Tudo Para Não Te Perder.
8 O jogo
Notas iniciais
Por essa felicidade esse capítulo começa as tretas, huh ~
Eu estava correndo na pista do parque quando sem querer, é, não foi, resolvi olhar pro bosque e vi Tony, sentado na pedra, olhando pra baixo. Novamente me arranhei toda passando entre aquele tanto de galho.
- Tony? — falei, sem ter resposta,
Quando cheguei perto dele, peguei seu queixo, levantei seu rosto e me deparei com lágrimas, muitas lágrimas. Parecia que ele estava ali, chorando a tarde inteira, talvez desde de manhã já que não o vi na escola hoje.
— Garu. — um pequeno sorriso surgiu em seu rosto, junto com uma expressão de alívio.
- O que que houve? — perguntei, puxando-o para um forte abraço.
E ele começou a chorar, mais do que já estava chorando. Eu já não sabia diferenciar meu suor de suas lágrimas. Vê-lo assim doeu meu coração.
Puxei seu braço e comecei a arrastá-lo pelo bosque. Ele escondia seu rosto vermelho no meu ombro, enquanto eu o levava para o Kai's ( que é um bar 24h que eu costumo frequentar nas noites sem dormir)
— Pra onde está me levando, Garu? — Tony finalmente disse.
— Fique tranquilo, sabe que não faço coisa ruim.
Ele continuou em silêncio. Chegando lá, pedi uma porção da madrugada dupla (chamo ela assim por comê-la toda madruhada que venho aqui). Vi que Tony estava me olhando.
— O que foi? — senti meu rosto corar.
— Estou esperando você perguntar o porque eu estava chorando. Ou espalhar pra escola inteira que Tony Willers vai pro bosque chorar. Ou — coloquei a mão no seu ombro, fazendo-o calar.
— Se você não quer contar, não conte. E eu não sou a Carol. Não estou nem aí se você chora ou não, não vou espalhar. — disse, dando um gole no meu suco de laranja que Zak ( o garçom do Kai's) trouxe. Tempos depois o vi trazendo a bandeja com a porção da madrugada. A linda porção da madrugada.
— Isso. — eu disse, apontando pra bandeja nas mãos de Zak — Cura qualquer doença, cura qualquer tristeza.
- Cupcakes?! — Tony soltou um sorriso.
— Experiência própria. — eu disse, dando uma mordida em um. — Chocolate desestressa.
Ele mordeu. E nós começamos a conversar, ignorando o motivo pelo qual estávamos ali. Ele chegou a me contar o porque estava chorando. Problemas com os pais que só queriam que ele estudasse e decidisse em qual faculdade cursaria ano que vem e a Carol, que só falava dele ganhar o tal jogo. Bom, eu não estava nem aí do porque ele estava chorando. Nós contamos tantos assuntos legais, ridículos, infantis. Acabou que saímos quase 1h da manhã de lá.
- Até amanhã. — eu disse, abrindo a porta de casa.
- Você vai no jogo? — ele perguntou.
— Jogo? — Perguntei e ele sorriu.
— Você é a única do mundo que não sabe tudo da minha vida. — ele disse, parecendo feliz com isso — Meu jogo amanhã.
Lembrei dele falando da Carol.
— Ah, seu jogo. Claro que vou.
Então, Tony me abraçou, Ouvi um "obrigado" entre o forte abraço que ganhei. Entrei em casa exausta, entrei no meu quarto e desmoronei na minha cama.
---------------------------------------
Antes mesmo de abrir os olhos, pensei na noite passada com Tony no Kai's.
[ flashback on]
Tony acabara de dar uma mordida no seu terceiro cupcake, Comecei a rir, porque ele conseguiu sujar seu nariz com chantilly. Peguei um guardanapo e limpei.
— Tony, você é um crianção. — falei, depois dei um gole no meu segundo copo de suco.
— Desculpa. — ele fez biquinho — Sabe, a Carol nunca fez isso comigo. Me trazer num bar, só pra me fazer sentir melhor, eu digo. — me surpreendi por ele estar falando dela — Ela me levaria ao shopping, e isso me estressaria mais ainda.
— Eu sempre faço isso quando estou mau. Sabia que você isa melhorar. Eu só faço coisa boa, não é? — olhei pra ele, que sorriu.
— Como passar o dia boiando numa piscina?
— Exato!
O silêncio voltou.
— Eu vou dar um jeito. — ouvi Tony murmurar.
— O que?!
Ele me olhou.
— Eu só estava pensando alto. — disse.
----------------------------------------------
- Me arrependi de deixar você ver que eu matava aula quase todos os dias. — ouvi uma voz familiar vindo da porta do meu quarto. Automaticamente sorri, abri os olhos e corri pra abraçá-lo.
- LOUIS! AI MEU DEUS QUE SAUDADE!
- Matando aula, senhora Garutty? — ele disse, apertando ainda mais o abraço.
— Não foi minha intenção.
Passamos a manhã inteira conversando. Louis disse que veio nos visitar porque estava com saudades (faziam quase 6 meses que não o vimos) e para conhecer a casa nova. Passamos a tarde boiando na piscina conversando, contando as novidades e depois levei-o pra caminhar no parque comigo.
Tony estava andando na pista de skate quando passamos por lá.
— Tony. Daqui algumas horas você vai estar num jogo, devia tomar cuidado nessa pista. — eu disse.
Aí eu vi que o olhar dele estava direto nas mãos minha e de Louis, que estavam entrelaçadas. Tony estava tenso?!
— Ah. Esse é o Louis, Tony. Meu irmão mais velho. — Vi o alivio percorrendo o corpo dele. Eles se cumprimentaram.
- Vocês tem cara de que se dão bem. — Tony disse, ainda olhando pras nossas mãos, dessa vez rindo.
— Não. — eu disse.
-Não mesmo. — Louis completou — Essa tapada já me fez perder muitos jogos de futebol pra levá-la na biblioteca,
— Não me culpe! — eu disse — Culpe nossos pais por não levantarem a bunda da cadeira e me levarem! E não se preocupe, a Lou faz comigo tudo que eu fiz com você.
Louis riu.
— HÁ! POR ISSO QUE EU ADORO A LOU!
Tony ria da cena.
— Tony joga futebol, Louis. [*futebol ametricano pra gente. O futebol de verdade deles na verdade é soccer çsldkgjsçflhkjsfçlkj q *]
— Verdade? — Louis apertou a mão de Tony. — Você ganhou mais um fã.
Tony sorriu.
— Assiste meu jogo hoje.
— Pode deixar!
E pela primeira vez, desde que vi Tony nessa pista de skate, eu não queria saber dele. Foi como se a chegada de Louis abrisse minha mente e me mostrasse que eu nunca teria Tony. Eu queria aproveitar meu irmão, e não estava aí pra ele.
— Eu vou mostrar o resto da cidade pro Louis, Tony. Toma cuidado nessa pista.
— Eu não dou a mínima. — Ele respondeu.
Não entendi. Também não queria entender. Eu queria curtir meu irmão.
-------------------------------------------------
— Deixa eu registrar isso. — Louis disse, tirando o celular do bolso e tirando uma foto nossa.
— Registrar o que?!
— Você saindo de casa, sem ser pra ir na biblioteca. Saindo pra ver um jogo de futebol, pra assistir o namoradinho!
— Pra sua informação, Tony tem namorada.
Louis olhou pra mim tão desapontado quanto eu quando falo isso. Estávamos a caminho do campo de futebol da cidade, para assistir Tony.
Chegando lá, o vi na área do time, sentado com Carol de um lado e Jack do outro. Quando me viu, abriu um enorme sorriso, que eu tive que retribuir. Haviam líderes de torcida dançando por todo o campo, e saíram quando o jogo começou.
Carol passou o jogo inteiro conversando com alguém no celular. Não parecia dar a mínima pras jogadas e armadas espetaculares que Tony fazia. Ela só desligou o celular quando estava no ultimo minuto do jogo, e a bola estava na mão de Tony.
Tanto ele quanto o treinador olhavam para todos os lados, procurando alguém. E então aconteceu aquilo. Eu congelei dos pés a cabeça e prendi minha respiração. E dali pra frente, o mundo ficou em câmera lenta. O desespero tomou meu corpo.
Fale com o autor