Tudo o Que Se Sente
17 Capítulo 17 - Saudade
Notas iniciais
Encaro o teto do meu quarto enquanto estou deitada em minha cama. Cinco dias que Christopher viajou e eu não fazia ideia que a falta que eu sentiria dele, seria tão grande, e mesmo me repreendendo, não consigo evitar ficar chateada por não ter tido qualquer tipo de notícia sobre ele.
Mas essa viajem dele, não foi de todo ruim. Graças a isso, me aproximei bastante do meu grupo de colegas, por que meu contato com eles estavam muito escasso. Andrew e Carol estão juntos desde o dia da balada que eu os vi se beijando. Vivian está enrolada com o carinha da balada e Julia e Daniel alegam que estão solteiros, mas nunca sozinhos.
Falando em Daniel, esse foi o que mais se aproximou de mim, depois de Vivian. Gosto da forma leve que ele leva a vida, sempre sendo positivo. Ah, também me aproximei bastante de Kate. A irmã Christopher é uma mulher incrível. Ela é forte e decidida e não se importa nenhum pouco de ficar entre os funcionarios.
Escuto baterem na porta e me levanto pensando em quem pode ser. Ando rapidamente até a porta e a abro dando de cara com as seis pessoas que estava pensando em momentos atrás.
Andrew e Carol estão parados abraçados no lado esquerdo da porta, Kate e Vivian estão mais a frente também do lado esquerdo e Daniel e Julia ocupam o lado direito. Todos com sorrisos travessos e mãos ocupadas com sacolas e caixas.
— Oiii – Vivian fala animada enquanto sorri e me empurra para o lado, entrando em minha casa e sendo seguida de todos os outros que passam por mim e me cumprimentam.
— Oi?! – respondo surpresa encarando todas aquelas pessoas reunidas em minha sala. Eles se espalham se acomodando onde encontram espaço e ignoram minha cara de abobalhada. – o que vocês vieram...? – pergunto sem perguntar.
— Já que você se recusou a sair com a gente em pleno domingo, resolvemos vir até sua casa, encher a cara, comer e dançar – Kate fala debochada enquanto aponta para as sacolas com bebidas e algumas caixas de pizzas.
— Tudo isso por que eu não quis sair com vocês? – exclamo surpresa e vejo aquela turma revirar os olhos.
— É claro que sim – responde Júlia como se fosse óbvio – você é nossa amiga – vejo todos concordarem e não consigo evitar ficar emocionada. São incríveis.
— Fora que você parece deprimida essa semana – Daniel fala e automaticamente lembro de Christopher e a estranha saudade que está me corroendo. – Pode tirar esse careta do rosto, que hoje viemos pra esquecer os problemas – levanta uma das sacolas com bebida e eu rio concordando.
— Vocês são os melhores – digo risonha e me jogo no tapete do chão enquanto mexo nas sacolas e passo uma garrafa de bebida pra cada um, incluindo eu mesma. – vocês sabem que amanhã nós trabalhamos né? – pergunto tendo como resposta, revirar de olhos e dou de ombros também
Kate se levanta e anda até meu som. Coloca um cd e mexe um pouco até uma música eletrônica encher o ambiente, em um volume que não atrapalharia os vizinhos. Ela se vira para nós e começa a remexer o corpo lentamente enquanto nos chama com a mão.
Me levanto do chão e ando em direção a ela, parando em sua frente e movimentando meu corpo no ritmo da música. Enquanto danço, olho ao redor sorrindo e vejo meu grupo de amigos espalhados pela sala. Andrew e Carol estão num canto dançando e se agarrando. Júlia, Daniel e Vivian estão jogados nos sofás bebendo e conversando.
— Como está sendo ficar naquele andar sem o Christopher? – Kate me pergunta sorrindo.
— Mais silencioso que o normal – respondo depois de beber da minha garrafa. – é até agoniante se você quer saber. Já me acostumei com a presença dele na sala ao lado – ela parece me analisar e depois sorri.
— Então quer dizer que você está com saudades dele é? – sua voz é brincalhona, mas vejo a seriedade em seu olhar.
— O que? Não – paro de dançar sentindo meu rosto corar. Ela para também e arqueia uma sobrancelha. Bufo – sim – murmuro – mas é só por que viramos amigos – me explico, temendo que ela pense outra coisa.
— Ele está diferente desde que vocês começaram essa “amizade” de vocês – deixa claro não acreditar que era somente amizade – ele está mais aberto e eu vejo que está mais feliz também – murmura e sorri carinhosa. Começo a negar com a cabeça mas ela nega com a cabeça também – só quero que saiba que eu apoio vocês juntos. Ele merece uma mulher legal, e sei que você é essa mulher.
— Nós não estamos juntos – tento negar mas minha voz falha levemente e ela revira os olhos enquanto da um gole em sua bebida.
— Eu conheço meu irmão Lou – sorri – e nunca vi ele falar com tanta possessividade de alguém que nem ele fala de você, quando eu toco no seu nome – eles falam de mim com frequência? Me sinto envergonhada em pensar nos dois falando qualquer coisa sobre mim. Só a encaro sem saber o que responder e ela sorri e se afasta.
Me escoro na parede ao lado da janela com a mente em turbilhão. Antes que eu me dê conta, estou com duas garrafas vazias na estante ao meu lado, me sentindo perdida.
— E essa carinha perdida? – me assusto com a voz de Daniel ao meu lado. Ele tem um sorriso no rosto que eu logo retribuo e dou de ombros para sua pergunta.
— Só pensando em umas coisas – murmuro o encarando.
— Coisas boas ou coisas ruins? – pergunta me fazendo rir. Ele se escora na parede ao meu lado e passa seu braço por cima do meu ombro.
— Acho que ainda não decidi se é uma coisa boa ou ruim – ele concorda e da de ombros virando a bebida na boca.
— Deixa pra pensar nisso depois e vamos dançar – me puxa me forçando a dançar com ele. Reviro os olhos enquanto faço alguns poucos movimentos e ele revira os olhos – Sei que você pode fazer melhor do que isso – diz me girando e não consigo evitar soltar uma gargalhada. Começo a me movimentar junto com ele.
Olho para o lado e vejo todos meus amigos dançando próximos a nós. Sinto o suor começar a grudar em minha pele e me afasto indo em direção ao banheiro. Lá dentro, me encaro através do espelho e vejo o sorriso preenchendo meus lábios.
Sinto o celular vibrar no meu bolso e o pego, vendo uma mensagem de um número desconhecido.
“Esta se divertindo?”
Franzo o cenho sem saber quem é, e respondo.
“Quem é?”
Espero a resposta durante um tempo e quando ela não chega, dou de ombros e volto para perto dos meus amigos.
Me sinto levemente tonta depois de tomar algumas garrafas. Observo meus amigos em situações piores do que a minha e levando em consideração já ser quase meia noite, acho melhor dar a noite como encerrada.
Vivian parece ter a mesma ideia quando pega sua bolsa e anda em minha direção. Sorrio para ela quando para em minha frente.
— Vou ir pra casa tá Lou? – diz com a língua levemente enrolada – já estou alterada o suficiente e amanhã nós trabalhamos – faz uma careta e eu gargalho enquanto concordo com a cabeça.
— Não vai dirigindo né? – pergunto preocupada e ela nega.
— Chamei um táxi – aponta para o celular em sua mão. Ela me abraça rapidamente me dando boa noite e se vira pro resto da turma – OOW – grita chamando a atenção de todos – estou indo embora. Chamei um táxi caso alguém queira ir comigo – Daniel, Júlia e Kate dizem que vão com ela. Eles se aproximam de mim, me dão um abraço rápido e saem. Carol e Andrew saem logo depois alegando que vão andando.
Observo minha sala que parece ter passado um furacão e reviro os olhos. Ótimo, sobrou pra eu arrumar tudo sozinha.
Pego as caixas de pizzas e as garrafas e as levo para o lixo e depois organizo tudo. Decido passar um pano no chão e quando acabo, sinto o suor grudando em minha pele.
O silêncio em minha casa chega a ser torturante se comparado ao barulho que tinha até pouco tempo atrás. Querendo ou não, é impossível não voltar a pensar em Christopher. Essa necessidade da presença dele está acabando comigo e sei que é errado. Cadê a parte do só sexo? Não tinha que ter saudade.
Me levanto e ando em direção ao meu quarto. Esses pensamentos me corroendo só pode ser cansaço. Pego uma camiseta qualquer em meu guarda roupa e entro no banheiro. A melhor coisa agora é ir dormir.
A água caindo sobre meu corpo, me relaxa instantaneamente. Deslizo o sabonete por meu corpo, tentando pensar o mínimo possível em qualquer coisa. Desligo o chuveiro e encaro meu rosto através do espelho. Muitas vezes até me esqueço dos meus olhos diferentes. As pessoas a minha volta, faz parecer ser algo comum, e agradeço internamente por isso.
Me visto rapidamente com a camiseta que escolhi e fico surpresa ao perceber que é uma camiseta de Christopher, que ele deixou aqui em uma de suas visitas. Ainda tem o cheiro dele e sinto meu coração acelerar ao perceber isso.
Saio do banheiro e procuro por meu celular e o encontro sobre a estante da televisão. Destravo sua tela e vejo outra mensagem do número desconhecido.
“Cinco dias e já esqueceu de mim?” a mensagem é acompanhada de uma foto minha dançando com Daniel. Sinto meu coração pulsar acelerado quando percebo que é Christopher, mas fico tensa ao perceber o que ele deve ter pensado ao ver a foto. O sorriso em meu rosto e a nossa proximidade, faz parecer ter algo a mais do que somente uma dança.
“Não é tão fácil te esquecer” sou sincera. Definitivamente não é fácil esquecer ele. Entro em meu quarto e me deito enquanto espero sua resposta.
“Espero que seja difícil mesmo” reviro os olhos e sorrio. Logo em seguida chega outra mensagem e um sentimento desconhecido se apossa de mim.
“Sinto sua falta” é a mensagem que brilha em minha tela. Sinto um arrepio no corpo, acompanhado do coração acelerado. A saudade aperta meu coração e só consigo pensar em como eu queria ter ele ali. Não sei quando fiquei tão dependente de sua companhia, mas perceber isso, me causa um calafrio de medo que tento afastar.
Me lembro dos momentos que tivemos desde que nos conhecemos, são como flashes aparecendo em minha mente.
“Garota você pode sair daqui. Você NÃO vai trabalhar comigo”
“Gosto dos seus olhos”
“Não vou usar uma camiseta do seu namorado”
“Você é uma pequena diabinha Louise”
“Eu poderia citar várias coisas que eu gosto em você”
“Eu não acredito que ia deixar ele tocar em você Louise.”
“Você não vai me afastar Louise. Nem pense nisso”
“Você atende o cara usando só isso e ainda deixa um desconhecido entrar?”
“Não dá pra te deixar sozinha uns minutos que já aparece um marmanjo caindo em cima”
Me assusto e saio dos pensamentos quando sinto meu celular vibrar em minha mão novamente.
“Muito rápido?” se ele dizer que sente minha falta, foi muito rápido? Não. Rápido foi o sentimento que está me inundando de uma forma assustadora.
“Não. Só me pegou de surpresa” respondo e logo em seguida envio outra.
“Não achei que fosse sentir minha falta”.
“Voce não sentiu a minha?” cogito em mentir ou dizer a verdade. Por fim, sabendo que ele não veria meu rosto vermelho de vergonha, decido ser sincera.
“Estou sentindo sua falta, a cada minuto de cada dia” envio com o coração acelerado e as mãos trêmulas. Talvez dizer isso, fosse um erro.
Espero ansiosa alguma resposta durante mais de 10 minutos e ela não chega. Me sinto humilhada por ter me aberto com ele e ter recebido somente o silêncio em troca. Ele deve estar rindo de como eu sou ingênua.
Bufo e me levanto da cama indo apagar as luzes da casa. No meio do caminho escuto baterem em minha porta e estranho. Será que algum dos meus colegas esqueceu alguma coisa?
Ando até a porta com um sorriso zombeteiro e uma piada na ponta da língua. Mal abro a porta e sinto um corpo se chocando contra o meu é uma boca grudando na minha de forma desesperada. Estou pronta para me afastar quando reconheço o toque, o beijo, e o frio na barriga que somente Christopher faz eu sentir.
O agarro pela nuca e gemo quando nossas línguas se tocam. Suas mãos me puxam para si em um abraço apertado e meus pelos se eriçam. O beijo tem gosto de saudades e me agarro a ele como se a qualquer momento ele fosse desaparecer.
Quando o ar se faz necessario, nos afastamos ofegantes e eu o encaro surpresa e extasiada. Ele está lindo. Usando uma calça preta, uma camiseta vermelha e uma jaqueta também preta. Ele está incrível. Mas o mais bonito são seus olhos tempestuosos brilhando de uma forma que eu nunca vi antes.
— O que você..- veio fazer aqui, era minha pergunta. Mas minha voz trava quando olho para trás dele e vejo uma mala no chão. Olho da mala para ele algumas vezes ate fixar meu olhar no seu.Eu sabia o que significava, só era difícil de acreditar.
— Você era a primeira pessoa que eu queria encontrar – fala se aproximando. Sinto minhas mãos tremerem e suarem ao escutar duas palavras. Sua boca desliza sobre a minha em apenas um roçar de lábios – eu dirigi que nem louco pra ter você nos meus braços logo – sua mão se infiltra em minha nuca e ele puxa meu cabelo deixando meu pescoço exposto para sua boca – por que eu não te tirei do pensamento em nenhum momento durante esses cinco dias Louise.
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