Tudo Pode Acontecer
11 Capitulo 11
Notas iniciais
–Tudo tá sem graça sem a Mega aqui! Não concorda Debe? –disse Lauren pela milésima vez, já estávamos na cidade fazia quase uma semana.
– Lauren, tou começando a ficar preocupada com ela! A Meredith não liga, não responde minhas mensagens e nem meus e-mails! –peguei o copo que estava a minha frente, e dei um suspiro, se a Lauren soubesse o que nos somos seria tudo diferente mas não posso colocar mais gente envolvida nesse ‘mundo’, estou distraída quando escuto a voz de Lauren juntos com estalar dos seus dedos, as vezes ela sabia como se irritante. –E agora o que foi?
–A Mega veio pra cidade e nem nos disse, olha ela ali! –disse Lauren já se levantando e indo em direção a moça que estava sentada de costas para nos, porque sinto que não é ela. – Lauren não é ela! –mas antes que pudesse dizer algo ela já estava abraçando a moça.
–Ah, desculpe lhe conheço? –ela disse se saindo do abraço de Lauren, com a mesma facilidade do que entrou e se afastou, aquela voz, e o sotaque londrino era perceptível, só podia ser ela.
–Fala sério Meredith, não tem graça somos nos, Lauren e Debora, suas amigas! – Lauren falava em vão, a moça estava de saia justa preta, com uma blusa folgada roxa que a caia como uma luva, e sapatos de salto alto da mesma cor de sua saia, e olhava para ela com uma indiferença que me dava náuseas. Afinal em Miame não fazia tão frio como na Suíça, sabíamos como ninguém o quanto a Mega detestava frio, por isso seria nosso lugar perfeito, até o pai dela manda-la voltar.
–Não é ela Lauren, você tá se confundindo, vamos... desculpe! –disse já a tirando de lá, quando escuto a sua voz por trás de nos.
–Debora... agora seu nome é Debora? Que nomezinho mais sem graça e ridículo! –disse ela, me fazendo vira para olha-la.
–Como assim? Seu nome não é Debora? –disse Lauren perdida.
–Ela é louca, nunca à vir. Ah Lauren presta bem atenção você vai pensar que se confundiu e que não passou de um engano e não vai lembrar desse pequeno incidente e agora toma e pague nossas bebidas! –e ela se foi, detestava ter que influencia-la sem o menor respeito, mais era preciso, podia ser perigoso para ela, e encarei a loura na minha frente. –Elena, há quanto tempo!
–Vejo que não se esqueceu de mim Sam! E também percebi que você continua afiada! –ela fez menção de me abraçar, mas me recuei. E deu uma gargalhada, sem parecer atingida pela minha recusa.
–Meu nome é Debora, não sou mais a Samantha! E graças a você tive que sacrificar tudo! Não esquece disso, e não uso mais magia, como disse sacrifiquei tudo!
–Ai sem dramas ok? Mas não foi isso que vi Sam! Bom, porque aquela garota me confundiu sabe se lá com quem, ou melhor, quem é essa tal de Mega? –ela disse se sentando novamente, eu me mantive em pé a encarando e ela prosseguiu : -Onde estar os outros? Onde estar o Rafael? –dando ênfase no último nome.
–Você sabe, mas pensei que nunca iria te ver, você fez coisas que nunca imaginei que faria, como você pode! E não me chame de Sam! É Debora! Ver se aprende!
–Ai Denise, é esse o seu nome agora né? Foi preciso! Eu aprendi depois que voltei do inferno que a vida é curta, e você ainda não me respondeu! –ela diz cerrando os olhos me encarando com uma frieza que arrepiava da cabeça aos pés.
–É Debora, e não Denise, e eu não vou ficar batendo a minha cabeça contigo... e descubra você mesma, afinal você é a Elena! –disse de forma ríspida.
–Tudo bem, não quero discutir com você, mas escute com atenção o que vou te dizer, diga ao Rafael que vou encontra-lo, ele pode se esconder onde quiser, até no Inferno, já conheço mesmo o caminho e pode tentar proteger essa garota sua traidora, mas pensa comigo –ela fez uma pausa e se levantou e se aproximou de mim, mas antes jogou um pequeno bolo em cima da mesa pagando sua conta, ficou bem perto da lateral do meu corpo e disse com aquela voz que antes daria tudo para escutar mas hoje me assusta só de pensar e continuou de forma fria: -Se eu acabei com a vida da Julieta com uma facilidade sem igual, pense o que posso fazer com ela, diga a ele que só quero o que foi de mim tirado, se não arranco dele o que é mais precioso, porque essa Mega jamais será eu, isso eu mesmo vou garantir! –e saiu andando, deixando apenas o leve perfume no ar. Caramba ela sabia da Meredith, perfeito, só essa pra fechar minha tarde, saquei meu celular e disquei o primeiro número da lista de emergência: -Guilherme os boatos eram verdadeiros, ela estar viva e quer vingança, estou voltando!
POV MEGA
–Onde estou? E quem são vocês? –disse me levantando lentamente, mas minha cabeça ainda tava doendo, porque eu tou sentindo gosto de água ardente e sangue na boca?
–Eu sou o Frederico, ou simplesmente Fred! Prazer! –ele disse beijando de leve a minha mão e eu dei um pequeno sorriso, eu o conhecia de algum lugar só não lembrava de onde!
–Eu sou a Mega! Bom onde estou? Eu te conheço de onde?
–De lugar nenhum Mega! –disse Jake entrando sem a menor educação, e percebi que o outro rapaz estava no celular, só que não conseguia ouvir direito o que dizia.
–Não fala com ela assim! –disse Fred colocando a mão sobre o seu ombro, fazendo o Jake se desviar dele.
–Olha Fred não se mete ok? Ela é assunto meu! –disse já se colocando na frente dele cerrando os punhos.
–Engraçado porque quando você não consegue algo lembra da gente né? –ele andou em minha direção e disse se colocando ao meu lado, e colocando a mão em minha cintura. –Que tal contarmos para a princesinha aqui quem ela é? Você não gostaria de saber onde você tá Mega? –agora ele olhava para mim, eu só assentir com a cabeça, claro que gostaria de saber onde tava, e porque estava fugindo, e porque não estou em casa.
–Ótimo, eu vou contar...
–Você não se atreveria! –disse Jake o cortando.
–Chega os dois! –disse o rapaz que estava na sacada falando ao celular. –Tenho que falar com os dois, e não tou afim de rever esse filme de novo!
Os três saíram me deixando sozinha de novo.
–Ei, e eu? –só conseguir dizer vendo a porta se fechando atrás deles.
POV JAKE
–O que foi Guilherme? –disse Fred se jogando no sofá vermelho que estava decorando a grandiosa sala, da casa que um dia fui tão feliz, mas hoje só ficou na lembrança.
–Era a Sam ou Debora! Nem sei como chamar minha mulher e você como devo chamar de Rafael ou Jake?! –disse Guilherme fechando a cara.
–Jake é muita informação para ela processar! Ela ainda tá meia tonta com tudo isso! Mas o que a Sam queria? –disse me sentando na poltrona.
–Boa coisa que não é né? –disse Fred fitando o teto. –Sempre que elas apareciam, nos traziam alegria, mas também problemas! –disse dando um leve sorriso.
–A Elena tá viva! E ela mandou um recado, quer de volta... mas o que ela quer de voltar Rafael? –disse Guilherme me fitando.
–Você tem certeza disso? –disse perdendo o chão, não podia ser, Elena estava morta e eu mesmo a enterrei, se assim pode dizer, embora tenha tentado diversas loucuras para traze-la de volta, até tabus eu quebrei, como a troca equivalente, mas nada funcionou.
–Essa é a pergunta que não quer calar, o que ela quer de volta responde Jake! –disse Fred se levantando.
–Eu não faço a mínima ideia! Mas sei quem pode nos dizer! –disse subindo as escadas, praticamente correndo e entrei como uma bala no quarto dela. –Mega o que sua mãe te deixou antes de morrer?
–Oi Jake, eu estou bem obrigada por perguntar! E você? –ela disse fechando os olhos novamente e apertando as têmporas.
–Não se faça de engraçadinha, me responde! –disse praticamente gritando com ela, e sinto um leve aperto no meu braço.
–Mega sei que nós não nos conhecemos direito, mas é importante que você diga para nós! –disse Fred de forma calma se sentando em sua cama, aquilo parecia um flashblack da época da Elena.
–Meredith se levanta que vamos embora agora! –disse uma voz grave por trás de nós.
–Papai! –ela deu um pulo da cama. –O que você tá fazendo aqui?
–Eu que te pergunto garota, você está em todos os jornais, você enlouqueceu? –dizia Otávio.
–Ah eu posso explicar, pera como você sabia que estávamos aqui? –disse me colocando entre ele e a Mega.
–Como se eu tivesse esquecido onde é o lugar que você pede socorro quando não dá conta do recado, não é mesmo? –ele disse de forma irônica.
–Você tá bem maninha? Porque você tá cheirando a água ardente? –disse Drew que agora que me dei conta estava abraçando ela, que inveja me dava de poder ficar assim com ela.
–Você embebedou minha filha seu patife? –vociferou Otávio em minha direção segurando a gola da minha camisa.
–Ou era isso ou ela morria simples assim! –dei um sorriso de canto e ele me soltou. –Quero conversar com vocês agora! –e sai andando, cada um veio atrás de mim.
–Depois conversamos Meredith! –e por fim Otávio saiu fechando a porta e me seguindo.
Já estávamos voltando para a sala, quando me lembrei.
–Melhor conversar no escritório! –disse me direcionando para lá, chegamos a porta era de cedro, tudo com decoração antiga, por dentro existia cortinas de vermelho sangue nas imensas janelas de vidro que davam direto ao jardim de rosas brancas, como sempre morou muita gente em casa, sempre deixávamos, ou melhor, Elena preocupou-se em deixar tudo bem confortável, quando ela era ainda ela.
–O que? Você quer bancar o grande Rafael Alcântara novamente, você não passa de um pirralho de mais de quinhentos anos, mas continua o mesmo cara que vivia em uma realidade sua, de todos eu fui o único que cresceu de nós! –dizia Otávio irado, mas não tirava a razão dele.
–A Elena tá viva! –disse por fim.
–Como é que é? –disse Drew como um sussurro.
–Isso mesmo Drew, ela tá devolta e quer o que foi tirado, mas eu não sei o que ela tá reclamando! –disse sentando na minha cadeira.
–Primeiro ela levou a minha Julieta e agora quer minha filha! Olha aqui Jake, eu não vou perder a minha filha, eu já a mandei pra um internato no fim do mundo, fiquei longe dela, tive que mandar o Drew pra ficar com ela, meus dois filhos longe você não sabe o que é isso porque nunca teve um filho! Desculpa não deveria dizer esse final –ele disse assumindo uma expressão triste por mim.
–Tudo bem! Mas eu também não vou deixa-la fazer nada contra a Meredith! Isso eu garanto! Mas meu amigo porque a Julieta e a Meredith são tão parecidas? Se não são mãe e filha? –disse com ar curioso, os demais estavam calados.
–Bom, a Meredith é filha da Julieta e minha! –disse Otávio por fim.
–Como é que é pai? –disse de forma controlada e doce mais precisa, era a Mega.
Fale com o autor