Tudo o que se quer

4 Capítulo 4 - A Rainha e o Cavaleiro Guardião


Notas iniciais
Oiiiiii pessoas lindas, finalmente está aqui o capítulo 4, espero de verdade que vocês gostem! Um pouco dos mistérios que envolvem Regina serão esclarecidos. ;)

– Então, agora você vai me contar porque está aqui? — estou sentada em um cama que parece pequena para o homem à minha frente. Seu trailer é simples, não espaçoso e impressionantemente organizado.

Robin me serve com uma xícara de chá e puxa uma cadeira para sentar-se de frente para mim. Olho em seus olhos e fico presa àquele brilho por alguns momentos, é inacreditável como esse homem consegue ultrapassar todas as minhas barreiras apenas com esse olhar. Estou ficando fraca?

Não. Não. Não.

Tomo um gole do chá e pigarreio.

– Fale. — mordo meu lábio lembrando do beijo que aconteceu há alguns minutos.

Regina, qual é o seu problema? Concentre-se.

– É um pouco complicada e grande a história. — ele tomba a cadeira para trás e se encosta na parede de forma preguiçosa.

– Tenho inteligência e paciência o bastante. — ergo uma sobrancelha, sarcástica.

– Você não muda mesmo. — ele sorri torto e eu vacilo, perdendo uma respiração.

Concentre-se mulher!

– Diz isso como se já me conhecesse há muito tempo. — disfarço.

– Isso é uma fato.

– Pare de rodeios Sr. Hood e comece a falar. — agora estou completamente interessada e objetiva.

– Tudo bem. — ele se acomoda na cadeira e apoia os cotovelos nos joelhos se aproximando. — Aconteceu há alguns anos, Regina. Nós não éramos de Storybrooke, vivíamos no Reino Encantado.

– Pensei que iria contar a história verdadeira ou pelo menos uma aceitável. — bufei.

– Mas é verdadeira. — ele passou a mão nos cabelos deixando-os desalinhados.

– Ah, por favor... — estava prestes a discutir, mas Robin colocou um dedo sobre meus lábios.

– Eu sei que não é fácil de acreditar, mas ai dentro de você existe algo que dirá ser verdade tudo o que eu vou revelar. Seus sonhos são prova disso. Por favor, me ouça, quando eu terminar, se ainda não crer em nada, a deixarei em paz. — suas palavras saíram calmamente e carregadas de uma sinceridade quase tangível.

Suspirei conformada.

– Espero que não esteja fazendo eu perder meu tempo. — cruzei os braços.

– Apenas ouça, no fim pode soltar quantas blasfêmias quiser. — ele riu breve, revirei os olhos. Aquele homem realmente me conhecia. — Como eu já disse, nosso lar era o Reino Encantado. Eu era um fora da lei, me orgulhava de roubar e gastar com coisas fúteis apenas para meu prazer, mas no dia em que a vi cavalgando perto de uma taverna na floresta, meu mundo passou a ser diferente. Você estava atrás de um homem que havia pego um dos cavalos na fazenda de sua família e esse mesmo homem tinha acabado de sair da taverna junto com mais outros dois bêbados, por coincidência, ou destino, como eu prefiro crer. Então deixei meu raciocínio de lado e a segui. No início eu não sabia qual era o seu objetivo, mas liguei os pontos da conversa dos rapazes e logo concluí quem era você. Os canalhas armaram uma emboscada, mas graças aos Céus, consegui chegar a tempo de eles nem ao menos lhe tocarem. Nós dois fomos bons de briga juntos, confesso que não esperava por sua atitude guerreira, aquilo me surpreendeu. — nesse momento ele sorriu de novo e passou um dedo por meu queixo, eu que já estava absorvida na história, demorei a recobrar os sentidos, mas ainda sim, seu gesto de carinho afetou-me bastante. Então Robin continuou. — Deixamos os três inconscientes e você recuperou um dos seus cavalos favoritos. Eu a olhei e você estava tão feliz por ter conseguido... Sua felicidade era pura e triunfante e foi no momento em que seus olhos se viraram para mim que eu tive a primeira certeza da minha vida. O amor realmente existia.

Robin me encarou maravilhado e eu fiquei sem palavras, não sabia como reagir àquilo, era algo novo para mim, ou não? Céus! Tire essa confusão de dentro de mim!

– Depois disso, eu não conseguia mais esconder para quem quer que fosse, que meu coração havia sido roubado. — ele sorriu de novo. Ele era tão bom contando histórias. — E para minha felicidade, era recíproco. Passamos a nos encontrar escondidos porque sua mãe nunca aceitaria nosso relacionamento. Eu era um fora da lei, bem diferente do que ela esperava para você. Cora sempre desejou que se casasse com um Rei, que era exatamente o tipo de pessoa que passei a roubar depois de te conhecer porque você despertou algo bom em mim, não que roubar seja o certo, mas ao meu ver, se eu conseguisse ajudar outras pessoas com isso, teria alguma redenção. Você era o tipo de luz do fim do túnel que as almas apagadas procuram incansavelmente.

Acho que parei de respirar nesse momento.

– Robin... — comecei um tanto desconfortável, mas ele fez um gesto com a mão pedindo para eu me aquietar e continuou.

– Cora era uma mulher muito poderosa, sua magia dominava qualquer pessoa rapidamente. Depois que ela descobriu tudo sobre nós, passou a prendê-la, mas mesmo assim, determinada como você era, e ainda é, sempre conseguia um jeito de escapar ou me mandar um recado. Contudo, o pior veio depois. Um dia você mandou um recado diferente para mim, alertando-me de que sua mãe havia pedido ajuda à uma das piores criaturas, o Senhor das Trevas, aliás, acho que os dois podem competir por esse título. — ele bufou e prosseguiu. — Logo você já estava prometida a um Rei viúvo e eu estava na mira da morte. Foi aí que resolvemos fugir.

– Meu sonho... — sussurrei. — Nós estávamos fugindo, mas fomos descobertos. Você dizia o tempo todo que eu era a culpada, que estava fazendo um teatro. Você me acusava e aquelas palavras doíam.

– Não, não... — Robin me abraçou, puxando minha cabeça para seu peito. — Eu nunca fiz isso. Nunca acusaria você Regina. Estão plantando isso na sua cabeça... Todos esses sonhos.

– Mas você disse que iríamos fugir e eu sonhei com isso. — tentei argumentar afastando-me dele.

– São sonhos distorcidos. Não ocorreu da maneira como colocam.

– Eles quem?

– Rumplestiltskin e Cora. Tenho quase certeza de que são eles. — o semblante do homem foi tomado por fúria ao citar os dois nomes.

– Rumple o que? Quem é esse homem? Nunca ouvi falar nele e além do mais, minha mãe está morta! — rebati, o ceticismo vindo tomar conta de mim novamente.

– Morta desde quando?

– Desde... desde que me lembro. — franzi a testa pensativa.

– Muitas coisas nessa cidade ocorreram desde que todo mundo se lembra, sem data concreta. Não acha estranho? — Robin começou a andar de um lado para o outro no pequeno trailer. — Acredite Regina, por favor, tenha fé. Você pode quebrar toda essa maldição.

– Maldição? — há muitos anos atrás eu havia sonhado que lançava um feitiço sobre um casal e seu povo, era um sonho que acontecia com frequência antes. Lá, todas as pessoas caíam no esquecimento e passariam a habitar uma nova cidade, sem magia, onde apenas eu teria um final feliz e...

Espere um momento. Do Reino Encantado para... Para Storybrooke.

– Não pode ser... — minha respiração adquiriu um ritmo acelerado. — Meu sonho... Se o que acaba de me falar é verdade, eu causei tudo isso!? É esse motivo de eu sentir esse vazio dentro do meu peito?

– Não foi você! Não repita isso! O vazio em seu peito se chama sofrimento, tudo que passou...

– Como você fugiu? — cortei sua fala — Você seria morto. — lembrei-me de seu peito cravado com flechas.

– Não aconteceu desse jeito. Eu tive ajuda. Consegui escapar, mas não a tempo de levá-la comigo. Fizeram algo com você, já não era a mesma Regina. Você estava gélida, até cruel da última vez que a vi. Não se importava com mais ninguém, era como se algo ou alguém a controlasse. — ele explicou adquirindo um ar triste de súbito.

– Mas porque tudo isso? Por que queríamos ficar juntos? — não era motivo suficiente para tanta crueldade, era?

– Não foi apenas isso. Ouvi histórias. Há algo de muito especial em você, eu consigo enxergar isso, mas ainda não sei ao certo do que se trata. Por isso eu preciso protegê-la.

– Proteger-me? Eu posso muito bem fazer isso sozinha, sou a prefeita da cidade, a polícia está sob meu comando. O que você quer Robin Hood? — eu não conseguia ligar tantos pontos, aquilo era insanidade!

– Na terra onde foi nascida a polícia não podia fazer muita coisa e aqui, você não tem os mesmos poderes, não ainda. — ele diminuiu o volume da voz.

– Poderes? — me levantei. — Que tipo de distúrbio você tem? — apontei o dedo para ele.

– Regina, se acalme. Vamos deixar essa parte para mais tarde, nesse momento, o importante é você ter cuidado com os sonhos. Eles não são o que aconteceu. De todo modo, se precisa de provas... — Robin caminhou até o armário e pegou alguma coisa de lá, depois colocou em minhas mãos, fechando-as e segurando-as por alguns instantes. — Esse era o nosso amuleto e eu tenho quase certeza de que se lembrará de algo tão valioso. — ele disse apertando os olhos como que para acreditar em suas próprias palavras, em seguida, beijou minha testa.

Abri a mão e olhei para o cordão com um pingente de madeira, ele tinha o formato de um escudo. Minuciosamente e pequenina, havia uma coroa entalhada ali.

Fechei os olhos e respirei fundo ao olhar para o objeto, o ar fugiu de meus pulmões e ouvi vozes em minha cabeça. Foi como um flashback.

"Você sempre será minha rainha, não importa o que aconteça." era a voz de Robin seguida de uma risada minha. "E você sempre será meu cavaleiro guardião." essa era a minha voz.

Abri os olhos repentinamente, titubeei, estava tonta, Robin me segurou em seus braços fazendo-me sentar na cama novamente. Ele passava a mão por meu rosto com carinho.

Logo peguei seu braço e vi a tatuagem, o desenho de fundo possuía o mesmo formato do pingente.

Então era verdade... Mas como? Senti meus olhos se encherem de lágrimas enquanto o conhecimento invadia-me aos poucos, ainda encontrando barreiras.

– Isso é loucura. — sussurrei ao sentir uma lágrima escorrer por minha bochecha.

– Só se você escolher que seja. — ele colocou os lábios sobre os meus novamente me dando um beijo casto. — Eu demorei tanto a lhe encontrar, não posso perdê-la de novo. Por favor, tenha fé em mim, Regina?

– Há tanto a ser explicado ainda... — uma parte de mim queria confiar, mas a outra ainda era cética e amargurada. Uma luta interna estava sendo travada.

– Eu sei e vou deixar as coisas claras. Só preciso de um pouco de confiança e esperança. Você consegue isso?

– Um pouco, acho que sim. — liberei minha respiração banhando o rosto dele que pairava a centímetros do meu.

– Por hora, isso basta. — ele sorriu e eliminou todo e qualquer espaço entre nós para mais um beijo impecável.

Notas finais
Tchan ran! O que acharam? Foi bom? Está fraco? Deem sua opinião, críticas, dicas e receitas de bolo, super aceito! Mwah :*