Tudo que Poderia ter Acontecido

28 A garota na casa das sombras


Notas iniciais
Olá meus queridos. Aqui vai mais um capítulo da fic com o desejo honesto de que comentem e me digam o que estão achando. O próximo episódio será o mais emocionante da história então por favor comentem, favoritem e recomendem por favor para que a fic possa continuar. Além disso gostaria de agradecer todos que participaram até aqui. Enfim, boa leitura e por favor participem.

"Você consegue imaginar um momento em que a verdade correu livre
O nascimento de todos nós
A morte de um sonho
Mais perto do limite."

(Tradução livre da música — Closer to the Edge)

Amy Pond correu em direção ao Doctor. Seus longos cabelos ruivos se colocaram na frente do velho Senhor do Tempo prestes a ser tocado por um espectro do passado, algo que deveria ser esquecido ao mesmo tempo em que Rory Willians se aproximava segurando um dos braços do Doutor em sua Décima Primeira regeneração.

—Ela se foi! Ela pertence ao seu passado! – Amélia gritava e apontava para o espectro da esposa há tanto tempo morta. – Precisamos de você para que tenhamos um futuro!

O Doutor fitou por um instante Amélia Pond e seus olhos eram vazios como se questionasse o quão perto estaria de sair de tudo aquilo, por quanto tempo tudo mais seria preto e branco. Afinal, haveria um momento no qual não estariam em perigo? Quando estariam livres? Ainda havia todo um vazio de coisas a serem ultrapassadas, desafios feitos para não serem vencidos e ainda assim estavam prestes a avançar. O Doutor assentiu ainda tomado pela dor e mais uma vez fitou o espectro.

—Nunca estivemos fora de perigo, gostaria de ter sido capaz de salva-la – Disse o Doutor para o espectro da esposa – Eu sinto muito.

A mulher ruiva sorriu levemente e finalmente desapareceu. O Doutor engoliu em seco colocou as mãos sobre o rosto e respirou profundamente para que um segundo depois Amélia Pond o abraçasse com força e ele compreendesse que nunca estariam fora de perigo, que ele jamais estaria bem, contudo sempre haveria alguém. Haveria sempre uma garota destinada a algo grande demais. O Doutor em sua Décima Primeira Regeneração, Amélia Pond e Rory Willians continuaram a caminhar e em um piscar de olhos estavam diante da grande Torre da Zona da Morte. Adentraram o salão, subiram as escadas cuidadosamente seguidos pelo Doctor Invisível e pela garota Bad Wolf.

O último degrau revelou que a parte superior da torre– local em que o dispositivo deveria estar escondido – prosseguia selada com uma pesada porta de aço; o Doutor apenas encarou a porta por alguns instantes lendo as palavras em Alto Gallifreriano enquanto parecia se esforçar por uma resposta. A escrita típica de Gallifrey não foi traduzida para Amy e Rory, muito provavelmente a TARDIS estava agora distante demais para que a conexão se estabelecesse claramente.

O Doutor sussurrou algo que Amy e Rory não puderam compreender exatamente, mas algo em suas mentes os fez acreditar que a palavra era “tempo” e então a porta se abriu. Ele havia desvendado a charada e agora os três: Amélia Pond, Rory Willians e o Doctor em sua décima primeira regeneração adentravam o local. Ali em meio ao silêncio o espaço parecia antigo e o pequeno dispositivo, necessário para que deixassem Gallifrey, aguardava no centro da sala. Assim que o pegaram se viraram prestes a saírem, contudo enquanto deixavam a Torre na Zona da Morte puderam ter certeza que inúmeros espectros se projetavam. O Doutor invisível reconheceu todos eles assim como o Doctor em sua décima primeira regeneração, reconheceu todas as pessoas que já morreram e ainda morreriam por um Senhor do Tempo. Ali dispostos permitindo a passagem estavam os espectros de pessoas que haviam partido há muito tempo. Entre eles quase no centro da sala estava Rose Tyler de cabelos longos, lábios vermelhos e olhar distante. Apenas mais uma lembrança terrível enviada pela morte inevitável no lugar chamado Zona da Morte.

Ao menos a primeira onda da longa missão estava finalmente concluída. Seria o tempo de visitar a segunda onda.

***

Clara Oswald simplesmente odiava lugares tão escuros. Ainda assim a segunda esfera mais sombria de Gallifrey era composta pelo local nomeado de Casa das Sombras e agora que já haviam atravessado o “sombrio” jardim estavam diante daquilo que poderia ser chamado de “casa”. Clara não pôde deixar de achar que o nome era um tanto quanto modesto afinal se tratava de uma imensa mansão que guardava um estilo provincial, contudo simplório demais para os padrões de Gallifrey. Parecia exatamente o tipo de local no qual não se jogaria todos os Senhores do Tempo que estivessem loucos demais para viver no Capitólio.

—Espere! – Disse Clara em um impulso segurando a mão do Doutor em sua décima segunda regeneração. – Senhores do Tempo loucos estão trancados aqui...não pode ser tão simples entrar e sair.

—Não se preocupe bichinho – Garantiu Missy com as sobrancelhas arqueadas – A Casa das Sombras permite a saída de qualquer um que responder logicamente as perguntas colocadas na porta.

—Se segurar minha mão quando eu responder poderá sair comigo Clara – Garantiu o Doutor girando a maçaneta.

A Garota Bad Wolf e o Doctor invisível seguiram Missy, Clara e o Doctor em sua décima segunda regeneração que caminhavam cuidadosamente pelos estranhos corredores da Casa das Sombras. O silêncio não era absoluto, haviam vozes distantes e gritos assustados, contudo pareciam ecoar longe demais para que representasse uma ameaça imediata.

—Por que não podia se chamar Vale da Luz ou Casa do Contentamento? – Questionou Clara em um sussurro – Por que os Senhores do Tempo não podem ser mais otimistas?

—Ficaria surpresa sobre o quanto Casa das Sombras é um nome otimista – Garantiu o Doctor que caminhava na frente e então viraram o primeiro corredor.

Foi assim que Clara Oswald viu o primeiro deles: um homem caído tinha o rosto absolutamente deformado. Ele não dizia nada apenas se arrastava e parecia enlouquecido pelo erro absurdo em sua aparecia. Primeira maneira de uma regeneração dar errado: fisicamente.

Clara somente continuou a caminhar em último lugar na fila enquanto Missy parecia muito mais preocupada em mexer no próprio dispositivo de teletransporte do que necessariamente ajudar no avanço mais eficiente da missão. Viraram mais um corredor.

Foi assim que Clara Oswald sentiu o primeiro deles: enquanto atravessavam o corredor Clara percebeu algo segurando seu pé. A sensação estranha a aterrorizou, mas ela caminhou mais uma vez até que suas pernas fossem puxadas com força o bastante para que ela caísse no chão. A garota impossível gritou e se debateu enquanto que o Doctor retornava segurando os braços da garota que parecia estar sendo arrastada para um dos aposentos vinte passos à frente. Esses Time Lords não tinham a aparência deformada, contudo a loucura era evidente em suas faces. Haviam perdido o controle sobre si mesmos, sobre o que poderia ser bom. O Doctor encarou Missy em um claro pedido de cooperação, contudo a Time Lady seguiu encarando e mexendo no dispositivo que havia permitido sua chegada. O Doutor finalmente desistiu de tentar arrastar Clara Oswald de volta e apenas apontou a chave de fenda sônica para o teto de modo que um grande barulho se fez afugentando todos os loucos Senhores do Tempo que a arrastavam. Segunda maneira de uma regeneração dar errado: loucura absoluta.

Foi assim que Clara Oswald se colocou de pé na frente da porta já aberta do local no qual os loucos Senhores do Tempo pretendiam arrasta-la. A garota respirou profundamente pronta para dar os cinco passos necessários para alcançar o Doutor quando um sussurro a atraiu profundamente. Por mil vezes alguém dentro do aposento na qual estava sendo levada sussurrava “Garota Impossível” e foi isso que fez Clara se virar e adentrar o local.

O Doutor a seguiu com um suspiro profundo prestes a dizer coisas que não deixariam Clara Oswald feliz, contudo ele se fez mudo ao ver a mesma coisa que Clara. Ali diante deles havia uma grande mesa de madeira, uma velha mulher sentada, roupas vermelhas típicas de Gallifrey, unhas longas e corpo marcado por coisas escritas. Ela olhava os papéis e os escrevia compulsivamente, sussurrava palavras rápido demais e sua mão esquerda posta sobre a mesa batia quatro vezes. Quatro vezes como ao som dos tambores.

Terceira forma de uma regeneração dar errado: se tornar uma vidente.

—A garota impossível – Começou a velha mulher ainda batendo quatro vezes na grande mesa – Soprada para esse mundo em uma folha e destinada a deixa-lo nas asas de um corvo.

—O que isso significa? – Clara franziu as sobrancelhas encarando o Doutor que estava ao lado de Clara e fitava perplexo a vidente que sabia demais sobre o futuro e o passado.

—Ela está chegando – Garantiu a Vidente agora olhando para o Doutor – O tempo da vingança, o nascer de Nêmeses.

—Vamos sair daqui e esquecer essas bobagens Clara – Garantiu o Décimo Segundo em seu habitual tom imperativo.

Missy adentrou o aposento quando Clara e o Doutor já estavam na porta. Ela sorriu levemente ao ver a vidente, caminhou cambaleante até a velha mulher e arqueou as sobrancelhas em um desafio. Era sempre sobre loucura, piadas e impossibilidades para Missy ou para o Master.

—Estou deixando esse lugar querido – A voz de Missy quase parecia lamentar – Sabe como é, cada um de nós têm assuntos diferentes para tratar em Gallifrey.

—O que fará com essa vidente? – O Doutor caminhou em direção a Missy.

—Há coisas que ela sabe – Missy agora tremia os lábios como se realmente estivesse incomodada com o tom de voz do Doctor – Não se preocupe, irei devolve-la no momento certo. Quanto ao que procura querido: deveria ir até o último andar.

Missy despareceu junto com a vidente deixando Clara Oswald e o Doctor em sua décima segunda regeneração. A dupla abandonou o aposento e caminhou rapidamente em meio aos gritos para o último andar da Casa das Sombras, assim que se colocaram no único corredor do andar notaram que haviam exatamente doze portas. Doze portas, doze possibilidades, doze temores, doze coisas impossíveis, doze coisas cruéis.

—Creio que a décima segunda porta seja a melhor – A voz de Clara Oswald era confiante ainda que sombria.

O Doctor assentiu e ofereceu a mão para que Clara Oswald a segurasse. Caminharam lado a lado e abriram a última porta do corredor, a porta que carregava o número doze. Foi assim que Clara Oswald sorriu levemente pela aventura, pela loucura e pelo veneno que sempre haveria. Por cada coisa dele, por cada coisa dela. Assim que abriram a porta viram um homem parado em meio ao quarto, ele estava de pé, acorrentado e encarava a porta como se estivesse à espera de cada parte de Clara, de cada parte do Doctor.

—Quem é ele? – Clara sussurrou a pergunta.

—Meu irmão – Respondeu o Doutor.

Cada coisa dele. Cada coisa dela. Cada coisa que poucos sabiam, que poucos conheciam. Todo o tempo e espaço e ainda assim tão pouco sobre o homem que todos chamavam de Doutor. Ainda assim a porta doze poderia revelar algo mais.

Quarta forma de uma regeneração dar errado: esteja quebrado.

Notas finais
O que estão achando? Gostaram? Recomendações? Por favor, falem comigo. Beijos queridos. P.S. O primeiro spin-off sobre a vida do Doctor com Rose Tyler e os filhos terá início amanhã. Se chamará "O céu acima de nós" e espero que possam ler, participar e motivar a continuação - será uma história de poucos capítulos.