Notas iniciais
confesso q essa fic foi meio q uma homenagem pro antigo gato do meu avô, o Tunáflites
descanse em paz, tuna

Tunáflites mal tinha chegado a esse mundo e já estava extremamente desinteressado nele. Sua rotina se resumia em beber leite até sua barriga inchar tanto que não conseguia mais andar e depois dormir até chegar a hora da próxima refeição. Ele não era atlético como seus outros irmãos e era feliz daquele jeito.

Então um dia uma humana veio até ele, o pegou no colo e o levou para casa. O mundo ainda era entediante, ele ainda gostava de dormir até tarde e comer até desmaiar, mas agora ele tinha ela, sua humana. Ela o nomeou de Tunáflites quando notou que sua comida favorita era atum e o acariciava com as duas mãos para ele ronronar bem alto.

— Ai, Tuna, — Ela disse um dia para ele enquanto segurava um vestido vermelho em uma mão e um azul na outra — Que bom que você apareceu, estou tão nervosa... Qual vestido você acha que eu devo usar hoje à noite?

Tunáflites a encarou com seus olhos amarelos e miou.

— Tem razão, o vermelho combina mais comigo — E com isso ela jogou o vestido escolhido na cama e começou a passar algo vermelho nos lábios e falar coisas sem sentido das quais Tuna não tinha a mínima ideia e não se importava.

Ele subiu na cama e deitou-se em cima do vestido.

— Tuna! — Ela o tirou da cama — Não sente no vestido! Ah, olha isso! Agora está todo cheio de pêlo!

Ela acabou indo com o vestido azul.

Passado algumas horas, Tuna subiu de novo na cama e estava quase dormindo quando a porta se abriu e sua humana entrou toda sorridente e corada, seu braço entrelaçado com outro alguém. Outro humano.

Tunáflites arrepiou seus pêlos.

— Ah, Tuna — Ela cumprimentou ao vê-lo e virou-se para o outro humano – Esse é meu gato Tunáflites.

O homem, com uma expressão confusa, deu risada.

— “Tunáflites”? — Ele disse — Que nome engraçado.

Tuna estufou o peito e fez cara feia, claramente ofendido com o tom da voz desconhecida. Sua humana o tirou da cama e o colocou pra fora do quarto, o que o fez ficar ainda mais indignado.

— Vamos, Tuna, você precisa sair — Ela sorriu e Tunáflites notou o homem a encarando como um gato olha sua presa. Antes que Tuna a avisasse do perigo, a porta se fechou. Ele tentou entrar com arranhões e miados, mas era inútil, a porta branca estava lá parada e o encarando como uma forma de gozação.

Tuna não gostou nada daquilo e ficou preocupado, mas não havia nada que ele podia fazer. Depois de algumas horas (da qual Tunáflites passou dormindo), a porta ainda não se abrira e Tuna passou a noite sem jantar.

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Uma ou duas eternidades de passaram e Tunáflites finalmente tinha conseguido seu café da manhã, mas sua humana mal lhe deu atenção, e o pior: o homem ainda estava na casa. Ele tentou acariciá-lo uma vez e Tuna arranhou seus braços e seu rosto inteiro.

Sua humana não gostou e o trancou no quarto. Tuna dormiu na cama dela.

— Eu sei que você não fez de propósito — Ela comentou uma vez que entrou no quarto, acordando a soneca dele no processo. O homem não estava mais lá. — Você é só um gatinho, nunca fez mal a ninguém, acho que você simplesmente não gostou muito dele, né?

Tuna bocejou e pediu comida.

— E eu ainda acho que vocês vão se dar bem — Ela continuou e suspirou apaixonadamente — Ele é um doce, e muito carinhoso.

Tuna começou a morder o dedo dela.

— Bom, acho que você não gosta de falar sobre ele, né? E olha pra mim, conversando com um gato como aquelas mulheres loucas que moram sozinhas. Ai, ai...

Tuna fechou os olhos e voltou a dormir, sonhando com um horrível predador que o perseguia como gato e rato.

No próximo dia o mesmo homem apareceu e entregou a ela um buquê de flores azuis.

— Pra você — Ele disse e sorriu — Quando me lembrei de você ontem com aquele vestido azul, não resisti.

Tunáflites derrubou as flores no chão antes que encostassem nas mão de sua humana. Ele e o humano trocaram olhares e era possível perceber que uma batalha tinha começado.

Sua humana preparava o chá da tarde sorridente e com Tuna andando por entre suas pernas, ronronando. O outro bebia o chá e Tuna notou seus braços cobertos de curativos por causa dos arranhões.

O gato sentou no sofá, orgulhoso.

— Sinto muito pelas flores — Ela começou — Tuna pode ser um pouco agressivo às vezes.

O homem olhou para Tunáflites enquanto este lambia suas partes íntimas.

— Não tem problema — Ele disse e puxou um rato de borracha de dentro do bolso — Eu também trouxe algo para ele.

Ele levou o rato perto de Tuna, que cheirou o brinquedo com interesse, e suas pupilas dilataram.

— Tem erva de gato dentro — Ele explicou.

Tunáflites pegou o rato e acabou se deliciando com ele o dia inteiro. Foi só quando o homem finalmente foi embora com um sorriso triunfante no rosto que Tuna percebeu que tinha sido derrotado.

O homem acabou voltando dia após dia, e depois se passaram semanas e meses. Não que a mente de Tuna era avançada o suficiente para entender o conceito de tempo, mas a presença do outro humano já era familiar e a batalha continuava, embora não mais com tanto afinco.

Com o passar do tempo, Tuna recebia guloseimas que “acidentalmente” caíam no chão, mesmo sua humana reclamando que ele estava “muito gordo” ou bobagens do tipo.

Tunáflites abocanhou outro pedaço de carne que caiu do colo do homem e, depois de um jantar bem realizado, Tuna foi até sua humana e admitiu que ele até que não era tão ruim. Ele podia ficar, decidiu Tuna.

Naquela noite, os três dormiram na cama dela e, ao amanhecer, Tunáflites deitou em cima dele para acordá-lo e mostrar sua afeição.

E para pedir comida, é claro.

Notas finais
E aí, oq acharam?
comentários? ;-; please?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!