Tudo sobre autorização.
4 Nova vida
Notas iniciais
Fui trancada em uma cabine pequena, não conseguia respirar, me sentia trancada. Segurei minha bermuda forte e fechei meus olhos.
A porta foi aberta devagar.
– Entende por que está aqui?
Confirmei com a cabeça.
Fomos empurrados a um quarto onde deveríamos permanecer até outra ordem.
Havia duas camas e eu deitei em uma. Depois de alguns minutos o rapaz falou:
– Você também odeia o silêncio, sim?
Virei para ele devagar.
– Odeio muito, muito esse silêncio na qual passei todo esse tempo e agora tivemos que puxar uma corda para terminar com tudo isso, só?
– Você fala muito rápido.
Entristeço com essa pequena frase, mas vejo um sorriso estampado no rosto dele, sua pele é mais morena que a minha, e usa uma regata igual à que eu estava usando.
– Sou Kik.
– Dop.
– Número nove, está entre os 10 melhores.
– Se isso contasse algo, o número 1 estaria ao meu lado, não?
– Verdade – ele começava a encarar meus olhos, mesmo olhando para eles como se fosse a melhor coisa que virá na vida, ele começava a corar – você também comia a comida...
– Em tubos, sim.
– Sabe por que estamos nessa...
– Se soubesse teria fugido.
Ele ficou de cabeça baixa, quando levantou eu tentei abrir um sorriso.
– Pelo menos aqui estamos.
Tinha acordado com um alarme estridente que machucava meus ouvidos, os tapei com as duas mãos e dei uma joelhada em Kik, que estava batendo na porta com força e virou para mim com raiva e os dentes cerrados.
– Mas que diabos está acontecendo? — Gritou Kik na minha direção.
Nunca havia ouvido aquela expressão, mas nunca tinha falado com mais alguém tirando meus instrutores.
Peguei a pasta de comida e joguei um punhado em minhas mãos, fui até ele e coloquei a comida em seus ouvidos e depois nos meus.
A cara de nojo e incredulidade apareceu em sua face, eu corei, fazia isso quando meus ouvidos não aguentavam mais.
Digitei na tela na parede:
"Eles tocam o alarme quando fazemos algo errado"
Ele leu aquilo, e escreveu algum tempo depois:
"Eu nunca tinha feito isso ou ouvido esse alarme, a maioria das vezes eu teria dormido."
Eu pensei naquilo também, meu sono era pesado e a tela do tempo mostrava que havíamos dormido 1 hora apenas. Achei que deveria ser mais um experimento ou droga que eles nos deram.
A pasta respingava na suas roupas mas ele sorriu para mim e escreveu na tela:
"Muito obrigado."
Não sei o que acontecia comigo, a felicidade tinha invadido meu rosto e por dentro eu parecia ofegante. Só muito tempo depois eu percebi por quê.
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