Tudo o Que Se Sente
3 Capítulo 3 - Conquistando um emprego
Notas iniciais
A vida nunca foi fácil para mim infelizmente. Sorte nunca fez muito parte da minha vida, e eu já tinha entendido e aceitado isso. Mas quando o acaso ou o que quer que seja, te coloca para trabalhar com o DEMÔNIO como lidar com isso?
Eu estava trabalhando com o Christopher a apenas uma hora e já queria dar a ele, uma morte lenta e dolorosa. Ele não conhece as palavras mágicas que consistem em por favor, obrigada e com licença. Depois de eu ler sua agenda e ele me fazer anotar tudo o que seria necessário para as reuniões, ele me mandou sumir da frente dele e fazer algo de útil. Obedeci rapidamente por que se eu permanecesse por muito tempo lá, iria dar guerra com certeza.
Durante o tempo que fiquei em minha mesa, atendi ligações, anotei recados e marquei reuniões.
As 10:00 começo a arrumar a sala de reuniões, fazendo a marcação de lugares e distribuindo as pastas com os planos, projetos e planilhas. Tento ser o mais rápida possível, e as 10:20 estava voltando para a sala do Sr. Edwards. Como sempre, as paredes metálicas do elevador pareciam me engolir.
Cheguei na sala e sentei na cadeira da minha mesa. Se eu conseguisse ficar nesse emprego, iria deixar aquela mesa mais a minha cara. Colocar uma foto, alguns Post its, um vaso de flor e minhas amadas canetas coloridas. Tudo nesse andar é muito impessoal e me agonia de certa forma.
Faço a discagem rápida para a sala de Christopher e informo que a sala está pronta, ele não responde e desliga na minha cara. Alguns instantes depois ele sai da sala e caminha em minha direção.
— Tá esperando o quê Srta. Williams, convite formal? -fala grosso, me pegando de surpresa. Eu não sabia que iria junto. – Vamos logo.
Levantei andando em sua direção e fomos juntos até o elevador. Quando entramos comecei instantaneamente a cantar a musiquinha na mente para me manter calma. Olhei para Christopher que me encarava com a testa franzida e a sobrancelha arqueada. Eu estava pálida.
Saímos do elevador com ele andando na minha frente enquanto eu me recuperava um pouco. Ele abriu a porta da sala e entramos. A sala estava cheia de pessoas para mim até agora desconhecidas, cada uma delas sentadas em uma das cadeiras que eu tinha arrumado anteriormente.
Quando Christopher foi percebido houve um silêncio geral enquanto nos aproximavamos e ele tomava seu lugar na cabeça da mesa.
Apreciei encantada durante duas horas como funcionava o processo de criação dessa empresa. Com o passar dos minutos foi ficando claro a função de cada um dos participantes ali. A reunião tinha como base vender uma propaganda para empresa de cerveja, e para isso teve que ser detalhado quais eram as ideais, o valor que a propaganda custaria, a estatística de aumento de vendas e outros pequenos detalhes.
O CEO da empresa de cerveja parecia impressionado e satisfeito com o que via. Diferente do Sr. Edwards o Sr. Ronald King era uma pessoa calma e controlada. Escutava com atenção, perguntava quando precisava e concordava sempre que algo parecia agradar. O negócio já estava praticamente fechado.
No fim da reunião, contratos foram assinados e todos pareciam satisfeitos. Sr.Edwards controlou a reunião com mãos de ferro de forma prática, não deixando nenhuma ponta solta. Prestei atenção e absorvi o máximo que podia. Edwards Publicidade & Marketing era a melhor em seu ramo por que definitivamente possui a melhor equipe. Tem uma química entre todos os criadores que é sensacional. Um complementava a ideia do outro.
Quando saímos, subimos novamente para nossa andar. Christopher entrou em na sua sala e ficou apenas alguns momentos. Ele tinha um almoço com algum grupo importante e saiu sem se despedir. Mal educado.
Eu não estava com fome, mas sabia que se não comesse iria passar mal, então peguei minha bolsa, esperei o elevador subir novamente e desci para o refeitório. Ao chegar lá dei de cara com a sala cheia de funcionários distribuídos por várias mesas. Fui até a cantina pegando um suco e uma maçã. Como eu disse, não estava com fome.
Em uma das mesas estava Vivian sentada conversando com algumas pessoas. Quando me viu, acenou para mim fazendo um convite para sentar com eles. Acenei com a cabeça e andei em direção a ela, ocupando a única cadeira vaga que ainda tinha.
— Gente essa é a Louise, a nova Secretária do Christopher. Hoje é o primeiro dia dela. – falou me apresentando. Sorri e acenei pra eles em um comprimento. – esses são Daniel – um loiro de olhos verde com um sorriso bonito – Júlia – uma morena dos cabelos Chanel e olhos puxados – Andrew – um negro de sorriso e olhos marcantes, maravilhoso por sinal. Corei quando me picou com um olho – e essa é a Carol – uma ruiva natural com sardas na bochecha. Parecia uma boneca.
— Então você é a nova escrava do Chefão? – Daniel disse brincando, dei de ombros sorrindo já que não tinha como discordar daquilo. – Vivian falou o jeito que ele te tratou hoje, como conseguiu amansar a fera? – pareceu realmente curioso. Todos da mesa também queriam saber.
— Não amansei – falei sincera. – ele me deu até o final do dia para convence-lo que não sou uma incompetente e que mereço o cargo – completei mordendo a maçã e revirando os olhos. Pareceram surpresos.
— Vamos torcer por você então Louise, tomara que consiga – dessa vez quem disse foi Julia. Observei todo mundo concordar com a cabeça e me desejarem boa sorte com o Christopher.
— Obrigada gente, vou precisar – agradeci brincalhona. Fiquei algum tempo conversando com todos ali enquanto comia, e fiquei surpresa ao descobrir como eles eram tudo meio Nerds.
Acabei minha maçã e o suco, peguei minha bolsa e me despedi de todos ali. Era bom conhecer mais pessoas daquela empresa. Esperei o elevador chegar, e quando as portas se abriram dei de cara com o meu chefe.
Ele estava dentro do elevador, de cara fechada e costas eretas me olhando enquanto eu ocupava um lugar lá dentro também. As postas se fecharam e a sensação de pânico começou a entrar em mim. Senti meu estômago nauseando e fechei meus olhos enquanto me escorava na parede metálica ao fundo.
Repassava na mente a canção da Enya e me senti calma novamente. Abri os olhos vendo o número em cima da porta subindo lentamente. Quando as portas se abriram no décimo quinto andar praticamente me atirei para fora do elevador e sentei na minha cadeira enquanto minhas pernas recuperavam as forças.
Christopher passou por mim com um sorriso arrogante no rosto, como se minhas reações o divertissem. Bufei audivelmente para aquele ser humano idiota. Um estúpido ele.
Continuei fazendo o meu trabalho enquanto o Demônio permaneceu trancado dentro de sua sala. As 13:30 fui novamente arrumar a sala de reuniões. Dessa vez a reunião seria com a representante de um empresa de cosméticos e produtos estéticos que de acordo com o que eu ouvi, era muito perfeccionista e difícil de agradar. Christopher teria muito trabalho nessa reunião.
Voltei para a sala e constatei que esse elevador ia deixar meus nervos em frangalhos. Chamei Christopher através da ligação avisando que a sala já estava pronta e que já poderíamos subir. Esperei ele sair da sala em frente ao elevador e fomos para a reunião.
Quando chegamos ainda não estavam todos lá, então aguardamos uns minutos até que a representante chegasse. O nome dela é Sara Leonard, uma mulher de idade mas muito elegante que entrou na sala destilando bom gosto.
Vi cada um dos presentes se apresentando e sorri ao perceber que Andrew e Carol faziam parte dessa equipe. Acenaram para mim e retribui ao aceno discretamente para não chamar a atenção de ninguém.
Sra. Leonard tomou a frente da reunião falando que esperava um propaganda que alcançasse todos os tipos de públicos. Começou uma discussão que já durava 3 horas para tentarem chegar a algum acordo e tudo que era proposto, era descartado pela representante. Vi o Christopher perdendo a paciência com a insatisfação da mulher.
Eu já tinha percebido o problema a algum tempo. Sara queria algo que alcançasse todos os públicos, e as coisas propostas ali, iria atrair somente o público jovem. Comecei a imaginar em minha cabeça como atrair o público mais velho a comprarem produtos estéticos. Se eu já fosse de idade, o que me faria comprar um produto?
— Sr. Edwards – sussurrei ao seu lado chamando sua atenção. Ele me encarou irritado. – não é isso que ela ‘tá buscando. Ela é uma senhora já com idade. Não quer algo que atinja somente o público jovem. – expliquei o que tinha percebido desde o começo. Ele parou alguns segundos percebendo onde eu queria chegar.
— Continue – ordenou também sussurrando. Respirei fundo pensando na melhor forma de falar as coisas que tinha pensado.
— Ela quer que seus produtos possam dar uma melhorada na forma de vida das pessoas mais velhas, em saúde, aparência e acesso. – ele assentiu e eu continuei. – por que não propõe algo que consiga juntar todas as gerações em um mesmo ambiente. – propus finalmente.
— A questão aqui é o que propor Srta. Williams. – respondeu bravo. – se tiver uma sugestão sou todo ouvidos. – bom, eu tinha uma sugestão, só não sabia se era boa.
— Um show – falei . – quer dizer, é um lugar onde se reúnem pessoas de todos os tipo. Da pra mostrar, os recém casados, o casal idoso comemorando bodas de casamento, o adolescente, a mãe levando o filho, etc. No começo da propaganda podemos mostrar cada um deles se preparando para o show de formas diferentes. A mãe dando um banho em seu filho, o casal de idosos passando um creme de corpo, a adolescente um perfume e uma maquiagem. Incluir nas cenas os produtos deles e no final quando todos se juntarem no show, colocar uma frase de efeito do tipo “cuidamos de vocês onde forem”, sei la. – terminei minha ideia sem olhar pra ele. Parecia muito melhor na minha mente, e fiquei com medo de ter sido uma idiota.
Olhei para ele que estava sério e olhando para frente. Senti o peso da idiotice no ombro e quis me esconder.
— Olha, esquece, foi uma bobagem que passou na minha cabeça. – disse enquanto sentia meu rosto ardendo de vergonha. Ele com certeza iria dizer como sou idiota de se quer cogitar a possibilidade daquilo dar certo. Me senti burra. Deveria ter ficado quieta.
— Com licença a todos – ele falou se levantando e chamando atenção para ele. Todos ficaram quietos esperando ele concluir o que queria. – minha secretária Louise Williams teve uma ideia e quero que ela compartilhe com todos vocês. Deixem ela falar. – ah não, não era para ele fazer isso. Ele quer o quê? Me humilhar diante de todos? Senti a raiva por ele se misturar com a vergonha de ter a atenção de todos em mim. – levanta Louise, estamos esperando você compartilhar sua ideia.
Levantei lentamente buscando coragem de falar. Comecei a compartilhar minha ideia e explicar da melhor forma possível. Os outros participantes foram agregando opiniões pouco a pouco deixando minha ideia mais cara de empresa de publicidade. Quando não tinha mais o que falar, ficamos todos quietos enquanto esperávamos ansiosos a reação da Sra. Leonard.
Fiquei apreensiva quando ela levantou e veio em minha direção. Assim que parou, sorriu e me puxou para um abraço me pegando de surpresa. Retribui sorrindo emocionada. Virou para Christopher ao meu lado que parecia satisfeito e estendeu a mão como um sinal de negócio fechado. Ouvi alguns suspiros aliviados e sorri mais ainda.
Sara Leonard se despediu de todos após remarcar uma reunião para ver uma apresentação da ideia física, e pouco a pouco a sala foi esvaziando. Pareciam satisfeitos depois de uma reunião longa e tensa.
Quando todos saíram da sala ficamos somente eu e Christopher e uma sala silenciosa. Virei para ele que estava escorado na mesa me encarando. Estava sério como sempre e tinha algo nele que não me deixou desviar o olhar. O homem tinha magnetismo, não era possível.
Vi ele passar a mão nos cabelos e bagunçar levemente dando um aspecto selvagem. Seu maxilar travado deixando-o sexy. Ele parecia estar tendo uma batalha dentro dele e suspirou levemente.
Andei em direção dele e me encostei na mesa ao seu lado. Ficamos em silêncio alguns minutos até ele se levantar e ficar em minha frente. Tinha uma expressão contrariada no rosto.
— Você salvou a reunião – ele falou frio. – se não tivesse se intrometido, não iríamos fechar esse contrato. – assenti com a cabeça e arqueei a sobrancelha, não sabendo exatamente na onde ele queria chegar. – isso quer dizer que eu te devo uma – concluiu sem vontade. Revirei os olhos e ele bufou.
— E isso quer dizer que eu vou permanecer no meu emprego? – perguntei, por que se ele me devia de qualquer forma, eu cobraria fazendo com que ele me deixasse trabalhar. Contrariado ele assentiu com a cabeça. Não me controlei e dei um gritinho animado enquanto pulava e dava um abraço nele. Quando percebi senti meu rosto vermelho e olhei pra sua cara surpresa. – desculpa – pedi envergonhada. Ele deu de ombros. – Você não vai se arrepender de me deixar trabalhar pra você. – garanti.
— Ótimo, se pisar na bola, te mando pra rua sem pensar duas vezes – ameaçou se afastando. – vamos deixar umas coisas claras aqui. Eu sou o chefe e você somente uma funcionária. Não sou seu amigo e não gosto de você. Nosso relacionamento vai ser estritamente profissional. Entendeu? – claro que sim. Assenti com a cabeça ainda sorrindo e ele virou as costas saindo da sala.
Suspirei. Me sentia esgotada. Foi um dia e tanto. Olhei o relógio e vi que já era mais de 17:00 o que significa que meu dia de trabalho já tinha chego ao fim. Subi até a sala onde trabalho e peguei minha bolsa, desliguei o computador e fui embora. Christopher conseguiu me levar a exaustão, e só conseguia pensar em comer, tomar banho e dormir.
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