Tudo por causa do Luigi
4 A cidade
Notas iniciais
– Tia pode me levar para ir conhecer a cidade? — perguntei para a senhora de 60 anos que estava ocupada demais com seu crochê para prestar atenção em mim.
Antes que se perguntem, não eu não conheço a cidade e sim, minha tia mora na roça, mais especificamente em uma fazenda. O fato de eu não conhecer a cidade é que sempre que os meus pais vinham aqui eles nunca NUNCA me levavam a canto algum se não a aqui, e agora toda a minha curiosidade parece estar pulsando dentro de mim para eu sair daqui. Sério, ficar aqui as vezes pode ser exaustivo e monótono mesmo que tio John nos dê alguma tarefa de vez em quando.
– Estou ocupada agora, mas se quiser pode ir com Louis. Certamente seu tio emprestará o carro — ela sorriu gentil, mas só a ideia de ter Louis dirigindo fez meu estômago revirar e virar várias vezes parecendo uma montanha russa de bolo alimentar.
– Sabe, não precisa... — falei sem graça.
– Nós vamos tia — feito um fantasma Louis surgiu bem atrás de mim me fazendo dar um pulo e um gritinho um tanto quanto fresco. Tia Anna sorriu e em seguida tio John apareceu na sala e emprestou a caminhonete para Louis. Comecei a suar frio, andar de carro com Louis nunca foi e nunca será uma boa ideia.
...
– Eu vou morrer, eu vou morrer — eu choramingava agarrada ao banco do carro que nem uma preguiça agarrada ao tronco de uma árvore. A algum tempo o carro tinha parado depois de tanto quase voar pela estrada de terra, e eu até então estava julgando estar morta. Depois de tanto debater internamente eu finalmente resolvi abrir os olhos para o mundo afora.
Louis estava com um braço apoiado na janela do carro e a outra no volante, o rosto tinha uma expressão de tédio e ele mascava o chiclete quase que com raiva.
– Já terminou? — ele me perguntou se virando para mim, pude ver uma de suas sobrancelhas arqueadas por cima do óculos escuro.
– Já — falei me recompondo. Olhei pelo vidro da janela que chegamos finalmente a cidade.
Não era exatamente uma cidade grande como a que eu e Louis estávamos acostumados. Era uma cidade simples com lojinhas e pessoas andando calmamente, diferente de toda aquela correria que cidades grandes têm. Na calçada do lado direito pude ver duas senhoras conversando e rindo enquanto seguravam algumas sacolas de compras. Olhei para o banco de trás onde Luigi dormia tranquilamente quase como se a minutos atrás a velha caminhonete do tio John não tivesse quase voado enquanto Louis dirigia.
– Esse seu gato é do mal — falou Louis olhando para trás também. Eu até teria falado que não, mas isso era algo que eu concordava. — Ok vamos ver o que essa cidade oferece — falou Louis, abrindo a porta do carro e saindo. Olhei mais uma vez para Luigi, eu não queria acordar-lo, mas também não queria deixar ele sozinho. Por fim eu o deixei dormir apenas com uma pequena brecha na janela para o ar entrar. Pelo menos assim ele ficaria quieto.
Tive que correr para poder alcançar Louis que já virava a esquina. pela rua eu via algumas lojinhas de roupas, cosméticos, pequenos comércios e etc. Mas uma coisa que realmente chamou minha atenção foi uma pequena loja quase escondida entre as outras. Tinha o letreiro quase caindo aos pedaços e uma pintura já gasta, mas foi só quando eu entrei lá puxando Louis foi que percebi que aquilo era literalmente só uma fachada.
Lá tinha todos os tipos de jogos, de os mais antigos até os mais modernos. E só assim eu vi o porque de não termos visto nenhum jovem nas ruas , pareciam que todos estavam ali jogando e fazendo o barulho ser quase ensurdecedor naquele lugar abafado.
– Vamos embora Amélia, aqui só tem delinquentes — falou Louis no meu ouvido, após dar uma rápida olhada ao redor. Quase que instantaneamente o barulho acabou e nós fomos o centro das atenções e aquilo não foi nada bom.
– O que você disse mauricinho? — falou um garoto de corte militar e regata que a alguns minutos atrás estava jogando um jogo de luta.
– Ele não disse nada — falei com um sorriso amarelo, mas o garoto não deu importância e veio andando já com os punhos cerrados. Uma rodinha já se formava ao nosso redor e o garoto se aproximava cada vez mais agora soltando xingamentos. Quando eu pensei que ele iria bater no meu irmão um rapaz mais alto que os dois apareceu se colocando entre o garoto e Louis.
– Zack, volte ao jogo — o garoto se virou resmungando, mas ainda lançou um olhar ameaçador para Louis que somente agora percebi que também estava com os punhos cerrados pronto para a briga. O rapaz mais alto se virou para nós. — e vocês vão embora por hoje, e se voltarem cuidado com a língua. — disse essa última parte olhando para Louis.
– Vamos Louis — o puxei para fora e pude ver que ele estava rubro de raiva, se tem uma coisa que ele odeia é ser chamado de Mauricinho. Com os passos irritados de Louis chegamos rápido ao carro, Louis entrou logo no carro, mas antes de eu também entrar meu olhar passou pelo banco de trás do carro — droga, não — falei batendo a cabeça no vidro do carro.
– O que foi? — perguntou Louis do banco do motorista. Dei mais uma olhada só para confirmar.
– Luigi não está aqui — pude ouvir um palavrão e em seguida ele saiu do carro batendo a porta com tanta força que eu pensei que o carro inteiro iria desmontar.
– Gato do mal — resmungou ele começando a caminhar e eu o segui.
Luigi, Luigi você só me dá trabalho.
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