Notas iniciais
Ava tenta ajudar Lexie a ter um encontro com Owen, o cara por quem ela tem uma queda. Mas qual a chance de Ava não se meter em uma situação inusitada para tentar agradar a amiga?

Eram 7:00 hrs da manhã, o sol de Seattle batia e entrava no quarto de Ava através das frestas da janela. A garota, deitada na enorme e desarrumada cama, é acordada repentinamente com o barulho irritante que o despertador fazia. Sem nem abrir os olhos, Ava pegou um dos travesseiros rosa jogados pela cama e o pressionou contra seu rosto na tentativa de abafar o som insuportável. Ela sabia que o despertador não ia parar de tocar, mas estava muito cansada para esticar seu braço e pará-lo.

No corredor, do lado de fora de seu quarto, sua mãe, Martha Matsuda, começou a bater na porta de madeira que a separava do quarto da filha. A senhorita Matsuda, como era chamada pelos amigos de Ava, era uma mulher já nos seus 50 anos, mas mantinha uma postura que a deixava muito mais nova. Há pouco menos de 2 anos a senhorita Matsuda terminara seu relacionamento e assim tornou-se uma mãe solteira cuidando de seus dois filhos num sobrado dividido com a família Henderson.

— Ava... – Dizia ela enquanto batia na porta repetidamente.

A garota soltou um silencioso gemido, ainda com o travesseiro sobre o rosto. Levantou seu braço direito e estalou os dedos. Todo o seu quarto e o resto do mundo ficou com um tom mais azul. Ava joga o travesseiro que segurava para longe, deixando ele atirado no chão do quarto e volta a dormi tranquilamente com um leve sorriso no rosto. Agora sua mãe já não gritava mais, na verdade, não havia nenhum barulho. Poucos segundos depois, o tom azul começa a desaparecer e finalmente volta ao seu normal; Martha volta a bater na porta, há barulho de carros andando na rua e de pássaros cantando nos galhos da árvore perto de sua janela.

— Acor... – Agora, a mãe da família já havia parado de bater e posicionava sua mão na maçaneta.

Antes da senhorita Matsuda poder terminar a frase, sua filha volta a estalar o dedos e o fenômeno volta a acontecer. O tom azul, o silêncio, tudo estava parado como num passe de mágica. Mas assim como da primeira vez, em pouco tempo tudo volta ao normal.

— ..da, filha...

A mulher continuava a falar, como se nunca estivesse sido interrompida. De certo, para ela, nada aconteceu.

— Não. – Reclama Ava enfiando sua cara novamente no travesseiro.

Ela estala os dedos e o ciclo volta a se repetir. Depois de alguns segundos o tempo voltava a correr.

— ... já ta na hora de...

— Nem vem.

A Senhorita Matsuda não conseguia forma uma frase direito que Ava logo estalava os dedos. E não foi diferente dessa vez, só que agora parecia que o tempo de paralisação estava cada vez mais curto.

— ...levantar!

— JÁ ENTENDI! – Disse Ava, se levantando rapidamente da cama com seus longos cabelos escuros e desarrumados, jogados na sua cara. Ela estava claramente irritada, já que suas tentativas de dormir mais um pouco haviam fracassado.

Martha não tinha entendido o motivo do grito da filha, mas não ligou e logo saiu dali. Ava levanta, com seu largo pijama estampado de bananas; sobe em cima da cama e se estica para abrir uma pequena passagem no teto. Ela puxa uma escada e sobe até o quarto de sua melhor amiga, Lexie Henderson. Ela e a família moravam em outra moradia logo acima da casa dos Matsuda. Lexie ainda estava dormindo, com seus cabelos loiros e cacheados sobre seu rosto. Ava, antes de entrar no quarto, para o tempo em um estalar de dedos e sobe em cima da cama da amiga. Assim que seu tempo volta a correr, Ava começa a pular, fazendo Lexie cair de cara no chão.

— Bom Dia! – Exclamou Ava, ainda pulando freneticamente na cama.

— Por que você sempre faz isso?

Lexie começa a se levantar e tira seus volumosos cabelos de seu rosto.

— Eu sei que você gosta.

— Tudo bem, eu tenho que me arrumar mesmo. Estou triste por não sermos mais colegas esse ano.

— Você sabe como é... – Ava se joga em cima da cama. — Gostei tanto do segundo ano que decidi repetir a dose.

— Essa é sua desculpa pra ter rodado?

— É... não funcionou com a Dona Martha Matsuda também.

— Por que será...?

Enquanto Lexie se veste, e isso costuma levar bastante tempo; Ava senta na borda da macia cama. Ela olha para sua mão e estala os dedos algumas vezes, parando e desfazendo a paralisação varias vezes.

— Eu ainda não sei controlar isso. Eu só queria dormir mais uns 5 minutos.

— Você sabe que precisa se concentrar mais.

Quando Lexie olha para Ava, ela está jogada em sua cama, dormindo e roncando escandalosamente.

— Tipo assim. – Fala ironicamente.

Já na parte dos Matsuda, Martha lavava a louça do café da manhã, enquanto Scott, seu filho mais novo, arrumava seus livros na mochila antes de ir para a escola. Ava finalmente descia as escadas, ainda usando seu pijama, cumprimentando sua mãe e se dirigindo a mesa, pegando uma maçã que estava jogada ali por cima.

— Eai, maninho... Ou deveria dizer, coleguinha? – Ela sorri com seu sorriso provocante.

Desde que Ava recebeu a noticia de que iria repetir o ano, Scott vem alimentando um sentimento de insegurança por ter sua irmã como colega. Ela era muito diferente dele, expressiva, animada, mas irresponsável na maioria das vezes, mas mesmo assim todos gostavam dela.

— Eu não contaria com isso. Seria muita coincidência você cair justamente na minha sala.

— Ah, eu falei com o diretor pra colocar vocês na mesma sala. – Contou Martha.

— MÃE!

A senhorita Matsuda parecia não ligar pra reprovação do filho, ela tinha certeza que fez a coisa certa colocando seus filhos na mesma sala. Martha pegou os lanches que havia preparado e entregou para seus filhos, dando um beijo na bochecha de cada um. Ava continuava olhando Scott com um olhar e sorriso provocante.

— Estou louquinha pra conhecer a Shana.

— Mãe, você falou da Shana pra ela?

— O que? Sua namoradinha?

— MÃE!

A garota coloca seu braço sobre Scott e se dirige para a porta de saida. Ele estava se remoendo por dentro e ela não podia estar mais contente.

Ava chegava na escola, passando pelos largos corredores de Roosevelt High School com seu pijama, e claro, chamando a atenção de todos. Ela logo vê Lexie, encostada na escada olhando distraída para o seu Iphone X.

— Hey, pensei que você ia vir pra escola comigo. – Reclama Ava.

— Desculpa, tive que sair pelos fundos. Minha mãe ainda acha que o FBI está nos observando.

— Já disse que adoro sua mãe? Lembra quando ela confundiu o Scott com o pé grande porque ele não se depilou?

— Não, ela te confundiu com o pé grande porque você não se depilou.

— Ah, é. Verdade. – Concordou, desviando o olhar.

Lexie começa a prestar mais atenção em sua amiga e logo percebe o pijama de bananas que ficava gigante naquele corpo.

— Você ta de pijama.

— Eu não tive tempo de trocar.

— Tempo é o que você mais tem.

— Você tem razão – Dá de ombros.

Nesse instante, Scott passa por elas, acompanhando por um garoto loiro, alto e atlético, carregando com sigo uma bola de basquete. Lexie fica olhando de boca aberta enquanto eles passam pelo corredor.

— Como que o mané do seu irmão é amigo do Owen Capshaw? – Ela faz uma pausa e pensa no que falou. – Que grosseria minha, ele é seu irmão...

— Como o perdedor do meu irmão conseguiu isso?

Ava parecia ignorar o pedido de desculpas de Lexie, até porque ela concordava.

— O Owen é tão lindo. Será que você pode falar pro seu irmão me apresentar ele?

— Claro que sim. Eu vou pedir agora mesmo. Sabe por quê? Porque somos amigas. – Ela dá dois tapinhas nas costas de Lexie.

Scott estava mexendo no seu armário ali perto. Então, sem perder tempo, Ava foi conversar com seu irmão e tentar convencê-lo, Enquanto Lexie ficava na observando tudo.

— Eai, irmãozinho?

— O que você quer Ava?

— Soube que você é amiguinho do tal de... – Ela fala fingindo desinteresse. – Owen Capshaw.

— Eu ajudo ele com matemática.

— Faz sentido. – Fala pra si mesma. – Então... A Lexie adoraria ajudar o Owen com... Anatomia humana.

— Ela quer ter um encontro com ele, né?

— É isso mesmo irmãozinho. E você vai me ajudar.

— Nem vem. – Ele se vira e começa a arrumar seu armário.

— Por favor, Scott! – Ela implora, tentando fazer contato visual.

— Ele é meu amigo, ta legal? E sempre que você se mete em alguma coisa, sobra pra mim.

Scott vai embora sem dar atenção à irmã. Ava se vira e vê sua amiga com um grande sorriso no rosto, esperando uma resposta positiva. Era impossível dar essa má notícia a Lexie, então, Ava dá um largo, e falso, sorriso e faz um sinal de positivo com os dois polegares. Era o que bastava para Lexie começar a saltitar de felicidade. As duas sorriem, e repentinamente, o sinal da escola bate, significava que estava na hora de começar as aulas. Enquanto Lexie subia animada as escadas, Ava ia em direção a sua sala, e ao passar pela porta, logo vê seu irmão sentado em uma das classes. Havia uma classe sobrando logo ao lado de Scott, mas tinha outra pessoa pensando em pegar aquele lugar, Dave Willians, melhor amigo de Scott e o mais nerd de toda a sala. Ele, parado ao lado de Ava, a desafia com o olhar. De repente, parecia que a garota havia entrado em uma disputa para pegar aquele lugar vago. Dave sai correndo, deixando os papeis que estava na sua mão saírem voando, tudo parecia em câmera lenta na cabeça de Ava, o que fazia a sala parecer enorme. Ela corria logo atrás — enquanto Scott torcia para o amigo chegar primeiro. Dave chegou a colocar sua mão sobre a mesa, prestes a se sentar, quando Ava estala os dedos e para o fluxo do tempo. Ela graciosamente se senta na cadeira e estala os dedos para descongelar tudo.

— Como você fez isso? – Pergunta Dave, perplexo, quase sentando em cima da garota.

— Sai Fora, Dave. – Diz Ava, e logo se vira para Scott. – Eai, irmãozinho? Saudades

— Por que você sempre faz isso?

— Ta falando do Dave? Ele vai ficar bem.

— Ah é? Por que ele ta chorando ali no cantinho.

Ava se vira e consegue visualizar o amigo de seu irmão agachado no canto da sala chorando.

— Você é muito sensível, Dave! – Ela grita.

A garota pega de sua mochila um pacote de Chettos© , abre e começa a comer, enquanto posicionava seus pés um em cima dos outro sobre a mesa. — Você é insuportável, sabia? – Afirma Scott. — Já me disseram isso. — Eu vou sentar em outro lugar. Scott junta os livros que estavam em cima da mesa e se dirige até uma classe mais a frente, já Ava apenas acenava enquanto ele se distanciava. Com a mesa agora vazia, uma garota de cabelos castanhos se senta no lugar e logo repara em Ava. — Belo pijama. — Valeu. Ava, sou nova aqui. – Se apresentava estendendo a mão. — É, eu reparei. Eu sou a Shana. – Cumprimentava. De repente, o Chettos que estava na boca de Ava logo caiu. — Você disse que é a Shana? A garota assentiu. — Interessante... Mais tarde naquele mesmo dia, Ava e Lexie estavam agora em uma lanchonete que dividia espaço com um fliperama. Elas estavam agachadas atrás de um vaso de planta, Ava observava com seu binóculo a mesa onde Owen estava sentado. — O que estamos fazendo escondidas mesmo? – pergunta Lexie. — Você faz muitas perguntas, Lexie. Muitas perguntas... Ela volta a olhar pelo binóculo. — Olha lá o Owen. – Ela aponta e logo se levanta. – Por que não me falou logo que eu ia me encontrar com ele aqui? — Lexie, espera... Ava tenta puxar a amiga pela blusa, mas não consegue impedir. Lexie vai em direção a mesa onde Owen estava sentado, e se senta no banco estofado vazio logo a frente do rapaz. Ava sai correndo e se esconde no banco logo atrás de Lexie. Owen não fazia a menor idéia do que Lexie estava fazendo ali, mas não falou nada, esperou que ela desmanchasse o rosto sorridente e começasse a falar o que queria. Mas antes de alguém se pronunciar, Scott chega sem entender o porquê da melhor amiga da sua irmã estar sentada no seu lugar. — Lexie! O que faz aqui? – Pergunta Scott com estranhamento. — O que você faz aqui? — Eu estou ensinando matemática pro Owen. — Ele aponta para a pilha de livros na mesa. Nesse momento, a garota retira o sorriso do rosto. De trás do banco, Ava se levanta rapidamente e apenas toca no ombro de Lexie , estalando os dedos em seguida. Agora, todo o tempo estava paralisado novamente, menos as duas amigas. — Oi, sumida. – Dizia Ava constrangida. — Por que o Scott ta ensinando matemática no meu encontro? — Não tem horário para o aprendizado, não é mesmo? – Ela dá uma risadinha forçada. — Desembucha. — Ta bom, eu não consegui um encontro com o Owen pra você, mas eu consegui o horário em que ele e o Scott estudam e eu achei que... — Que ele pode beijar e fazer um calculo ao mesmo tempo? — Mas você não ouviu a melhor parte, eu chamei uma companhia pro Scott também. Ava olha em direção a porta da lanchonete e vê Shana, congelada no tempo, prestes a entrar no lugar. — Aproveite o encontro. Sem Lexie poder falar nada, Ava volta a se esconder no banco de trás e faz o tempo fluir novamente. — Então, o que você faz aqui? – Pergunta Scott. Lexie olha em direção a porta e consegue ver Shana se aproximando e aproveita pra mudar de assunto. — Olha lá, é a Shana! – Ela abana.

A garota se aproxima abanando e com um grande sorriso no rosto.

— Oi, gente. Vocês estudam na Roosevelt, não é?

— Shana! O que está fazendo aqui? – Pergunta Scott, transpirando descontroladamente.

— Ah, oi... Scott, não é? Eu vim encontrar uma amiga, mas não to vendo ela por aqui.

— Por que você não senta com a gente e espera ela?

— Claro, eu ado...

— Você tem certeza disso? – Contestou Scott em pânico.

— Scott, você ta suando? – Perguntou Lexie.

— Ta calor aqui, não é?

— Por que você não senta? – Questionou Owen.

Scott estão se senta junto com os outros, mas não conseguia disfarçar o seu nervosíssimo por estar perto de Shana. Então, Ava, disfarçada de garçom com um bigode falso e um chapéu que escondia seu cabelo cumprido, se aproxima da mesa com uma bandeja de hambúrgueres.

— Boa noite, casais. – Dizia ela tentando fazer uma voz mais grave. – Aqui está o pedido de vocês.

— Na verdade a gente pediu fritas. – Disse Owen.

Ava paralisa o tempo novamente e joga os hambúrgueres no chão, em seguida, pega da mesa ao lado as fritas e coloca na sua bandeja. O tempo volta ao normal e todos da mesa estranham a comida aparecer do nada.

— Alguém pediu fritas? – Ela sorri.

— Dá onde saiu isso? – Perguntou Scott.

— Vai querer comer ou não? – Falou em tom mais agressivo, mas logo abaixou novamente. — ...senhor.

O prato com as batatas fritas é colocado em cima da mesa e logo Ava vai embora. Quando a garota, ainda disfarçada, passa em direção ao banheiro com a intenção de se trocar, uma mulher em uma mesa faz questão de para-la.

— Senhor! – Dizia a moça.

— O que que foi, garota?

A moça estranha a maneira do garçom falar, mas prossegue.

— Ahm... Eu só queria pedir mais mostarda. – Ela balançava o tubo vazio.

— Que bom.

Ava sai sem dar atenção a moça, que fica sem reação, e sem mostarda. Enquanto isso, na mesa dos alunos de Roosevelt High School, o prato cheio de batatas fritas já não estava tão cheio assim, isso porque Shana estava acabando com tudo. Ela enchia a mão com as tiras e enfiava tudo na boca de maneira que nem conseguia mastigar direito.

— Vocês não vão comer? – Falava ela com a boca cheia.

Todos olhavam com cara de nojo.

— Que tal a gente ir no fliperama? – Sugeria Lexie para Owen.

— Claro.

— Sim, vamos sim. – Falou Scott, se intrometendo na conversa.

— Eu tava falando com o Owen.

— Por favor, deixa eu ir com vocês, ela é... – Sussurrava.

Neste instante, os dois olham para Shana. Ela estava tentando tomar refrigerante com o canudo no nariz, enquanto ria sozinha.

— Nem vem.

Lexie se levanta para sair, mas Scott, que estava sentado logo ao lado, estica seus braços, atrapalhando a saída da garota. Ela empurra os braços dele e tenta sair, mas Scott coloca as pernas sobre a mesa e novamente impede a saída de Lexie. Então, a garota se agacha, falhando mais uma vez na tentativa, até que decide subir no banco e passar por cima dele mesmo, caindo do outro lado.

— Divirtam-se. – Ela arrumava o cabelo bagunçado pela queda.

Assim, Lexie e Owen saem em direção ao fliperama, enquanto Scott ficou contrariadamente observando Shana tomando um tubo inteiro de ketchup como se estivesse em uma competição ou algo do tipo. No fliperama, a garota insiste para que Owen tente ganhar um ursinho para ela em uma daquelas maquinas de pelúcias. Ele, então, começa a controlar o gancho que puxaria o urso, mas o tempo vai passando e nada de Owen conseguir. Nisso, um grupo de pessoas começa a se juntar na volta querendo jogar, uma dessas pessoas era Ava, que sem paciência vai tirar satisfação e dá de cara com sua amiga, que logo a arrasta para um lugar mais longe.

— Ava, que bom que te encontrei!

— Lexie? Pensei que você tava lá na mesa junto do Scott e da Shana.

— É, mas eu acho que o Scott prefere ficar sozinho com a Shana.

— Me salva! – Gritava Scott.

O filho mais novo da senhorita Matsuda salta e se agarra na perna da irmã, rastejando no chão.

— Acho que caiu um irmão na minha perna. – Fala ironicamente.

Ele logo se levanta e dá batidinhas na roupa.

— Olha, Ava, eu não sei o que você está fazendo aqui, mas provavelmente é tudo culpa sua, como sempre. Por favor, se livra da Shana pra mim.

— Pensei que gostasse dela. – Dizia Ava.

— Eu também pensei, mas ela é nojenta.

Neste instante, o garoto enxerga Shana se aproximando de onde eles estavam e se esconde atrás de um vaso de planta que estava ali por perto.

— Oi, Ava, eu não te vi chegar. – Disse Shana, parecendo simpática.

— Todo mundo diz isso. – Fala dando uma risada forçada e dando um soquinho no ombro de Shana.

— Ah, vocês viram o Scott por aí? Ele disse que ia no banheiro, mas vi ele vindo pra cá.

— Hmm, tenho impressão que vi ele em algum lugar... – Diz Ava fingindo interesse.

Ela se aproxima do vaso de planta e com o pé afasta o objeto, revelando o esconderijo de Scott, que estava agachado.

— É, meu irmãozinho sempre confunde plantas com vasos sanitários. – Diz Ava. – Mamãe já te ensinou a diferença.

— Eu te mato. – Sussurra Scott.

Shana pega o garoto pelo braço e o leva de volta para a mesa em que estavam. Ava ficou assistindo o desespero do irmão que implorava por ajuda. Lexie, então, resolve chamar a atenção da amiga para seu problema.

— Ava, eu estou a 15 minutos esperando o Owen pegar um simples ursinho.

— Qual o problema dele?

— Por favor, me ajuda, não quero que meu encontro se resuma a uma tentativa frustrada de pegar um urso de pelúcia.

— To sacando o que você quer. Deixa comigo!

Ava então para o tempo num estalar de dedos. Ela se dirige até a parte de trás da máquina e abre uma passagem. Em seguida, entra dentro da cabine que continha as pelúcias e pega o tal ursinho que Owen tentara pegar. Quando ela menos espera, o tempo volta a correr, e rapidamente a garota mergulha em meio aos ursos na tentativa de ninguém a ver. Owen continuava tentando pegar o urso, só que em vez disso, o gancho acaba agarrando o cabelo de Ava e a puxando pra cima. A garota não sabia se gritava de dor por causa do gancho puxando seu cabelo ou se morria de vergonha, já que todo mundo em volta olhava para ela.

— Ei, Lexie, essa não é sua amiga? – Perguntava Owen.

— Ava?

— Oi amiga! – Exclamou Ava tentando disfarçar o incomodo que estava sentindo.

Owen, achando graça da situação, puxa o gancho pra cima, fazendo com que Ava batesse a cabeça na cabine apertada.

— Ai! Ei, para com isso! – Ordenava a menina, tentando por algum tipo respeito. – E me tira daqui logo!

Ava começou a se mexer desesperada, fazendo com que a máquina caísse com tudo para o lado. Agora, a garota estava coberta por ursinhos e mal conseguia se mexer. Enquanto Ava pedia pro ajuda, Owen ria de toda confusão, deixando Lexie irritada e fazendo com que ela desse um soco na cara do rapaz, que cai para trás.

— Ninguém ri da minha amiga.

— O que ta acontecendo aí? – Perguntava Ava, presa e sem conseguir ver nada.

Lexie apenas olhava para a máquina caída no chão, pensando no que poderia fazer, quando um homem alto que parecia usar um uniforme se aproximou querendo saber sobre a situação.

— Mas o que está acontecendo aqui? – Perguntou o tal homem, que pelo crachá, trabalhava no fliperama.

— A minha amiga ta presa na máquina.

— Estão falando de mim? – Perguntava Ava, com sua voz abafada pela cabine.

— Por que isso sempre acontece? – Desabafava o funcionário inconformado.

Na manhã seguinte tudo já havia sido resolvido. Ava e Lexie estavam sentadas na escada da escola. Elas estavam lá á alguns minutos e não pronunciaram nem uma palavra, ainda estavam pensando na confusão da noite passada.

— Ele é um idiota. – Falou Lexie, acabando com o silêncio.

— Eu fui parar no jornal da cidade. – Comentou Ava.

— Não é tão ruim assim.

— Agora eu sou “A garota da máquina de ursinhos”

— Nossa, que péssimo.

Scott chegava na escola, ele parecia pensativo e sem dizer nada se aproximou e sentou ao lado das meninas, que também não pareciam transmitir muitas emoções.

— Ela é muito estranha. – Disse Lexie.

— Eu sei. Eu sei. – Concordou Scott, ainda pensativo. – Como eu nunca percebi que a Shana era tão nojenta?

Nesse momento, os três olham em direção de Shana, que estava encostada em um armário no corredor. A garota enfiava o dedo no nariz, sem parecer se preocupar com os que estavam em volta, e em seguida colocava o mesmo dedo na boca.

— Viram? Ela parece uma fada.

Lexie e Ava se olham, as duas claramente enojadas, e logo se levantam, indo embora e deixando Scott admirar Shana sozinho.

Notas finais
Próximo capitulo...
Ava faz novas amizades, mas será que ela está andando com as pessoas certas ou apenas sangue sugas interessadas em seus poderes?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.