Tudo acontece por uma razão
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Uma moça alta e magra, com cabelos curtos e pretos se senta ao meu lado. Seu corpo estava coberto por uma calça jeans ajustada perfeitamente em seus quadris, uma blusa de mangas compridas azul escura e usava com vans preto meio desbotado. Meus olhos se reviravam para ela discretamente a cada movimento que ela dava. Ela colocou os fones e se acomodou na poltrona que nem era tão confortável assim. Os olhos dela se fixaram na janela assim quando o ônibus começou a andar. Seria meio arriscado continuar olhando porque ela perceberia, então coloquei meus fones e encostei minha cabeça na janela.
Minha cabeça estava totalmente revirada depois de saber que meus pais não estavam se dando muito bem nos últimos dias e ter visto as duas pessoas que eu mais confiava me traindo, na cara de pau. Eu era obviamente a única pessoa naquele ônibus que não sabia para onde estava indo. Eu só queria fugir de tudo e tentar organizar as coisas dentro de mim. As mensagens e ligações não paravam de chegar. Eram ligações dos meus pais, amigos e até mesmo de Rose e Gabriel, as ultimas pessoas que eu queria ver naquele momento.
Rose era minha melhor amiga e o fato de não ser mais, era um os motivos para eu estar dentro daquele ônibus. Na noite anterior, tínhamos ido a festa de formatura e do nada Rose havia sumido. Como a festa estava cheia e decidimos nos encontrar no terraço caso nos perdêssemos, fui procura-la. Quando cheguei, dei de cara com a cena que eu nunca esperava ver: Rose e Gabriel estavam se beijando ardentemente e felizes como um casal de verdade. Minhas pernas ficaram trêmulas e meus olhos mergulharam em lágrimas, borrando a minha maquiagem. O copo com vodca que eu segurava, escorregou da minha mão, fazendo com que eles percebessem que eu estava ali parada observando-os. Eu não conseguia ficar ali nem mais um segundo, então desci as escadas e sai do salão o mais rápido possível.
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O frio do ar-condicionado tomava conta do ônibus e meu casaco já não estava mais me esquentando. Eram meia noite e não parecia que eu só estava naquele lugar a uma hora e sim um século. Minha bunda estava dolorida de tanto ficar sentada na mesma posição mas mesmo que eu a mudasse, não me deixaria totalmente confortável. A menina sentada ao meu lado estava distraída mexendo em seu celular e eu podia escutar a música que saia de seu Monster Beats vermelho. Enquanto digitava algo rapidamente, ela mordia os lábios e puta que pariu, ela chamava muito a minha atenção, ainda por cima estava ouvindo Arctic Monkeys, minha banda preferida. A minha maior vontade era falar com ela, mas não sabia como e também, não tinha nada para falar.
Meu celular tocou pela milésima vez. Era Rose. Ela deveria estar desesperada para me pedir desculpas ou vir com aquele papo de sempre de que “não é nada disso que você ta pensando”. Eu não estava preparada para falar com ela e nem com Gabriel, mas decidi encarar e atender Rose:
– Oi – Falo baixo e com frieza
– Olha, me perdoa Emma. – Fiquei em silêncio e ela continuou a se manifestar. – Não sei o que deu em mim ontem, não sei mesmo, me desculpa. Não passou de um mal entendido e eu queria que você entendesse: eu e Gabriel não temos e nunca tivemos nada, acho que eu devia estar um pouco beba...
Interrompo Rose.
– Isso me fez ficar tão mal, quer dizer, ainda tá fazendo. Não esperava isso de você. – Caio no choro.
– Eu nunca quis te magoar, você é minha melhor amiga e você sabe que o Gabriel te ama, aposto que a intenção dele nunca foi te deixar assim, do jeito que ta. Não sei como me desculpar, o que eu fiz não foi nada legal. – Eu podia ouvir Rose chorando do outro lado da linha.
– Puta que pariu Rose! Você acha que eu sou o que? Sempre fiz tudo pela nossa amizade e você me retribuiu da forma mais escrota possível. Não quero mais olhar na cara de vocês. Agora vocês podem se pegar á vontade, porque vou ficar longe por um bom tempo.
– Nunca achei que poderíamos chegar a esse ponto. Mais uma vez eu te peço perdão e espero que esteja bem. – Rose soluçava de tanto chorar.
– Ficarei bem. – Enxugo as minhas lágrimas.
Meu coração estava acelerado e eu não conseguia parar de chorar. Minha melhor amiga ficou com o meu namorado na minha frente e eu não sabia como lidar com a situação. Aquilo doía, e muito.Eu e Gabriel namorávamos a um ano e ele era a pessoa que mais me alegrava, era muito difícil de acreditar que ele tinha me traído com Rose.. Por que tudo tinha que ser tão complicado e dolorido?
Uma voz calma atrapalhou meus pensamentos.
– Oi, você ta bem?
– Ahn, sim, estou. – Me viro e enxugo as mais lágrimas.
– Não, você ta chorando e isso não é nada bom. Eu sei que sou uma estranha mas se quiser conversar, estou aqui.
– Minha melhor amiga, quer dizer, minha melhor amiga... – Me viro na poltrona e fico em direção a menina super atraente de olhos pretos. — Ela ficou com o meu namorado, na minha frente e não sei como lidar com isso, ainda.
– Não fique assim, essas coisas passam e é só questão de tempo. Você merece amigas e namorados melhores e com certeza vai achar isso logo. Esses dois canalhas vão ser só péssimas lembranças, com certeza.
– Não sei nem como agradecer a força. – Eu sorri e ela retribuiu. – Qual é o seu nome?
– Sou Lexi, e você? – Agora eu sabia o nome da menina que me chamara atenção desde que entrou no ônibus.
– Emma.
– Pra onde você está indo, Emma?
– Não sei, eu realmente não sei. Qualquer lugar menos ficar na Carolina do Norte.
– Como assim você não sabe? – Ela parecia preocupada e eu dei os ombros.
– Na verdade, eu não sei nem pra onde esse ônibus ta indo.
– Porra, você é louca. – Ela riu. – Não quero te deixar sozinha esse jeito sem saber pra onde ir. Você pode passar até fome se bobear. Ah e esse ônibus ta indo pro Alabamas, to indo visitar minha avó lá. Quer ir comigo?
Ela era muito legal mas não sei se seria o certo aceitar isso, não fazia nem meia hora que começamos a nos falar. Eu estava sem rumo e por um lado ela tinha razão, eu poderia passar fome. Um emprego não seria nada fácil para uma menina de dezessete anos como eu. E eu não queria atrapalhar a vida de ninguém, ou que elas se atrapalhassem por minha causa.
– Não, não quero atrapalhar você. Mas, obrigada.
– Você não me atrapalharia, seria legal ter você como companhia. Vai, aceita. Posso continuar a viagem com você depois.
– Sério? Não sei mesmo como agradecer. – Deixo escapar um sorriso. – Mas, você é uma estranha, e se você quiser me roubar ou algo do tipo? – Dou uma gargalhada.
– Não, não farei isso, pode ficar tranquila. – Ela da uma risada.
– Mas para onde vamos depois da casa da sua avó?
– Vou visita-la e depois podemos continuar. Minha vó me deu um carro no natal passado mas nunca tive a oportunidade de leva-lo pra Carolina do Norte. Então podemos usar ele para chegarmos até a California. O que você acha? – Lexi estava animada.
– É incrível! – A proposta me deixou muito feliz e animada.
Lexi era uma menina legal, bonita e atraente e gostava da minha banda favorita. Nos conhecemos em pouco tempo e parecia que já éramos amigas a muito tempo. A conexão que tínhamos era inacreditável. Acho que poderíamos ser grandes amigas.
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