Tudo Por Você
5 Realidade
Notas iniciais
Capítulo 5
Bella
Acordei lentamente com a sensação de que um caminhão tinha passado por cima de mim. Abri os olhos devagar, com dificuldade por causa da claridade. Olhei para o lado e um anjo dormia tranquilamente agarrado a mim. Sorri. E tão rápido quando o sorriso veio ele se foi com a realidade. EU HAVIA PERDIDO A VIRGINDADE COM UM COMPLETO GOSTOSO, TESUDO, DEUS DO SEXO ESTRANHO. Fechei os olhos com forças esperando que acordasse de um sonho bizarro e quando os abri o anjo continuava lá. Havia sido real. Cada toque, cada beijo, cada gemido que saiu de minha boca ontem era real. Meu coração começou a trabalhar loucamente. Havia tido a melhor noite da minha vida. O prazer que Anthony me proporcionou seria algo que meu corpo já mais iria esquecer. Eu tinha plena consciência disso. Nada seria como eu e ele juntos. Eu não sabia o que fazer agora. Eu o acordava e ia embora ou se simplesmente ia??! Contemplei seu rosto dormindo... Tão sereno e passivo. Era lindo de observar.
Procurei um relógio em algum canto e vi o celular de Anthony do lado da cabeceira. Peguei e olhei as horas. PUTA QUE PARIU... 15:27. Eu estava ferrada deveria ter ido almoçar com minha mãe hoje. Ela iria me matar. Alice também iria me matar e Jasper deveria estar morrendo de preocupação. MERDA, o dia já tinha começado ruim. Anthony mexeu-se ao meu lado e o olhei... Meu ar faltou quando o ouvi murmurar meu nome. Eu estava vibrando por dentro. Queria gritar, queria o abraçar e o beijar, queria nunca mais deixa-lo ir... Levei as mãos na boca em choque. Coração batendo rápido? Confere. Respiração descompassada? Confere. Sangue fervendo? Confere. Desejo avassalador? Confere....... EU ESTAVA APAIXONADA POR UM COMPLETO ESTRANHO.
Isso não podia estar acontecendo. Eu nunca havia me apaixonado antes. Como sabia que estava apaixonada?? Como podia ter certeza? Duvidas passavam pela minha cabeça. Eu precisava ir. Eu tinha que deixa-lo. A ideia fez meu coração se apertar. Porque isso estava acontecendo comigo? Porque? Eu só queria uma noite de prazer com ele. Apenas isso. Não era para eu me afeiçoar. Então porque não conseguia sair daquela cama??
Eu sabia que tinha que deixa-lo. Eu tinha que raciocinar. Eu era de menor. Estava num quarto de um estranho e tínhamos transado loucamente na noite anterior. Um desespero me tomou. E se ele fosse casado? E se a esposa dele o estivesse esperando voltar para casa? E se ele tivesse filhos???? Meus olhos se encheram de lagrimas. Eu havia sido extremamente irresponsável. Eu não pensei nada ontem apenas sentia o prazer que ele me dava. Mais a realidade voltava com uma força total. Ele provavelmente deveria fazer isto sempre e eu era só mais uma das que passavam por suas mãos. Não pude conter as lagrimas. Estava triste e decepcionada comigo mesmo por ter me permitido ir tão longe. Não que me arrependesse. Eu tenho plena consciência que faria tudo de novo se pudesse e era isso que me assustava. Eu precisava deixa-lo. Eu precisava sair dali. O ar tornou-se pesado e o corpo de Anthony sobre meu parecia agora uma tonelada. Me afastei com delicadeza de sua cama.
Tomei todo o cuidado do mundo para não fazer nenhum barulho. Procurei minha calcinha e levei um tempo até acha-la. Peguei o sutiã que estava perto da cama junto com o vestido e vesti-me. O sapato estava jogado pelo banheiro peguei-os e segurei em minhas mãos. Se eu os calçasse fariam barulho. Andei em direção a porta. Olhei para trás pra ter certeza que não esquecia nada. Vi a camisa dele, a que havia vestido. Estava em cima da cama. Voltei e a peguei. Essa seria a prova de que tudo havia sido real, essa seria a prova de nossa única noite juntos. Deu uma última olhada para Anthony caminhei em sua direção mesmo correndo o risco de o acordar depositei um beijo leve em sua testa e sai. Sai para nunca mais voltar. Seriam apenas lembranças.
Eu estava uma bagunça. Corri para o elevador ainda descalça. Eu não havia percebido que estava chorando até olhar meu reflexo no espelho do elevador. O que eu havia feito? Essa não era eu. Eu não era assim.... Eu não queria parar de chorar. Queria que todos os sentimentos fossem embora. A traição de James, a dor que suas palavras me causaram, a decepção que tinha de mim mesma e o mais importante queria que a dor de ter ido embora cessasse.
O elevador parou em algum andar e limpei as lagrimas.
— Bella – a voz me era familiar. Virei para ver quem era.
— Seth Clearwater – forcei um sorrio para ele.
— Bella você está bem? – perguntou-me. Era tão visível meu estado assim.
— Seth – mordi os lábios pensando no que responder.
Seth e eu éramos da mesma turma de Matemática avançada. Ele era uma ótima pessoa. Fizemos vario trabalhos juntos porém não éramos tão amigos assim. Era bom ver o rosto de alguém conhecido. Eu precisaria de um telefone já que estava sem o meu, precisaria de uma carona para algum lugar que minha mãe pudesse me buscar.
— Seth, será que você pode me emprestar seu celular? Estou sem o meu – disse. Ele me olhou como se quisesse perguntar onde estava o meu mais não o fez. Levou as mãos ao bolso pegou seu celular e me entregou.
— Obrigado – disse. A porta do elevador abriu e estávamos no salão principal.
— Vamos para aquele lugar ali – apontou uma sala longe – assim você pode falar tranquilamente.
Caminhamos até onde ele havia apontado. Era uma salinha com várias cadeiras e sofás. Estava vazia para a minha felicidade. Disquei o número de minha mãe.
— Alo? Quem está falando?— sua voz estava alterada. Puxei o ar com força para falar.
— Eu mãe – disse.
— ISABELLA MARIE SWAN, ONDE VOCÊ ESTA? LIGUEI PARA ALICE PARA SABER ONDE VOCÊ ESTAVA E ELA DISSE QUE NÃO SABIA. NINGUÉM SABIA ONDE VOCÊ ESTAVA. EU ESTAVA QUASE LIGANDO PARA POLICIA ISABELLA. FAZ IDEIA DO SUSTO QUE ME DEU MENINA?! ONDE VOCÊ ESTAVA COM A CABEÇA? O QUE FOI QUE DEU EM VOCÊ MOCINHA?? – escutar ela gritar comigo e ridiculamente me fez chorar.
— ISABELLA VOCÊ ESTA CHORANDO FILHA? VOCÊ ESTA BEM? ESTA MACHUCADA?— eu sabia que ela deveria estar à beira de um ataque de nervos – Filha onde você está? - perguntou
— No 45 Park Lane. – sussurrei.
— O QUE VOCÊ FAZ DO OUTRO LADO DA CIDADE ISABELLA? O QUE VOCÊ ESTA FAZENDO AI?— agora ela estava com raiva podia sentir isso.
— Mãe – disse entre soluços – Eu preciso de você. Por favor mãe, venha me buscar logo – disse chorando. Nesse momento Seth pegou o telefone de mim.
— Oi senhora Swan, sou eu o Seth – disse – Eu encontrei bella por um acaso aqui – ela deveria ter perguntado algo pois ele ficou calado – Não senhora Swan, ela está bem – ele me analisou como se para confirmar – Eu posso levar ela até ai – fez uma pausa – Não, não será. Eu estava mesmo indo em direção ao colégio para buscar umas ultimas coisas para sair de férias com meu pai – outra pausa – Sim senhora Swan levarei ela diretamente para sua casa.
Ele desligou o telefone e pôs no bolço. Eu não sabia o que falar. Eu só chorava como uma idiota.
— Vamos bella, vou te dar uma carona – Ele tirou o sobretudo que vestia e me deu. Limpei as lagrimas peguei o sobretudo e vesti. Seguimos em direção a saída. Uma limusine estacionou bem na frente e Seth abriu a porta para mim. Escorreguei para dentro e logo ele entrou e fechou a porta.
— Vamos em direção ao colégio, mais antes Parker passaremos na casa de Isabella – ele olhou para mim – Pode dar seu endereço para ele?!
Disse auto o suficiente para que o motorista escutasse. Encostei-me na janela do carro e Seth colocou fones de ouvido como se quisesse me dá privacidade. Apertei a camisa em minhas mãos e levei-a ao rosto. Eu podia sentir o cheiro dele. Forte, masculino e inebriante. Agarrei-me aquele pedaço de pano como se com isso pudesse ter ele perto de mim. Continuei assim o resto da trajetória. E um tempo depois o carro parou em frente à casa de dois andares simples e bonita. A minha casa. Lugar onde havia passado boa parte da infância. Precisamente desde que chegamos dos Eua. A 9 anos atrás. Eu podia ver minha mãe na frente da casa com o rosto composto num misto de preocupação e desespero.
Seu rosto era o único conforto que queria agora. Abri a porta do carro e sai correndo em direção a ela. Abracei-a tão forte que quase caímos. Ela afogou meus cabelos e disse que ficaria tudo bem. Me mandou entrar e foi agradecer Seth. Coloquei a blusa dento do bolso do sobretudo que eu usava não queria que minha soubesse que trazia algo dele para casa.
— Filha – sentou-se no sofá onde eu estava – O que aconteceu? – pegou-me e aninhou-me em seus braços.
— Foi horrível mãe – disse não contendo o choro.
Eu precisava contar o que estava acontecendo comigo a ela. Ela era a pessoa que mais me amava na vida. Ela era a única que seria capaz de me entender. Por muito tempo fomos só nos duas e isso nos uniu. Eu sabia que não importava o que acontecesse ela sempre estaria lá para mim. E eu contei tudo. Contei sobre James, como foi ruim saber que ele estava com outra. Mesmo não o amando aquilo havia me ferido profundamente. Contei sobre as coisas que ele me disse. Sobre o desespero que senti quando o ouvi falar aquilo e ter a certeza de que ele estava certo. Falei sobre minha ida a boate, sobre meu comportamento de beijar outros caras e uma garota, no desespero de provar para mim mesma que ele estava errado. De que eu não era defeituosa. Contei a ele sobre Anthony. Sobre como ele me fez sentir coisas, sobre o que ele causou em mim. Contei que fomos para o hotel, contei sobre tudo o que fizemos de noite, sobre o que eu havia sentido e feito... Eu havia contado tudo. Só duas coisas foram Omitidas. Primeira eu não mencionei o verdadeiro nome me Anthony. Disse que ele se chamava Nick e segundo eu não contei a minha mãe que o cara que estava comigo tinha idade para ser meu pai.
— Mãe – sussurrei – O que eu fiz? Eu não sou assim mãe, essa não sou eu. Eu nunca fiz uma coisa dessas. Eu... Eu... Eu não sou assim mãe. Eu sou correta. Eu preso os valores que você me ensinou, eu sempre faço as coisas certas, eu sempre penso muito antes de tomar qualquer atitude... Essa sou eu mãe. Não a garota que foi pra cama com um completo estranho.
— Shiii filha – ela fez carinho em meu cabelo – Não digo que estou feliz com seu comportamento Isabella – meu coração perdeu o compasse – O que você fez foi irresponsável e muito perigoso. Esse estranho... Nick poderia ter te causado muito mal minha filha – ela beijou meu cabelo – Mais Isabella seu comportamento foi compreensível. Você tinha acabado de passar por um momento difícil. Seu namorado havia te traído e lhe disse coisas que mexeu com quem você é. Isso levou você a se questionar sobre tudo que você tinha certeza. Você não aguentou filha, e agiu como alguém na sua idade agiria. Imaturamente. E por sorte ou azar seu, você encontrou esse cara. Toda sua turbulência emocional ligada a atração física fora dor normal que você sentiu por ele tendeu a esse resultado. E sua total falta de lidar com a tensão sexual fez você ceder. Repito Isabella que não aprovo nem um pouco esse seu comportamento, porém não posso exigir mais da minha meninha de 16 anos.
Levantei-me do sofá. Eu não sabia se ali quem falava comigo era minha mãe ou a psicóloga.
— Você não entende mãe – estava frustrada – E se ele for casado mãe? E se ele tiver esposa e filhos? E se ele tiver uma namorada? Eu posso acabar fazendo alguém sentir exatamente o que senti quando soube de James. Mãe e aquilo doeu mãe... Eu, eu não posso aguentar a ideia de ter feito isso com alguma pessoa mãe. Eu não posso aceitar a ideia de que agi como uma vagabunda – eu estava histérica.
— ISABELLA – minha mãe gritou levantando – Não fale isso de si mesma.
— MAIS FOI ASSIM QUE AGI ONTEM MÃE – puxei meus cabelos – Eu simplesmente fui estupida. E sabe qual a pior coisa mãe? — a encarei – Eu faria tudo de novo. Eu faria tudo de novo com ele. Eu faria tudo novamente pra poder sentir as coisas que ele me fez sentir. Mesmo sabendo que ele poderia ser casado e com filhos. Eu seria capaz de fazer qualquer coisa para ter o prazer que ele me proporcionou... Ele me fez sentir viva mãe – lagrimas escapavam – ele me fez vibrar, ele me fez sentir a vida. Foi como se tudo antes dele não fosse nada. Como só tivesse sobrevivido antes dele. Ele fez eu me sentir poderosa mãe. Como se o mundo todo pudesse se curvar para mim se eu quisesse. Ele me fez o desejar mãe... Com tamanha vontade como nunca quis nada antes na vida... Ele fez eu me sentir mulher. Ele me fez sentir inveja e raiva de quem pode estar com ele todo dia, de quem pode te-lo em sua cama toda noite. Ele me fez feliz mãe. Ele me fez esquecer o mundo quando me tocou. Não existia nada mãe, apenas eu e ele, nada. Como se todos os meus valores, tudo o que eu sempre presei e acreditei fosse inútil comparado a te-lo comigo. Ele deixou em mim uma marca que não sei se poderei apagar mãe. E isso me causa um medo absurdo.
Minha mãe me olhava com choque explicito em seu rosto. Ela não sabia o que falar para mim nesse momento. Então ela me abraçou e me deixou chorar e disse que ficaria tudo bem. Me fazia carinho e repetia que nos ficaríamos bem que eu iria passar por isso e que ela estava comigo e não iria me deixar. Em algum momento o choro parou e ela me levou até o banheiro e me deu banho. Cuidou de mim como se tivesse apenas 5 aninhos. Me deitou na cama cantou para mim como a muito tempo não fazia e em algum momento eu adormeci.
Acordei me sentindo melhor. Do lado da cabeceira da cama havia uma garrafa de água um remédio e um recado me minha mãe.
“Quando acordar tome esse remédio. Ajudara você a ficar calma. Desça pois precisaremos conversar. Beijos mamãe te ama.”
Sorri com aquilo. Eu me sentia melhor. Sentei na cama, me espreguicei e logo em seguida procurei roupas para vestir. Fui ao banheiro escovar os dentes e vi o sobretudo de Seth no chão. Imediatamente meti a mão no bolso. Pude respirar, mina blusa estava lá. A blusa dele estava comigo. A única lembrança de que ele e eu fomos reais. Guardei a blusa no fundo da gaveta do guarda roupa.
— Mãe – gritei descendo as escadas depois de escovar os dentes. Ela sorriu para mim.
— Acordou bella adormecida? – ela riu eu revirei os olhos. Ela nunca se cansava dos trocadilhos com meu nome.
— Que horas são? – perguntei sentando-me na bancada da cozinha.
— 13:20 – disse e me assustei. Eu havia dormido tanto assim? – Sente-se melhor?
— Sim, estou muito melhor – sorri.
— Que bom – sorriu de volta para mim – Pois vamos falar sobre o seu castigo.
Minha boca caiu. COMO ASSIM?
— Achou o que Isabella? Que podia agir com irresponsabilidade e sair impune – ela disse. Seu tom de voz não era acusatório nem demostrava raiva o que me deixava mais tranquila – Eu sempre ensinei a você que toda ação que você faz tem uma consequência e essa não será uma exceção.
Ela era fantástica. Minha mãe tinha o poder de dar uma bronca de uma forma excepcional.
— Eu falei com seu pai – disse – Você está indo para Forks amanhã. Passara as férias de inverno lá.
— Mais mãe esse já não era o combinado? – tirando o fato de que a data de minha ida tinha sido adiantada, já havíamos combinado isso.
— Você IRÁ SEM ALICE – frisou bem essa parte e desci da bancada – Sem celular, sem computador, sem qualquer meio de que possa fazer você se comunicar com seus amigos daqui.
— MÃE – gritei.
— Não grite comigo Isabella Marie Swan – sua voz soava ameaçadora agora e eu me encolhi – Quando voltar terá suas coisas de volta porém 3 meses sem mesada.
— MÃE – gritei de novo sem querer. Ela me fuzilou – Desculpe, desculpe. Foi sem querer.
— Suba e vá arrumar suas coisas. Seu telefone já está confiscado. Alice passou aqui e o deixou hoje pela manhã – Alice estivera aqui e ela não me avisou – Disse a ela que você estava de castigo e que iria para Forks e ficaria incomunicável – assenti com a cabeça. Estava subindo as escadas quando minha mãe me chamou novamente.
— Oi mãe – voltei para a cozinha.
— Vamos manter o ocorrido de ontem só entre nos duas, tudo bem? – Ela esperava uma resposta.
— Alice não saberá de nada mãe – disse.
— Ótimo. Suba e arrume suas coisas. Vou esquentar sua comida ainda não comeu nada e isso não faz bem à saúde minha criança.
Tive que ri. Mamãe seria sempre mamãe.
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