Tudo o que se quer
7 Capítulo 7 - Enganada
Notas iniciais
Acordei me sentindo muito melhor do que no dia anterior e me deparar com um Robin totalmente adormecido ao meu lado foi um fator contribuinte para o meu bem estar. Ele respirava tranquilamente, era algo bom de se observar. Ergui a mão para tocar seu rosto, mas ele abriu os olhos de repetente, me dando um grande susto.
– Você quer me matar do coração? – perguntei respirando forte.
– Nossa, nem de brincadeira. Desculpe, eu apenas tenho bom reflexo. – ele sorriu torto. – Pode fazer o que estava planejando.
Fiz uma careta para ele, mas logo me inclinei, peguei seu rosto entre minhas mãos e lhe dei um belo beijo de bom dia.
– Como se sente? – Robin fitou meus olhos.
– Muito bem. Sou uma mulher forte. — Pisquei para ele.
– Oh eu sei disso. – o homem me empurrou de costas e pairou em cima de mim. – E como sei.
Robin começou a distribuir vários beijos pelo meus pescoço que me fizeram rir e me contorcer embaixo dele.
– Mãe! – ouvimos a voz de Henry soar do lado de fora.
– Saia, saia, saia! – sussurrei apressada para Robin e logo me sentei na cama, ajeitando meus cabelos enquanto Robin desaparecia pela porta do banheiro rindo e carregando suas roupas.
Meu filho entrou correndo pela porta e me deu um abraço apertado.
– Você já sarou? – ele perguntou alegre.
– Sim,estou ótima! – baguncei o cabelo dele.
– Quero levá-lo ao colégio hoje. — eu disse com um sorriso e segurando a ponta do queixo dele.
– Mas eu já combinei com a Emma e irei para a casa dela depois de sair do colégio, ela deve estar chegando. — ele apertou os lábios.
Não pude conter minha expressão reprovadora, mas logo disse:
– Tudo bem, amanhã eu o levo.
– Está bem, mãe! — Henry me deu outro abraço e saiu do quarto.
Suspirei já me sentindo irritada.
– Swan não perde tempo. — revirei os olhos.
– Não precisa reagir assim. — Robin saiu do banheiro completamente vestido. — Ela deu bastante força para o Henry enquanto você estava mal.
– É o mínimo que ela podia fazer já que tudo isso foi culpa dela. — estalei a língua com impaciência.
– Regina… Você e Emma precisam parar com essa briga. Ela também é mãe dele. — ele me olhou nos olhos.
– O que? Está do lado dela agora? — me levantei.
– Não, eu só estou tentando ajudar. Se continuar agindo assim, tudo o que vai conseguir, é afastar seu filho. — o tom dele era acusatório.
– Robin Hood, você não conhece a minha vida o suficiente para dar esse tipo de opinião. Do meu filho cuido eu! — franzi a testa. — É melhor você ir embora.
Ele me olhou com uma expressão quase ferida.
– Como quiser, majestade. — Robin falou com seriedade e saiu do quarto.
Deixei meu corpo despencar sobre a cama. Se uma coisa me tirava do sério, era alguém tentar se meter entre mim e meu filho — mesmo esse alguém sendo meu possível futuro namorado-.
Quando finalmente resolvi deixar o quarto, vi que no meu escritório havia mil papéis para serem analisados. Adiministração não é nada fácil.
Depois de algumas horas trabalhando dei uma pausa e fui para a cozinha procurar algo para comer, logo a campainha tocou e quando e abri a porta:
– Arthur. — sorri para o homem que havia salvado minha vida, mas me odiando por dentro por ter uma dívida com ele.
– Vejo que está curada. — ele pegou minha mão e a beijou.
– Muito obrigada por tudo o que fez, ainda não tive a chance de agradecer. Se precisar de algo, deixe-me saber para que eu possa recompensá-lo. Por favor, entre. — fiz um gesto com a mão.
– Estava na minha vez de pagar a dívida, pois você tinha me ajudado a encontrar uma casa. — sua voz era rouca, mas clara.
– Salvar uma vida. Mostrar uma casa. — ergui as duas mãos fingindo estar pesando cada uma das situações, o que o fez rir.
Conversamos por um longo tempo sobre a cidade onde ele morava e sua vida como treinador de cavalos. Ofereci-lhe torta de maça e seus elogios foram um tanto exagerados.
– Regina, pode ser impressão minha, mas você me parece um pouco desanimada. — ele comentou.
Pensei em Robin, na resposta que eu havia dado e o quanto soei estúpida.
– Talvez. — respondi vagamente.
– O que houve? — ele ergueu uma sobrancelha e apoiou um cotovelo sobre a mesa para chegar mais perto. — Talvez eu possa ajudar.
– Não, ninguém pode. Eu, sendo eu para variar… Falei algumas coisas desagradáveis para uma pessoa. — olhe pela janela fitando minha macieira.
– Isso é fácil de resolver. É só pedir desculpas caso esteja mesmo arrependida.
– E se ele não me desculpar? — mordi o lábio.
– Hood? — ele perguntou. — Se for ele, pela maneira como a olhou no dia do incidente, posso afirmar que perdoaria qualquer coisa.
Robin era uma pessoa boa e estava tentando me ajudar, acho que ele pôde perceber que eu estava apenas irritada e acabei descontando nele, então acabaria me desculpando. Pelo menos era essa a história que eu já estava elencando em minha cabeça.
– Talvez você tenha razão. — sorri. — Obrigada. Vou até a floresta falar com ele.
– Posso acompanhá-la? Vou levar meu cachorro para dar uma volta.
– Claro! Vamos.
Subi e troquei de roupa tomando o cuidado de colocar sapatos apropriados desta vez.
Arthur era uma pessoa fácil de conversar, sempre tinha um assunto ou uma história para contar, seguimos por todo o caminho batendo papo. No final das contas, era bom ter ele como vizinho.
Avistei o trailer de Robin, acenei para Arthur e fui até lá, mas ao me aproximar, ouvi algumas risadas. Achei estranho.
Quanto mais eu me aproximava, mais elas ficavam claras. O pior é que não era apenas a risada de Robin, havia uma mulher.
Percorri o resto do caminho sem fazer barulho e quando tentei abrir a porta, estava trancada. Bati. As risadas e murmúrios cessaram.
– Eu vejo quem é. — ouvi a voz da mulher.
– Não, Marian. Melhor não. — Robin.
Marian? Quem diabos é Marian?
– Não tem problemas, gostoso. Eu vejo.
– Marian, espere. Mari…
A mulher morena escancarou a porta do trailer usando apenas um lençol branco em volta do corpo. Lembrei-me vagamente de tê-la visto uma vez, trabalhando num bar para o qual enviei uma multa, nos arredores da cidade.
– Prefeita? — ela me olhou com um sorriso cínico e divertido no rosto.
Passei por ela em um rompante a empurrando para o lado para ver a cena de o quanto eu realmente estava sendo humilhada:
Robin deitado na cama com apenas uma manta cobrindo suas partes íntimas.
Minha respiração cessou naquele momento. Eu não podia acreditar que ele havia feito aquilo comigo.
– Então era tudo mentira? Cada palavra do que disse era mentira? — perguntei, calma e fria. Meus olhos começaram a arder mas me recusei veemente a deixar escapar uma lágrima se quer.
– Não, Regina! Eu posso explicar… — ele se levantou pegando o pedaço de pano consigo.
Foi o bastante para o barril de pólvora explodir.
– Cala a sua boca! Você não tem moral alguma pra dizer uma palavra se quer! — gritei.
– Regina eu… — ele fez menção de pegar meu braço.
– Não me toque! Você é o pior homem com quem eu já cruzei na vida! Tudo o queria era me levar para cama, afinal? E já que não conseguiu tão rápido resolveu pegar qualquer uma? Ou foi porque discordei de você essa manhã? — gesticulei para a mulher que assitia tudo.
– Epa! Qualquer uma não! — Marian interveio, se aproximando.
– Eu não estou falando com você, vadia! — me virei e lhe dei um belo tapa na cara.
Eu me senti ferida, humilhada, enganada, mas estava com tanta raiva, tanta raiva que esse sentimento se sobrepôs.
– Eu devia ter imaginado que você estava apenas brincando comigo! Nunca. NUN-CA mais me procure. — apontei o dedo na cara dele. O brilho que eu costumava ver, não estava em seus olhos. — Vá embora da cidade, aliás! Desapareça, seu desgraçado! — juntei todas as forças que eu tinha para lhe dar um tabefe também. Minha mão ardeu, mas não me importei.
Sai do trailer às pressas, correndo por entre a floresta já escura. Não sabia para onde estava indo, só queria sair dali.
As lágrimas arranjaram um jeito de escapar e minha visão ficou borrada. Parei, apoiei-me em uma árvore e escorreguei até o chão, abraçando o joelhos.
Como eu pude acreditar nele? Como eu pude ser tão burra! Nenhum homem poderia nutrir sentimentos por mim como ela descrevia, eu devia ter sido racional! E as histórias que ele contou? Como pude me deixar levar?
– Burra! Burra! Burra! — gritei para mim mesma sentindo um aperto forte em meu coração. Era uma sensação dolorosa.
– Regina? — virei o rosto, Arthur estava lá.
– Vá embora! — gritei com ele também. — Eu quero ficar sozinha!
– Aqui nessa floresta? A noite? Não posso permitir isso, é perigoso. — ele estendeu a mão para mim. — O que quer que tenha acontecido, não dura para sempre. Nada dura.
Pensei nas palavras dele e em quanta verdade poderia haver nelas.
Nada dura para sempre.
Não peguei a mão de Arthur, então ele se sentou ao meu lado.
– Vou ficar aqui então. — teimoso. — Foi, Hood, não foi?
– Não interessa. — limpei meu rosto, em vão, mais lágrimas teimavam em cair.
Porque eu fui tão burra?
– Ele não merece que chore por ele se a deixou nesse estado!Tenho certeza que é o tipo de coisa que merece uma vingança e não um pranto! — ele me encarou determinado.
Vingança…
Vingança…
A palavra parecia boa demais naquele momento.
Olhei nos olhos de Arthur e busquei pensar em mais nada. Agarrei sua nuca e o puxei para mim, colando sua boca á minha. Ele não pareceu surpreso e muitos menos desprevenido. Sua mão voou para a minha cintura e a segurou forte. Aquele beijo já começou de forma intensa, sua língua se entrelaçando à minha de modo selvagem. Não era um beijo comum, senti algo, como se fosse sua energia fluir através de mim e tudo o que eu queria era me entregar à escuridão. Escuridão que parecia vir de Arthur e que era extremanente atraente.
– Regina? — aquela voz.
Olhei para trás interrompendo o beijo para ver um Robin com a expressão destruída. Um relâmpago iluminou o céu naquele momento.
Levantei-me e puxei Arthur, dei meia volta a passos largos mas antes que Robin Hood me perdesse de vista, virei-me com um sorriso vingativo e ouvi as palavras jorrarem da minha boca:
– Eu quero que você morra!
Segui em frente.
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