Tudo Mudou
1 Fim do Verão
Praia de Orange County.
Os fogos iluminavam o negro do céu. E meu coração batia forte no meu peito. Principalmente quando avistei a loira dos meus sonhos, sozinha sentada ao tronco de fronte a fogueira.
4 de julho, não era um bom dia para tentar pleitear minha inimiga.
Não sabia onde tantas desavenças nos levariam. Só que naquele momento enquanto aqueles cabelos cacheados rebolavam ao vento meus sentidos estavam hipnotizados.
Ainda sentando a pedra mais longe conseguia ver todos os colegas do colégio, enfrentando as ondas de águas frias, ou rolando na areia úmida.
E meu corpo estava engessado aquela pedra e meus olhos não viam nada além daquela silhueta iluminada em varias cores inclusive pela lua.
Sufoquei um suspiro apaixonado. Naquele verão Samantha Puckett despertará uma parte que nem sabia que existia. Um sentimento bom e aquecedor. E para dificultar tudo a guerra entre a razão e o coração tornou-se cada dia mais forte quando nos encontrávamos casualmente. Entre desentendimentos, sentia meu corpo suplicar por um contato mais íntimo. Sabia que aquele seria o último semestre para terminar com as dúvidas e salientar meus sentimentos. Só que a coragem?
Procurei olhar para todos na praia, e voltar para meu objeto de admiração. Ainda lá solitária em volta da fogueira comendo seus marshmallow. Puxei todo ar para meus pulmões, e levantei.
Não teria outra chance tinha de arriscar ou ela jogaria uma pedra para machucar ou daria espaço para desfruta-la.
Caminhei afundando na areia. Cada passo parecia me puxar para trás. Minha respiração pesada. Estava próximo agora conseguia vislumbrar a cor da sua pele bronzeada iluminada somente pelas estrelas e a lua.
“Sam”– consegui chamar em uma voz que não era minha. Os nossos olhos se encontraram e ela sorriu. Foi a sensação de um beijo tratei de sentar ao seu lado com medo de cair. Meu corpo trêmulo pelo vento frio que vinha do mar ao nosso encontro.
“Pode mandar Nerd!” – A voz dela não parecia animada. Tratei de pegar uma vara e colocar um marshmallow na ponta.
“Que acha do 4 de julho?”
“Babaquice “– a olhei e ri, seus olhos azuis como o mar estavam iluminados pelas chamas laranjas. Senti um solavanco no peito.
“Claro...”- minha voz rouca demais. A observei comer mais um marshmallow.
Expirei profundamente e aquele seria o momento a loira estava distraída colocando salsicha no espeto.
“Quer caminhar na praia?”– Disparei, fiquei ereto e duro esperando palavras violentas ou apenas um objeto que causaria uma concussão e um corte sangrento.
“Tudo bem” – Engasguei com o ar. Levei um tapa nas costas que me fez cair do tronco de joelhos enterrados na areia.
“Qual seu problema?” – Pigarrei tentando achar as palavras mais nada. Sentia meu coração querer rasgar minha pele, o corpo arrepiado.
“Então vamos ou vai ficar ai?” – Ela chamou e antes que pudesse desistir levantei com toda força que consegui juntar. E me juntei a ela.
Caminhamos em silêncio apenas ouvindo as vozes perdidas dos nossos colegas, as ondas batendo a pedras próximas. E como previra ela escalou algumas pedras e andou por entre as rochas desaparecendo na escuridão. Segui tentando ser forte e não escorregar de cabeça pelas rochas.
Chegando ao outro lado das pedras, a pequena praia escondida, onde não havia muita área, pois as ondas alcançavam todo o local. Pisquei os olhos acostumando com a escuridão.
“Benson” – A loira falou quando a alcancei e deitei-me na única pedra plana onde as ondas arrebentavam e não nos alcançava.
Deitei ao seu lado, as estrelas e a lua nos cobrindo sua luz fraca no manto negro que era o céu aquele verão.
Quando a brisa nos envolveu senti seu cheiro doce e depois picante. A loira parecia imersa em pensamentos. E meu corpo com borboletas batendo asas por cada veia e célula.
“É sobre aquele beijo na lanchonete?” – Somente suspirei mediante aquelas palavras. Não podia gritar — sim, é sobre o beijo. Isso me enlouquece todas as manhãs e sinto algo me matando e é a vontade de você.
Engoli aqueles pensamentos. E virei meu rosto para olha-la estávamos próximos e nossas respirações se misturaram.
Sam estava com olhos obscuros, o som das ondas ao fundo. Conseguia sentir seu hálito de morango, seu perfume misturado a maresia.
“Fala logo, ou quer que peça desculpas?”– consegui segurar sua mão que estava do lado de meu corpo. E olhei para o céu. Não foi um espanto quando entrelacei nossos dedos e ela não repudiou. Na verdade senti seu olhar em mim. Então senti a respiração dela perto do minha orelha. Com ímpeto fechei os olhos e apertei suas mãos.
Seus lábios em meu ouvido fez meu corpo retesar. Segurei a respiração sentido percorrei pelo meu maxilar e encontrar finalmente meus lábios que recebi com receio. Abri meus olhos e a loira com rapidez se colocou sobre meu corpo que com a mão livre segurei em seus cabelos e avancei no beijo.
Sempre fui um perdedor com as garotas. Não podia abrir a boca e estragar tudo então. Apenas deixe-me ser beijado. Nossas respirações ficando rápida à medida que o beijo se tornava forte nossas bocas em uma guerra deliciosa. Seu corpo sobre o meu pressionando o desejo crescente cada vez mais.
Com vontade senti as mãos da loira deslizaram pelo lado do meu corpo consegui repetir a mesma ação e indo por baixo de sua blusa. A pele dela eriçada abaixo de meus dedos. Ela procurou ar e avançou novamente em minha orelha.
Sem aguentar mais rodei a deixando por baixo do meu corpo.
“Tudo mudou” – consegui arfar e avancei novamente em seus lábios. Enquanto a loira já puxava minha camisa. Todas atitudes que ela fazia eu repetia.
Desta forma tiramos nossas camisas, e avançamos para calça jeans que nos fez rir em meio ao beijo.
Meu corpo suado encontrou com o dela e ambos suspiramos com alívio de nossos desejos ate então reprimidos.
Simplesmente consegui abrir os olhos e a encarei, só consegui sorrir, antes de avançar para amar seu corpo explorando cada canto com toda paixão que havia me enlouquecido.
Não tinha ideia do que aconteceria após ama-la , mas não havia ódio e nem errado.
Sim, algo intenso e bom. Único e o melhor.
Nossos corpos se falando além do que nossas mentes poderiam se expressar.
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