Tudo Sobre Flores

1 O Conto da Rosa e do Lírio


Notas iniciais
Eu acabei de realizar um sonho: escrever algo junto de outra pessoa, KKK. Sério, foi muito divertido! Além da @supercraig também escrever super bem.

Boa leitura, como sempre.

Enquanto Harry conversava com Hermione e Ron, Lily correu apressada em direção à Ginny, que estava falando com Rose na cozinha. Todo o papel de parede, que na opinião de Albus era simplesmente ridículo demais e uma afronta ao bom gosto (pensamento provavelmente influenciado por Scorpius), tinha uma textura florida, como o pano de mesa, além de tantos objetos, os quais até deixavam Lily tonta apenas de ver.

— Olá! – a ruiva exclamou animada, dando um abraço apertado na mãe. Afastou-se sorrindo para Rose, que a encarava. A prima morena parecia um tanto desconfortável, mas ainda assim sorria, mostrando todos os seus dentes bem alinhados e brancos. Era Rose, sua prima e quase melhor amiga; tinham um bom relacionamento, mesmo não se vendo tanto.

— Querida, Hermione e Ron irão viajar, Mione tem que ir resolver alguns assuntos referentes ao Ministério da Magia, então, Rose irá passar alguns dias conosco. Espero que não se importe de dividir o quarto com ela, tudo bem? – Ginny abaixou até ficar na altura da filha mais nova, sorridente. – Hugo vai ficar no mesmo quarto que Albus, já está tudo combinado. Ele até poderia ficar no quarto do James, mas você sabe como anda todo cheio de querer privacidade, tsc, adolescentes.

Ela acenou em concordância. – Para mim está ótimo! – virou-se para Rose. – Vai ser divertido, não vai, Rose?

— Claro, por que não seria?

Ginny continuou. – Bom, então eu preciso que você mostre o quarto para ela, Lily.

A ruiva pegou na mão de Rose, subindo as escadas. Passaram na sala e puderam ouvir a voz de Albus e Hugo, que aparentemente não estavam se divertindo tanto assim. Lily riu, logo em seguida sendo acompanhada pela prima. Depois de dar umas espiadas para baixo, apenas para certificar-se que não iriam ser incomodadas, Lily parou em frente a uma porta de madeira, toda entalhada com lírios.

— Esse é o meu quarto! – informou antes de abrir a porta. O cômodo, diferente do que Rose achava que seria, tinha paredes de cor bege e algumas partes pintadas de marrom, uma cama de casal encostada à esquerda, ao seu lado uma pequena escrivaninha onde, provavelmente, Lily guardava alguns materiais escolares. Flutuando pelo teto haviam quatro faixas, uma para cada casa de Hogwarts. A ruiva tinha bastantes livros, que recheavam o quarto inteiro, além de uma grande quantidade de quadros pendurados e um armário no lado direito, cheio de frascos para preparo de poções – Não é tão grande, e teremos que dividir a cama, mas é confortável.

— É perfeito, Lily.

— Você pode guardar suas roupas aqui – foi em direção ao guarda roupa dourado, um tom com aspecto de sujo, porém elegante, com fotos coladas por todas as portas do mesmo, sendo prontamente seguida por Rose. Enquanto a prima guardava as coisas, Lily se jogou na cama. – Você vai gostar daqui, é bastante bonito a noite.

— Bom, se Hugo não ficar pegando no meu pé o dia inteiro, provavelmente será legal. – brincou ela, fazendo Lily rir.

— James também é assim! Aquele garoto é um chato, não me deixa em paz em nenhum minuto. Merlin, às vezes é até nojento. Ele só se torna aturável quando o Teddy ta aqui, porque o Teddy é legal e o James é louco nele.

A porta abriu abruptamente, assustando as duas. A cabeça de James apareceu, olhando feio para a irmã mais nova. – Falando de mim, Lily? Oi, Rose! Espero que seu irmão seja bom no Quadribol, o pequeno tem catorze anos, não?

— James, seu idiota! – Lily, jogou um travesseiro no garoto, assustada, mas James conseguiu fechar a porta antes de acertá-lo. Suspirou cansada, voltando a se deitar. – Viu o que eu disse? Um completo babaca.

Rose gargalhou do acontecimento. – Merlin! James é um idiota, mas você ainda não viu as brincadeiras de Hugo. Aquele garoto, mesmo tão novo, é um demônio. Ele ficava muito com o tio Jorge quando menor, provavelmente foi influenciado.

— Ah! Eu acabei de lembrar que preciso pegar algo lá em baixo. – exclamou Lily. Rose acenou, vendo a ruiva sair apressada. Quando dando com o ombro na soleira da porta.

Rose esperou por um momento, apenas para ter certeza que Lily havia realmente saído. Parou de fingir que arrumava suas coisas no guarda roupa e pegou sua câmera fotográfica, junto de uma pequena caixa de madeira, indo em direção à cama de Lily. O pouco tempo que ficou ali fôra o bastante para saber que, o único local que não era muito visível e também onde ninguém se importaria em procurar algo assim, era embaixo da cama de casal que a ruiva tinha. Apressada por ouvir passos na escada, os escondeu rapidamente, tentando não fazer nenhum barulho. Ouviu a porta abrir e Lily entrar junto de um livro com capa estranha.

— Você gosta de ler, não é? Tenho certeza que você vai gostar desse livro aqui!

Rose respirou fundo, tentando acalmar as batidas aceleradas. Lily havia puxado a beleza dos pais, os cabelos ruivos, cheios de cachos, coisa que puxou do pai, a pele sardenta, porém mais escura que de Ginny, e as covinhas que apareciam sempre que ela sorria, junto de bochechas avermelhadas e os olhos semicerrados, em um tom de mel encantador que no sol lembrava verde e que sempre estavam a brilhar. A Granger-Weasley acompanhou-a no sorriso, quase involuntariamente.

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Lily acordou em um pulo, assustada, com o barulho da porta sendo fechada. Respirou fundo, contando até dez em ordem crescente, tentando acalmar-se. Estranhamente, percebeu que estava sozinha – era provável que Rose houvesse saído para tomar água ou algo assim. Então, voltou a se deitar na cama de casal confortável, mas o sono parecia ter sumido e agora ela estava acordada demais para conseguir descansar. Nesse momento, lembrou-se de algo: Rose sempre vivia com uma caixa pequena, frágil, e uma câmera fotográfica, e havia visto-a os guardando em um local bastante fácil de encontrar. Felizmente, Rose não percebeu que ela a havia visto guardar a caixa. Sorriu, sentindo a excitação percorrer todo seu corpo enquanto descia da cama, olhou embaixo da mesma – para sua felicidade a caixa estava ali, mas a câmera havia sumido. Sentindo-se péssima por estar indo mexer em algo privado – principalmente de Rose, que ficava enfurecida quando mexiam em suas coisas –, contudo estava curiosa demais e, dessa vez, iria dar um desconto a si mesma e fuçar um pouco no que não era seu, ou, mais especificamente, que era de Rose.

Puxou com cuidado a pequena caixa, tentando não fazer nenhum barulho, e colocou-a sobre da cama. Abriu a gaveta pegando uma lanterna que guardava dentro, até porque, não gostaria de receber um berrador do Ministério da Magia por usar magia fora de Hogwarts. Ligou a invenção trouxa, de modo cauteloso, e levou a luz em direção a fechadura da caixa. Não parecia ser trancada e, para sua felicidade, consegui abri-la facilmente. Aparentemente Rose havia se esquecido de trancá-la, ou a usou mais cedo, mas não importava no momento. Curvou-se para mais perto, levando a luz da lanterna junto dela, e encontrou várias fotografias guardadas ali – a maioria eram de jardins floridos, alguns apenas de flores, também havia fotos em família aonde, estranhamente, o rosto de Lily era o mais visível. A garota remexeu mais fundo e, surpreendentemente, encontrou fotos aonde apenas ela aparecia. Seus olhos se arregalaram, achando até um pouco de graça. Rose parecia algum tipo de stalker, como os trouxas diziam. Curiosa e ao mesmo tempo apreensiva, fuçou por mais. Tirou uma boa parte das fotos, deixando-as ao seu lado, quando, enfim, encontrou uma foto especial. Nela, Lily parecia estar suja do que aparentava ser bolo de chocolate, além do sorriso largo e que mostrava os dentes que faltavam na época da foto. Nela, ela estava no jardim d’A Toca, era aniversário de Lucy. Estava descalça cheirando as flores. Tinha um aspecto velho, e era provável que fosse uma das primeiras a ser tiradas; Lily sorriu timidamente, pensando que, mesmo que tudo aquilo fosse estranho, dava a ela boas lembranças da infância. Ainda sorridente, guardou essa foto no bolso e virou-se para dar uma boa olhada nas que tinha posto na cama. Levou-as para bem perto do rosto, observando cada detalhe – e, achando que não poderia mais ser surpreendida, percebeu que estava, também, em todas. Seja no fundo, escondida, ou bem visível a frente, junto das flores. Riu baixo, achando-se uma burra por não ter lembrado, de início, a época que haviam sido tiradas – agora, os momentos passados estavam bastante claras em sua mente. Estava com uma leve apreensão sobre Rose, naquele momento, mas Lily pensou que, apenas talvez, ela não fizesse com um intuito ruim. Além disso, era legal ter tantas fotos suas assim, mesmo que Lily não desse o direito da prima ter uma coleção delas.

Ainda procurando por mais coisas naquela caixa, ouviu passos vindo do corredor. Levou um pulo assustada, e de modo desajeitado, enfiou todas as fotos dentro da caixa e jogou-a sob a cama. E desesperada, enfiou-se debaixo das cobertas, tentando fingir que nunca havia sequer se mexido. Logo ouviu a porta sendo aberta e era provável ser Rose. Ouviu novamente aqueles passos, agora mais perto, e sentiu a parte do colchão ao seu lado abaixar, demonstrando que Rose tinha deitado, dessa vez, mais longe dela. A respiração de Lily estava descompassada, mas felizmente, não o bastante para chamar a atenção da prima. Os batimentos estavam acelerados e suava um pouco, como se todo o frio que fizesse antes não fora o bastante para abaixar aquele calor que tomava conta dela. Pensou em se virar e perguntar sobre aquilo, até porque, era bastante estranho. Mas então, percebeu que era uma péssima ideia. Não queria começar uma briga tão tarde assim e seria vergonhoso para Rose, tanto quanto para ela mesma. Sentia que não ia conseguir dormir, ainda mais após todo aquele turbilhão de sentimentos e informações.

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Lily mordeu o pão, esfomeada. Ouviu Rose entrando na Sala de Jantar, de modo apressado, e não estava com um semblante muito feliz. Seus cachos longos e castanho-avermelhados estavam totalmente despenteados, a roupa amassada – a qual estava abotoando naquele mesmo momento –, além do tênis desamarrado e sua feição melancólica. Ginny olhou-a preocupada, enquanto terminava de tirar alguns biscoitos do forno com o auxílio da varinha.

— Está tudo bem, Rose? – indagou a mulher. – Harry saiu mais cedo para o trabalho, James e Hugo estão treinando lá fora e Albus ainda está dormindo. Achei que seria divertido tomarmos o café da manhã juntas.

Lily acenou em concordância, sem parar de comer. Levou um leve chute por baixo da mesa da mãe, que olhou-a irritada. Lily devolveria o olhar, se não tivesse medo do castigo que receberia caso ao menos tentasse desrespeitar a dona da casa e outro chute sua mãe era forte demais para ser normal. Rose sentou ao lado de Ginny, tímida. Estava obviamente desconfortável.

— Ah sim, sim. Está tudo bem, tia Ginny.

Rose parecia estar evitando olhar para Lily, essa, que não parava de observá-la. “Huh, deve ter descoberto que eu mexi nas coisas dela”, pensou Lily, “É melhor eu me desculpar, deve estar desesperada para descobrir quem foi”.

— Querida, você está realmente se sentindo bem? Está suando. – Ginny estava cada vez mais preocupada, enquanto Rose apenas murmurava que estava bem com um tom de voz falho. – Vou preparar um chá, talvez melhore sua condição.

Rose pareceu odiar a ideia, mas antes que pudesse discordar Ginny saiu apressadamente, deixando as duas sozinhas com um silêncio desconfortável. Lily engoliu a comida, bebericou do suco de abóbora em seu copo e levantou-se, indo se sentar ao lado de Rose. A morena, contudo, se afastou um pouco de modo automático. O rosto da pequena Potter, antes sério, tornou-se uma expressão maliciosa. Tempo demais ao lado de Albus.

— Sabe, eu adoro fotografias de jardins, principalmente como as rosas e os lírios se destacam nelas. – Lily riu, observando-a de esguelha. Rose sentiu suas bochechas corarem e olhou em volta, com uma feição quase chorosa.

— Não é o que você está pensando, eu juro! – tentou explicar, mas Lily a fez parar com um balançar de mãos. Como se não fosse nada demais.

Aproximou-se de Rose o bastante para seus rostos quase se encontrarem, então, murmurou: – Está tudo bem. Sabia que rosas, afinal, são minhas flores favoritas? – Após isso Lily se levantou e saiu da cozinha, sem quebrar o contato visual com Rose, que só queria se enfiar em algum buraco e nunca mais sair. Agora entendia a aversão do pai de seu melhor amigo, Scorpius, àquela família.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!