Tudo sempre fica bem.

1 Capítulo 1: Traição


Notas iniciais
( O nyah resolvei excluir minha história, mas como sou insistente aí vai ela novamente. ) Não sei se vocês vão gostar... Acho que perdi a prática de escrever, mas estava com muita saudade de postar aqui. Capítulo dedicado a minha querida Laís, Larissa e Ana Clara. Espero de todo coração que vocês gostem!

Por João Lucas

Quando era pequeno ficava minutos e mais minutos rodando em torno do meu próprio eixo, pois quando parava tinha a sensação de estar enganando o mundo. Tudo a meu redor continuava rodando, menos eu.

Agora, sentindo a mesma sensação, a detesto. Dessa vez quem me enganou foi o mundo, não eu a ele. Pensei que tudo estaria tranquilo e em seu devido lugar, mas então uma bomba caiu sobre minha cabeça.

Olho pra garrafa de vodka na minha mão, vazia, e só agora me permito chorar. É assim que me sinto. Taco o vidro na rua, com toda força, e vejo os cacos se espalharem pelo chão. É exatamente assim... Vazio e destroçado.

Escuto alguém me xingando, dizendo que chamará a polícia, e a plenos pulmões o mando ir à merda.

Cambaleio alguns metros até meu carro até que o encontro e literalmente me jogo pra dentro dele.

Por que você fez isso comigo, Eduarda? Por quê?

As lágrimas que já escorriam continuam a cair, mas agora acompanhadas de soluços, gritos e raiva. Muita raiva. Ela me tirou do fundo do poço, me deu uma família, uma vida, e agora me jogou novamente dentro dessa escuridão.

Ligo o carro, esquecendo das centenas de garrafas que virei hoje, e começo a dirigir, sem rumo. Não posso voltar pra casa, não sinto que ainda tenho uma.

O meu telefone toca, é Eduarda. Recuso a ligação imediatamente e vejo na tela as mais de 50 ligações perdidas. Desligo o celular e o jogo no banco de trás do carro. Será que ela já sabe que descobri tudo?

Acelero sem medo, já me sinto morto, e só freio quando a dor que sinto no peito necessita sair. Grito, bato as mãos no volante e choro. Queria ser forte o suficiente para não demonstrar o quanto dói, mas não posso, era ela a minha força. E agora é a minha fraqueza...

Olho para minhas roupas, minha camisa social aberta, minha calça molhada de bebida, minha gravata perdida em algum lugar... Era pra ser um dia comum, mas agora é o pior de todos. Antes, não importava o que acontecesse, eu sempre sabia que Du estava comigo e me ajudaria a ficar de pé novamente. Hoje, porém, pela primeira vez na vida é ela quem me puxa pra baixo, pro subsolo.

Quase 28 anos de casamento, pra acabar assim...

Devia ter suspeitado de sua infidelidade! Devia ter percebido as mudanças dela comigo... Nem sei se posso julga-la, meu corpo não é o mesmo de antes. Depois dos quarenta é difícil manter a forma, meu metabolismo não é tão bom quanto era. Eduarda, porém, continua linda. Eu deveria saber que ela se enjoaria de mim.

Tantos sinais... Tantos: "Não, estou com dor de cabeça hoje..." No fundo eu sabia que alguma coisa acontecia com ela, só não queria ter certeza.

Quando vi o teste de gravidez no lixo do nosso banheiro, dizendo que Du novamente estava grávida, uma felicidade absurda me inundou. Não achei que ainda era possível, já não somos jovens...

Esperei dias, mas ela não me contou. Até que entendi o porquê. O filho certamente não é meu, e sim do seu amante. Jovem, bonito, inteligente... Ele sim será pai, não eu.

Hoje a tarde, quando cheguei do trabalho e vi seu telefone apitando tive a curiosidade se ler suas mensagens.

Daniel.

"O que você achou dos meus seios?"

"Eu preciso que você venha aqui novamente."

"Não posso, tenho medo. Meu marido não pode descobrir!

"Ele vai acabar descobrindo."

"Eu sei, mas só depois que eu tiver coragem de falar a verdade e acabar com tudo isso."

"Ok... Você virá aqui amanhã?"

"Claro."

Deixei o celular cair, aquilo foi tão claro e ao mesmo tempo tão sujo. Saí de casa correndo, fugindo de tudo que li, mas ainda tive tempo de ouvir Eduarda perguntando onde eu iria.

E aqui estou eu. Nem sei mais quem sou! Não me lembrava mais dessa sensação de ter tanto álcool no sangue...

Tudo ainda gira, me sinto enjoado, até que abro a porta do carro e boto tudo pra fora. Depois, limpo meus lábios e inclino o banco do carro. Passados alguns minutos adormeço, ali mesmo, no acostamento de uma rua qualquer, perdido ao meio de tantas decepções.

Eduarda:

Já perdi a conta de quantas vezes liguei, mas certamente foram mais de 100. Passei a noite em claro, pensando em milhares de motivos pro sumiço de Lucas. Sei o que ele viu, mas não posso acreditar no óbvio... Ele não pode pensar isso de mim, não depois de tantos anos juntos.

Depois que o dia amanheceu minha preocupação se exacerbou. Não consigo ficar parada, ando de um lado pro outro. Se ao menos soubesse onde procura-lo, mas não sei. Ele pode estar em qualquer lugar do Rio de Janeiro, com qualquer pessoa...

Escuto alguém mexendo no trinco da porta da sala e então coloco meus olhos naquela direção.

"Graças a Deus" Penso, ao vê-lo. Mas o que digo é completamente diferente.
Du: Qual o seu problema? Acha que eu sou idiota? Quase me matou de preocupação! Por que não atendeu a porcaria do celular? — Grito.

Não há ninguém em casa agora, coincidentemente hoje é o dia de folga dos empregados. E nossos filhos já não moram conosco há algum tempo, Marta e Alfredo estão casados formando suas famílias, já meu caçula estuda fora, em New York.
JL: Me deixa... — Ele responde, frio, sem dirigir o olhar a mim.

Sinto o cheiro de bebida inundando a casa e logo escuto Lucas subindo as escadas.

Respiro fundo e tento compreende-lo. No seu lugar pensaria o mesmo, preciso entender isso. Fora do contexto aquelas mensagens certamente dão a pensar em um adultério.

Espero um pouco e subo as escadas, lentamente, como se estivesse caminhando rumo a forca.

Abro a porta de nosso quarto, que estava apenas encostada, e vejo Lucas saindo do banho, com a cintura enrolada em uma toalha branca.

Ele não tem os mesmos músculos de antigamente, mas confesso que nunca o amei tanto quanto agora... Mas devo dizer: o amor não é igual há 28 anos atrás, e sim tão intenso quanto. Ele mudou, e eu passei a amar as mudanças. Ele envelheceu, e eu passei a adorar cada ruga de seu rosto. Lucas não é o mesmo, nem eu, muito menos o meu amor. O sentimento que sinto por ele é intensamente diferente, muito maior.

Ele caminha rumo ao closet e o vejo pegando algumas malas. Deixo que Lucas a encha com algumas peças, até que me aproximo e me sento na cama.

Ele me olha, e não se aguentando pergunta.
JL: Por quê? Ia doer você me largar, mas dói muito mais agora descobrindo tudo assim. Dói muito mais...
Du: Eu nunca iria te largar...
JL: Claro, é muito mais fácil me fazer de trouxa, me triar...

Sorriu. Como ele é capaz de imaginar outro homem na minha vida? Isso é quase uma piada.
Du: Você leu a mensagem, não é? Quem te deixou mexer no meu celular?

Ele me encara.
JL: Sério? — Sua voz está alterada. — Eu ainda tenho que te dar satisfações? Eu acho que não te conheço, a pessoa com a qual casei não é tão cara de pau assim... Não era tão nojenta e sórdida!
Du: Eu não te traí! — Grito, e me levanto de súbito. O quarto fica em silêncio até eu prosseguir. — Quer saber, ta doendo muito essa tua desconfiança.
JL: Eduarda, eu vi! Tu e seu amante conversando coisas que só casais muito íntimos falam. Ele é um garoto, tem idade pra ser seu filho! É por isso que você não me deixava mais te tocar, que ficava me evitando, né? Aposto que o novinho está dando conta do recado. Me conta, os orgasmos com ele são melhores do que comigo? Você também deita no peito dele e o faz acreditar que é o homem mais sortudo do mundo? Também diz que o ama? — Há uma grande ironia no seu tom de voz.
Du: Você está me ofendendo. — Digo, ríspida. — Tu entendeu tudo errado! Não é por isso que estou te evitando! Eu jamais ficaria com outro, eu te amo caramba. Que droga!
JL: Vai negar que se encontrou com ele? Que o mostrou seus belos seios?
Du: Não. Isso é verdade! — Lucas me fita, perplexo. — Mas não pelo motivo que você está pensando! — Lágrimas começam a descer de meus olhos, respiro fundo e continuo. — Nossa filha está grávida. A Martinha fez o exame aqui... Pediu que não te contasse nada, queria anunciar quando toda a família estivesse reunida.
JL: O que? Eu vou ser avô... — Ele parece não acreditar.
Du: É... Quando eu recebi a notícia, apesar de feliz, me dei conta de que estou ficando velha... Procurei um médico, um cirurgião plástico, pra quem sabe dar uma puxada aqui, uma erguida ali...

Ele parece se dar conta do que realmente aconteceu. Lucas se senta na cama, ainda em estado de choque, e eu continuo. Ele precisa saber de toda a verdade.
Du: Pra mim você é o cara mais lindo desse mundo, e um dos meus maiores medos é que se canse de mim. Que perceba que qualquer mulher cairia a seus pés.
JL: Eu não posso acreditar... Você é perfeita! — Seus olhos estão marejados, sua voz tremula. — A mais perfeita de todas!

Me sento a seu lado na cama, e pegando em suas mãos digo.
Du: Você me ama tanto quanto eu te amo, não é? — Há lágrimas escorrendo por meu rosto. — Eu nunca te trairia, nem em sonhos... Que na verdade seriam pesadelos. Acredita em mim?

Ele não precisa dizer nada. Percebo tudo o que sente só por seu olhar. A certeza do meu amor, a culpa por duvidar, o alívio por saber a verdade.
Du: Tem mais uma coisa... — Respiro fundo. — Eu não queria que você me tocasse por outro motivo... Medo de tu sentir, de perceber que... — Minha voz embarga, não consigo continuar.
JL: O que, Du?

Tiro minhas mãos de cima da sua e as levo até minha blusa. A arranco e em seguida tiro o sutiã. Lucas observa tudo em silêncio, sem dizer uma palavra.
Du: Coloca a mão! — Ele me lança um olhar de safado, mas ao ver a seriedade do meu olhar trava.

Suas mãos se aproximam lentamente de meus seios e logo as guio até onde queria.
Du: Sente isso? — Estou chorando.
JL: Eduarda... — Seus olhos estão arregalados, sua face estatizada. Ele já entendeu.
Du: Um tumor... O médico ainda não sabe se é maligno, ou benigno. E... — Eu não consigo mais falar. Finalmente, depois de semanas tentando ser forte, desabo.

Meu marido me abraça, me apertando contra seu corpo, tentando me livrar de toda angustia e medo que sinto. Lucas sabe que quanto mais apertado um abraço é, mais alivio trás.
JL: Vai ficar tudo bem, não vai ser nada... — Ele diz no meu ouvido, não sei ao certo se pra mim ou para ele mesmo.
Du: Eu to com tanto medo...

Ele me solta, e segurando minha cabeça frente a sua diz:
JL: Eu to aqui com você, não to? Não precisa se preocupar, vai ficar tudo bem! Você é a pessoa mais forte que conheço, vai deixar uma coisa tão pequena te derrubar?
Du: Eu não me sinto tão forte assim. — Respondo. — Essa coisa pequena pode me ma... — João Lucas coloca a mão sobre minha boca, não permitindo que eu termine a frase.
JL: Eu não admito que você diga isso, ok?! Não importa o que seja, a gente vai passar por isso junto, e vamos sair dessa juntos mais fortes do que nunca. Você tem um neto pra conhecer, um bisneto, um tataraneto...

Sorriu.
Du: Também não exagera...

Sinto suas mãos passando por meu rosto, enxugando minhas lágrimas e fecho os olhos para sentir seu toque.
JL: Por que você não me contou desde o começo? Por que queria esconder isso de mim?
Du: Eu não conseguia. A ideia de te fazer sofrer me angustiava.
JL: Eduarda, por você qualquer tipo de sofrimento é válido. — Ele passa a mão por meus cabelos, que a muito tempo deixaram de ser ruivos. — Minha mulher, minha guerreira, minha amiga, e minha vovó...
Du: Meu vovô... — Riu e ele faz o mesmo.

Lucas aproxima seu rosto do meu e ficamos de testas coladas. Eu te amo, penso, e tenho certeza que isso também passa por sua cabeça.

Seu hálito quente de pasta de dente me acalma, até que o sinto cada vez mais próximo. Seu lábios colam nos meus e sua língua entra em minha boca. Retribuo cada toque seu, e demonstro que realmente preciso dele.

Ele deixa de beijar minha boca e começa a distribuir beijos por meu pescoço, descendo até o colo, já nu. Sua barba por fazer me dá cócegas, e eu me permito sorrir.

Sinto suas mãos abrindo minha calça, e então o ajudo nisso. Arranco tudo que me cobria e entrelaço minhas pernas em torno de seu corpo. Lucas havia acabado de sair do banho, seu cheiro é forte e delicioso. A parte abaixo de sua cintura estava coberta apenas por uma toalha, mas agora ela não se encontra mas ali, nem ao menos vi quando ele a jogou longe, mas sinto quando ele entra dentro de mim.

Solto um gemido sem policiamento. A casa é só nossa, e eu estava com saudades de ser só dele. Lucas aumenta os movimentos e eu arranho suas costas. Não somos tão ágeis como antes, mas temos algo que só o tempo dá. Prática e sabedoria. Ele sabe o que fazer, sabe o que me dá prazer, me conhece como ninguém.

Seus lábios passam por minha orelha e ele sussurra algo em meu ouvido.

Nossos corpos suados depois de uma longa tarde de amor se separam, mas logo voltam a se encontrar quando deito em seu peito. João Lucas acaricia meus cabelos, me fazendo cafuné, e diz:
JL: Você me desculpa dela desconfiança? — Eu fico em silêncio mas ele sabe que a resposta é sim, sempre é. — Vai ficar tudo bem, ok? Confia em mim...

Cansada da noite em claro e de toda agitação do quarto, me sinto sonolenta. Fecho meus olhos e logo em seguida não estou mais ali.

"Uma linda menina corre até mim. Vejo minha filha e meu genro logo atrás, e escuto a criança me chamando.
_Vovó, vovó.

Ela pula em meus braços e me dá um beijo na bochecha.
_Vó, a mamãe disse que você vai me ensinar a jogar vídeo-game, igual fez com ela...
_É, vou sim! — Respondo, sorrindo.
_ Todo mundo na escola ficou com inveja porque eu tenho a vó mais legal do mundo.
_ E o vovô mais legal também! — É Lucas quem diz, com um sorriso no rosto"

Abro meus olhos e tudo está escuro. É noite...

Algumas lágrimas transbordaram do meu olho. Parecia tão real... Como se fosse uma premonição.

Sorriu, e limpo meu rosto.

Sim, era uma premonição! Tudo fica bem, sempre fica. Acredito cada dia mais nisso.

Notas finais
Espero que a história não seja excluída novamente, e que vocês consigam ler. ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!