Tudo Novo De Novo

12 You'll never change what's been and gone


Notas iniciais
Desculpa a demora, espero que gostem (:

Mais uma vez, Hermione viu Ron ir embora da sua vida e nada pode fazer, apenas vê-lo entrar no avião com Ben e Rose. E tudo por um mal entendido causado por Comarco e Ron cabeça-dura que não a deixou explicar.

Tudo começou com Comarco a procurando para que Hermione assinasse por Hugo uma procuração dando a Comarco o poder de responder pelo filho nas decisões da empresa que seu falecido pai deixou ao neto. Hermione concordou afinal o quanto mais Hugo ficasse longe desse dinheiro seria melhor para ele.

–Você tem certeza disso? Catherine perguntou mais uma vez a filha sobre a decisão. –Hugo pode precisar desse dinheiro no futuro...

–Esse dinheiro não fará bem a ele, veja o que aconteceu com Comarco. Hermione interrompeu sua mãe. –Desde pequenos, Comarco e o irmão brigavam pela atenção do pai que só pensava em ficar mais rico. Com a morte do pai eles continuaram a brigar, mas agora pelo comando da empresa que foi divida em três partes iguais para Comarco, o irmão e Hugo. Eu não quero que meu filho fique assim.

–Eu entendo. Hugo tem a nós caso precise de qualquer coisa, isso que importa. Catherine a abraçou, pois ela só queria proteger o filho. –Por isso irá sair com ele hoje?

–Sim, quero resolver isso logo. Hermione pegou a bolsa e se despediu.

Hermione sabia que dando o que Comarco queria ele os deixaria em paz. Era difícil pensar deste modo, afinal ele é o pai do seu filho e o que mais a entristecia, Hugo iria sentir falta do pai. Mas há praticamente dez anos, Hermione se virou sendo pai e mãe para o filho e continuaria a fazer isso.

–Onde eu assino? Hermione foi direto ao ponto assim que o encontrou no restaurante marcado.

–Boa noite para você também. Eu vou bem, obrigado por perguntar. Comarco levantou e puxou a cadeira para que ela pudesse sentar.

–Não estou com animo para as suas gracinhas! Dê-me esses papeis logo, você já me causou problemas demais!

–Eu já me desculpei sobre o beijo, mas não foi minha culpa se o seu noivo ficou nos espionando! Se bem que eu não me arrependo... Ele começou a rir. –Quando você vai perceber que aquele Weasley não é o cara certo para você?

–O que? Hermione riu debochadamente. –E você é o cara certo para mim? Ele balançou a cabeça afirmando. –Vamos Comarco, você nunca foi ou será o cara certo para mim!

–Porque não? Eu sou rico, posso dar tudo o que você quiser! E além de todas as minhas qualidades... Comarco segurou a mão dela na sua. –Eu sou o pai do seu filho!

–E que em praticamente dez anos da existência do seu filho você o viu quantas vezes? Hermione começou a se alterar. –Quando ele nasceu e eu precisava de ajuda, você estava lá? Não. Quando ele ficava doente ou tinha pesadelos, você estava lá para cuida-lo? Não. Quando ele voltava da escola chorando porque todos os pais dos seus amigos foram à apresentação em homenagem ao dia dos pais, você estava lá? Não! Então sim, você é o pai dele e sempre será! Mas você nunca foi um pai para Hugo. Apenas aparecia algumas vezes trazendo brinquedos, ficava alguns dias e sumia novamente!

Depois desse desabafo, os dois ficaram em silêncio sem olhar um para o outro. Algumas pessoas que estavam ao redor escutaram e olhavam com espanto para Comarco. Hermione tomou todo o copo de água de uma vez, estava aliviada por finalmente ter dito tudo que estava preso dentro de si.

–Eu... Comarco sentiu vergonha de si mesmo ao escutar tudo isso.

–Desculpa. Hermione estava mais calma. –Você me deu a melhor coisa que já aconteceu na minha vida, mas eu nunca irei ama-lo como amo Ron. Ela pegou os papeis, assinou e foi embora.

Hermione ainda não conseguia acreditar nas palavras que acabara de dizer. Assim que colocou os pés para fora do restaurante sentiu uma vontade imensa de vomitar, correu até uma lixeira próxima e colocou tudo para fora. “Oba! Tudo que eu preciso agora é ficar doente!” Ela comemorou mentalmente enquanto tentava se recuperar. Estava se sentindo fraca e não tinha forças para andar até a estação de metro, pegou um taxi que passava na rua.

–Você está bem, filha? John perguntou quando ela entrou em casa.

–Você está pálida. Catherine completou preocupada.

–Estou bem, só preciso tomar banho e dormir. Hermione subiu as escadas.

Nem mesmo um relaxante e duradouro banho a ajudou a melhorar. Sua esperança era que deitando e ficando quieta na sua cama tudo passasse.

–Posso entrar? Catherine bateu na porta do quarto da filha e escutou apenas um resmungo como resposta. -O jantar foi tão ruim assim?

–Não, na verdade foi muito esclarecedor. Ela respondeu de baixo dos cobertores. –Só estou me sentindo um pouco indisposta, acho que é gripe ou alguma coisa que comi e não me fez bem.

–Ron ligou hoje quando você estava fora. Catherine comentou. –Pediu que você ligasse para ele.

–Não sei se devo. Hermione sentou-se rápido demais e ficou um pouco tonta. –Talvez seja melhor deixar como está, eu aqui e ele lá.

–Mas você ainda o ama! Sua mãe tentava ajudar. –Pare de ir à direção contraria da sua felicidade.

–Amanhã quando estiver melhor, eu penso sobre isso. Será que agora posso descansar?

–Eu só quero o melhor para você, filha. Catherine deixou uma bandeja com torradas e chá ao lado da cama dela. –Caso esteja com fome.

Hermione não dormiu bem como queria e precisava, apenas conseguiu tirar alguns cochilos. Passou a noite toda com náuseas e desconfortos. Esperou amanhecer para levantar, mesmo não se sentindo bem tinha que trabalhar.

–Bom dia. Ela encontrou todos na cozinha tomando café.

–Você não parece bem. John disse preocupado.

–Eu só estou mal do estômago, mas vai passar logo.

–Quer comer meu cereal? Vai ajudar você melhorar... Hugo colocou a tigela na frente da mãe e a viu colocar a mão na boca e correr para o banheiro.

Não sabia o que vomitou, afinal não comia nada desde a noite. Ficou mais um tempo no banheiro esperando o mal estar e a tontura passar.

–Desculpa mãe, eu achei que poderia ajudar. Hugo se desculpou.

–Não foi sua culpa, querido. Ela passou a mão na cabeça dele. –Acho melhor ir me arrumar ou iremos nos atrasar...

–Atrasar para quê? Catherine a interrompeu. –Você não vai a lugar algum, melhor, você vai ao médico e ver o que tem.

–Eu não preciso ir ao médico e também não posso, tenho muita coisa para fazer na confeitaria!

–Sua mãe tem razão. John aconselhou. –Vá ao médico e dependendo do que for poderá ir para a confeitaria.

Se Hermione era teimosa, seus pais eram mais. E a forçaram a ir ao médico. Deixaram Hugo na escola, John ficou na confeitaria e Catherine e Hermione foram para o hospital. Hermione ficou mais segura com a presença da mãe, mesmo dizendo que não era necessário.

–Bom dia, senhorita Granger. O médico a atendeu. –O que a trouxe aqui?

–Desde ontem estou enjoada e com tonturas, acho que foi algo que comi talvez uma intoxicação alimentar.

–Certo, vou pedir um exame de sangue e assim saberemos o que a senhorita tem.

Depois de responder algumas perguntas, Hermione e a mãe ficaram aguardando o resultado do exame. O resultado não demorou muito, pois o médico pediu com certa urgência.

–Estou com o resultado do seu exame. Ele informou. –E não é uma intoxicação alimentar.

–É algo mais grave? Catherine perguntou preocupada.

–Não, é algo muito simples. Você está gravida.

A sala parecia girar para Hermione, as palavras do médico ficavam como eco na sua cabeça. “Você está gravida.” Centenas de pensamentos começaram a surgir, mas não era hora para isso. Despertou com sua mãe perguntado se estava tudo bem.

–O senhor tem certeza? Era obvio que o médico não ia se equivocar com o resultado, mas tinha que perguntar para ter certeza.

–Sim, desculpe, mas achei que seria uma boa notícia... O médico ficou constrangido.

–Não, é uma ótima notícia! Catherine respondeu pela filha. –É que o pai do bebê está nos Estados Unidos e aconteceu tudo tão de repente.

O médico receitou um remédio para o enjoo e recomendou que ela começasse o acompanhamento médico dela e do bebê. Catherine achou melhor levar a filha para casa, ela precisava descansar.

–Você vai ficar bem?

–Vou... Hermione respondeu um pouco aérea. –Com esse remédio o enjoo irá passar e ficarei bem.

–Você sabe que não foi sobre a sua saúde que perguntei, mas sim sobre a sua situação com Ron...

–Eu sei. Preciso pensar no que irei fazer, mas agora eu só quero descansar. Depois eu resolvo tudo isso.

Hermione ficou semanas pensando no que fazer, sabia que Ron tinha o direito de saber, mas ainda estava magoada pelo jeito que ele foi embora, praticamente fugiu dela. Por enquanto apenas seus pais e Hugo sabiam da novidade, pretendia contar aos outros depois que falasse com Ron.

Não podia mais adiar, sua barriga estava crescendo e não podia mais dar a desculpa dos enjoos para algo que comeu e não lhe fez bem. Tomou coragem e hoje a noite contaria a Ron.

–Mãe! Hugo a recebeu alegre. –Papai veio me visitar!

–Boa noite, Comarco. Que surpresa você aparecer.

Desde aquele encontro, Comarco não apareceu mais ou entrou em contato. E tinha que aparecer justamente hoje.

–Boa noite, Hermione. Ele estava um pouco receoso pela reação dela. –Eu vim aqui perguntar se vocês aceitam ir jantar comigo.

–Podemos, mãe?

–Claro. Ela concordou, poderia esperar algumas horas para conversar com Ron.

Comarco os levou para um tranquilo restaurante, muito diferente dos que ele tinha o costume de frequentar. Queria um ambiente em que eles pudessem conversar. Depois que fizeram os pedidos, Comarco pediu que Hugo fosse brincar no parquinho do restaurante, pois ele e Hermione precisavam conversar.

–Aconteceu alguma coisa? Hermione perguntou preocupada.

–Eu vou voltar para Alemanha, com os papeis que você assinou posso ficar com a presidência da empresa...

–Claro, foi para isso que você nos procurou. Ela o interrompeu. –Existem outras coisas mais importantes que poder e dinheiro!

–Eu sei. Meus pais saíram da Escócia para tentar melhorar de vida na Alemanha e conseguiram. Cresci aprendendo que o dinheiro e poder são as coisas mais importantes e é assim que sou e não irei mudar.

–Sinto muito, é só o que tenho para dizer a você. O único sentimento que Hermione sentia por ele era pena.

–Não sinta, eu gosto da minha vida assim. Ele respondeu sorrindo. –Só não quero que a minha vida atrapalhe a sua e a do Hugo. A minha presença só atrapalha, então é melhor eu ficar longe.

–Hugo irá sentir sua falta. Você pode não acreditar, mas ele realmente te considera o melhor pai do mundo.

–Você criou e cria Hugo muito bem, você é uma ótima mãe para ele e tenho certeza que será para esse novo bebê. Hermione o olhou assustada e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele completou. –Se quisesse manter segredo era melhor não ter contado a Hugo. Ele não é muito bom em guardar segredos, nessa altura todas as crianças no parquinho devem saber que você terá um bebê!

–É, Hugo acabou escutando minha conversa com meus pais. Não teve jeito. Ela sorriu.

–Sabe, quando eu entrei na sua confeitaria aquela noite, eu pela primeira vez senti inveja de alguém. Você estava realizando seu sonho através de anos de trabalho pesado, tinha uma família que te ama não importa o que aconteça e Ron... Comarco fez uma pausa para tomar de uma vez a taça de vinho. –Ele é o homem certo para você. E eu fiquei com raiva e inveja, porque tudo que eu poderia te dar, não era importante para você.

O garçom interrompeu a conversa trazendo o jantar, Hermione ficou agradecida, pois não sabia para que lugar esta conversa iria.

Foi um pouco difícil fazer Hugo entender que seu pai estava indo embora, novamente. Comarco prometeu sempre que possível vir visita-lo e quando as férias chegassem Hugo poderia passar uns dias com ele na Alemanha.

Qualquer pessoa presente no restaurante poderia dizer que eles eram uma família que como qualquer outra simplesmente desfrutava um agradável jantar. Na saída do restaurante a chuva que caia desde o final da tarde ficou mais intensa. No caminho de volta para casa o clima de brincadeiras continuou.

–Escuta essa música, Hugo! Comarco aumentou o volume do radio. –Essa música era a minha favorita quando eu tinha a sua idade!

–Eu já escutei em algum lugar... Hugo tentava adivinhar quem cantava.

–É Beatles, Hey Jude! Hermione disse antes que o filho adivinhasse. –É uma linda música!

Comarco e Hugo cantavam animadamente o refrão da música, Hermione apenas ria do quanto eles conseguiram desafinar a bela voz de Paul McCartney e companhia.

De repente algo acertou o carro, Hermione apenas sentiu todo seu corpo ir para frente, mas foi impedida pelo cinto. A batida foi forte e o carro chegou a capotar e só parou, pois tinha um poste no meio do caminho. Hugo no banco de trás estava preso ao cinto e entre as partes amaçadas da lataria do carro, não conseguia se mexer, apenas chorava e chamava pelos pais. Comarco estava com a cabeça apoiada ao volante e dos três era o que parecia mais ferido, pois a batida foi do lado dele. Hermione também estava presa e não conseguia se mexer, tentava falar e acalmar o filho, mas as palavras não saíam da sua boca. Antes que fechasse os olhos, Hermione estava com medo de não acordar mais, pediu apenas que nada acontecesse com Hugo e que de algum modo Ron soubesse que ela sempre o amou.

Na rua só podia se escutar as pessoas assustadas com o acidente e ligando pedindo socorro, a forte chuva que caia sem ter hora para acabar e a bela voz de Paul McCartney ao fundo.

Notas finais
Esse foi o acidente, no próximo capítulo saberemos se todos sobreviveram e também terá a chegada de Ron e as crianças a Londres.
Obrigada pelos comentários é bom saber que estão gostando (: