Acordei de ressaca no dia seguinte, nunca senti tanta dor de cabeça assim. Meu pai entrou no quarto trazendo duas xícaras de chocolate quente. Cutuquei a Annabetty ao meu lado, que acordou na hora.

– O que aconteceu? – perguntou assim que meu pai saiu.

– Bebemos demais na minha festa ontem. – ela deu um gole, olhou para mim e falou.

– Você não fez nada comigo, fez?

– Por que diabos eu mexeria com você? Eu estava dormindo até agora.

– Então se alguém mexesse comigo, você nem iria saber?

– Eu estava dormindo, e que eu saiba não dá pra ver o que acontece ao redor quando se está dormindo.

– Quer dizer que se estivessem feito alguma coisa comigo, você só ia se importa se estava dormindo ou não?

– Não disse isso. Olha, você está querendo criar caso.

– Eu? Eu vim numa festa de um cara no qual mal sei o nome e você acha que eu estou criando caso? Quer saber? Vou embora. – ela se levantou, mas voltou a sentar-se, por causa da dor de cabeça.

– Seu eu quisesse fazer algo com você faria na festa. Não sou o tipo de cara que se aproveita de garotas inconscientes, e não se preocupe que nessa família ninguém faz isso. – ela cruzou os braços, ainda não estava convencida. Dei de ombros e dei um gole na minha bebida.

– Desculpe. – murmurou alguns minutos depois, olhei-a erguendo as sobrancelhas. – Sério, é que eu não tenho tomado meus remédios esses dias.

– O que que você tem? – perguntei erguendo ainda mais as sobrancelhas.

– Sou bipolar, e tenho que tomar vários remédios para não matar a primeira pessoa que eu ver. — não sei porque, mas sinto vontade de rir, mas não faço isso, ela me encara sem nenhuma expressão no rosto.

– Isso é sério? — pergunto mordendo minha bochecha para não rir, ela assente. — Você sempre teve esse problema? — ela parece que ficou um pouco ofendida com a pergunta, mas responde formalmente.

– É, sempre tive isso. Mas foi aos 10 anos que comecei á tomar remédios. — assenti pensativo. Depois de tomarmos café, meu pai veio com a notícia mais desagradável do dia.

– O QUE? ELA VAI VIR HOJE? ELA NÃO IA VIR AMANHÃ, OU TERÇA SEI LÁ? — gritei em alto e bom som.

– É, mas antecederam o voo dela. — suspirei e passei a mão no meu cabelo soltando alguns fios ruivos meio loiros, e disse.

– O.K. Só que eu não vou ter paciência se ela me encher. — tomei algumas aspirinas, e Trevor e Alysson desceram as escadas, dei umas aspirinas para eles, e depois leve-os para casa, claro no carro do meu pai, porque no meu não cabia. O carro dele era um Mustang 67, e sim, meu pai gosta dessas antiguidades, além dele ele também tem o Camaro SS, Dodge Charder, Impala SS 67, Maverick, Shelby Cobra e o Opala SS. Além desses ele tinha vários outros carro desse ano. Deixei eles em casa, e depois fui com meu até o aeroporto buscar o demônio. Ela chegou toda sorridente, e nos abraçou, e depois ficou duas horas inteiras falando da sua viagem, ela mora perto de casa, e sempre viaja quando dá.

– Dá pra você calar essa boca? Eu quero escutar. — falei aumentando o volume da TV. Ela me olhou com repulsa, e depois começou a falar mais alto. Dei-me paciência Jesus. Pensei, desliguei a TV e fui para o quarto. Fui fazer o dever de casa, até minha prima entra no quarto sem autorização e sentou-se na minha frente e ficou me olhando. — Quer alguma coisa? — ela sorriu e pegou um de meus livros.

– Quer ajuda, priminho?

– Cala a boca, você só é dois anos mais velha que eu. — ela sorriu debochadamente.

– É, mas eu sou mais esperta.

– Teu cú.

– Olha a boca, você não tem educação não?

– Com você não.

– Ora, mas tem que começar a ter.

– Por quê? Não gosto de você.

– Porque eu sou mais velha.

– Foda-se, não ligo.

– Você fica aí todo mal educado só porque é rico.

– Não, eu fico assim mal educado, porque eu quero estudar e você está atrapalhando.

– Pra que estudar? Vai repetir mesmo.

– Que tal cuidar da sua vida?

– Oh, então quer dizer que você está mal na escola mesmo. — ela riu alto e depois continuou. — Aí priminho, quando é que você vai ficar esperto como eu? Ah, esqueci, você não tem capacidade pra isso.

– Primeiro, eu estou indo muito bem na escola, segundo vai se foder sua vaca, terceiro você não é melhor que eu nunca foi. — ela passou a mão nos cabelos ainda sorrindo feito idiota. Meu Deus quero bater tanto nela que nem a mãe iria reconhece-la, eu não a favor de violência contra mulher, contra ninguém, mas essa vaca estava merecendo.

– O.K. Priminho, primeiro, eu não sou só melhor do que você, mas melhor que todos. — mostrei o dedo para ela que sorriu e se levantou.

– Ah, acho que eu já vou. Vou dar um mergulho na sua piscina. — ela parou encostada no batente da porta, olhou para mim e disse.

– Já que meu voo foi antecipado, seu pai falou pra mim dormir hoje aqui. — olhei para ela surpreso e com muita raiva, eu te mato pai. Ela sorriu e saiu, rapidamente peguei meu celular e liguei para Trevor.

"Cara, você não vai acreditar."

"O que?"

"A vaca da minha prima vai dormir aqui no meu quarto."

"Vixi, e não tem como você mudar isso? Sei lá, tipo, não deixa-la entrar no quarto?"

"Não, meu pai que falou isso, mas eu não prometi nada de não arrumar briga com ela."

"Chego em 10 minutos." — e desligou, liguei para a Ana.

"Alô?" — em vez dela um garoto atendeu.

"Quem é você?"

"Quem é você?"

"Sou amigo dela."

"Hum, e eu sou o irmão. O que você quer?"

"A Ana está?"

"Ela saiu e..." — acho Annabetty pegou o celular da mão.

"Oi, quem é?"

"Oi, eu."

"Ah, o que que você quer?"

"Nossa, você vai sair hoje?"

"Por que quer saber?"

"A minha prima chata vai dormir no meu quarto hoje e... Alô?" — ela desligou na minha cara, será que ficou com raiva? O que foi que eu fiz? Dou de ombros. E ligo para a Alysson.

"Alô?"

"E aí gata, vai sair hoje?"

"Não gato, por quê?"

"Quer vir aqui em casa?"

"Pra que? Vai acontecer alguma coisa legal?"

"Não, só minha prima chata que vai dormi aqui, então eu estou chamando todo mundo pra cá, antes que eu estrangule ela."

"O.K. Estou indo." Larissa entrou no meu quarto de biquíni e pingando.

– Ei, você está molhando todo o chão. — reclamei.

– Não ligo.

– Mas eu sim. — falou Jennifer.

– Fique quieta, que você é paga pra limpar. — falou Larissa levantando a voz.

– Dá pra falar mais baixo? Você não está na sua casa. — falei, ela me fuzilou com os olhos e andou em direção ao guarda-roupa. Abriu-o e começou a vasculhar minhas gavetas. — Dá pra ficar longe das minhas coisas? — falei empurrando-a para longe do guarda-roupa.

– Meu Deus, priminho, você tem um péssimo gosto.

– Ninguém perguntou.

– Grosso. — murmurou.

– Chata. Você gosta de me encher a paciência né? — ela sorriu em desdém e disse.

– Você é que é muito nervoso. — ri com desdém e disse.

– Tá, você vem no meu quarto molhando tudo, mostrando essa sua cara feia, bagunça todo o meu guarda-roupa e fala que eu sou muito nervoso? Você é que é muito enxerida. — ela me olhou com mais raiva, e falou com o rosto bem próximo do meu.

– Nunca deveria ter voltado de Vancouver.

– Não mesmo. — falei aproximando mais ainda. — Sabe que eu te odeio né, vaca?

– Igualmente viadinho.

– Nossa que amor. — disse Trevor da porta, nos assustamos e demos um pulo pra trás.

– Quem é? — perguntou Larissa toda interessada.

– Comprometido. — falei, ela me fuzilou com os olhos.

– Me chamo Trevor gata. — falou.

– Gata é o caralho. — falou Alysson entrando no quarto.

– Está insinuando que eu sou feia?

– Não estou insinuando que você é uma recalcada que fica dando em cima do homem de outra.

– Me desculpe se não está escrito "tenho uma namorada feiosa" na testa dele.

– É tem razão Dylan, sua prima é mesmo o capeta em pessoa.

– Pelo menos eu sou rica.

– Pelo menos eu não sou uma vadia.

– Epa, epa, por mais que eu ame brigas de garotas, acho melhor pararem com isso. — falou Trevor, cada uma se sentou em um lado do quarto.

– O que está acontecendo? Dá pra ouvir a discussão lá de baixo. — perguntou Annabetty entrando no quarto.

– Mais uma. — murmurou Larissa. Annabetty laçou a ela um olhar de repulsa que foi correspondido por uma erguição de sobrancelhas e uma mexida no cabelo, do jeito que toda garota odeia.

– Essa é sua prima? — perguntou Annabetty com desgosto, assenti, ela deu de ombros e se sentou na minha cama.

– Acho que eu vou embora, antes que essa doença vire contagiosa. — falou Larissa se levantando e seguindo em direção á porta.

– Isso vai embora piranha. — falou Annabetty, ela se virou com muita raiva e disse.

– O que foi que você disse?

– O que foi? Tá surda? Ou não limpou direito os ouvidos? — Larissa voou pra cima da Annabetty como se ela fosse o leão e a Ana a presa, só que ela se levantou bem na hora, fazendo minha prima quicar na cama e cair de cara no chão. Todos nós rimos na mesma hora, ela se levantou com raiva e toda desengonçada, e foi pra cima da Ana de novo, e de novo ela desviou e Larissa bateu com tudo a cara na parede. Annabetty colocou o braço no pescoço dela e falou perto de seu ouvido. — Você não me conhece, e sugiro que a partir de hoje você tome mais cuidado do que fala de mim. — Larissa cuspiu no olho dela, Ana limpou quase arrancado o olho fora, e pegou uma faca no bolço e colocou-a no pescoço dela. — Tente fazer isso de novo que eu corto esse lindo pesçocinho. — falou fazendo pequenos cortes neles. Me aproximei dela e coloquei a mão em seu ombro para faze-la parar com isso, mas ela se virou para mim e cortou meu rosto com a faca, e gritou.

– FICA LONGE DE MIM. — olhei surpreso para ela, ela me olhou, mas não mudou de feição e completou. — Fique longe, antes que eu também te mate. — ela se virou para Larissa e disse. — Quanto á você, ainda não acabamos. — e saiu do quarto, ficamos nos entreolhando sem saber o que fazer. Fui atrás dela e disse.

– Ana! Espere! — ela se virou com a mesma feição aterrorizante no rosto e disse.

– Você ainda não entendeu? — ela me prendeu na parede com a faca em meu pescoço. — É pra ficar bem longe de mim, antes que eu corte esse seu pescoço, ou poderia cortar uma artéria e deixar você sangrar até morrer. — falou deslizando a faca pelo meu braço, ela deslizou a faca até meu pênis e disse quase cochichando. — Ou deveria corta o seu precioso amiguinho? — ela esfregou a faca lá várias vezes, e depois sorriu e foi embora. O que há de errado com essa garota? Pensei, meu pai ficou me encarando e eu apenas disse.

– Ela não é assim, só não tomou os remédios. – ele deu de ombros e sumiu no corredor. Estava começando a ficar preocupado com a Annabetty e não só com ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.