Tudo Novo de Novo

3 Capítulo 3 - Ciúmes


Notas iniciais
Olá pessoas bonitas!! OMG, cinco pessoas estão acompanhando?? São cinco pessoas a mais do que eu pensei que iriam ler!!! Hahaha... Muito obrigada!!!! Vou fazer o possível para não desapontar ;) Como foi sugerido ( e eu concordo plenamente) vou colocar a lista das músicas aqui, e só informar onde elas vão na história, assim vocês podem abrir todas e só ir dando play ao longo da fic. Mais dinâmico né?? 1 - Brincando de Velho Oeste - Tim Rescala 2 - La Llorona - Devotchka 3 - The Oblivion - Devotchka 4 - I Cried Like a Silly Boy - Devotchka 5 - How it Ends - Devotchka 6 - Crônica da Cidade - Tim Rescala Bom, só me resta dizer, boa leitura!!

[Brincando de Velho Oeste — Tim Rescala]

A tarde caía em Santa Fé. A chuva já havia cessado, e agora o céu tinha um tom alaranjado. Uma leve brisa soprava, espalhando o cheiro da terra molhada.

Na fazenda do Coronel Epaminondas, um menino brincava no trigal. Ia de um lado para o outro, pulando, dando cambalhotas, correndo. Ao se aproximar do casarão andou mais devagar, tentando não fazer barulho. Deu a volta pela frente, até o lado esquerdo da casa, onde ele sabia que teria uma árvore grande. E, de fato, lá estava. Começou a subi-la, apoiando as mãos e os pés nos galhos já conhecidos. Ao chegar ao topo, à sua frente, a janela, razão pela subida, estava fechada. Bateu no vidro algumas vezes. Ouviu passos vindos do lado de dentro. A janela se abriu e uma garotinha apareceu.
– Oi, Lepe! — exclamou a menina.
– Oi, Pituca — respondeu o garoto na árvore.
– Entra — ela convidou. Ele fez uma cara duvidosa — Pode vir, o pai foi pra vila.

Essas poucas palavras foram suficientes para convencer o garoto. Ele apoiou as mãos no batente da janela e, com um pulo, entrou no quarto. Ele já estava acostumado com as paredes rosas, a cama de princesa e os enfeites dourados, mas sempre gostava de dar uma olhada na grande casa de bonecas que Pituca tinha, tão grande, que parecia uma maquete da própria casa da garota.
– Discurpa não ter ido te ver hoje, Lepe — ela começou, fechando a janela — A Mão não deixou ieu sair por causa da chuva.
– Ieu imaginei. Por isso ieu vim aqui te ver! I ieu também vim te pedir um favor...
– Pois pode pedir.
– Ieu queria pedir um livro emprestado — ela olhou para ele com uma cara de brava. Da última vez que Pituca o emprestara seus livros, eles mal se falaram — Carma! Dessa vez é pro Zelão — disse ele, depressa.
– Ele já tá lendo?
– Mais ou menos. Ainda não tá lendo de carreirinha, mas tá indo bem. Se ele pegar um livro, ele pode aprender mais rápido.
– Ocê tá certo. Pode pegar um alí da estante — ela apontou para o outro lado do quarto.

Lepe foi até o local indicado. Eram três prateleiras com vários livros, a maioria infantis, mas alguns Nando tinha dado a ela para ler quando ficasse maior. O garoto não demorou muito para char seu livro favorito: Peter Pan. Sabia que Zelão também gostaria.

Ele retirou o livro e mostrou a escolha para a amiga, que aprovou com um aceno de cabeça. Ele o colocou na escrivaninha perto da janela, para não esquecer.

Os dois sentaram no chão e começaram a brincar com uma bola colorida, de feltro. Pituca disse que Ferdinando não queria mais ser prefeito das Antas. Ele ainda não tinha conversado com o pai, mas de certo, este ficaria furioso.
– Ieu acho que o Nando ia dar um bão prefeito.
– Ieu também.
– A mãe fala que ele tem de tudo pra ser eleito. Mas ieu acho que se ele num quinzé, vai ser inté mió.
– Mió porque?
– Porque ele pode ficá em casa comigo. Urtimamente ele só liga pra essas coisa de política. Campanha de educação, saúde...
– Ara Pituca, ieu esqueci de te contar. A mãe Benta vai trabaiá no posto, junto com o Doutô Renato.
– É mermo?
– É.
– Ieu pensei que ela não gostasse muito dele...
– Bão, isso eu já num sei. A perfessorinha foi lá em casa outro dia e perguntou pra mãe se ela num queria trabaiá la no posto, e ela aceitou... Vai ver ela gosta dele um cadinho.
– É, vai ver.
– Pituca, ocê já pegou... Lepe! — disse Catarina, subindo as escadas, se animando ao ver o pequeno.

Ela usava uma peruca branca e um vestido marrom, com várias flores. Os adornos característicos, pulseiras, brincos e colar, eram das mesmas cores. Ela foi para perto de Lepe e deu um grande abraço e vários beijos. Ela adorava aquele menino.
– Ieu não sabia que ocê tava por cá, meu querido!
– Ele chegou agora pouco, mãe.
– I porquê ocês dois não vão brincar la embaixo, que tá mais fresquinho? — ela perguntou, sorridente e com o tique dos dedos — Apruveita enquanto seu pai não tá aí — disse para a filha.
– É verdade. Vamo Lepe! — ela pegou no braço dele com uma mão, e a bolinha com a outra. Levantaram e desceram as escadas correndo.
– Enquanto ocês brinca, ieu vou pedir pra Amância fazer um lanche bem gostoso — disse, seguindo os dois, a passos mais lentos — AMÂNCIAAA!!

*

[La Llorona — Devotchka]


– Gina, dá pra parar? Eu já estou ficando tonta! — pedia Juliana, sentada na cama, achando graça da impaciência da amiga.
– Ieu não consigo, Juliana — ela respondeu, brava, com as mãos na cintura, andando de um lado a outro no quarto — Tô irritada!

Já faziam 3 horas que Aisha e Ferdinando haviam ido para a Cidade das Antas. Desde então, Gina foi para seu quarto, acompanhada de Juliana. Ela estava nervosa pelo comportamento da recém-chegada que, mesmo conhecendo Ferdinando a alguns anos, demonstrou muita intimidade, o que para Gina era um absurdo (mesmo com os protestos de Juliana).

No quarto, a professora estava sentada na cama, preparando a aula do dia seguinte. A outra estava inquieta, andando de um lado para o outro, por entre as camas, indo até a janela e voltando.
– Gina, pela última vez: o Ferdinando é um moço desimpedido, que faz o quer quer. Se não gosta dele, como diz, porque está tão impaciente?

Ela simplesmente deu um grunhido. Finalmente, deitou-se na cama e ficou encarando o teto, balançando a ponta dos pés.

Por alguns minutos as duas ficaram em silêncio, até Juliana se pronunciar:
– Gina — ela começou, meio sem jeito — posso te contar um segredo?
– Craro — respondeu a outra.
– Mas você tem que prometer que não vai falar pra ninguém!
– Fala de uma vez, Juliana!
– Eu acho que eu estou gostando do Zelão. De verdade — disse ela, com um sorriso bobo e os olhos brilhantes.
– Do Zelão?! — perguntou, atônita. Ela e o capanga nunca haviam se dado bem, mais um motivo para seu espanto.

Juliana apenas concordou com a cabeça, ainda sorrindo, e começou a contar o que acontecera mais cedo naquele dia.

...

[The Oblivion — Devotchka]

A aula havia acabado e todas as crianças já tinham ido embora. Após organizar algumas coisas e pegar alguns livros e cadernos, ela saiu e trancou a porta da escola. Fez o caminho diário em direção à casa dos Falcão, mas, ao virar no bosque, se deparou com uma figura não tão incomum.

Ele estava lá. Na verdade, quase sempre, ele estava lá. Com as vestes vermelhas e os olhos negros penetrantes, a postura bruta e os braços largos, Zelão.
– Zelão! — ela disse, com um saltinho — Você me assustou — não sabia porque, mas não importava quantas vezes o visse, ela sempre se assustaria com aquele homem que se mostrava tão imponente.
– Discurpa, ieu num queria assusta a s'óra, dona Juliana — disse ele, com a voz grave.
– Eu já disse pra me chamar só de Juliana...
– Mas é que é questão de respeito.
– Pois você já me respeita o suficiente para que eu lhe tenha confiança.
– Juliana... Juliana... — ele começou a dizer, mais para si mesmo do que para a moça à sua frente.
– Isso... É assim que eu quero te ouvir.
– É engraçado...
– O que?
– É que só Juliana, é mais doce.
– Ai Zelão, lá vem você com as suas histórias! — ela disse, ficando envergonhada, do mesmo modo que ficava todas as vezes que ele dizia aquelas coisas para ela.
– Mas é que ieu lhe quero bem demais!
– Zelão... Eu já lhe falei que ainda não tenho certeza do que estou sentindo — disse ela, desviando o olhar.
– Ieu sei... Ieu só vim pra acompanhar a s'óra... Acompanhar ocê — Ele corrigiu — Mas se ocê quinzer, eu posso ir embora.
– Não! — ela disse. Podia não saber o que sentia, mas ela apreciava muito a companhia dele — Você pode me acompanhar. Mas, por favor, não falemos mais sobre isso, sim?

Ele concordou. Sabia que aquela seria a melhor opção, afinal, ele não queria brigar com a professora.

Zelão se aproximou de Juliana, dando a volta por trás dela, se posicionando ao lado esquerdo. Ele estendeu o braço, ao qual ela singelamente, colocou a mão, segurando nele.

"Tão forte", ela pensou.

"Tão delicada", ele pensou.

E assim, juntos, foram andando pelo bosque, por entre as árvores, até a fazenda Falcão. O toque da professora em seu braço fazia o coração de Zelão bater cada vez mais rápido.

Por todo o caminho não voltaram a falar daquele assunto. Zelão perguntou como iam as aulas, ao que ela respondeu com grande entusiasmo, agradecida pela pergunta. Em retribuição, Juliana perguntou como iam as coisas na casa do outro. Ele contou que a mãe havia aceitada trabalhar no posto do doutor Renato. Seus olhos se encontraram. Eles sabiam qual seria o próximo assunto. Decidiram ficar quietos.

Por fim, chegaram em frente a fazenda.
– Obrigada pela companha, Zelão.
– Pois eu que agradeço pela s'óra... Por ocê deixar eu lhe acompanhar.

Ela riu da confusão dele.
– Você não tem que me agradecer.
– Ocê sabe que, sempre que ieu lhe acompanhar, o meu dia fica mais bonito... — ela adorava ouvi-lo falando daquele modo — Se a s'óra... Ocê deixasse, ieu lhe acompanhava todos os dias — ele disse, com os olhos marcantes nos dela.
– Zelão... — ela começou, mas não haviam argumentos.Ela estava sem fala. Ninguém nunca havia dito as coisas que ele dizia, para ela.
– Ieu sei que ocê num quer ouvir essas minha besteirage — ele disse sorrindo.
– Não diga isso — ela disse, num sussurro.
– Por isso ieu vô deixar... Ocê em paz — ele pegou a mão dela e beijou-a carinhosamente, deixando a professora sem fôlego, e virou-se para ir embora.
– Zelão! — ela colocou a mão no ombro dele, e fez um movimento para que a olhasse — Você... Poderia me acompanhar amanha, do novo? — pediu.

Os olhos dele brilhavam. Se ele morresse naquele instante, seria de pura alegria (e amor).
– É craro! — ele respondeu, sorrindo.
– Pois bem então, até amanhã — ela se despediu.
– Inté — disse, apaixonado, observando Juliana entrar.

...


– Juliana e Zelão — ironizava Gina, com os dedos, fazendo-os se encontrar, imitando um beijo.
– Para, Gina! — ria Juliana, jogando uma almofada na outra.

E ficaram assim, rindo, como duas garotinhas.
– Juliana... E o Renato?
– Que que tem ele?
– Ara... Ocês era namorado. Ocê num sente mais nada por ele?
– Ah Gina, eu gosto dele, mas só como um bom amigo.
– E... Ocê pretende falar isso pro Zelão?
– Ainda não. Eu quero ter certeza do que estou sentindo primeiro.
– Certeza?! Mas ocê ainda tem dúvida?
– Tenho! Eu adoro as coisas que o Zelão me diz, tão sincero... Mas eu não sei se sinto o mesmo que ele diz sentir por mim!

Neste momento as duas se calaram, ao ouvir um par de vozes conhecidas, vindas do andar de baixo.

*

[I Cried Like a Silly Boy]


– Tem certeza de que não precisa ajuda? — perguntou Ferdinando, abrindo a porta da casa para a amiga.
– Já disse que não, Nando — respondeu ela, carregando uma caixa, aparentemente pesada, e algumas sacolas. Esse era o jeito dela, Aisha gostava de fazer as coisas sozinha.
– Não tem certeza, ou não quer ajuda? — ele brincou.

Ela lançou um olhar risonha para ele e foi para a sala, em direção à cozinha.
– Dona Tê! — Aisha cumprimentou — Era com a senhora mesmo que eu queria conversar. Poderia vir comigo por favor?
– Craro. Licença, viu, doutô Nando — disse a senhora, levantando do sofá e seguindo a garota.

Ferdinando ficou sozinho na sala, mas não por muito tempo. Alguém estava descendo as escadas, com passos fortes.
– Doutô Nando — disse Gina, irônica — Já num era sem tempo d'ocês vorta.

Ela estava de braços cruzados e o rosto emburrado. Não o encarava, apenas andava pela sala. Ferdinando estava conseguindo o que queria.
– Ara, Gina, a gente nem demorô tanto assim — disse ele, indo para onde a ruiva estava — Fomos em argumas lojas, na sorveteria, e despois demos uma vorta na praça — ele provocou.
– Ocês foro na sorveteria? — ela perguntou, chateada.
– Fomo — ele se aproximou mais — Eu disse procê ir com a gente...
– Pois ieu tinha muito trabáio pra fazer — ela voltou ao tom marrento, andando para longe do engenheiro — E pouco me importa onde ocês foro — disse, dando de ombros.

Mas ela se importava. Muito. Ela tinha ido várias vezes naquela sorveteria com ele, quando o acompanhava nos deveres de futuro candidato. Não queria dividir com ninguém, muito menos com Aisha.
– E afinar — ela virou-se para ele — O que ocê ainda tá fazendo aqui?

Ele riu. Abaixou os olhos por um momento para voltar a encará-la.
– Ieu preciso falar com o seu pai...
– Ele tá na roça, com o Vira — ela virou de costas para ele, de novo.
– Intão ieu vou ser obrigado a esperar ele vortá — e sentou-se na poltrona.
– Qué que ieu chame a Aisha pra fazer companhia procê? — disse, com a voz ainda mais ríspida.
– Ara, Gina, que tom é esse? — ele se levantou, e andou até ela, com um sorriso no canto direito dos lábios — Inté parece que ocê tá com... Ciúme — ele disse próximo a orelha da garota, o que fez os pelos da nuca dela se eriçarem.

E, de fato, ela estava. E estava ainda mais brava por ele provocá-la. Mas ela não ia ceder. Nunca admitiria.
– Hahaha — ela riu, irônica — Ieu, com ciúme d'ocê? — ela deu a volta e ficou atrás dele, sussurrando em seu ouvido — Ieu não tenho ciúme de frangote — e andou até a pilastra perto da escada.

Ela também sabia como provocar. Sabia muito bem.
– Giiina... Ieu já disse procê não me chamar assim, menininha — ele alertou, com a voz rouca, começando a ficar irritado pela prepotência dela.
– E não é isso que ocê é? A Juliana me contou que ocê que desistir da candidatura a prefeito das Anta — ele se aproximava dela devagar a cada palavra que ela dizia — Se isso não é ser covarde, intão ieu num sei o que é!
– Tem muita coisa por trás disso que ocê não entenderia — disse, sério, bem perto da garota — E para de me chamar assim...
– Se não o que?

[ How it Ends — Devotchka]

Ele colocou as mãos na pilastra, uma de cada lado do corpo dela, encurralando-a. Ela, ligeiramente assutada pelo movimento abrupto do engenheiro, abriu mais os olhos. Nando adorava vê-la sem reação. Ele aproximou o rosto do dela:
– Parece que ocê se esqueceu do que aconteceu da última vez...
– Ocê num é nem beste de tentar fazer aquilo de novo. E se fizer, eu lhe meto a piaba! — disse ela, levantando os punhos cerrados.
– Ieu não vou fazer nada Gina, só se ocê me provocar — disse malicioso.
– Ah, é? — ela aceitou o desafio — ... Frangote... — disse, num sussurro, entre dentes, com o queixo erguido.

Ele sorriu. Conseguiu o que queria.
– Ocê que pediu, menininha...

Ele desceu uma das mãos até a cintura delicada dela, e a outra apoiou no rosto suave. Para uma moça tão bruta e marrenta, ela tinha o corpo tão delicado quanto o de uma boneca.

Os lábios deles se encontraram, as línguas se entrelaçaram nos movimentos já conhecidos.

O perfume dos dois se misturava. Os dedos dele se embrenhavam na selva de cachos que eram os cabelos de Gina. Adorava aqueles cabelos, aquele corpo, aquele gosto.

Ela também se perdia nas carícias do outro. Não sabia muito bem como agir, apenas correspondia de modo automático aos movimentos que ele fazia em sua boca. Ela levou suas mãos até o peito de Ferdinando. Ela não diria, mas gostava daquilo. Dele. Deles.

Mas era errado. A educação que ela havia recebido dizia que aquilo era um descaramento. Ela empurrou o engenheiro para trás, com as mãos. Os dois estavam sem fôlego.
– Fica longe d'eu, Ferdinando! — ela estava furiosa. Não sabia se com ele, por tê-la beijado, ou com ela mesma, por ter interrompido.
– Ara Gina, ieu avisei!
– Avisou?! Pois agora eu que vou lhe avisar uma coisa — ela dizia, apontando o dedo para ele — Ocê tente mais uma vez, que eu pego minha espingarda e te passo o fogo!

Ele não pensou duas vezes. Agarrou a ruiva pela cintura, roubando mais um beijo dela. Dessa vez, ele mesmo se desvencilhou da carícia. Olhou fundo nos olhos castanhos de Gina, ainda aturdida pelo que acontecera:
– Ieu nunca vou desistir d'ocê, menininha — ele disse, com um beijo casto na bochecha.

Ela não fez qualquer movimento. Ele, com um sorriso que ocupava a maior parte de seu rosto, pegou a cartola e saiu. Poderia falar com Pedro Falcão outro dia. Ele se sentia maravilhoso. Talvez, finalmente, estivesse domando aquela fera.

*

[Crônica da Cidade — Tim Rescala]

Serelepe já havia ido embora quando o Coronel Epaminondas chegou em casa.

Ferdinando também já estava lá, dando risadas com a madrasta e a irmã na mesa de jantar.
– Boa noite a todos — ele cumprimentou ao chegar.

Ele era sempre assim, sério. Apesar de nunca ter tido qualquer educação militar, todos o chamavam de "coronel", mais por seu comportamento rígido do que outra coisa.
– Boa noite, Epaminondas! — disse Catarina, fazendo as pulseiras tilintarem a cada tremelique dos dedos.
– Boa noite, meu pai — disse Ferdinando.

Aquele era o momento. O beijo de Gina havia dado coragem para ele finalmente conversar com o pai sobre a candidatura. Catarina, além de aprovar o beijo ligeiramente forçado ( eles não tinham segredos um com o outro), também aconselhava-o a falar logo com o coronel.
– Meu pai — Ferdinando chamou, levantando-se da mesa.
– Sim?
– Eu preciso falar com o senhor. Agora.
– Ora, pois intão vamo pro escritório.

Nando seguiu o pai, dando uma última troca de olhares com a madrasta.

Entrou na saleta e fechou a porta, respirando fundo. Epaminondas já estava sentado na cadeira imponente, com as mãos cruzadas sobre a mesa.
– Pois bem, Ferdinando. Qual é o assunto tão urgente que ocê tem pra me dizer?
– Ieu não vou mais me candidatar a prefeito das Antas — disse, sem rodeios, tentando parecer calmo, enquanto o coração batia descompassadamente.
– O que ocê disse? — perguntou ríspido, não acreditando nas palavras do filho.
– Isso mesmo que ocê ouviu, meu pai. Arrume outro candidato, porque ieu não vou me envolver mais com isso.

Notas finais
TRETA, TRETA!! Hahahaha Esse cap foi um pouco mais cute cute que os outros. Espero que eu tenha agradado aos fãs de Zeliana e Ginando!! Zeliana foi um pouco mais complicado, peguei uma das cenas que eu mais gostei da novela, e dei uma adaptada pequenininha.... Enfim!! Desculpa qualquer erro na digitação, meu pc deu uma bugada, então não dava pra corrigir direito... Enfim! Deu muita coisa errada aqui.. ahahhaa Quero agradecer a todos os comentários que eu recebi!! Eu ameei cada um deles, por favor, continuem!! Podem mandar comentários, dúvidas, críticas, sugestões, piadas de pontinhos, desafios sem resposta, questões de matemática...... Tá, questões de matemática também não.. Maaas deu pra entender!! Beijoos!! Até a próxima semana ;)