Tudo o Que Se Sente
7 Capítulo 7 - Ainda o mesmo
Notas iniciais
Vejo os raios de sol entrando pela janela do meu quarto enquanto ainda estou deitada. Tinha medo de ir trabalhar e descobrir que a noite de ontem tenha sido apenas um sonho e que o meu chefe continua um idiota arrogante. Sinto um aperto no peito e me repreendo. Apenas amizade falo para mim mesma na minha cabeça.
Tomo coragem e me levanto. Arrumo a bagunça que se encontra minha cama e vou para o banheiro. Me dispo e entro em baixo da água sem molhar meus cabelos. Deixo a água escorrer pelo meu corpo me relaxando. Saio uns minutos depois pronta para mais um dia de trabalho.
Me seco e desembaraço meus fios lisos, passo uma maquiagem apenas destacando meus olhos coloridos e coloco uma lingerie preta rendada. Escolho um vestido vermelho de manga, que é justo até a cintura e depois se abre levemente. O dia está gelado então coloco meias calças e uma botinha. Passo um perfume e coloco meu medalhão no pescoço e meu relógio de pulso. Pego minha bolsa e um sobretudo bege e saio de casa depois de conferir tudo.
Quando chego na empresa sinto falta do café que hoje não deu tempo de comprar. Meu estômago reclama por não ter nada nele. Ligo o computador e organizo minha mesa. Pego minha foto e observo. Sinto saudades e pretendo muito em breve visitar ela. Pego meu celular e decido ligar para minha mãe. Digito seu número e espero o celular chamar.
— Bom dia meu amoor – ela atende animada e sinto meu coração se aquecer. – você não me ligou ontem – acusa chateada. Sorrio.
— Bom dia mãezinha – comprimento. Sinto vontade de contar a montanha russa que minha vida virou mas me calo, não quero preocupa-la sem necessidades. – meu dia ontem foi tãoo cheio mãe – falo dengosa querendo amolecer ela. – não tive tempo nem para respirar direito. Quando cheguei em casa só pensei em dormir. Me desculpa mãezinha? – faço charme. Ouço seu suspiro e seguro a risada.
— Te perdoo dessa vez menina, mas não se acostuma – fala seria, mas conheço ela também que sei que tem um sorriso enorme no seu rosto. Reviro os olhos. – não revira os olhos pra mim mocinha.
Rio ao perceber como ela me conhece bem. Queria estar com ela agora e tenho certeza que teria tomado o café da manhã mais reforçado do mundo, do jeito que só dona Luiza Williams sabe fazer .
— Eu amo tanto você – falo com os olhos lacrimejando. Levanto a cabeça e me assusto ao me deparar com meu chefe encostado na parede com uma expressão séria me observando. – mãe te ligo quando chegar em casa – sussurro desligando o celular na cara dela.
Olho Christopher que continua me encarando. Sua expressão séria me gela por dentro. Então me levanto e sorrio nervosamente andando em sua direção. Paro quando meu celular começa a tocar de novo e o nome da minha mãe aparece na tela. Rejeito a chamada. Ela deve estar brava.
—Bom dia chefe – comprimento. Levanto o celular mostrando para ele. – desculpa isso aqui, eu desliguei a ligação na cara da minha mãe e ela odeia isso – sorrio e sei que meus olhos estão brilhando. Mal termino de falar e ela me liga de novo.
— Sua, hm, mãe? – assinto com a cabeça. Ele sorri – acho melhor você atender. Ela parece que não vai desistir. – suspiro e atendo o celular.
— Louise Williams eu não acredito que você desligou na minha cara – fala brava e me encolho. Sinto os olhos do meu chefe sobre mim e é vergonhoso.
— Meu Deus mãe – reclamo tampando meu rosto. – eu 'to no trabalho, desliguei por que meu chefe chegou – explico pra ela.
— Ah – ela fala e fica quieta. Sei que está envergonhada. – Desculpa amor.
— Tudo bem mãe, mas agora tenho que desligar – falo rindo. Minha mãe é uma comédia. – Te amo até marte e voltando – nossa frase desde sempre.
— Até marte e voltando Lou. – finaliza a ligação e estou sorrindo. Reviro os olhos pelo jeito dela.
Olho para meu chefe e vejo ele me encarando divertido. Arqueio uma sobrancelha pra ele sem entender. Dou de ombros e sorrio. Não dá para saber o que passa na cabeça dele.
— Sua mãe parece ser brava. – ele diz sorrindo. Um sorriso muito bonito aliás.
— É só charme – explico rindo. – nenhuma de nós duas gosta de uma ligação desligada na cara. Sempre que uma desligava na cara da outra, ligamos até a pessoa atender direito. – é uma forma de irritar, mas não ia falar isso para ele.
Ele anda até a minha mesa, e pega a foto na mão. Fica analisando um pouco até se virar com a foto não mão, como uma pergunta muda.
— Foi no meu aniversário de 21 anos. Foi uma dia muito bom – me aproximo dele observando a foto também. Me trazendo lembranças boas. – ficamos o dia todo no parque que tem na minha cidade natal. Só nos duas – sorrio. Não gosto da maioria das lembranças que aquela cidade me trás, mas tem algumas que aquecem meu coração.
— Acho que entendo por que ontem você disse que ela era a pessoa que você mais amava na vida. – ele sorri e coloca a foto no lugar. Se vira para mim e continua. – ela te olha como se você fosse o maior presente da vida dela.
Ele está tão certo. Ela vivia falando em como eu fui a única coisa boa que aconteceu na vida dela por muito tempo. E quando coisas ruins começaram a aparecer para nós, a única coisa que tínhamos era uma a outra.
Depois de falar isso, Christopher se vira e sai andando para sua sala. Sorrio. Ele ainda é o mesmo de ontem. Pego sua agenda e o sigo. Falo seus compromissos rapidamente e volto para minha mesa.
Na metade da manha arrumo a sala de reuniões e chamo Christopher pelo telefone avisando que já estava tudo organizado. Ele sai da sala e me espera.
Entramos no elevador e ele fica me encarando com o semblante preocupado. Sorrio para ele mostrando que estava tudo bem. Com o passar dos dias estava ficando mais fácil usar essa caixa de metal, ainda mais quando não estou sozinha.
A reunião passa lentamente e sinto meu estômago doendo de fome. Deus, nunca mais saio de casa antes de comer no mínimo uma maçã. Presto atenção o máximo que posso em tudo absorvendo o maior tanto de informação possível.
Vejo na sala Andrew e Julia que sorriem quando me veem. Acenam para mim e eu correspondo. Não os vejo desde o dia que consegui esse emprego e me sinto mal. Gostei muito deles e pretendo tentar fazer mais amizade.
Quando a reunião acaba todos vão saindo enquanto meus dois colegas vem em minha direção. Fica somente eu, meu chefe e eles na sala.
— Lou – Júlia me abraça apertado. Gosto desse jeito carinhoso que ela tem. – você sumiu – me acusou. – mas fico feliz que tenha conseguido ficar. – rio um pouco do jeito dela. Logo depois vem Andrew que me abraça apertado e me dá um beijo na bochecha. Solto uma risada audível.
— Vê se não some de novo – o moreno pediu. – Vivian falou que tá com saudades suas.
Me sinto mal por ter me distanciado um pouco dela. Fiquei tanto nesse emprego que acabei deixando ela de lado. Vou resolver isso o mais rápido possível.
— Também sinto saudades dela, mas tá tudo tão corrido esses dias – explico suspirando. – fala pra ela me mandar mensagem depois, aí a gente marca um almoço com todo mundo. – proponho feliz. Vejo eles concordarem com a cabeça. Andrew se aproxima de mim e sussurra no meu ouvido:
— Ai aproveita e nos conta como conseguir dobrar a fera – falou brincando e eu rio batendo levemente em seu ombro. Concordo com a cabeça.
Eles se despedem e saem da sala. Viro para meu chefe que está me olhando escorado na mesa. Ele tinha um semblante pensativo no rosto. Me aproximo dele e paro em sua frente.
— Mais um contrato fechado chefinho – falo empurrando ele levemente com o ombro. Ele sorri de forma bonita e revira os olhos. Fico até surpresa já que ele detesta quando reviram os olhos para ele. – hey – reclamo. Bem na hora meu estômago ronca alto e eu sinto meu rosto corando. Provavelmente devo ter ficado da cor do meu vestido. Ele levanta uma sobrancelha e ri. – ah, eu não tomei café da manhã – explico envergonhada.
— Tem um dragão nesse seu estômago Louise. – fala rindo e passa a mão pelos cabelos dourados deixando-os bagunçados.
— Ah da licença vai – falo chateada, eu estou com fome não tem que zombar de mim por causa disso. – Vou ir comer que eu ganho mais. – falo dando as costas para ele e saio da sala. Vejo ele me seguindo e entramos no elevador.
— Na onde vamos comer? – pergunta de repente. Fico surpresa. Vamos?
— Vamos?? – não escondo minha surpresa. Ele concorda com a cabeça sorrindo de lado. – hm, tá bom né – dou de ombros. – eu sempre como na cantina da empresa. — Ele faz uma careta.
— Não gosto de comer lá – diz. – as pessoas ficam me olhando o tempo todo como se eu fosse um bicho de sete cabeças. – explica bufando.
— Chris você não é um exemplo de boa personalidade – falo sincera. Vejo ele bufar de novo e passar a mão pelos cabelos. – experimenta tratar os outros melhor, agradecer de vez em quando, pedir por favor. Tenho certeza que não ia ter ninguém te olhando torto. – tão simples. Ele revira os olhos e fica quieto.
Quando as postas se abriram eu saio de dentro, mas ele continuou parado . Olhei pra ele sem entender e vi ele tenso olhando para trás de mim onde as mesas estavam distribuídas e o barulho da conversa era relativamente alta. Reviro os olhos.
— Sobe pra sala Chris, levo uma bandeja lá pra cima com a nossa comida. – falo e vejo ele suspirar aliviado. Ele me dá um sorriso largo assentindo com a cabeça e vejo as portas se fecharem.
Suspiro. Como pode um homem como ele cheio de si, não conseguir lidar com um ambiente de trabalho? Entretanto, até acho que compreendo. Se ele entrasse ali ele não conseguiria se sentir à vontade com todo mundo o observando.
Pego uma bandeja e monto dois pratos, pego dois pedaços de pudim e duas garrafinhas de suco. Coloco tudo na bandeja e subo de volta para o último andar. Quando chego lá, Christopher está sentado no sofá de espera que tem no canto da ante sala que minha mesa fica. Vou até a minha mesa e colo a bandeja sobre ela.
— Vem chefe – chamo e vejo ele se aproximar. Reparo o terno que ele está vestido. Todo preto, camiseta branca e sapatos brilhantes. Sua barba está bem desenhada e aparada e o cabelo bagunçado pelas mãos nervosas dele. Me lembro da camiseta dele dentro da minha bolsa e pego entregando para ele. – já estava esquecendo – falo rindo. Ele pega a camiseta das minhas mãos e parece surpreso quando não vê nenhum resquício de mancha de vinho. – Senta logo aqui.
Meus estômago dói cada vez mais de fome. Sento na minha cadeira e Edwards vai buscar a dele na sala. Ele senta de frente para mim e eu entrego o prato dele e os talheres. Faço o mesmo para mim e começamos a comer em silêncio. Observo ele enquanto como e admito para mim mesma que gosto de ter esse Christopher por perto, mesmo que minha mente viva tendo pensamentos inapropriados com esse pedaço de mal caminho. Quando termino a comida, começo a comer meu pudim.
— Posso fazer uma pergunta? – me pede. Concordo com a cabeça. – eu ‘to curioso desde ontem. Suas tatuagens tem algum significado? – fico um pouco tensa. Tem significados. Pondero se quero que ele saiba e por fim dou de ombros.
— Elas tem sim – confesso. Vejo a curiosidade estampada em sua cara e suspiro revirando os olhos. – a rosa é para me lembrar que posso ser forte e bela. O lobo pra não me esquecer de ter lealdade e os pássaros um lembrete de liberdade. – é o máximo que consigo dizer e ele aceita. Concorda com a cabeça sorrindo.
— São significados bonitos – ele diz – e ficaram lindas na sua pele. – reviro os olhos corando. Mordo os lábios e vejo ele ficar tenso. – Não faz isso – pede com a voz rouca. Me arrepio. Sorrio maliciosamente
— Fazer o que Sr. Edwards? – pergunto inocente enquanto coloco o pudim na boca e enrolo a língua na colher de uma forma sensual.
Escuto ele gemer baixinho e me sinto quente. Ele encosta na cadeira dele e fecha os olhos. Quando abre de novo ele tem uma expressão desejosa e suas pupilas estão dilatadas.
— Você é uma pequena diabinha Louise – ele fala sério e eu rio alto. Assinto com a cabeça e pisco os olhos de forma fofa. Ele nega com a cabeça sorrindo. – malvada – sussurra.
— Poxa Christopher, assim você me magoa – faço cara de magoada e coloco as mãos sobre o peito. Ele suspira e sussurra algo que não escuto. Faço uma careta. – o que você disse? – sou curiosa mesmo.
— Nada Louise, nada – diz se levantando enquanto come o pedaço de pudim dele. Bufo irritada. – Vamos voltar ao trabalho – ele fala.
— Tá – falo brava, ainda estava curiosa. Ele ri. Pego a bandeja com os pratos e talheres e entro no elevador indo devolver tudo onde tem que ficar.
Por algum motivo desconhecido por mim, o sorriso bobo não sai do meu rosto.
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