observava tudo apenas esperando a atitude da paciente para começar o seu serviço, ajeitou a coberta de maneira que só a barriga de Megan ficasse a mostra.
– Se quiser, o senhor pode ficar ao lado da sua namorada. — Sugeriu a enfermeira para Davi que até aquele momento ainda estava parado na porta, tentando digerir a notícia-bomba.
– O quê...? — Davi acordou de seus devaneios. E só aí se deu conta do braço estendido de Megan, em sua direção.
Segurou sua mão e a passos lentos, dirigiu-se até ela, que sorria com os olhos.
Davi tentou sorrir, mas o nervosismo e seu coração acelerado não deixou. Então observou quando o médico aplicou um pouco de gel na barriga de Megan e sem mais delongas começou a passar uma espécie de condutor em todo seu baixo ventre. A procura de algo.
Mas o quê? Pensou, como um belo pai de primeira viagem que era.
Megan virou o rosto em direção ao monitor e Davi seguiu seu olhar, mesmo sem entender.
– E aí está você, heim?! Tava se escondendo do tio? — comentou o médico se referindo a algo que se formava no monitor.
Davi voltou o olhar mais uma vez para o monitor e foi aí que ele viu...
Um pouco embaçado, mas nitidamente bem formado. Com suas mãozinhas, perninhas, cabecinha — um pouco maior do que o restante, pensou. Mas mesmo assim, estava ali. Pra quem quisesse ver.
Sentiu quando Megan apertou sua mão, então olhou para ela que agora vertia uma lágrima de completa felicidade.
Sorriu para ela. E uma lágrima acabou por se formar em seu olho.
– Davi, look, ele não é lindo? — perguntou Megan, fitando o garoto, que beijou sua mão.
– É, Megan. Ele é sim.
– E de acordo com esse pontinho aqui... — Começou a falar o médico, apontando para um local que ficava entre as perninhas do bebê. — Vocês vão ter um belo garotão. Parabéns!
– A little boy? Oh, Davi... — O garoto sorriu todo orgulhoso, mas seu sorriso se tornou ainda mais radiante quando Megan continuou — Já até escolhi um nome pra ele... Júnior, like that, uma vez eu sonhei. Você gostou, Davi?
– Muito. — Respondeu com a voz embargada e inclinando-se, beijou a testa da amada. Mas logo depois, franziu a testa — Que barulho é esse?
O médico aumentou o volume e só aí ambos se deram conta de que se tratava do coraçãozinho de seu filho.
– Oh, God, Davi... É o coraçãozinho do nosso Júnior.
Davi sorriu de canto a canto da orelha.
– É, meu amor... E eu acho que tô completamente apaixonado. — Pausou emocionado — Pelo nosso filho.
Os dois sorriram e chorando, se beijaram.
– Pirralha? Pirralha? Acorda! Pirralha? — Artur apertava a perna de Megan, que parecia em um sono profundo, apesar do sorriso que estampava o rosto.
Depois de algumas tentativas, Megan, finalmente pareceu despertar. Abriu os olhos com dificuldade por causa da luz.
– Huuuum. — Gemeu e esticando os braços, espreguiçou-se. — What...? Oh, foi só um sonho? — Sentou-se com uma expressão frustrada.
– É. E pelo jeito muito bom. Você num parava de sorrir. Posso saber do que se tratava? — Perguntou Artur, curioso. Ele estava sentado na beirada da cama, tentando se desvencilhar da gravata e desabotoando os botões da camisa.
– Yeah... — Respondeu Megan sem raciocinar direito — I mean, NO! Era só um sonho bobo, nevermind, ok?!
Artur franziu a testa, com estranhamento.
– Tá certo, pirralha. Mas, fala aí, como foi lá no médico? Já deu pra ver o sexo do nosso filho? — Megan fez bico — Ah, qual foi, pirralha?! Eu te expliquei, num expliquei? Eu disse que ia ter uma reunião e que talvez demorasse... Desculpa, vai?! Eu prometo que da próxima vez, eu vou com você. Vai! Agora desfaz essa carinha brava e me diz... É menino ou menina.
– A little boy. — Respondeu com ternura.
Artur abriu um sorriso radiante.
– Sério, pirralha?! Fiquei amarradão.
– Really?! So... Eu trouxe um DVD. Você quer ver o nosso filho? — perguntou, animada.
Artur fez uma careta.
– Caramba, pirralha... Vamos deixar pra amanhã? Pode ser? É que a reunião foi muito chata e cansativa. Eu tô doido pra tomar um banho e cair na cama.
O sorriso de Megan murchou.
– Course. Tomorrow, então.
Ele foi até ela e beijou sua testa.
– Valeu por entender! — E saiu em direção ao banheiro, retirando a camisa e calça no caminho.
– Tuca?! — Megan chamou. Ele parou e se voltou para ela. — A propósito... O nome dele é Júnior.
Artur franziu a testa, já temendo a resposta para a próxima pergunta.
– Júnior? Alguma coisa Júnior?
Megan balançou a cabeça e com um sorrisinho sapeca, respondeu:
– No. — Pausou, fazendo um suspense — Just Júnior.
Artur forçou um sorriso, então sem mais dizer nada, já que estava sem moral, saiu bufando de raiva até o banheiro.
A partir daquele dia, Artur tentou com todas as suas forças ser o melhor namorado e pai. Em vão. Pois seus negócios o estavam consumindo por inteiro.
Com o tempo a paixão avassaladora de início esfriou e o que era amor se transformou em carinho e respeito.
A gota d'água se deu quando no momento mais importante da vida de Megan — o nascimento do seu filho — ele não estava lá para segurar sua mão.
Foi como uma facada em seu coração.
Mas para se redimir, a partir dali, Artur tornou-se um pai maravilhoso para o Júnior, que o adorava. Então Megan teve de baixar a guarda e perdoa-lo. E os três passaram a ser o modelo de família perfeita, pelo menos, aos olhos de todos que os rodeavam e também aos olhos deles próprios, que tentavam se enganar com carícias e beijos.
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Ao mesmo tempo há alguns quilômetros dali...
– Não... Não... Megan, não... NÃÃÃÃO! — Gritou Davi, levantando de supetão.
Manuela que dormia ao seu lado, assustada, levantou também e acendeu o abajur.
– Que foi, Davi? Teve um pesadelo?
Davi olhava de uma lado para o outro, assustado. Seu tórax molhado de suor.
– Tive. — Passou a mão nos cabelos — Quer dizer, eu acho que sim.
– Me conta... Quem sabe eu posso te ajudar a esquecer.
Davi virou o rosto pra ela e até pensou em dividir com ela. Mas ao lembrar do que se tratava, calou-se de imediato.
Tratava-se de um sonho em que Megan tentava lhe contar um segredo muito importante. Mas à medida que ele perguntava o que era, ela ia dando passos para trás até cair em um buraco profundo. Ele ainda tentou segurá-la. Contudo, sua mão não conseguiu alcançá-la.
E foi daí que veio o grito que o fez acordar.
– Não. Deixa pra lá! Era besteira. — Ele respondeu, frustrando sua namorada. Então colocou os pés para fora da cama. — Acho que vou tomar uma água lá na cozinha. Pode voltar a dormir, se quiser.
– Tá certo. Mas se precisar de mim, tô aqui, viu?!
Davi forçou um sorriso e levantando-se, foi até à cozinha.
Chegando lá, abriu a geladeira e se serviu de um copo com água. Bebeu todo o conteúdo a goladas. Como se isso o pudesse fazer se esquecer do pesadelo.
Ficou pensativo. Precisava saber como ela estava. Já não aguentava mais. As vezes era como se lhe faltasse o ar não saber de notícias dela.
Principalmente naquele dia, sentiu como se ela o estivesse chamando. Como se algo de muito importante tivesse acontecido e ele não pôde compartilhar com ela.
Pegou o celular que estava em cima da mesa, rolou a barra da agenda pela quadragésima vez só naquela semana. Apertou no nome dela. Mas mais uma vez escutou a voz robótica. Odiava aquela voz que o lembrava todo dia que estava sem ela. Por sua culpa. Apenas e dolorosamente por sua culpa.
– Megan, cadê você? — perguntou para o nada. Sem obter resposta.
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– Davi, cadê você? — Megan, em São Francisco, fez a mesma pergunta para o nada, segurando o celular e alisando a barriga. Tinha acabado de fazer mais uma tentativa. Em vão.
Então os dois suspiraram, ao mesmo tempo, morrendo de saudades.
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