Tunnels
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu corria fazia uns 10 minutos. Já podia sentir o cheiro de maresia vinda da praia e ouvir as ondas batendo nas pedras. O frio, geralmente reconfortante, atrapalhava minha respiração e já me deixava cansada.
Confusa, seria uma ótima palavra para me descrever, mas não era isso que eu devia sentir era? Pelo menos não daquele jeito. Achava que em casos como este deveria estar triste, frustrada ou irritada até. Mas nada vinha, nada. Eu não me sentia diferente, nem mal. E isso me deixava confusa.
Não que eu estivesse reclamando do torpor, mas, entenda, eu não imaginava que fosse assim depois: exatamente igual a antes.
Quando avistei a areia diminuí o ritmo, até sentir meus pés afundando um pouco no solo fofo. O frio pinicava sob meu casaco pesado, mas não me importei. Cheguei mais perto da água e sentei a poucos metros dela, observando seu movimento. Por um momento, apenas respirei e encarei as ondas. Lindas, pensei, queria ter uma câmera agora.
E esse pensamento me deixou irritada e talvez mais confusa ainda. Como pode pensar nisso agora?, me repreendi.
Okay, meu namorado acabara de terminar comigo. Disse algo sobre problemas de comunicação e diferenças no nosso ''relacionamento'', certo. Namorávamos fazia uns cinco meses, eu gostava dele, não? Harry era legal, gentil e bonito, devia ser algo marcante, não devia? Então por que não sente absolutamente nenhuma diferença?!, minha mente gritou em meio a confusão, Devia estar chorando, ter sugerido a ele que tentassem de novo ou pelo menos ter se entristecido.
Eu sei, eu sei, eu sei....Mas não, estava do mesmo jeito de sempre, a mesma Helena de sempre, apenas ''solteira''. E isso era cômico. Tão cômico que comecei a rir no silêncio. Depois a gargalhar. Então essa era a famosa dor de não ficar com a pessoa que se está apaixonada? Não, não devia ser, era vazio demais, vago demais, realmente não era o caso.
— Você está bem? — pulei de susto e me levantei depressa ao ouvir a voz atrás de mim. Me virei e encontrei um garoto familiar de cabelos castanhos quase negros e pele pálida a minha frente — Desculpe se a assustei.
— Não, tudo bem — tranquilizei-o sorrindo de leve ainda.
— É que eu estava aqui e vi você chegando meio perdida, me pareceu triste mas então você...começou a rir, não sei, pensei...
— Que eu estivesse bêbada e viesse me matar na praia? — interrompi-o brincando — Não é para tanto.
Ele pareceu se assustar com minha resposta:
— Claro que não — disse apressado — só pensei que talvez não estivesse se sentindo bem e precisasse de ajuda.
— Oh — exclamei — Obrigado, mas estou bem sim, na verdade, muito bem — sorri de novo, desta vez ele retribuiu, era fofo e familiar. Então me lembrei — Você é da minha escola. Faz literatura comigo!
— Sim — ele riu
— Legal.
— É, eu acho... — ele disse olhando para os próprios pés.
— Helena — estendi-lhe a mão. Com isso ele volta a me olhar nos olhos.
— Jack — ele a aperta timidamente, ainda sorrindo.
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