Turn the stars on
1 Look up to the sky
Notas iniciais
– Então, Arthur, está pronto? – a voz soou através de seu walkie-talkie. – Cambio.
– Bloody git, claro que sim, e bem antes de você – respondeu.
– Arthie, você não falou “Cambio” – a voz infantil respondeu.
– Oui, oui, vocês dois, podem parar com a briguinha de casal – uma terceira voz com sotaque francês soou em sua linha, assim como na de Alfred.
Ouviu a risada do americano, juntamente com algumas reclamações em diversas línguas, poluindo a linha de comunicação.
– Damn it, isso é para todos que estiverem na escuta, se começarem a falar todos ao mesmo tempo eu vou quebrar esse feitiço.
Todos se calaram no mesmo momento. Nenhum deles queria perder aquele momento, seria o primeiro eclipse solar total que veriam em muitos anos, e seria um momento inesquecível não somente para todos os países, mas também para todos os humanos que haviam sobrevivido àquele mundo.
O planeta, propriamente falando, ainda era o mesmo de milhões de anos atrás, porém, tudo estava diferente. Mares e oceanos eram uma raridade para todos, rios e lagos já não eram mais vistos; cidades tomavam conta da maior parte da superfície terrestre, grandes centros uranos, repletos de tecnologia e pessoas; florestas eram paraísos verdes que viviam nos contos sonhadores das crianças e nas memórias dos mais velhos; a poluição era tão grande que o ar ficava pesado nos pulmões daqueles que um dia souberam o que foi ar puro, o céu era coberto por uma camada tão densa de gases e poluentes que as estrelas já não eram mais visíveis em nenhum ponto do globo.
As estrelas. Arthur achava que falava por todos eles quando dizia que aquilo que mais sentia falta em seu antigo mundo eram as estrelas. Tanto durante o dia quanto à noite, o céu era cinzento, a única diferença entre os dois horários, era a quantidade de luz que transpassava a grossa camada de gases.
Aproveitariam a noite do eclipse total para fazer uma loucura. O mundo inteiro cairia na escuridão, portanto, seria a oportunidade perfeita.
– Depois de mais de 500 anos, finalmente poderemos ver as estrelas novamente. – A voz calma de Kiku soou pelo walkie-talkie.
Um sorriso triste surgiu nos lábios de Arthur.
– Não são as estrelas, Kiku – a resposta veio por parte de Luciano. – Não sei se veremos as estrelas novamente algum dia.
– Não percam as esperanças, nada é impossível – Vladimir tentou incentivá-los. – Muitas cosias ainda podem acontecer.
– Hey, se continuarem conversando assim, vão perder o eclipse, o sol já está quase completamente coberto. – Lukas avisou-os tranquilamente.
Arthur olhou para cima, a luz não era suficiente para incomodar seus olhos e calculou que, em pouquíssimo tempo, já não haveria mais luz alguma.
– Vocês têm certeza que isso vai dar certo? Não estaremos poluindo ainda mais o planeta? – Ludiwg perguntou com receio na voz.
– Nem um pouco – Arthur adiantou-se. – As pipas ficarão no céu por magia e assim que terminarmos elas irão voltar para nós. As lanternas do Kiku são feitas especialmente para isso, quando voltarem irão se tornar adubo para as estufas.
– Mas e a Luz? Essas lâmpadas... – Roderich complementou a questão de do alemão.
– São feitas de magia – Lukas respondeu por Arthur. O Inglês conseguia ver um pequeno sorriso nos lábios do norueguês ao falar aquilo, afinal, o mérito de criação do feitiço era dele. – Elas irão apagar e será como se nunca tivessem existido.
– Já anoiteceu, vamos começar – A voz de Alfred soou.
A tranquilidade na voz do americano era tamanha que surpreendeu Arthur, mas ele sabia que as estrelas eram tão importantes para o rapaz de olhos azuis como para ele, sabia que Alfred amava-as mais do que tudo.
– Ok – Arthur suspirou, levemente nervoso. – Lukas? Vladimir? Estão prontos?
– Sim – as vozes da ambos vieram em uníssono.
Arthur começou a concentrar-se na criação do feitiço. Ele, Vladimir e Lukas, eram os responsáveis pela criação das luzes e por manterem-nas no alto.
Rapidamente os enormes fios que saíam de sua pipa adquiriu o brilho das luzes que surgiam dentro das lanternas.
– Que bonito – ouviu Feliciano dizer de forma macia.
Assim que o feitiço foi completo, olhou mais uma vez para o céu, estava completamente negro, sem nenhum indício de estrelas, ou mesmo da lua. Sentiu seu peito se comprimir e pegou sua pipa na mão.
Eram na base de 200 países, cada um, naquele momento, do ponto mais alto de suas terras natais, lançaria uma pipa ao céu. E nessas pipas, estariam presos enormes cabos, todos iluminados por milhões de lanternas.
– Cinco – a voz de Yao foi a primeira a soar.
– Quatro – em seguida veio a de Kyle.
– Três – ouviu-se a de Alfred.
– Dois – Luciano falou.
– Um – Gupta sussurrou.
– Já – completou Arthur.
O inglês lançou sua própria pipa aos céus ao falar. O pequeno objeto no formato de seu melhor amigo, Flying Mint Bunny, voou. Arthur observou-a subindo, até perceber mais luzes aparecendo.
Um sorriso se formou em seus lábios enquanto observava o mar de luzes começar a surgir no céu, todas direcionando-se ao ponto mais alto, os ventos noturnos bagunçavam seus cabelos e movimentavam a pipa, fazendo os cabos tremerem, tornando tudo ainda mais irreal.
Ouviu as vozes de crianças, adultos, idosos. Todos riam, apontavam e falavam sobre as luzes que àquela altura, não eram nada mais que pontos brilhantes na imensidão escura. Todos estavam felizes.
– Arthie? – Alfred chamou-o na linha, de forma tranquila. Arthur podia vê-lo com um pequeno sorriso no rosto, os olhos maravilhados, porém levemente tristes, assim como os seus.
– Sim, Alfred?
– Você acha que veremos as estrelas novamente algum dia?
Sua voz demorou a sair, a pergunta de Alfred ressoou em sua mente, enquanto perdia-se nas luzes que pintavam o céu, enchendo o mundo com seu brilho.
Será que veriam as estrelas novamente?
– Eu acho que sim, Alfred.
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