Tudo que a gente tem de errado

1 Capítulo 1 - Essa é uma história de amargar


Notas iniciais
Música do título: Tudo Que Ela Gosta de Escutar - Charlie Brown Jr Aesthetic: Fernanda Cavalcanti

O corredor do Colégio São Carlos estava cheio de alunos. Todos os adolescentes usando o uniforme do colégio: saia xadrez em tons claros de cinza e amarelo para as meninas, calça cumprida da mesma tonalidade de cinza para os meninos e uma camisa de manga curta branca com o nome da escola e seus nomes.

O chão era feito com azulejos lisos e escorregadios, perfeitos para qualquer um escorregar, as paredes eram brancas, mas cheias de mapas dos mais diferentes tipos, frases famosas e fotos de personalidades importantes para história do Brasil e do mundo.

Paradas em meio a tanta confusão estavam três garotas, duas encostadas na parede e a outra perto delas.

—Vocês viram? — Perguntou a que não estava na parede.

Sua saia estava mais para cima do que deveria, parando na cintura marcando as curvas que já se formavam, tinha pele um pouco clara com várias pintinhas pelo braço, o cabelo loiro e liso estava preso em um rabo de cavalo alto, sua voz saia clara mesmo que estivesse com um pirulito de morango na boca manchando os lábios carnudos. Parecia ter uns 16 anos como as outras garotas e no uniforme dizia Ana Clara Rodrigues.

Uma das outras adolescentes, bem mais baixa que ela, virou o rosto em sua direção sem entender enquanto arrancava o esmalte escuro da unha como se estivesse nervosa.

—Os garotos, Cami — Falou a loira impaciente tirando o pirulito da boca fazendo um estalo.

—O que tem os garotos? — Ela perguntou de volta.

—Estão bem mais... — Fingiu pensar em um adjetivo — Atraentes.

Deixou claro no jeito que moveu o corpo e na voz que não exatamente isso que queria dizer.

—Eles cresceram mais um pouco, só isso.

—Se fosse só isso... — Comentou a outra, morena com cabelos ondulados e brilhantes, ajeitando a saia para cima.

—Parem com isso — Pediu a mais baixa passando a mão no cabelo liso, castanho claro é que batia nos ombros.

—Isso o que? — Perguntou Ana Clara.

—Ficarem se exibindo pros meninos — Bateu o pé irritada.

—Ah, faça-me o favor, Camila. Até parece que...

No final do corredor vinha mais uma menina deslisando com um skate que parecia que parecia velho já.

Alguns alunos olharam em sua direção curiosos, outros pareciam nem se importar, como se aquilo fosse normal.

—... Você não está interessada em nenhum menino.

A garota do skate parou ao lado das meninas. Seu cabelo ia até o final das costas e parecia precisar urgentemente de um corte, era liso e castanho não muito escuro e nem muito claro e, a pele era morena e o rosto bonito mas, ao contrário das outras meninas, praticamente sem maquiagem apenas uma base da cor de sua pele.

O uniforme estava no lugar certo, mas ao contrário da maioria das garotas, que usavam sapatilhas, estava com um all star surrado e de cor indecifrável.

Fez uma careta ao perceber o assunto das garotas e sem nem dizer um "oi" perguntou:

—Alguém viu o Paulo?

—Já vai arrumar confusão com meu irmão nessa hora da manhã, Fer? — Perguntou Camila revirando os olhos.

A morena, Fernanda, riu mostrando dentes brancos e perfeitos.

—Mas é claro que sim, não perco uma oportunidade de pegar no pé dele.

—O que é isso? — Perguntou a outra garota, Renata Alcântara dizia seu uniforme.

Ela indicou a caixa de papelão que Fernanda trazia na mão esquerda, ela sacudiu provando que estava vazia.

Outra risada.

—Tá felizinha, eim Dona Fernanda — Comentou Ana Clara.

—Fizemos uma aposta, eu e Paulo: quem pregar mais peças na escola até o final do semestre ganha.

—Ganha...

—O direito de ter o outro como escravo pelas férias inteiras e por mais 15 dias de aula.

—Escravo?! — A baixinha exclamou surpresa e começou a arrancar mais esmalte.

—Ele vai ter que fazer o que eu quiser, durante um mês inteirinho!

—Você ainda não ganhou — Observou Renata.

—Mas já sei que quem vai ganhar e sou euzinha aqui, então se me dão licença tenho que esfregar na cara dele que vou abrir o ano com chave de ouro.

Ela tomou impulso com o pé e andou com o skate indo até o final do corredor.

—Eu tenho a pequena impressão de que isso não vai dar nem um pouco certo — Ela ouviu Camila comentar de longe.

Percorreu os olhos pelos corredores, desviando das crianças e adolescentes que apareciam na sua frente, conhecia Paulo a tanto tempo que já esperava que ele estivesse no pátio, conversando com os meninos perto do jardim.

Parou o skate dirigindo o olhar para o banco tão conhecido, na frendo dos jardins, sentado na parte de cima do banco de madeira colocando os pés onde deviria estar sentado, estava Paulo Rezende.

Conversava animadamente com outros meninos da classe dos dois, seu cabelo castanho estava tampado pela touca cinza, deixando apenas um pedaço a mostra, a pele estava bronzeada devido às férias, parecia mais alto e um pouco musculoso... Nada que intimidasse Fernanda.

Pegou o skate com a mão livre ajeitando a mochila no ombro e desceu os degraus que levavam até o pátio aberto ao ar livre.

Quando ela estava quase chegando, Bento, seu melhor amigo, acenou, chamando a atenção de Paulo.

Passou por uma lixeira jogando a caixa nela, Paulo levantou uma de suas sobrancelhas grossas.

—Bom dia, garotos! — Exclamou a menina.

Eram cinco: Paulo, Bento, Diego, Luiz e Leonardo.

—Bom dia, Fefa! — Paulo disse com um tom provocativo sabendo que ela não gostava desse apelido.

Os outros quatro viraram a cabeça em direção à morena esperando parar ver sua resposta, como uma partida de tênis.

—Já começou? — Fernanda perguntou trocando o peso da perna.

—Comecei a planejar, e você já colocou em ação, estou certo?

Ele indicou o lixo com o queixo, sorrindo de lado.

Fernanda virou o rosto e encontro no caminho também duas ou três garotas suspirando, ela mesma tinha que admitir: ele ficava sexy fazendo aquele movimento, Paulo sabia bem disso.

—Quando ouvir um grito, já sabe o motivo então — Fernanda voltou sua atenção para ele respirando fundo.

—Vocês estão muito profissionais — Comentou Bento balançando seus cabelos cacheados — Vão levar mesmo esse troço de aposta a sério?

—Claro que eu vou, gatinho.

Ninguém comentou ou a zoou pelo "gatinho" todos já estavam acostumados.

—Não sei nem quem está mais fodido — Comentou Luiz

—Ele — Falou Fernanda.

—Ela — Falou Paulo.

Trocaram um olhar irritado.

—Aí está! — Bento falou empolgado.

—Eu vou pra sala, cansei de vocês — Apesar da frase soar mal educada, Fernanda disse sorrindo.

Ela deu uma corridinha, passando pelas pessoas apressada.

—Essa garota vai fazer um estrago danado com você, Paulo — Luiz riu, ainda acompanhando a garota com o olhar.

—Ela já faz — Caçoou Leonardo, fazendo todos rirem, menos obviamente Paulo.

—E para de olhar pras pernas dela, Luiz — Reclamou Bento batendo na cabeça do amigo.

—Desculpa, não da pra evitar.

—Vamos mudar de assunto — Paulo usou uma voz autoritária, que só fez seus amigos rirem mais.

Ele com certeza não queria falar sobre as pernas de Fernanda.

•••

A sala do segundo ano A estava em silêncio, ao contrário dos dois primeiros professores, que ficaram se apresentando e querendo saber o nome de todos e sobre a vida dos novatos para enturma-los, o de química geral resolveu passar matéria justo no primeiro dia de aula, os únicos que estava felizes eram os nerds e Fernanda, que gostava de química.

O professor copiava a matéria igual um louco no quadro, numa velocidade que quase fez Paulo desistir de tentar acompanhar, mas ele precisava ir bem em química ou seus pais iriam mata-lo.

O silêncio foi quebrado, mas não dentro da sala.

Um grito estridente feminino. Não parecia ter vindo de muito longe dali.

Todo mundo levantou o olhar, algumas meninas deram gritinhos assustadas, alguns meninos também se assustaram, mas disfarçaram bem, como se tomar um susto não fosse algo digno de um garoto.

Fernanda, que gostava de se sentar no meio da sala, virou a cabeça em direção ao fundão. Mais precisamente em direção à Paulo, ele havia tomado um susto, Fernanda percebeu, tinha bagunçado os cadernos e quase rasgou uma página.

Ela lhe lançou um sorriso. Um sorriso desafiador.

"O que você fez?" Perguntou o garoto apenas com os lábios.

Mais gritos. Uma mulher passou correndo pelo corredor.

—Um sapo! Diretora Viviane!

A sala tinha janelas que permitiam a visão do corredor. Os alunos reconheceram a professora de artes gritar indo em direção a sala da diretora.

A maior parte da sala caiu em risadas, até mesmo Paulo riu. Ninguém gostava daquela mulher mesmo.

—Parem! — Gritou o professor irritado — Chega de bagunça! Silêncio agora!

A sala pareceu relutante, alguns alunos queriam comentar sobre o que tinha acontecido.

—Como vai superar essa, eim Paulão? — Sussurrou Leonardo debochando do amigo.

—Como você sabe que foi ela?

E então Fernanda se virou de novo, uma das mãos fechada e a outra com o dedo indicador levantado.

1 a 0.

Leonardo riu.

Droga, pensou Paulo.

Notas finais
Alô, alô, cambada! Vou das uns avisinhos aqui... Todo titulo capítulo vai ter uma frase de alguma música, não necessariamente como se fosse uma música tema do capítulo, mas como algo que tenha haver com a historia. A dese capítulo eu considero música de do Paulo, por exemplo. Também vai ter um aesthetic (essa montagem de fotos) de um personagem, de um casal ou do próprio capítulo. Professor de química geral foi baseado no meu próprio professor, que consegue fazer 3 folhas de fichário ficarem cheias com 40 minutos de aula. Me avisem se acharem algum erro, e desculpa pelo mesmo!