Tudo Novo de Novo

1 Capítulo 1 - A Carta


Notas iniciais
Olá, pessoas bonitas!! Eu sou a Marcella, e espero poder escrever uma história bem legal! Essa é minha primeira fic, então levem isso em consideração... Hehehehe

Bom, antes de mais nada, devo avisar que a fic vai começar quando o Viramundo vai morar na casa dos Falcão. A partir daí as coisas vão ser um tanto quanto diferentes. Claro, vou me basear na novela em alguns pontos.

Uma coisa diferente nessa fic, é que em alguns momentos vou colocar alguns nomes de músicas que gostaria que vocês ouvissem enquanto leêm. Claro, não é obrigatório, mas eu acho que fica mais completo!

Então chega de mimimi e vamos ao que interessa! Boa leitura!

[Such a Lovely Thing — Devotchka]

Era mais um dia comum em Santa Fé, mais precisamente na casa da família Falcão. Já faziam duas semanas que Viramundo fora acolhido por eles e estavam todos se dando muito bem ( a não ser por um certo engenheiro agrônomo, deveras enciumado).

Gina e Viramundo estavam na lida, como de costume. Entre cantorias e modas de viola, os dois faziam o trabalho duro de capinar e cuidar da terra, que a tempos atrás Ferdinando havia melhorado e preparado a futura safra do, até então, inimigo de seu pai, que hoje já haviam deixado as desavenças para trás.

Senhor Pedro Falcão acabara de chegar em casa para buscar algumas ferramentas que havia esquecido.
— Ara pai, mas já chegou? — perguntou surpresa dona Teresa, que não esperava ver o marido em casa tão cedo.
— Ah mãe, é que ieu me esqueci de pegar umas coisa pra levar pra roça — disse ele, sem tirar os olhos da estante de ferramentas.
— Bão, já que ocê tá aqui... — começou ela, andando para a sala e aumentando o voluma da voz, para o outro escutar — Acabô de chegar outra daquelas carta da capitar...
— Da capitar?! — questionou ele, indo para a sala.
— É, da capitar... Ocê tá fazendo amizade por aquelas bandas seu Pedro? — perguntou ela, descofiada, com um sorriso irônico nos lábios.
— Ara mãe, claro que não! — resmungou — Deve di ser a resposta que ieu tava esperando daquele pessoar de uns tempos atrás... — agora pegava a carta das mãos da esposa para ver o remetente.
— E eu posso saber o porquê de tanto mistério?
— Ainda não, mãe — ele sorriu — mas logo menos ocê vai saber.

Pedro, com a carta nas mãos, andou até o escritório e fechou a porta, lançando um último olhar à dona Tê, o qual ela não conseguiu decifrar. "Uma coisa é certeira", ela pensava de braços cruzados, "esse um tá me aprontando arguma".

*


— E o senhor Coronel já está sabendo desse seu plano? — Perguntou Catarina, com um sorriso duvidoso e os dedos tremelicantes.
— Claro que não! — respondia o enteado — Ele não precisa saber de cada decisão que eu tomo nessa vida! Já sou bem grandinho.
— Ah Nando... Ocê só diz isso porque ainda tá chateado por ele ter rasgado seu discurso...
— E estou mesmo! Mas este não é o único motivo, querida Catarina — começou Ferdinando, saindo do quarto em direção ao corredor — O Coronel Epaminondas deve aprender que nem sempre pode estar no controle. E além do mais, minha cara, este assunto não o diz respeito — e virou-se para a madrasta com o olhar malicioso.
— Não diz respeito? Como não Ferdinando? — perguntava, visivelmente alterada.
— Não diz, oras! Ele não tem nada a ver com isso! A única interessada aqui é a senhora! Por este motivo estou te contando, e sei que não vai sair abrindo a boca por aí, não é? — ele sabia ser duro quando necessário.
— Está certo, Nando. Tudo bem. Que seje como ocê quiser. Prometo que eu vou ficar quietinha — e beijou os dedos indicadores em forma de X, selando o juramento.

Ferdinando abriu o sorriso encantador que possuía, que muitos diziam parecer com o da mãe, e deu um grande beijo na bochecha da madrasta, que ficou levemente corada. Ele voltou para o quarto, pegou a casaca e a cartola e se despediu de Catarina, descendo as escadas.

Ao sair na varanda ficou parado por um tempo, com os olhos azuis perdidos no horizonte. Tudo estava dando certo. Havia apenas um problema que perturbava o engenheiro: como dizer ao pai que queria desistir da candidatura a prefeito da Cidade das Antas?

*

[We're Leaving — Devotchka]

— Bom dia, seu Giácomo!
— Boun giorno, Nandinho! — cumprimentava o italiano — Qui cosa trás o amico por cá?
— Venho pedir um favor. Será que eu poderia usar seu telefone? Preciso fazer uma ligação urgente para a capital — dizia o jovem, suplicante.
— Sí, sí. Ma i o seu telefono? — perguntou, desconfiado, com o sotaque italiano carregado.
— Quebrado — mentiu — Imagine que minha irmã Pituca estava brincando com ele outro dia e deixou cair... Pode imaginar o quanto meu pai ficou furioso — explicou, já discando.
— Bom... Fique o tempo qui precisare.

Nando apenas fez um sinal de agradecimento com a cabeça.

...

Ferdinando saía da venda do italiano ao mesmo tempo que via diversas crianças saindo da escola, anunciando o término da aula. A professora de cabelos rosa saiu logo atrás do último aluno e acenou sorridente para o amigo que a fitava.
— Nando!
— Juliana! — ele a via encantado, como na primeira vez, mas agora não mais atraído, apenas admirado. Eram bons amigos.
— Por essas bandas tão cedo? — ela perguntou. Ele sorriu.
— Vim fazer uma ligação na venda do seu Giácomo. Vi as crianças saindo e pensei que poderia te acompanhar — disse, estendendo o braço para a professora.
— Pois eu aceito — disse, entrelaçando o braço com o dele — E imagino que este não seja o único motivo de você querer me acompanhar... — perguntava, tentando puxar assunto, assim que começaram a pacata caminhada.
— Você sabe que n!ao.
— Então porque você parece tão triste?
— Ara Juliana, você sabe muito bem! Não gosto da presença daquele um naquela casa!
— Você se refere ao Vira...
— É claro que é o Viramundo! Quem mais seria? Ah, professorinha, só de pensar nele no quarto que era meu, cuidando da lavoura que eu plantei...
— Ficando ao lado da sua Gina — ela completou, encarando-o.
— Exato! Ai Juliana, não sei mais quanto tempo eu vou poder aguentar isso!
— Meu amigo, tenha calma — dizia, com a voz doce, acariciando o braço dele com a outra mão.
— Calma?! Com aquele um do lado dela o dia todo? Cantando, conversando... Argh!
— Sim, senhor Napolão! Calma. Você está se esquecendo, Nando, que o Vira já está apaixonado por uma certa italianinha...
— Pois é aí que você se engana, minha cara. A jovem Milita está começando a se interessar por um certo doutor que, todos os dias, vai almoçar e jantar com ela e o pai na venda.
— O Renato?! — ela perguntou, incrédula.
— O próprio. Juliana, você não conhece o Viramundo como eu. Ele é um galanteador!
— E você também! Nando, você esquece que foi o primeiro homem que deu esse tipo de atenção pra Gina, e tenho certeza que ela não vai se deixar levar por qualquer moda de viola. E depois, eu estou lá para arrumar as coisas.

Ele deu um sorriso de agradecimento. Realmente, Juliana tinha o dom de acalmar qualquer um com suas palavras.

*

[I Cried Like a Silly Boy — Devotchka]

— Ara que essa comida tá com um cheiro pra lá de bão! — dizia Gina, da sala, acompanhada de Viramundo, anunciando sua chegada.
— Tá mermo, dona Tê! — elogiava o hóspede.
— Pois então vão se lavar os dois que logo eu vou botar a mesa — respondia a mãe, agradecida pelos elogios.
— E cadê o pai, mãe? — perguntou a filha, que estava acostumada a chegar depois dele da roça.
— O seu pai veio pra casa buscar umas ferramentas e tinha uma carta pra ele. Pois ele pegou a carta e se trancou no escritório. Tá lá inté agora.
— Carta? Carta de quem? — perguntou Gina, cruzando os braços e amarrando a cara.
— Ieu não sei, fia. Só sei que veio lá da capitar.
— Da capitar?!
— É. Mas eu não sei mais nada além disso. E vão os dois se lavar que logo a dona Juliana chega pra almoçar.
— Pois a dona Juliana acabou de chegar! — dizia a própria professora, entrando na casa e deixando os livros que carregava sobre o sofá.

Logo atrás dela, Ferdinando apareceu, retirando a cartola em sinal de respeito.
— Olá, dona Tê! — cumprimentava o engenheiro.
— Dountô Nando! — respondia ela animada — O sinhô por cá?
— Sim. Tinha que tratar de alguns negócios na vila, e resolvi acompanhar a professora Juliana até em casa... Olá, Gina — disse ele, mudando o tom da voz e depositando os olhos azuis nos dela.
— Oi, Ferdinando — respondeu ela, ainda de braços cruzados, tentando não transparecer o quão nervosa ela ficava quando Nando a encarava.
— Bom dia, Viramundo — disse o engenheiro, agora seco.
— Dia — respondeu o outro, um pouco acanhado, com um leve aceno de cabeça.
— Nandinho! — ao ouvir a voz do rapaz, seu Pedro Falcão saiu do escritório, no qual havia passado a manhã inteira, e foi receber o rapaz.
— Senhor Pedro! — cumprimentou ele, com um abraço.
— Qué que ocê tá fazendo por cá?
— Só vim deixar a professora Juliana.
— Então ocê não vai ficar pro armoço? — perguntou Gina, com a voz claramente entristecida, deixando Juliana e dona Tê trocarem olhares e risinhos.
— Infelizmente não, minha cara — respondeu Ferdinando, com a voz doce e o olhar penetrante — Tenho que resolver algumas coisas com urgência. Mas agradeço o convite. Se ele se estender até amanhã, talvez eu aceite...
— Claro! — responderam as três mulheres em uníssono, deixando Viramundo um tanto sem jeito e Ferdinando extremamente bem por isso.
— Pois então amanhã eu venho! Até, Gina — disse ele, pegando na mão dela e depositando um leve beijo, ao que ela puxou e limpou as costas da mão nas calças emburrada. Ele riu — Até, dona Tê... Juliana — e repetiu o ato, desta vez sem repúdio das duas — Até, amigo Pedro — fez um aceno com a cabeça e saiu. Propositalmente não disse nada a Viramundo, que já estava se acostumando com o tratamento do engenheiro.
— E espero ter deixado claro pra aquele um como as coisas são! — pensava alto Ferdinando, enquanto tomava o caminho de casa, recolocando a cartola.

...
— Então ieu vou tomar meu banho — anunciou Gina, subindo as escadas.
— E eu te ajudo a colocar a mesa, dona Tê — prontificou Juliana, seguindo a outra para a cozinha, onde sabia que iriam comentar sobre a recente visita.
— Ô, mãe! Ocê pode vir aqui um bocadinho? — pedia Pedro, voltando a entrar no escritório.
— Claro... — respondeu a esposa, confusa. Fez um sinal para Juliana para que esta começasse a colocar a mesa.
— Fecha a porta — disse ele, sério. Ela o fez — Mãe, ieu preciso que ocê arrume aquele quarto perto da cozinha...

*

O dia seguinte em nada se parecia ao anterior. O céu estava cinza e chovia. Mas isso não impedia que Pedro, Gina e Viramundo fossem cuidar da roça. Todos na casa dos Falcão estavam de pé, incluindo a professora Juliana, que tinha que terminar de corrigir algumas atividades dos alunos antes de ir para o colégio. Às sete horas da manhã, estavam reunidos na mesa, tomando o café, sem muitas conversas.

...

[Clockwise Witness — Devotchka]

Na estação de Santa Fé o trem acabava de chegar, trazendo trabalhadores das Antas e viajantes que continuariam até a próxima parada.

Um desses viajantes desembarcou do trem. Vestia uma longa capa preta, que ia até seus pés, com um capuz, para proteger da chuva. Carregava duas malas, relativamente grandes, uma em cada mão, e andou para a Vila.

Os moradores que haviam acordado olhavam para a figura encapuzada com certo receio, uma vez que não era possível ver seu rosto. Mas esta não se intimidava, e continuou seu caminho.

Andou, não por muito tempo, até encontrar a fazenda que procurava. Subiu as escadas, colocou as malas no chão e bateu na porta.

...

*TOC TOC TOC*
— Chegou, mãe! — disse Pedro, levantando da mesa e tirando algumas migalhas da barba.
— Chegou o que? — perguntou Gina.
— É quem, fia. A gente vai ter mais uma pessoa morando aqui — explicou o pai, andando até a porta.
— Ara que essa casa já tá parecendo uma pensão! — reclamou a filha.

Seu Pedro arrumou a camisa levemente amassada e abriu a porta, se deparando com a figura de preto. Ela levou as mãos até a frente do rosto escondido e puxou o capuz para trás, revelando um rosto de moça adorável, com longos cabelos azuis.

Notas finais
É isso pessoal!! Espero que tenham gostado. Logo menos vamos descobrir quem é essa tal hospede!!

Vou fazer o possível para manter uma escrita regular, de um cap por semana. Claro, enquanto eu estou de férias é mais fácil, mas não sei como vai ser quando começar a faculdade. A coisa da inspiração também ajuda... Enfim! Prometo não abandonar!! Mas, não reparem se eu demorar um cadinho para postar. ;)

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