Tudo que Poderia ter Acontecido
46 A garota ao som dos tambores durante a quinta onda
Notas iniciais

"Dizem que cada átomo do seu corpo, um dia, foi uma estrela. Talvez não estejamos simplesmente morrendo. Talvez nós estejamos indo para casa..."
O Doctor encarou os amigos a distancia: Donna, Martha, Jack, Gwen, Mickey e Sarah Jane. Todos dispostos a embarcarem em uma missão que os custaria demais e que poderia significar o fim, todos dispostos a se sacrificarem, mas ele sentia que não valia todo aquele esforço. Ele sentia os tambores em sua mente, as quatro batidas e sabia de uma forma intuitiva que isso o mataria cedo ou tarde…seriam as quatro batidas as únicas responsáveis pela sua morte.
—Como está indo? — Questionou Amy Pond se aproximando e sentando ao lado do Doctor.
—Não deveria estar aqui — Disse o Doctor mais uma vez notando que Rory Willians também havia chegado e se aproximava do outro grupo.
—Eu sei que tenho Melody, sei que tenho uma filha mas quero ajudar — Pediu Amélia apenas o encarando preocupada.
—Foi você — Disse o Doctor fazendo a garota abrir os olhos surpresas. — Foi você durante meu luto, todo o meu luto. Quando compreendeu sua missão?
—Compreendi no dia que te conheci…no dia em que vi novamente você e aquela mulher loira fazendo meu parto — Explicou Amy com um leve sorriso — Naquela noite eu entendi que vocês eram viajantes do tempo, apenas isso poderia explicar porque pareciam mais velhos quando eu era uma criança e quando me tornei adulta pareciam mais jovens.
—Rose foi até você…ela foi até você e te entregou as datas, os lugares e os horários em que deveria estar para me entregar todas aquelas coisas — Começou o Doctor ainda preocupado com o som dos tambores — Ela foi longe demais descobrindo todas essas datas, descobrindo onde eu estaria…descobrindo quando morreria.
—Talvez ela apenas quisesse te guiar — Afirmou Amy.
—Como ela descobriu tudo isso? Como ela poderia descobrir tantas informações vitais para entregar a você? — Questionou o Doctor como se quisesse encaixar um quebra cabeças impossível.
—Foi ela, tenho certeza que era Rose. Eu tinha oito anos quando ela me entregou todas aquelas coisas…e me disse o que deveria fazer — Assegurou a garota — Eu não sei como ela descobriu, mas talvez tenha recebido as informações de alguém.
—Sim, talvez — Respondeu o Doctor segurando a mão de Amélia — Obrigado por ter feito isso, obrigado por ter esperado.
—Acha que seus filhos estão mortos? — Perguntou Amy com os olhos muito preocupados.
—Ainda estou na fase da esperança porque escuto quatro tambores…eles estão vivos. Sinto que estão vivos — Disse o Doctor engolindo o seco — Mas sinto algo…poderoso, sinto que eles estão sofrendo muito e que a morte seria mais misericordiosa.
—Não pense na dor, pense sobre eles estarem vivos — Disse Amy com a voz cheia de confiança — Pense sobre como irá salva-los.
—Estão perdidos — A voz do Doctor era cheia de dor — Mas ainda tenho que buscar por eles, ainda preciso deter a Proclamação das Sombras…impedir que eles me coloquem na Caixa de Pandora.
—Você sempre tem esperança — Sorriu Amy de volta.
—Sinto que os tambores batem mais alto e mais alto e quanto mais batem…mais perto do fim tudo chega — O Doctor finalmente soltou as mãos de Amy.
—Qual é o plano? — Questionou a garota ruiva se colocando de pé.
—Vamos atacar a Proclamação das Sombras, iremos matar todos os judons, iremos começar uma guerra e em seguida todos nós estaremos mortos — Simplificou o Doctor com um leve sorriso — Esse é o plano.
***
Martha Jones esperava o momento certo, ela seria a primeira a atacar e isso tinha grande significado. Agora a mulher estava no segundo andar da Proclamação das Sombras -mais exatamente próxima as escadas que desciam rumo ao primeiro piso — ela teria de se jogar no momento que o primeiro grupo de Judons marchasse para prender o Doctor que já materializava a TARDIS e deixava a máquina do tempo.
Os Judons finalmente passaram abaixo da escada e Martha Jones saltou. Saltou com destreza caindo nos ombros de um dos policiais espaciais e o sentia cair no chão após um golpe. Logo em seguida Martha atacou um segundo, um terceiro, um quarto e então um quinto Judon, ela era muito mais rápida com a luta física. Foi então que ela avançou na direção de mais um inimigo — conectou o minúsculo dispositivo na arma do Judon — e então sentiu a onda mortal de choque emanar da arma e derruba-la no chão. Martha Jones foi a primeira a morrer.
Nesse mesmo instante, assim como havia sido combinado, Mickey Smith continuava a atirar de longe e sua mira era certeira o bastante para derrubar os Judons no primeiro andar. Ele sabia que não erraria, ele sabia que sua pontaria era perfeita. Ainda assim podia ouvir outros Judons subindo as escadas ao sul prestes a ataca-lo por trás, mas ele não deixou sua posição. Apenas continuou atirando, derrubando mais e mais deles. Foi então que sentiu o Judon se aproximando atrás de si, ele recuou perante o tiro e se aproximou — conectando rapidamente o minúsculo dispositivo na arma do Judon — e então sentiu o pulso da arma do inimigo. Mickey Smith foi o segundo a morrer.
Quando Mickey Smith caiu já se podia ver emergir do outro lado do complexo a figura ágil de Gwen Cooper que lutava sempre com suas armas. Ela era rápida em recarregar, rápida em atirar e mesmo próxima aos inimigos sabia que seria mais veloz do que eles e isso bastou, bastou porque seus braços eram muito mais móveis e muito mais ágeis. Cada vez mais o exército Judon caia, mas isso não duraria para sempre. A posição defensiva de Gween era marcada pela parede que tinha em suas costas, porém os Judons se aproximavam a cercando, eles se juntavam cada vez em maior número de modo que após algum tempo o simples ato de atirar se tornava mais inútil. Gween mudou rapidamente de arma, atirava nos Judons a sua direita e então com a mão esquerda livre pegou o minúsculo aparelho — rapidamente e sem que nenhum inimigo percebesse e conectou o minúsculo dispositivo na arma do Judon mais próximo — foi então que sentiu o impacto da arma do mesmo Judon a derrotando. Gween Cooper foi a terceira a morrer.
Sarah Jane Smith estava do outro lado do salão conectando os pequenos explosivos por todo o quadrante, não usava armas ou lutava corporalmente, mas sabia que precisaria correr. O Doctor a ensinou a correr acima de qualquer coisa e seus passos eram ágeis e bravos enquanto ela deixava as armas letais que destruiriam os Judons. Sarah Jane conectou o último explosivo, disparou as bombas que a lançaram alguns metros para frente e então se viu deitada no chão com as mãos na cabeça se protegendo. Logo em seguida notou que mais Judons se aproximavam e então se colocou de pé, se desviou de mais um tiro e se aproximou do inimigo — rapidamente conectou o minúsculo dispositivo na arma do Judon — e então veio o impacto do tiro disparada pela mesma arma. Sarah Jane Smith foi a quarta a morrer.
Donna Noble estava pronta assim que a explosão ocorreu. Na ala sul da Proclamação das Sombras ela sabia que teria de terminar com tudo que havia começado e o aparelho que emitiria um som que perturbaria profundamente os Judons já estava preparado. Donna deixou que eles se aproximassem e então ligou a máquina que não a afetava, se desviou dos tiros que em meio a confusão e dor dos inimigos eram dirigidos a lugar nenhum. A mulher se aproximou de um dos inimigos — conectou o minúsculo dispositivo na arma Judon — e então veio o tiro da mesma arma, a mesma onda terrivelmente poderosa a derrubou. Donna Noble foi a quinta a morrer.
Rory Willians sabia que os últimos Judons pertenciam a ele. Que ele seria aquele a derrubar os que ainda restavam, apesar das roupas modernas e negras que usava ele portava uma espada. Não sabia como uma espada havia se tornado sua arma, como isso acontecera exatamente em meio as suas aventuras com o Doctor, mas sempre seria sobre uma espada. Ele tinha em mente que o pescoço era o ponto físico mais fraco dos Judons e era assim que os atacava rapidamente se desviando dos tiros. Agora os inimigos caiam, mais e mais, contudo Rory sabia que o último ainda de pé teria de cumprir um propósito. O humano deixou a espada cair, se aproximou do último Judon de pé e lutou com ele corpo a corpo…Rory sabia que era fraco, mas precisava se aproximar a qualquer custo — conectou assim o minúsculo dispositivo da arma Judon — e então sentiu que perdia inevitavelmente, sentia que o impacto da arma alienígena contra seu coração. Rory Willians foi o sexto a morrer.
O Doctor ainda estava diante da TARDIS, ainda confinado na sala circular na qual a líder da Proclamação das Sombras olhava assombrada para o Senhor do Tempo. A alienígena tinha consigo um concelho com outras quinze espécies extraterrestres e todas ouviram a matança dos Judons. Todos viram pelos painéis os amigos do Doctor morrerem, todos viram a queda de todas aquelas pessoas e a morte de todos os Judons com excessão de um único.
—Isso pode nos impedir de prende-lo agora — Disse a líder da Proclamação — Mas não poderá fugir para sempre porque a caixa de Pandora ainda esperará por você.
—Me observe desaparecer e nunca mais retornar — Garantiu o Doctor se virando de costas.
—O universo quer que seja punido! O universo deseja sua prisão e todos eles irão caçar você até o fim! — Assegurou a líder em gritos.
—Não se estiverem mortos — Respondeu Amélia Pond entrando na sala.
A garota ruiva também usava roupas pretas, tinha o cabelo solto e carregava uma arma na mão esquerda e uma arma idêntica aos dos Monges Decapitados na direita. Sabia que ela seria a última peça de algo que teria de acontecer e ela lutou com aquelas estranhas espécies, algumas ela podia conhecer o nome, mas naquele momento se esquecia. Sabia que precisava se concentrar no único Sontaran que estava na sala, ele era o foco e a garota lutou conseguindo rapidamente se aproximar de seu alvo e então conectou — de forma ágil e imperceptível — o pequeno dispositivo na arma do Sontaran. Em seguida seguiu a luta se desviando e se aproximando do único Judon restante que agora se agrupava tentando ajudar os dois únicos oponentes de Amélia.
Amy conectou o outro pequeno dispositivo na arma do Judon de modo que o inimigo também não percebeu. Agora seria a hora: o Doctor morreria pela arma Sontaran e Amy morreria pela arma Judon. Infelizmente, não foi isso que ocorreu.
Infelizmente planos nem sempre funcionam tal como deveriam porque um Zygon se aproximou pelas costas de Amy Pond e ele se aproximava furiosamente prestes a esmaga-la e o Doctor intercedeu avançando na direção da garota e ambos caíram no chão. O Senhor do Tempo tinha o corpo sobre a garota a protegendo do que poderia vir, mas ele não poderia esperar o que viria. Não dessa vez, porque o Doctor olhou para trás e viu uma criatura, mas no segundo seguinte não podia mais vê-la.
A criatura, mais especificamente o Silencio usou sua habilidade. A enorme onda de eletricidade atingiu as costas do Doctor o fazendo abrir os braços, erguer as costas e ficar de joelhos enquanto ao mesmo tempo o único Cyberman agora com sua arma preparada atirava também no peito do Senhor do Tempo. O Doctor sentiu todas aqueles impactos, toda aquela energia e toda aquela morte. Se colocou de pé ainda absorvendo o a energia e Amy, antes deitada no chão, se colocou de pé na frente do Doctor segurando as mãos do Senhor do Tempo aterrorizada.
O Judon não hesitou em atirar nas costas de Amélia Pond que caiu imediatamente no chão. Amélia Pond deveria ser a última a morrer, mas não seria. Logo em seguida veio o tiro da arma Sontaran atingindo o Doctor pelas costas e o fazendo cair primeiro de joelhos e logo em seguida no chão lado a lado com Amy.
O Doctor fechou vagarosamente os olhos ouvindo o som dos tambores e ouvindo a loucura dentro de sua mente que não podia mais ser suprimida. Ele falhara, falhara estrondosamente, mas tudo que importava era o som dos tambores, era o riso louco do Mestre que ecoava em sua mente como uma lembrança ainda viva.
Ele não havia entendido até então que nunca fora sobre a superação da morte de Rose Tyler e sim que fora sobre a anunciação de sua própria morte. Era o som dos tambores, o som das quatro armas que seriam lançadas: a batida da energia mortal do Silencio, a batida da arma Cyberman, a batida do tiro Judon e então a batida do ataque Sontaran. Quatro vezes bateria antes de sua morte, os tambores bateram quatro vezes.
Os tambores bateram, finalmente era o fim.
Essa fora a quinta e última onda. A onda em que o Doctor finalmente aceitou que tudo chegava ao fim.
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