Tudo que Poderia ter Acontecido

23 A garota na vez do nono


Notas iniciais
Olá meus queridos. Aqui sem demora está mais um capítulo, o penúltimo desse arco. Espero que gostem daquilo que vão ler e espero que realmente comentem e me digam tudo que estão achando, preciso saber se devo ou não continuar. Se tudo der certo e a história ainda estiver viva não se preocupem porque esse é o último arco dramático que teremos e então coisas incríveis irão ocorrer. Por favor comentem, favoritem, recomendem enfim incentivem a fanfic a sobreviver e continuar. Não quero que esse seja o último arco. Boa leitura e beijos.

A TARDIS havia acabado de se materializar atrás do bar em que Rose e Oswin eram obrigadas a trabalhar. A garota impossível seguiu as instruções, correu até a cabine azul colocando o papel escrito em caligrafia vermelha na porta da frente e em seguida saiu em disparada se escondendo. O Doctor enviou a mensagem para si mesmo em sua nona regeneração através do papel psíquico em um pedido de ajuda juntamente com as coordenadas. A única coisa que permitiria que o nono Doctor soubesse o que fazer seria o papel deixado em sua porta. Para evitar anomalias ainda mais graves o Doctor que enviou a mensagem decidiu que Oswin deveria colar o bilhete na porta da TARDIS e o resto aconteceria sem que precisassem se preocupar.

Clara ainda assim permaneceu espiando a cabine azul até que um estranho homem de grandes orelhas e jaqueta preta irrompeu da nave espacial com certa alegria inesperada como se aventura fosse a única coisa que pudesse satisfazer meramente seu espírito. Ele respirou profundamente como se isso fosse indicar o local em que estava e quando se virou prestes a trancar a TARDIS viu o bilhete que dizia: “Encontre Rosalie Smith, ela precisa voltar a acreditar. Convence-la salvará o universo de toda a fúria de uma tempestade eminente”. O Doctor guardou o papel no bolso e pareceu levemente insatisfeito, odiava quando ele enviava mensagens para si mesmo do futuro e a caligrafia daquele bilhete mesmo diferente não podia pertencer a outro homem. O tempo precisava ser sempre tão horrivelmente complexo?

O homem atravessou o beco lateral do estabelecimento e finalmente se viu na frente do estabelecimento. Suspirou profundamente de novo e abriu a porta. O lugar estava cheio de homens com chapéus sentados em suas mesas; nos pequenos palcos haviam garotas jovens demais dançando e enquanto seus olhos procuravam alguém que pudesse ajudar apenas viu uma garota morena no bar: ela estava servindo bebidas. Felizmente aquela pequena parte do bar não estava muito cheia e a garota com o crachá escrito Oswin parecia desesperada para se desviar de um dos clientes.

–Deseja algo senhor? – Perguntou Oswin com um leve sorriso, era estranho encarar uma versão diferente do Doctor.

–Sim – Disse o Doctor encarando perplexo toda a promiscuidade do ambiente – Rosalie Smith é uma das garotas que trabalha aqui?

–Ela acabou de sair pela porta dos fundos para tomar algum ar – Explicou Oswin que estava observando Rose desde que retornou para o bar – Talvez um cliente a tenha seguido

O Doctor assentiu com as sobrancelhas franzidas como sempre fazia. Ele caminhou até a parte de trás e não viu nada além da TARDIS, foi até o beco lateral e então pôde ver em meio a escuridão da noite a sombra de uma garota de saltos altos, vestido curto que talvez brilhasse e cabelos longos cacheados. Ainda assim ela não estava sozinha, havia um homem muito próximo segurando seus braços.

–Rosalie... – Disse o homem desconhecido – Eu irei te pagar.

–Não faço isso por diversão – Começou Rose quase furiosa e cambaleante pela bebida – Se quer algo, pague!

O homem a empurrou furioso e Rose bateu contra a parede do beco com um forte impacto e então o desconhecido se afastou. Rose encostada na parede segurando sua garrafa de uísque apenas se abaixou ficando sentada contra a parede. Nesse momento o Doctor achou que deveria se aproximar, ele não podia ver o rosto da garota no beco escuro, mas se sentou ao lado dela com certa distância e então percebeu que ela movia a cabeça para olha-lo. O rosto do Doutor recebia alguma iluminação advinda da parte dos fundos do bar, contudo o rosto de Rosalie era apenas sombras. O Senhor do Tempo tinha certeza que a garota era loira, mas nada além disso podia ser revelado.

–Você... – Rose estreitou os olhos reconhecendo o Doctor, reconhecendo o primeiro homem que tomou seu coração de forma tão definitiva.

–Olá, eu sou o Doctor – Explicou o homem com a voz tranquila – Você... é Rosalie Smith.

Rose assentiu compreendendo que o Doctor havia chamado sua regeneração anterior, antes mesmo de conhece-la, para convence-la de algo que ela não faria. O que um homem que ainda não a conhece poderia dizer de reconfortante? Por que tinha de ser sempre o rosto do nono homem a salva-la? Rose deixou a garrafa de uísque ao lado e sentiu que seus olhos se enchiam de lágrimas pelas coisas que havia passado, pelas coisas que havia visto e perdido. Era sempre assim o êxtase e então o caos.

–Sim, sou eu – Respondeu a garota com a voz pesada pela bebida.

–O que houve com você? – Perguntou o homem com seus grandes olhos azuis.

–Eu me casei com um homem...com um aventureiro – Começou Rose respirando profundamente – Ele era exatamente como todos os aventureiros...inconsequente, maravilhoso e imprevisível, mas me amava. Deus como ele me amava e isso era tudo que eu precisava, nada mais no meu mundo poderia ser mais importante do aquele homem.

–A mesma velha história de amor – Continuou o Doctor.

–Erámos felizes até que um dia viemos até essa cidade, mais uma aventura – Rose secou as lágrimas – Mas ele me deixou para trás, ele se foi e eu esperei por ele até que eu cai...eu cai rumo a essa sarjeta...eu estou no fundo do poço Doutor.

–Ele jamais voltou por você? – Perguntou o Senhor do Tempo.

–Sim, ele voltou – Garantiu Rose respirando profundamente – Mas eu não sei se devo aceitar a minha velha vida de volta...eu deveria?

–Algumas vezes na vida... – Começou o Doctor engolindo em seco – As pessoas que amamos nos decepcionam, algumas vezes mesmo quando desejamos profundamente fazer a coisa certa...não conseguimos.

–Eu deveria...compreender? – Rose ainda encarava a parede na frente dela.

–Talvez precise desfocar e reavaliar o mundo que tem agora – Começou o Doctor agora gesticulando com as mãos – O mundo é lindo, o universo é fantástico, mas nada nunca será mais poderoso do que o amor, do que a compaixão e do que uma vida humana plena. Olhe para você agora e me diga...está desperdiçando seu tempo nesse mundo? A vida humana é extremamente curta Rosalie Smith, o que está fazendo com a sua?

–Mas ele é tudo...ele é tudo que há de terrível, tudo que há de bom – Começou Rose colocando a mão sobre o próprio peito – Eu já não lembro mais como é não o amar.

–Então o ame – Completou o Doctor sorrindo.

–Deus, só podia ser você – Rose sorriu levemente – Obrigada por isso.

–Recebi esse bilhete – Começou o Doctor entregando o papel para Rose que o segurou – Você não pode enxergar mas tenho certeza que é a minha própria caligrafia.

–Como isso poderia ser possível? – Questionou Rose como quem não entende devolvendo o papel.

–Eu acho que compreende muito bem como é possível – Respondeu o Doctor sorrindo e finalmente se colocando de pé oferecendo a mão para Rose Tyler se levantar – Adeus Rosalie Smith.

Rose aceitou a mão do Doctor sabendo que se levantaria e estaria protegida pelas sombras; ainda não era o tempo daquele rosto conhecer o rosto de Rose Tyler. Ele ainda tinha uma longa jornada até ela e juntos eles teriam uma longa jornada até aquele momento e isso era inevitável. O caminho mais longo seria dele, daquele que sempre retornaria para salva-la da mediocridade de uma vida sem sentido. Ainda assim Rose Tyler ao aceitar a mão do Doctor e se colocar de pé não resistiu ao ímpeto e o empurrou contra a parede segurando no casaco dele e o beijando fortemente. Rose se surpreendeu com a retribuição, com o modo pelo qual ele segurou a cabeça dela durante o beijo, do modo pelo qual ele pareceu sentir cada coisa e o modo pelo qual ele parecia simplesmente compreender.

–Adeus Doutor – Respondeu Rose com um leve sorriso quando o beijo terminou.

–Não vejo a hora de conhece-la – Ainda na escuridão os olhos azuis dele pareciam brilhar – Eu tenho certeza que será fantástico.

–Será minha maior aventura – Garantiu Rose permanecendo parada na escuridão enquanto o homem hesitante tomava o caminho de sua TARDIS.

Rose colocou a mão sobre os lábios, afastou o cabelo do rosto e sentiu o peito doer de saudades daquele rosto. Era sempre o mesmo homem, mesmo com rostos diferentes, mas agora podendo ouvir a TARDIS se desmaterializar sentiu que ainda assim os velhos tempos de quando ela era tão jovem faziam falta. Ela havia se acostumado com o rosto daquele que veio depois, contudo nada teria sido possível sem a vez do nono.

A garota saiu do beco e caminhou para a rua gritando em plenos pulmões “Doctor!”, a noite era escura e Rose ainda estava cambaleante pelo álcool, contudo a garrafa havia ficado para trás e não deveria mais voltar. Não foi surpresa quando o Doctor surgiu do outro lado da rua com um sorriso, ali em sua decima regeneração como havia começado a ser em algum momento. Ele estava na calçada e então Rose caminhou rapidamente até o meio da rua e então parou sorrindo para retirar os sapatos de salto alto que a impediam de correr, foi então que a garota viu a expressão assustada do Senhor do Tempo.

–Rose! – Ele gritou em plenos pulmões.

Rose apenas olhou para trás e então notou o carro em alta velocidade que surgiu do outro lado da rua. Ela sabia que o impacto viria, que tudo se perderia, que a vida seria cruel e que o destino seria inevitável. Sentiu que ela era só uma garota de programa, sem telefone e sem rumo presa em um sonho desde os dezenove anos. Sentiu que o nono a havia libertado antes que fosse tarde demais e que seria o decimo a segura-la no final. Ela não queria ir, mas era uma noite fria demais para que qualquer outra coisa fosse possível.

Notas finais
Também gostaria de agradecer aqueles leitores que sempre se fazem presentes como Bih Silva, Lady Luna Riddle e Thasinha. Sabem como são importantes para a história. E por favor leitores fantasmas se manifestem. Preciso que se manifestem. Beijos, beijos queridos.