Tudo Pode Mudar
5 Capítulo 5: Aluno Novo
Notas iniciais
Comemos em silêncio depois que eu falara aquilo. E logo depois que acabamos, o sinal bateu.
–Poxa — Ygor disse — O tempo passou rápido demais. — ele fez uma carinha de triste e um biquinho muito fofo.
–Pois é. — eu disse. — E agora temos que voltar pras aulas chatas de novo.
–Ihhhh, — Yago disse nos fazendo olhar para ele — sério que você vão ficar de charminho um pro outro agora?
–Yago! — Ygor disse. — Meu Deus!
–Deixa ele, Ygor. O Yago é muito bobo. — eu disse isso mas estava o fuzilando com os olhos e tenho certeza que ele percebeu.
–Pelo olhar de vocês, é melhor eu nem falar mais nada. — ele disse.
–Faça isso, Yago. — disse Ygor.
Então subimos para nossas salas e minha professora de português já estava na sala arrumando as mesas para todos ficarem em duplas.
–Bom, como vocês estam vendo, — eu disse olhando pra dentro da sala, já com algumas pessoas — não vou poder ficar aqui fora conversando com vocês.
–Pois é. — Ygor fez uma voz de triste quando Yago saiu e foi para a sala deles. -Mas podemos nos ver na saída?
–Acho que não. Tenho um trabalho de português hoje e ele vai substituir a prova. A professora disse que vai ser bem difícil por ser em dupla, então teremos 3 tempos para fazer. Mas sempre acabamos saindo mais cedo.
–Então, ta bom. Nos vemos amanhã, então. Ok?
–Claro. — eu disse e ele me deu um beijo na bochecha e foi embora.
Eu entrei na sala sem acreditar em como tinha sido minha manhã e não estava prestando atenção em nada. Nem ao menos notei que tinha um aluno novo na sala — que deveria ter me achado a maior retardada do mundo, com a cara que eu estava.
Só consegui parar de pensar no Ygor quando a professora chamou a atenção da turma para nos juntarmos em duplas. Nessa hora, olhei para as meninas que me olhavam sorrindo maliciosamente ao meu lado.
–Que foi? — eu perguntei.
–Ainda pergunta? — disse Lara e eu revirei os olhos para aquilo.
–Alunos, — a professora disse — quero a atenção de todos agora! O trabalho será em dupla, dessa vez — ela disse olhando pra mim e pras meninas — não poderei abrir uma exceção.
–Mas professora... — Lara ia argumentar, porque nós três sempre faziamos todos os trabalhos juntas.
–Desculpa, meninas. — a professora a interrompeu. — Hoje, será só em dupla mesmo. Luíza?
–Oi, professora. — eu disse.
–Você e o nosso aluno novo estão sem dupla. Que tal vocês fazerem juntos?
Que aluno novo? Quando eu cheguei aqui não vira nenhum aluno novo, eu pensei. Então sigo o olhar da professora e vejo um menino muito lindo sentado no fundo da sala, totalmente isolado. Ele era loiro, com o cabelo arrumado com gel, mas mesmo assim meio bagunçado, forte e de olhos verdes. Acho que todos estavam tão nervosos por causa do trabalho, que não o notaram, porque senão, todas as meninas da sala teriam ido se atirar pra cima dele. Isso era um fato.
–Claro. — eu disse sem animação. Ele era muito lindo, mas eu tinha muita vergonha em falar com gente nova. Senti um frio na barriga de ter que ir lá e fazer um trabalho tão importante com um estranho, sujo o nome eu ainda desconhecera. E se ele não soubesse a materia e eu tivesse que fazer o trabalho todo sozinha? Porque eu tinha me matado de estudar na noite anterior.
–Quer ajuda para trazer as coisas? — o aluno novo perguntou sorrindo.
–Quero sim, obrigada. — eu disse sorrindo de volta, mas com vergonha. Eu também não sabia agir com uma pessoa tão linda.
Ele levantou e pegou meu fichario e estojo que estavam fechados em cima da mesa e as levou para a mesa do lado da dele e eu me senti uma formiga do lado dele. Antes de eu sair com minha mochila, Lara disse pra mim:
–Que dia de sorte, hein Luíza?
–Pois é. — disse Marissa. — Passa um pouco pra mim.
–Vocês são muito bobas, sabiam? — eu disse rindo e fui me sentar com o estranho. Mas reparei que todos na sala tinham reparado no aluno novo e as meninas já estavam babando.
–Prazer, sou Stefan — ele disse esticando a mão — e você é a Luíza, certo? A professora me falou que iria pedir para você fazer o trabalho comigo.
–Sim, — eu disse envergonhada. — sou a Luíza. Prazer!
–Você já estuda há muito tempo nessa escola? — ele me perguntou.
–Desde o ano passado. — Eu não sabia manter uma conversa digna com uma pessoa que mal conhecia.
–Ahh. — ele disse abaixando os olhos. Acho que também não era daqueles de manter uma conversa.
–Então, já fez algum amigo? — eu disse tentando parecer uma pessoa legal.
–Na verdade, você e a professora foram as únicas que eu falei até agora. — ele disse meio que com envergonha e sorrindo. — Não sou de me enturmar.
–Te entendo. — eu disse sorrindo também. — Não sou amiga de quase ninguém aqui.
–Mas você namora, não é? — ele perguntou e eu fiquei totalmente surpresa.
–Não. — eu disse surpresa e ele percebeu isso. — Por que a pergunta?
–É que vi você e um menino parados na porta conversando e ele te deu um beijo no rosto e depois você entrou na sala com uma carinha de apaixonada. — ele falou sorrindo e eu fiquei vermelha — Desculpa estar falando isso.
–Não. Tudo bem. — eu disse sorrindo. — Mas não estamos namorando. Ele é meu amigo de infância, mas a gente não se via há 6 anos e ele entrou na escola hoje com o irmão gêmeo.
–Mas vocês se gostam, não é? Dá pra ver no olhar de vocês.
–Não sei o que ele sente por mim. — eu sorri mas com certeza ele viu a tristeza nos meus olhos.
–Acho que ele gosta sim. — ele sorriu e quando ia falar mais alguma coisa, a professora interrompei chamando a turma para entregar os trabalhos e explicar tudo.
Foi muito legal fazer o trabalho com o Stefan. Ele era muito inteligente e uma ótima pessoa. Descutimos juntos todas as respostas e sempre entravámos em acordo quando um tinha a opinião diferente. Rimos quando falavámos a mesma resposta juntos, nos divertimos fazendo aquele trabalho e posso confesar uma coisa? Foi muito melhor ter feito o trabalho com ele, do que com minhas amigas. Foi fácil fazer o trabalho, nossa conversa sobre a matéria fluiu de um jeito impressionante e quando percebemos, já tinhamos terminado de fazê-lo e acabamos em 1 hora.
Nunca pensei que fosse conhecer um estranho e me tornar amiga dele tão rápido, mas com o Stefan foi diferente. Eu sentia que iriamos nos tornar grandes amigos e pelo visto, sempre iriamos fazer os trabalhos juntos também.
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