Algumas semana foram suficiente para tudo explodir.

O MV de Hanna ultrapassou números absurdos.

Clipes cortados circulavam por toda parte.

Comentários. Teorias. Elogios.

A música virou assunto.

Não só pela estética.

Mas porque as pessoas sentiam.

E quando o público sente verdade numa canção… acabou. A música cresce sozinha.

Críticos chamaram a composição de uma das mais bonitas lançadas naquele ano.

Dolorosa. Elegante. Honesta.

O nome de Hanna começou a deixar de ser “a trainee que voltou”.

Agora era dela. Inteiramente dela.

Artista solo.

E naquela noite…isso ficaria definitivo.

O evento reunia praticamente toda a indústria.

Luzes gigantes.

Palco monumental.

Câmeras por todos os lados.

Grupos famosos. Solistas gigantes. Atores. Executivos.

O tipo de lugar onde todo mundo parece importante demais pra demonstrar emoção.

Nos bastidores, Hanna respirava fundo enquanto ajustavam seu microfone.

As mãos frias. O coração acelerado.

Ela conhecia aquele prédio.

Conhecia bem demais.

E agora…ela pisaria naquele palco como uma das performances mais aguardadas da noite.

A ironia da vida tinha um humor cruel às vezes.

Do outro lado, na área reservada dos artistas, Stray Kids ocupava parte da plateia.

Conversas baixas. Brincadeiras.

Câmeras passeando pelos rostos conhecidos.

Chan estava sentado entre eles.

Postura tranquila. Expressão neutra. Treinada.

Mas por dentro? Nem perto disso.

As luzes diminuíram. O telão acendeu.

E então ela apareceu.

O salão silenciou aos poucos.

Mesmo entre artistas acostumados a espetáculo… Hanna puxava atenção sem esforço.

Vestida em tons claros sob uma iluminação azul profunda, ela parecia quase parte da própria música antes mesmo da primeira nota.

E quando começou a cantar… Chan sentiu na hora.

Ao vivo era pior.

Porque gravação protege.

Palco não.

A voz dela atravessava o lugar inteira.

Crua. Linda. Humana. Sem edição.

Sem esconder nada.

Hanna cantava como alguém que sobreviveu.

E talvez fosse exatamente isso.

As câmeras mostravam artistas atentos.

Alguns claramente emocionados.

Outros hipnotizados em silêncio.

Mas Chan… estava imóvel.

Os olhos presos nela.

No jeito que ela fechava os olhos em certas frases.

Na respiração segurada antes das notas mais difíceis.

Na emoção escapando apesar do controle impecável.

E então veio o refrão.

“Meu coração grita, mas não pode te alcançar…”

Aquilo bateu diferente ao vivo.

Mais forte. Mais cruel.

Porque agora ele sabia.

Sabia que não era só uma letra bonita.

Tinha verdade ali.

Han percebeu primeiro.

Olhou discretamente pro lado.

Chan nem piscava direito.

Felix percebeu depois.

Mas ninguém comentou.

Porque algumas emoções ficam visíveis demais pra virar piada.

No palco, Hanna abriu os olhos no final da segunda parte.

E encontrou ele.

Só por um segundo.

Mas encontrou.

O ar falhou no peito dela.

Quase imperceptível.

Quase.

Mas Chan viu.

Claro que viu.

E ali…ficou impossível continuar fingindo indiferença.

Porque vê-la naquele palco…naquele mesmo lugar onde ela ouviu tantos “não”…e ainda assim cantar daquele jeito…parecia puxar sentimentos que ele passou anos tentando manter quietos.

Orgulho. Admiração. Saudade.

Coisas perigosas demais pra alguém que trabalhou tanto pra seguir em frente.

A música terminou sob aplausos fortes.

Longos. Reais.

Hanna respirou fundo antes de agradecer, segurando a emoção com a elegância de quem aprendeu cedo demais a não desabar em público.

Chan continuou sentado em silêncio.

As mãos juntas.

O olhar fixo no palco já escuro.

Tentando manter a expressão intacta enquanto o coração fazia exatamente o contrário.

Porque esconder raiva é fácil.

Agora…esconder admiração?

Isso era muito pior.


Hanna desceu do palco ainda com o coração acelerado.

Sorrisos. Cumprimentos.

Mãos tocando de leve o braço dela.

— Incrível.

— Que presença.

— Você dominou o palco.

Ela agradecia. Educada.

Presente.

Mas por dentro…ainda estava lá em cima.

Voltando pra mesa…

Executivos. Equipe.

E Jay Park conduzindo tudo com aquele olhar satisfeito de quem sabe que acertou.

— Eu disse — ele comentou, meio sorriso — você era a escolha certa.

Hanna inclinou levemente a cabeça.

— Obrigada.

Simples.

Mas antes que o momento acalmasse…movimento na mesa ao lado.

GOT7.

Veteranos. Presença forte.

E claro…Jackson Wang já estava de pé.

Sorriso aberto. Energia alta.

— Finalmente — ele disse, se aproximando — agora faz sentido.

Hanna riu leve.

— O que faz sentido?

— Todo mundo falando de você.

Direto. Sem rodeio.

— Mas ao vivo… é outra coisa.

Ele olhou pra ela de cima a baixo.

Sem desrespeito.

Mas sem esconder admiração.

— Você é ainda mais impressionante.

Charme puro.

Hanna sustentou com elegância.

— Você também não é exatamente discreto, né?

Jackson riu alto.

— Nunca fui.

Clima leve. Fácil.

— Eu já falei de você antes, sabia? — ele comentou.

Ela arqueou levemente a sobrancelha.

— Fiquei sabendo.

Pequeno sorriso.

— Então agora eu posso confirmar pessoalmente.

Ele inclinou um pouco.

— Você é linda… e muito talentosa.

Direto.

A mesa reagiu com risos baixos.

Clima bom. Natural.

Mas…nem todo mundo ali estava relaxado.

Na mesa ao lado…Stray Kids.

E entre eles…Chan.

Ele não olhava diretamente.

Mas via tudo.

Cada gesto.

Cada sorriso dela.

E principalmente…o quão fácil ela parecia ali.

De novo. Aquilo voltou. O incômodo.

Mais forte dessa vez.

Porque agora não era só um vídeo.

Era ao vivo. Era perto.

Chan passou a língua de leve pelo lábio inferior.

Olhar fixo no copo por um segundo.

Felix percebeu.

Claro.

— Hyung…

Baixo.

— Você tá vendo isso também, né?

Chan não respondeu.

Mas o silêncio…já dizia tudo.

Enquanto isso…Hanna ria de algo que Jackson disse.

Leve.

Mas quando virou levemente o rosto…o olhar escapou.

Instinto.

E encontrou.

Ele.

De novo.

Agora mais perto.

E dessa vez…não tinha palco entre eles.

Só… escolha.


A conversa ainda corria leve.

Risos. Comentários soltos.

Até que…um toque.

Leve. No braço.

Hanna se virou no reflexo.

Um pequeno susto. Suave.

E encontrou ele.

Chan.

Próximo demais pra ser coincidência.

Postura impecável.

Expressão controlada.

Mas o olhar…não tão neutro quanto ele queria.

— Posso? — disse, baixo.

Educado.

Sem esperar muito.

Ele se virou levemente.

Cumprimentou a mesa.

— Boa noite.

Inclinação respeitosa.

GOT7 respondeu no mesmo nível.

Jackson Wang sorriu.

Aquele sorriso de quem já entendeu tudo.

— Boa noite, Chan.

Tom leve. Mas atento.

Chan então completou.

— Vou levar a Hanna de volta.

Pausa curta.

— Minha colega de agência.

A palavra saiu limpa.

Mas carregada de território.

Hanna percebeu.

Claro que percebeu.

Jackson também.

Na hora.

E ele não perdeu.

— Claro… colega — repetiu, com um meio sorriso.

Olhar rápido entre os dois.

Experiente demais pra não ler aquilo.

Hanna conteve um pequeno sorriso.

Quase imperceptível.

Chan não reagiu.

Mas o maxilar travou de leve.

— Com licença — ele disse.

Educado. Firme.

E então… sem segurar…

mas guiando com presença… ele deu espaço pra ela ir.

Hanna se despediu com elegância.

— Foi um prazer.

— O prazer foi meu — Jackson respondeu, sem tirar os olhos dela.

Mas quando ela virou…o olhar dele mudou.

Foi direto em Chan.

E ali tinha uma mensagem clara:

“Eu vi.”

Chan ignorou. Ou fingiu.

Os dois caminharam lado a lado.

Silêncio no início.

Mas não vazio. Tenso.

Diferente de antes.

Porque agora tinha algo novo ali.

Não era só passado.

Era presente reagindo.

Hanna quebrou o silêncio primeiro.

— Minha colega de agência?

Tom leve. Mas provocando.

Chan soltou um pequeno ar pelo nariz.

— Foi o que veio.

Seco.

Ela inclinou levemente a cabeça.

— Veio rápido.

Agora um leve sorriso.

Ele olhou de lado.

— Você parecia ocupada.

Pronto. Saiu. Sem rodeio.

Hanna segurou o olhar.

— Tava sendo educada.

Resposta direta.

Pausa.

— E você?

Agora foi ela.

— Tava sendo o quê?

Chan não respondeu na hora.

Porque ele sabia.

Mas não queria dizer.

Silêncio.

Eles chegaram à mesa.

Mas o clima…já tinha mudado.

Agora não era só história antiga.

Era algo acontecendo.

Ao vivo.

E impossível de ignorar.


Eles chegaram à mesa.

Os olhares vieram na hora.

Stray Kids não perdiam nada.

— Olha quem resolveu aparecer — comentou Changbin, com um meio sorriso.

— A estrela da noite — completou Han, animado.

Hanna riu leve.

— Vocês exageram.

— Nem um pouco — disse Seungmin. — Foi absurdo.

Clima leve. Natural.

Mas não pra todos.

Chan puxou a cadeira ao lado.

— Senta.

Simples. Direto.

Hanna sentou.

Postura impecável.

Mas consciente demais da presença dele ali.

— Você mandou muito bem — disse Han.

— A música bate diferente ao vivo — completou Changbin.

— Obrigada… de verdade.

Ela respondeu com sinceridade.

Chan permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Observando.

Então, finalmente:

— A performance foi… forte.

A escolha da palavra não foi por acaso.

Hanna olhou pra ele.

De leve.

— Era a ideia.

Resposta na mesma linha. Sem entrega demais. Sem fuga.

Pequeno silêncio.

Seungmin percebeu.

Claro.

— Vocês já se conheciam, né? — soltou, casual.

Pergunta simples.

Mas o ar mudou.

Hanna respondeu antes que o silêncio falasse demais.

— Da época de trainee.

Calma. Controlada.

Chan assentiu.

— Faz tempo.

Curto. Encerrado.

Mas não pra quem presta atenção.

Han trocou um olhar rápido com Changbin.

Algo ali…não era só “faz tempo”.

Mas ninguém cutucou.

Ainda.

Hanna apoiou as mãos no colo.

Respiração tranquila.

Mas o pé…movimento mínimo.

Inquieto.

Chan percebeu.

E desviou o olhar.

Porque se ficasse mais um segundo…ia além do que devia.

— Vai ficar pro resto do evento? — ele perguntou.

Tom neutro.

Hanna respondeu no mesmo nível.

— Acho que sim.

Pausa curta.

— Você?

— Tenho que ficar.

Obrigação.

Mas também…talvez escolha.

Silêncio de novo.

Mas agora…menos estranho.

Mais… carregado.

Porque ali, na mesma mesa…rodeados de gente…eles estavam fazendo algo difícil: fingindo normalidade

quando tudo já tinha deixado de ser normal faz tempo.

E isso?

Cansa.

Mas também…aproxima.


O clima na mesa parecia leve.

Mas Seungmin não era de deixar passar.

Ele apoiou o braço na mesa.

Olhar curioso.

— Então… como era o Chan na época de trainee?

Simples. Mas direto.

Hanna ergueu levemente as sobrancelhas.

— Essa pergunta é perigosa…

Risos na mesa.

Felix se inclinou.

— Não, sério! A gente quer saber.

— Ele era mais sério? — perguntou I.N..

— Ou mais bagunceiro? — completou Hyunjin.

Hanna cruzou as mãos no colo.

Pensando.

— Ele…

Pausa curta.

Olhou de relance pra Chan.

Ele estava quieto. Expressão neutra.

Mas atento demais.

— Era intenso.

Resposta veio simples.

Sem exposição.

Mas cheia de significado.

Lee Know inclinou a cabeça.

— Intenso como?

Curiosidade legítima.

Hanna soltou um pequeno ar pelo nariz.

— Quando ele queria algo… ele não largava.

Pausa.

— Treinava até não aguentar mais.

Olhou de leve pra ele de novo.

— E mesmo assim continuava.

Silêncio breve.

Aquilo não era só elogio. Era memória.

Chan desviou o olhar.

Pegou o copo.

Como se não fosse com ele.

Mas era.

— Isso explica muita coisa — murmurou Hyunjin.

— E vocês se conheceram como? — Felix perguntou.

Mais suave.

Mas a pergunta…pesava.

Hanna respirou leve.

— Treinamento.

Simples.

— Mesmas salas… mesmas avaliações…

Pausa.

— Mesmas rejeições.

Aquilo caiu diferente.

A mesa silenciou por um segundo.

Porque agora…não era mais só curiosidade.

Era realidade.

Chan apertou levemente o maxilar.

Quase imperceptível.

Mas Han viu.

E Changbin também.

Os dois ficaram quietos.

Sabiam. Não tudo.

Mas o suficiente.

— Deve ter sido difícil… — disse I.N., mais baixo agora.

Hanna assentiu.

— Foi.

Sem drama.

Só verdade.

Seungmin apoiou o queixo na mão.

— Mas vocês continuaram em contato depois?

A pergunta veio leve.

Mas foi a mais pesada até agora.

Chan parou.

Por um segundo.

Silêncio.

Hanna sentiu.

E respondeu antes que aquilo se alongasse demais.

— Não.

Curto. Direto. Final. Mas não frio.

Só… encerrado.

Chan soltou o ar pelo nariz.

Quase inaudível.

Mas aquilo mexeu.

Mais do que qualquer outra pergunta.

Porque ali…não tinha como suavizar.

Era ruptura.

Era o ponto que ninguém ali conhecia.

Mas que os dois sentiam inteiro.

Seungmin percebeu.

E recuou.

— Entendi…

Mudou de assunto logo depois.

Mas o clima…já tinha mudado.

Sutilmente. O suficiente.

Hanna manteve a postura.

Profissional.

Mas o olhar…por um instante…caiu nele de novo.

E encontrou.

E dessa vez…não tinha curiosidade.

Só lembrança.

E algo não resolvido.


A conversa na mesa seguiu.

Mais leve. Mais solta.

Stray Kids voltaram ao ritmo natural deles.

Provocações. Risadas.

Interrupções no meio da frase.

Felix rindo alto.

Hyunjin reclamando de alguma coisa.

I.N. entrando no meio sem cerimônia.

E no centro disso tudo…Chan.

Não falando muito.

Mas presente em tudo.

Um olhar…e alguém já entendia.

Um gesto…e a bagunça se organizava.

Sem esforço.

Natural.

Irmão mais velho. Líder. Base.

Hanna observava.

Quieta.

Um pequeno sorriso no rosto.

Mas o olhar…foi mudando.

Porque aquilo…não era só bonito.

Era familiar.

E distante.

Um pensamento veio. Sem pedir permissão.

Se eu não tivesse ido embora…

Pausa.

Eu poderia estar ali…

Não na mesa.

Mas na vida dele.

Na rotina. Nos dias comuns.

Talvez…sendo parte daquele mundo.

Talvez…sendo cuidada.

Do jeito que ele cuidava deles.

A ideia doeu.

Porque não era impossível.

Era possível.

E ela perdeu.

Sozinha.

A garganta apertou.

Os olhos pesaram.

— Ei… você tá bem? — alguém perguntou ao fundo.

Mas ela nem registrou direito quem foi.

Respirou fundo.

Rápido. Controle. Sempre controle.

Ela não podia quebrar ali.

Não agora.

Não na frente deles.

Hanna se levantou com suavidade.

— Com licença…

Sorriso educado.

— Eu preciso ir ao toalete.

Natural.

Ensaiado pela vida.

Ninguém questionou.

— Claro — respondeu Seungmin.

— Vai lá — completou Han, observando um pouco mais do que os outros.

Ela saiu.

Passos firmes. Postura intacta.

Mas por dentro…o chão tinha cedido.

Assim que virou o corredor…o sorriso caiu.

O ar ficou pesado.

— Idiota…

Sussurrou pra si mesma.

Não de raiva. Mas de dor.

Porque às vezes…o que mais machuca não é o que aconteceu.

É o que poderia ter sido.

E nunca vai ser.


A porta do banheiro fechou.

E o som lá fora morreu.

Silêncio. Frio.

Hanna foi direto até a pia.

Apoiou as mãos no mármore.

Cabeça baixa. Respiração presa.

Tentando segurar.

Mas não dava.

Ela levantou o olhar devagar.

O espelho devolveu tudo.

A maquiagem impecável.

O cabelo no lugar.

A mulher perfeita.

Mas os olhos…entregavam.

Cansados. Carregados.

— Você é ridícula… — sussurrou.

A voz saiu baixa.

Quase quebrando.

Não era sobre o palco.

Não era sobre o sucesso.

Era sobre aquele pensamento.

“Eu poderia estar ali…”

Ela fechou os olhos com força.

— Para com isso…

Mas não parava.

Porque era verdade. Uma escolha. Um momento. E tudo tinha mudado.

Ela levou a mão à boca.

E dessa vez…não segurou.

As lágrimas vieram de novo.

Mais silenciosas.

Mais profundas.

Ela virou levemente de lado.

Encostou na pia.

— Eu tive… — a voz falhou — eu tive ele.

E perdeu.

Não porque não amava.

Mas porque teve medo.

A água da torneira abriu.

Fria.

Ela molhou as mãos.

Levou ao rosto.

Como se pudesse acordar.

Como se pudesse apagar.

Mas não apagava.

Porque agora…não era lembrança.

Era presente. Ele ali.

Perto.

E não era dela.

Talvez nunca mais fosse.

Ela se olhou de novo.

Mais firme. Mais dura.

— Chega.

A palavra saiu seca.

Não pra esquecer.

Mas pra não se afogar.

Ela pegou o papel.

Secou o rosto.

Com cuidado.

Retocou o mínimo.

Respirou fundo.

Uma.

Duas vezes.

Até o peito desacelerar.

— Você escolheu ficar.

Disse pra si mesma.

— Então aguenta.

Sem poesia. Sem desculpa. Só decisão.

Ela se endireitou.

A mulher voltou.

Mas agora…com os olhos um pouco mais pesados.

E o coração…um pouco mais exposto.

Ela caminhou até a porta.

Parou por um segundo.

Mão na maçaneta.

Respirou fundo.

E saiu.

Sem saber…que talvez…alguém tivesse percebido a ausência.

Hanna abriu a porta.

E parou.

Chan estava ali.

Encostado na parede do corredor.

Braços cruzados. Postura calma.

Mas o olhar…o olhar entregava que ele já estava esperando fazia algum tempo.

O silêncio veio primeiro. Claro.

Sempre vinha entre eles.

Hanna sentiu o peito apertar na hora.

Porque depois de chorar…depois de desmontar daquele jeito…ela não queria ser vista.

Principalmente por ele. Mas tarde demais.

Os olhos dele passaram rápido pelo rosto dela.

Discretos. Atentos.

O suficiente pra perceber.

Ela tentou manter a postura.

— Você tá no banheiro errado — disse, tentando leveza.

Fraco.

Chan soltou um pequeno riso pelo nariz.

Quase nada.

— Péssima desculpa.

Aquilo quase arrancou um sorriso dela. Quase.

Silêncio outra vez.

Mas não desconfortável. Só cheio.

Hanna desviou o olhar primeiro.

— Faz quanto tempo que você tá aí?

— O suficiente.

Honesto. Sem crueldade.

Ela respirou fundo.

— Ótimo.

Virou levemente o rosto, pronta pra passar por ele.

— Hanna.

Baixo.

Ela parou. Droga.

Sempre parava quando ele falava assim.

Chan descruzou os braços devagar.

Deu um passo na direção dela.

Sem invadir. Sem pressionar.

— Você não precisa fingir comigo o tempo todo.

Aquilo bateu direto.

Porque era exatamente o que ela fazia.

O tempo inteiro.

Hanna soltou um riso pequeno.

Sem humor.

— Engraçado ouvir isso vindo de você.

Toque limpo. Sem agressividade. Mas certeiro.

Chan aceitou.

Baixou o olhar por um segundo.

— É.

Silêncio.

O corredor parecia mais vazio agora.

Mais íntimo. Mais perigoso.

Ela finalmente olhou pra ele de novo.

E foi pior.

Porque não tinha raiva no rosto dele.

Só… preocupação. Daquela antiga.

Que ela conhecia bem demais.

— Eu tô bem — disse.

Mentira automática.

Chan inclinou levemente a cabeça.

— Você sempre fala isso quando não tá.

Pronto.

A memória veio sem pedir licença.

Ela sentiu os olhos queimarem de novo.

Droga. Não agora.

Hanna desviou rápido.

Passando a mão de leve abaixo dos olhos.

Tentando recuperar o controle.

— Você não facilita.

A voz saiu baixa.

Mais cansada do que irritada.

Chan ficou quieto por um instante.

E então…mais baixo ainda:

— Você também não.

Empate outra vez.

Mas agora…menos dolorido.

Ele observou ela por mais um segundo.

Depois suspirou.

— Vamos embora daqui.

Não era ordem. Nem pressão.

Soava mais como: “Antes que você precise fingir de novo.”

Hanna hesitou.

Porque sabia.

Se fosse com ele…não precisava esconder tanto.

E talvez esse fosse justamente o problema.

Hanna hesitou.

Só por um instante.

Porque ir com ele significava ficar perto demais outra vez.

E os dois sabiam disso.

Chan percebeu.

O olhar dele suavizou um pouco.

Quase dizendo “não precisa decidir agora”.

Mas antes que qualquer um falasse—

— Oh.

Uma voz feminina surgiu no corredor.

Os dois viraram ao mesmo tempo.

Jennie vinha caminhando pelo corredor, celular na mão, acompanhada de uma staff alguns passos atrás.

Ela parou ao ver os dois.

O olhar foi de Hanna… pra Chan… e depois voltou.

Rápido. Inteligente.

Porque gente acostumada com câmera aprende a ler clima em segundos.

E ali?

O clima estava gritante.

Jennie arqueou levemente a sobrancelha, um sorriso pequeno aparecendo.

— Desculpa… — disse, educada — acho que interrompi alguma coisa.

Pronto. O momento quebrou. Na hora.

Hanna deu meio passo pra trás automaticamente.

Chan endireitou a postura.

Aquela proximidade silenciosa desaparecendo rápido demais.

— Não interrompeu — Chan respondeu primeiro.

Calmo. Controlado outra vez.

Mentira educada.

Jennie claramente não comprou. Mas também não insistiu. Experiente demais pra isso.

Ela olhou pra Hanna.

— Sua apresentação foi linda.

Sincera.

— Obrigada — Hanna respondeu, recuperando a compostura aos poucos.

Jennie assentiu devagar.

Mas antes de continuar andando…lançou mais um olhar rápido pros dois.

Aquele tipo de olhar que diz:

“Entendi.”

E isso bastou.

Porque corredor de evento é pior que internet.

Dois minutos depois, gente que nem passou por ali direito já estava percebendo a energia estranha.

Staff cochichando baixo.

Idols olhando quando Chan passava.

Um comentário aqui.

Outro ali.

— Eles estavam juntos?

— Não… mas parecia.

— Você viu a cara dele?

— Tem alguma coisa aí.

Nada explícito. Mas suficiente.

O tipo de rumor que nasce pequeno…e cresce rápido em indústria que vive de imagem.

Hanna percebeu primeiro.

Os olhares mudando.

As conversas parando rápido demais quando ela passava.

Ela fechou levemente a expressão.

Droga.

Era exatamente o que queria evitar.

Chan também sentiu.

E o pior?

Uma parte dele simplesmente não conseguia se importar naquele momento.

Porque minutos antes…ela estava chorando.

E isso ainda estava preso na cabeça dele.

Jennie já tinha desaparecido no corredor.

Mas o estrago…ficou.

Hanna respirou fundo.

Voltando a erguer a postura pouco a pouco.

Armadura recolocada.

— Ótimo — murmurou baixo. — Era só o que faltava.

Chan olhou pra ela.

E mesmo sabendo que aquilo podia virar problema…mesmo sabendo como rumores funcionavam…ainda assim disse:

— Eu não ligo.

Baixo. Sincero demais.

E isso…isso mexeu nela mais do que devia.


Do outro lado do salão, Jackson Wang observava tudo por cima da taça.

Sem disfarçar muito.

Experiente demais pra não perceber tensão emocional quando via uma.

Ele tinha visto Chan atravessar o salão antes.

Tinha visto Hanna sair.

E agora…tinha visto os dois voltando quase ao mesmo tempo.

Separados. Mas nem tanto.

Um dos amigos na mesa comentou baixo alguma coisa perto do ouvido dele.

Jackson soltou um riso curto.

Aquele riso de quem já entendeu toda a situação sem precisar ouvir metade.

— Ah… então é isso — murmurou em inglês, divertido.

Outro idol virou discretamente pra olhar.

E pronto.

O burburinho começou de verdade. Nada escandaloso.

Só olhares demorando demais. Sorrisos pequenos.

Gente tentando parecer discreta… falhando miseravelmente.

Chan percebeu na hora.

Os anos na indústria ensinaram ele a identificar mudança de clima em segundos.

Os olhares. Os cochichos.

As mesas olhando rápido demais e desviando rápido demais.

Aquilo incomodou. Muito.

Mas ele ficou quieto. Porque sabia.

Se reagisse… piorava.

Então apenas voltou pra mesa.

Postura firme. Expressão neutra.

Como se não estivesse ouvindo nada.

Como se não sentisse o ambiente mudando ao redor.

Hanna veio logo depois.

E foi ainda melhor nisso. Ou pior.

Ela simplesmente sentou. Elegante. Calma. Pegou a taça.

Agradeceu alguma coisa que Jay Park falava ao lado.

Como se nada tivesse acontecido. Impecável.

Mas Chan conhecia ela bem demais.

O jeito que os dedos seguravam a taça com força um pouco maior que o normal.

O sorriso milimetricamente controlado.

Ela estava fingindo. E muito.

Nesse momento, Jennie passou perto da mesa novamente.

Dessa vez sem parar.

Só virou levemente o rosto na direção deles.

Acenou de leve com a cabeça.

E soltou um pequeno sorriso de canto.

Rápido. Mas cheio de significado.

Felix viu primeiro.

— …ok — murmurou baixo.

I.N. imediatamente ficou atento.

— O quê? O que foi isso?

Hyunjin olhou de Hanna… pra Chan… depois pra Jennie se afastando.

A sobrancelha levantou devagar.

— Ahhh…

Seungmin já estava quase sorrindo.

Aquele sorriso perigoso de quem acabou de ligar pontos demais.

Han abaixou a cabeça na hora, segurando o riso.

Porque ele entendeu exatamente o que Jennie tinha feito.

Changbin passou a mão no rosto.

Cansado.

— Não começa.

Tarde demais.

Felix inclinou o corpo discretamente na direção de Chan.

— Hyung…

Chan nem olhou.

— Não.

Resposta automática.

I.N. arregalou os olhos.

— Mas eu nem perguntei nada.

— E vai continuar sem perguntar.

Seco. Rápido. Defensivo demais.

O que, obviamente, só piorou a curiosidade.

Hyunjin mordeu o canto da boca, claramente entretido agora.

— Interessante…

— Hyunjin — Chan chamou.

Baixo. Ameaça educada.

Han finalmente soltou uma risada abafada.

Porque aquilo estava ficando transparente demais.

E Hanna?

Continuava olhando pra frente.

Como se estivesse completamente alheia.

Mas por dentro… o coração dela batia forte demais.

Porque pela primeira vez… não era só entre eles.

Agora… outras pessoas estavam começando a ver também.


A noite já estava acabando.

O salão esvaziava aos poucos.

Staff andando de um lado pro outro. Artistas se despedindo.

A JYP tinha organizado os carros da equipe como sempre.

Quatro carros esperando do lado de fora.

O ar frio da madrugada bateu quando eles saíram do evento.

Felix entrou primeiro.

I.N. logo atrás, ainda falando sobre a apresentação de Hanna como se não conseguisse superar.

Hyunjin mexia no celular.

Han e Changbin discutiam alguma coisa baixa.

Tudo aparentemente normal.

Chan deixou os meninos entrarem primeiro.

Como sempre fazia.

Último a entrar.

Ou… quase.

Porque o olhar desviou. Automático.

Hanna estava alguns passos atrás, conversando rapidamente com uma staff antes de seguir na direção do outro carro.

E antes mesmo de pensar direito—

— Eu vou com ela.

Saiu simples. Natural.

Como se fosse óbvio.

Alguns nem estranharam.

Chan sempre foi educado desse jeito.

Protetor. Atento.

Ainda mais tarde da noite.

Ainda mais agora que ela morava no mesmo condomínio.

Mas mesmo assim…o silêncio de meio segundo aconteceu.

Pequeno. Quase imperceptível.

Seungmin levantou os olhos devagar.

Felix piscou algumas vezes.

Hyunjin mordeu o canto da boca imediatamente.

Porque depois daquela noite inteira… aquilo ganhava outro peso.

Changbin só fechou os olhos por um instante.

“Lá vai ele.”

Han virou discretamente o rosto pra janela pra esconder o sorriso.

Chan ignorou todos.

Como se não tivesse percebido nada.

Ou como se simplesmente não ligasse mais.

Ele caminhou até o carro dela.

Hanna levantou o olhar quando percebeu a aproximação.

Surpresa pequena. Real.

— Tá tudo bem se eu for junto? — ele perguntou.

Educado. Calmo.

Mas já abrindo a porta pra ela antes mesmo da resposta.

E aquilo…aquilo era muito Chan.

Cuidar primeiro. Pensar depois.

Hanna sustentou o olhar dele por um segundo.

Talvez percebendo a mesma coisa.

Então assentiu devagar.

— Claro.

Ela entrou no carro.

Chan entrou logo depois.

E quando a porta fechou…os olhares do lado de fora acompanharam.

Porque talvez ainda não fosse confirmação.

Mas definitivamente…já não parecia coincidência.