Tudo de Mim
21 Entre nós.
Notas iniciais
Não era bem um convite. Era quase como uma intimação.
Lorenzo queria que eu o acompanhasse até um reencontro com velhos amigos dele da época do colégio.
— Eu não sei devo ir. – Digo, confusa.
— Porque não? – Ele parece desesperado.
— Porque... Sei lá. É algo entre vocês.
— Deixe de bobagem! Isso não tem nada a ver.
— Eu é que não tenho nada a ver com isso. Eu nem conheço eles!
— Mas vai conhecer! Você é minha convidada de honra.
Desviei o olhar e passei a pensar nisso.
— Por favor, Luci. Você tem que ir comigo.
Volto a olhar pra ele, ainda mais intrigada.
— Por acaso você está com medo de reencontrar seus amigos?
— Não. Não é isso. É só que.... Faz tanto tempo.
— Então você está com vergonha? – Começo a abrir um sorriso.
— Talvez um pouco.
Começo a rir.
— Eu não acredito, Lorenzo! Eles são seus amigos!
— Eram.... Ou são. Não sei mais. É por isso que eu quero que você vá. – Ele me encara profundamente. — Diz que vai. Por favor. Nunca te pedi nada, Luci...
Balanço a cabeça de um lado para o outro, achando graça.
— Tudo bem. Eu vou se você faz tanta questão da minha ilustre companhia.
Ele me dá um beijo na bochecha, coisa que eu não esperava.
Não sei porque, mas de repente me sinto boba. O Lorenzo é um gato. Nem parece desse mundo. É claro que em algum momento eu me sentia levemente atraída por ele. Qualquer uma se sentiria. Mas é mais do que isso. Eu também me sinto grata por ele ter aparecido na minha vida justamente agora. Quando eu mais precisava de alguém. E não de qualquer pessoa. E sim de um amigo. O que exatamente ele se tornou mesmo que ainda a gente se conheça tão pouco.
Depois que o Alexandre me deixou, achei que eu não iria voltar a me sentir assim tão cedo. Mas o Lorenzo mudou isso. Ele me faz sentir especial. Ele me faz rir, liga para saber como eu estou e vem me ensinando tantas coisas para eu me aprendizado. Ele faz eu me sentir leve! Mesmo que ele não saiba. E o melhor de tudo é que isso não tem nada a ver com paixão ou amor. É amizade.
E quem diria que aquele garoto chato que foi um desaforado comigo na festa na casa do Chris, no dia em que nos conhecemos, iria acabar se tornando um ótimo amigo? Uma das melhores companhias que eu iria ter e a pessoa com que eu poderia contar?
É claro que eu ainda tenho os meus pais, a Fabi e o Christian e uma irmãzinha que vem por aí. Mas não é a mesma coisa. Pois eu sinto que não tem espaço na vida deles para mim o tempo todo. E nem deveria ter! Mas na vida do Lorenzo eu pareço ser essencial, assim como ele acabou se tornando na minha. Ele provou isso agora e eu só quero abraça-lo e agradecer.
Mas seria um grande exagero.
E a última coisa que eu quero é assusta-lo e afasta-lo de mim justamente agora, que as coisas estão evoluindo entre nós. Também não quero que ele pense que estou caidinha de amores ou coisa do tipo. Porque eu não estou. Eu só gosto de tê-lo por perto. E quero que continue assim. Que seja leve e simples. Sem complicações.
— Nossa. – Ele me admira de cima a baixo assim quando vou ao seu encontro no dia seguinte. — Você está uma gracinha.
Reviro meus olhos.
— Nunca chame uma garota de gracinha. – Sorrio e entro no carro após ele abrir a porta para eu entrar.
Vejo que meus pais espionam tudo pela janela do andar de cima, mas finjo não perceber.
— Vamos tentar de novo então. – Ele se acomoda no banco do motorista, mas ainda não liga o carro. — Você está uma gostosura.
Caio na risada.
— Esquece. Você é péssimo nisso.
Enquanto ele dirige, olho para ele de relance e noto que ele não está nada mal também. Como hoje está um pouco mais friozinho, Lorenzo optou por um jeans básico, uma camiseta branca e uma jaqueta marrom, combinando com as botas e o cachecol cinza escuro.
— Como eles são? – Pergunto, de repente.
— Eles quem?
— Seus amigos!
— Ah.... Eles costumavam ser bem legais. Os melhores. Mas como faz um tempão que a gente não se vê.... Não sei mais. Talvez tenham mudado.
— Acho que não. – Torço os lábios. — Você está ansioso para revê-los?
— Ansioso não é bem a palavra. – Ele sorri e parece tenso. — Estou mais para... Nervoso.
— Já sei então. – Ligo o som do carro. — Vamos dançar!
Ele ri.
— Sério? – E me olha rapidamente.
— Mas é claro! Vai. Mexe o esqueleto.
Começamos então nossa típica dancinha dentro do carro. Os dois sem ritmo algum, completamente desajustados e atrapalhados.
Mas essa é a graça. Quem vê de fora, não entenderia nada.
E nem precisa, porque é algo particular nosso.
Em meia hora chegamos a cidade vizinha, onde ele nasceu e cresceu. Aqui é tudo tão bonito, apesar de não conseguir ver muito por estar de noite. A sensação que eu tenho é que aqui o ar é mais puro. A vida aqui parece mais simples.
E tem um rio. Um grande fio rodeado por árvores e diversos restaurantes.
— Gostou? – Pergunta ele ao abrir a porta do carro para mim e estender a mão.
Saio do carro com a sua ajuda, olhando em volta com certa admiração.
— Como é que eu nunca vim a esse lugar?
— Porque você ainda não me conhecia, boca. – Ele brinca.
Lhe dou um tapinha no ombro.
Lorenzo me guia até o local combinando com seus amigos. Ele não tira as mãos da minha. O que é reconfortante e me dá certa segurança. O restaurante escolhido por eles é um dos mais próximos ao rio. Todo de madeira e bem iluminado, com mesas na área externas junto há um pequeno jardinzinho todo bem cuidado.
Minha mãe adoraria esse lugar. É bem a cara dela.
— Hmmmm. Que cheirinho maravilhoso de comida.
São cinco amigos e com a nossa chegada são sete ao total. Um garçom barrigudinho e simpático puxa uma mesa para grudar na outra e acomodar a todos.
— Lolo! – Todos se levantam para cumprimenta-lo com abraços e beijos.
Faço uma nota mental para jamais esquecer o que acabo de ouvir: Lolo.
O apelido do Lorenzo.
Depois de todos matarem a saudade, é a minha vez de cumprimentar todos com toda minha simpatia.
— Uau! Sua namorada é linda, Lolo. – Comenta a garota de cabelos longos, cacheados e negros sentada no canto junto a um garoto fofo e gordinho.
Lorenzo engasgou de repente.
— Não. – Eu sorrio. — Não somos um casal. – Explicou sem me sentir envergonhada ou irritada pelo comentário ousado e inesperado.
Eu não teria porque me sentir mal por acharem que eu sou a namorada dele. Na verdade, eu já esperava por isso. Se fossemos mesmo um casal, eu particularmente me sentiria muito sortuda. O Lorenzo é um gato. É inteligente, engraçado, educado e tem várias qualidades que qualquer garota admiraria. Além do mais, ele é super parceiro. E isso conta muito.
— Pessoal, essa é a Luciana. Uma amiga recente. – Ele diz assim que nos acomodamos lado a lado na mesa. — Luci, essa é a Camile. – Ele aponta para a morena. — Ao seu lado o Paulo. — Paulo é o gordinho com cara de bebezão. — E essa é a Malena. – Diz ele se referindo a loirinha com mechas verdes no cabelo curto. — Esse é o Túlio. – Túlio é o cara com o cabelo afro que me deixou hipnotizada desde que bati meus olhos nele. O cabelo dele é incrível. — E por fim, o Luan.
Gosto de todos assim que bato meus olhos neles e eles sorriem de volta para mim. Mas o Luan... É meio esquisito. Ele me olha de uma forma estranha.
Será que nos conhecemos de algum lugar e eu não me lembro?
— Lolo, você continua um gato! – Comenta a Malena, sorridente.
Olho para o Lorenzo com um grande sorriso. Ele está vermelho como um pimentão. O que é uma graça. Até então eu não tinha conhecido esse lado dele.
O garçom volta a se aproximar com os cardápios e nos espera fazer os pedidos para anotar em seu bloquinho.
— Você me segure alguma coisa? – Sussurro para o Lorenzo enquanto o resto do pessoal está ocupado já fazendo seus pedidos. — Tudo parece tão gostoso!
— E são mesmo. – Ele sorri, me olhando.
Acabo pedindo a mesma coisa que ele.
O grupo começa a atacar o Lorenzo com várias perguntas, sendo a maioria deles sobre suas viagens pela Europa. Não sei porque, mas eu fico tão orgulhosa por ele. Ele está se saindo tão bem com todos! Não é diferente, nem forçado e nem tenta se exigir ou aparecer por aparentemente ter se dado melhor na vida que os outros.
Gosto disso nele.
Mesmo quando nossos pratos chegam a conversa não para. Agora estão perguntando sobre mim: o que eu faço, onde estudo, onde moro, como é a minha família, o que eu quero para o futuro. E depois começam a me contar histórias bem interessantes e engraçados sobre época do colégio, quando andavam todos juntos.
Eu me senti tão entrosada, como se fizesse parte do grupo. E o Lorenzo me ajudou muito nisso. Pois quando eu ficava sem saber o que dizer ou sem graça com algum comentário ou piadinha, ele ia lá e falava algo no meu lugar. Com que para confortar a situação. Ou ele fazia questão de dizer o quanto eu era boa com fotografia. E assim, não me senti excluída em nenhum momento. Principalmente quando ele ignorava a todos e me olhava com um sorriso, pegava na minha mão por de baixo da mesa e dava uma apertadinha de leve.
Estava quase no fim da sobremesa quando meu celular tocou.
— É a minha mãe. – Eu disse quando todos me olharam preocupados.
Saí lá para fora para atender, pois lá dentro estava muito barulho.
— Oi, mãe. Você está bem? Aconteceu alguma coisa? É algo com a minha irmãzinha?
— Não, Docinho. Estou bem. E seu pai também. Só te liguei para saber como você está. E se aquele garoto não está abusando muito de você.
— Mãe. – Dou risada. — Esse garoto é maravilhoso comigo. Não precisa se preocupar. Acabamos de terminar de jantar. E eu conheci os amigos dele! Eles são ótimos. Estou me divertindo muito.
Ela suspirou.
— Que ótimo então. Se cuide, minha menininha. Mamãe já vai dormir. Sua irmãzinha me deixa tão cansada ultimamente.
— Então descanse e não se preocupe comigo.
Eu disse que a amava e desliguei.
— Oi.
Virei-me para trás no mesmo instante.
— Ah, oi Luan. Você me deu um baita susto!
— Desculpe. – Ele deu uma risadinha.
Ele é bonitinho. Tem um cabelinho liso com vários tons de loiro. Parece bem natural. E seus olhos são grandes e escuros. Mas ele fuma e isso é péssimo.
Apesar de tudo, detesto o cheiro de tabaco.
— E então, você e o Lorenzo se conhecem há bastante tempo?
— Não. Não faz muito tempo. Nossa amizade é recente.
— Hmmm... E é só amizade mesmo?
— Sim. Ué. – Sorri. — Algum problema nisso?
Sinceramente? Não estou gostando nada disso.
Ele terminou de fumar e jogou a bituca longe.
Uma coisa terrível de ser vê.
— Não, não. É só que você é bem interessante e ele é um bobo por ainda não ter...
— Ter o quê? – Perguntei, me sentindo bem ofendida.
— Tentando alguma coisa, quero dizer. – Ele abre um sorriso convencido.
— Ele não é assim. Ele não é esse tipo de garoto.
— Eu sei. Ele sempre foi meio devagar para essas coisas... É quase como se ele não soubesse aproveitar as melhores oportunidades. E ele poderia tirar tanto proveito disso. Olha só para ele! Rico, bonito, tem um carrão...
Inveja. Inveja é como eu chamo isso.
— Isso é ridículo! Ele não precisa tirar proveito de nada.
— Mas ele poderia, não poderia?
Eu queria bater nesse cara. Que estupido! Porque os caras têm que pensar assim? Como se ter algumas dessas coisas tornasse mais fácil ficar com qualquer garota que eles quisessem. Só que não é bem assim não, meus queridos. Porque não é toda garota que pensa dessa maneira. Algumas são mais o que isso.
Fico calada, pensando em uma boa maneira de dar uma resposta nesse tal Luan, mas sem ofende-lo diretamente e nem percebo que ele está diante de mim. Muito próximo de mim. Ultrapassando um certo limite que eu não lhe permiti. E nem jamais permitiria. Porque ele é um babaca. O tipo de cara que eu quero longe de mim.
— Cai fora. – Digo, agora sem me preocupar em ofende-lo ou não.
Odeio a forma como ele me olha, como fala ou como fede a cigarro e álcool.
— Não se faça de difícil. – Ele dá um sorrisinho. — Eu conheço o seu tipo.
Ele tenta me tocar e isso poderia me deixar desesperada. Pois ele pode até ser um babaca, mas ele é mais forte do que eu. E nós estamos praticamente sozinhos aqui fora e ninguém daria a mínima para o que estivesse acontecendo aqui. Por mais errado que parecesse. Porque as pessoas são assim. Elas vêm o que querem ver.
Mas ao contrário disso, eu rapidamente crio um escudo de defesa em volta de mim e estou pronta para atacar se ele vier para cima como acha que tem direito. E ele tenta. Não só uma vez. Mas várias. E quarta vez eu lhe dou um chute no meio das pernas e começo a xinga-lo de todos os nomes mais feios desse mundo.
— O que está acontecendo aqui? – Ouço alguém perguntar.
Quando olho para trás vejo que é uma das garotas e logo atrás dela vem o resto do pessoal.
— Luci? – Lorenzo corre na minha direção. Olha para mim, depois para o Luan, curvando na minha frente, cheio de dor. — Tudo bem? O que aconteceu?
— Vem. – Camile me pega pelo braço. — Vem tomar uma água. Você está tremendo! – Ela me leva de volta para dentro do restaurante. — Deveríamos ter suspeito que algo de errado estava acontecendo quando o Luan deixou a mesa com a desculpa de que iria fumar um cigarro. Ele sempre foi assim. Um abusado!
Ela me entregou um copo com água e pela primeira vez me dei conta de que de fato eu estava mesmo tremendo.
— Então porque vocês ainda andam com ele? – Perguntei, quando consegui me recuperar um pouco do susto.
— Nós não andamos! Não faço um pingo de questão de falar com ele. Nem se quer o convidamos para vir aqui essa noite. Acontece que o Paulo deu com a língua nos dentes e o Luan se ofereceu para vir. Nós nem tivemos como dizer não!
— Tudo bem. – Olho bem para ela. — Não é culpa de vocês. Mas.... Obrigada.
Ela abriu a boca para dizer algo quando a Malena veio em nossa direção, correndo.
— Ah, meu Deus! Vocês não vão acreditar! – Ela estava aflita e muito agitada. Tentamos coloca-la para sentar-se. — Os garotos... Eles levaram o Luan sabe-se lá para onde... E vão machuca-lo por tentar... Vocês sabem... Por tentar...
— O Lorenzo está no meio disso? – Perguntei, assustada.
— Principalmente ele. Ele estava tão furioso! Disse poucas e boas para o Luan. Disse que tinha nojo dele e queria estrangula-lo. Mas os outros não deixaram e disseram que tinham uma ideia melhor. Então, eles o levaram para longe!
— Espero que o joguem dentro do rio. Ele não sabe nadar mesmo. – Comentou Camile, como se torcesse por isso com todas suas forças.
Eu não estava preocupada com nada. Nem comigo. Muito menos com o Luan. Eu só estava preocupada com o Lorenzo e queria ir atrás dele agora mesmo.
E quando corri até fora, eu o encontrei. Por pura sorte. Parece que eles tinham acabado de voltar seja lá de onde tiverem ido para se resolverem com o Luan.
Eu não quis perguntar nada. Apenas abraça-lo forte.
— Você está bem? – Perguntei, segurando seu rosto. — Você está gelado!
— É só o frio, Luci. – Ele sorriu. — E estou bem agora.
Foi a sua vez de me abraçar.
Depois de tudo que aconteceu, não tivemos clima para continuar o encontro. Luan tinha conseguido estragar tudo. Pelo menos agora estava desaparecido. E eu não dava a mínima para ele seja lá o que tenham feito com ele. Nós nos despedimos do pessoal e Lorenzo prometeu voltar mais vezes para terem mais momentos assim.
Agradeci a todos por tudo e por principalmente terem cuidado de mim e terem me tratado tão bem. As garotas quase não quiseram me soltar. Então tive uma ideia: peguei o contato de todos e garanti que iriamos manter contato sempre que possível.
— Eu não queria que as coisas tivessem terminado assim. – Lamenta Lorenzo quando voltamos para o carro. Estava cada vez mais frio. — Pelo menos você está bem.
— Então não vamos terminar as coisas assim. Eu estou bem! Eu garanto. Nada aconteceu comigo. Me leve a algum lugar antes de irmos. Qualquer lugar.
— Tem certeza? – Ele perguntou, me olhando seriamente. — Está mais frio agora e está ficando tarde.
— Tenho certeza. Só não quero voltar para casa agora.
Lorenzo me levou a um pequeno morro do outro lado do rio. Um lugar bastante arborizado e vazio. Mas que tinha uma vista das luzes dos restaurantes refletindo na água.
Eu me sentei na grama quando ele deu a desculpa que tinha esquecido algo no carro. Quando voltou, tinha um cobertor velho em mãos que ele colocou em volta mim.
— Onde você encontrou isso? – Perguntei, sorridente.
— Esquecido no porta-malas. – Ele sorriu de volta e sentou ao meu lado.
Ficamos um tempo em silencio, apenas comtemplando a vista. Até eu perceber que ele estava se encolhendo ao meu lado, tremendo por causa do frio.
— Tome um pouco. Tem bastante para nós dois. – Joguei uma parte do cobertor pra ele.
Sentamos mais perto um do outro.
— Sabe, eu nunca idealizei muito sobre o meu futuro. Mas acho que eu sempre quis uma casa próxima a um lago ou a rio. Acho tão incrível!
Me deitei, fazendo com que ele se deitasse também ou ficaria sem o cobertor.
— Parece uma ideia ótima. – Ele comentou, virando-se para me olhar.
Virei-me para olhar para ele também.
— Obrigada por hoje, Lolo.
— Ah, não. – Ele riu. — Não, não, não. Sem esse apelido ridículo!
— Mas, Lolo é uma gracinha, você não acha?
— Não. É ridículo! Não me chame assim mais. Ou vou ficar bem chateado.
— Tudo bem, Lolo. Prometo que vou esquecer isso.
Ele me olhou de um jeito desafiador.
— Tem certeza que vai continuar com isso?
— Não, Lolo. É só que...
Ele nem me deu a chance de terminar, pois de uma hora para outra estava me atacando com os dedos. Fazendo cocegas em mim e eu me contorcia de rir.
— Pare com isso, Lolo. Eu vou parar! Eu prometo!
Isso não foi o bastante para convence-lo.
— É...Sério... Lorenzo. – Eu estava quase ser ar.
E então ele parou.
— Ótimo.
Olhei para ele com um sorrisinho como se dissesse mentalmente que eu poderia continuar a qualquer momento. E essa seria uma guerra interminável. Ele pareceu ter entendido o recado, pois me olhou de volta com o mesmo sorrisinho, mas que não durou muito.
— Eu acho que.... Acho que...
Ele pode até não ter conseguido completar sua linha de raciocínio. Mas eu sabia exatamente o que aquilo significava. Ou que estava acontecendo ali.
Deitei minha cabeça em seu peito e fechei os olhos.
— Não, Lorenzo. Não vamos estragar as coisas entre nós.
Pensei que isso fosse chateá-lo profundamente, pois ele ficou calado por um bom tempo e imóvel em baixo de mim.
Até que eu senti suas mãos em meus cabelos.
— Você tem razão. Não vamos deixar isso acontecer.
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