Tudo Leva ao Mesmo Lugar
1 Capítulo 1
Vai, vem. Vai, vem.
Catherine balançou os pés em baixo da mesa, enquanto segurava o livro com uma mão e com a outra cutucava os fones de ouvido.
Vai, vem. Vai, vem.
Ela esfregou as costas no encosto da cadeira, fazendo com que o casaco que ela havia pendurado ali a coçasse.
Vai, vem. Vai, vem.
Ela viu o garoto se aproximar, numa olhadela por cima dos óculos, não enxergando mais que um borrão.
Voltou à atenção para o livro.
Vai, vem. Vai, vem.
Ele parou na frente dela hesitante.
- Oi!
Catherine levantou a mão, sinalizando que ele esperasse. Continuou com os olhos voltados para o livro, e leu até chegar no parágrafo seguinte para então olhá-lo. Olhos verdes, cabelos castanhos cacheados, lábios extremamente vermelhos. Deu um sorriso de escárnio ao perceber quem de fato ele era.
- Olá!
- Posso me sentar? Todas as mesas estão ocupadas. – era uma puta sacanagem aquilo. Havia mesas de sobra e antes ela vira que ele estava junto de amigos. Mas era difícil dizer não quando ele arqueava as sobrancelhas e mostrava seu sorriso com covinhas.
- Claro. – Catherine concordou com um aceno.
Ele sorriu e estendeu a mão por cima da mesa.
- Meu nome é Harry!
- Catherine – ela respondeu, levantando as sobrancelhas e tentando ao máximo não sorrir.
- Que livro está lendo? – Harry perguntou pendendo a cabeça para o lado, fazendo com que seus cabelos cobrissem os olhos. Catherine tentou reprimir o sorriso ao vê-lo daquele jeito, mas não foi muito longe.
- Belo Desastre. – ela podia ver em seu rosto que ele não fazia ideia de que livro ela estava falando, mas, com uma olhadela escondida, ele descobriu do que se tratava. Ou deduziu, não havia como saber.
- Ah, então você se interessa por romance? – era de certa forma uma pergunta irônica, ainda mais feita enquanto ele franzia os olhos tentando parecer sério.
- De certa forma, pode-se dizer que sim.
- Interessante, gosto de romance também, é tudo no mínimo... – ele parou para pensar um instante – profundo. – ele concluiu e ela soltou uma risada alta.
- O que foi? Não ria de mim! Vai dizer que romance não é legal? – agora ele parecia chateado, mas não de um jeito real. O biquinho que se formava em sua boca o incriminava ainda mais, fazendo com que ela quisesse apertar suas bochechas.
- Fala sério, essa sua descrição me deixou comovida. Profundo, resposta cômica. Decepcionante, Harry Styles.
- Bem, vejo que você já me conhece.
- Ah, querido, quem não conhece? – os dois se encararam com um olhar imponente, desafiando um ao outro para ver quem seria o primeiro a desviar o olhar.
- Estou esperando um grito, pode vir, estou preparado.
- Desculpe-me, Styles, mas talvez nem todos morram de amores por você. – ele com certeza parecia indignado.
- Bom, talvez eu me sinta meio ofendido.
- Talvez eu não possa fazer nada a respeito disso. – e novamente eles estavam se encarando fixamente, mas Catherine não depositava tanta atenção nisso. Pelo canto do olho, ela via os quatro meninos com quem Harry antes estava sentado, olhando-os ansiosos. Eles esperavam alguma coisa.
Ela teve uma ideia.
- Bem, foi ótimo conversar com você Harry, mas agora eu tenho que ir. Tenho um livro pra ler. – ela disse enquanto balançava o objeto em frente ao seu rosto, abrindo um sorriso mínimo. Catherine não precisava ser profeta para saber o que viria a seguir.
- Mas já? A gente mal conversou! Eu nem sei seu sobrenome!
- Se não me engano Harry, dividíamos uma mesa não por interesses compartilhados, mas por falta de espaço, não é mesmo?
- Bom, é...
- Então até mais, Styles! – ela já ia colocando o casaco enquanto levantava, pegando logo em seguida o livro e se preparando para ir.
- Espera! Será que você não pode me dar seu número?
- Meu número?
- Isso mesmo.
- Não tenho papel e caneta.
- Espera ai que eu arrumo pra você. – Harry então correu ao balcão, logo em seguida voltando com uma caneta e um guardanapo. Ele estava tão eufórico que não se tocou que tinha seu celular ali, e que ela poderia usar este para deixa-lhe seu numero.
Harry mordia os lábios enquanto ela escrevia algo no bilhete, demorando mais do que o esperado. Era possível ver o sorriso surgindo nos lábios de Catherine e ele achou aquilo atraente. Quando ela levantou o olhar e lhe entregou o guardanapo dobrado, seu sorriso tinha aumentado. Somente com uma piscadela, Catherine saiu do Café deixando Harry para trás.
No momento em que seus olhos a perderam de vista, ele se levantou de supetão e correu junto dos quatro ali perto.
- Você conseguiu o número dela! – o loiro falou, enquanto abria um sorriso tão estonteante quando a própria pessoa.
- Eu disse que conseguiria. – ele se gabou, enquanto se jogava na cadeira ao lado, ao mesmo tempo em que colocava o guardanapo em cima da mesa. Enquanto Harry pedia um café ao atendente, um deles se adiantou para o papel, a curiosidade subindo a cabeça.
- Você não acha que ela demorou demais pra escrever? – perguntou o moreno de olhos castanhos enquanto tirava os cabelos do rosto.
- Eu sei lá.
Enquanto ele abria o papel, todos se mantiveram em silencio. Era como se um tesouro estivesse sendo descoberto, e de certa forma, era sim. Porque aquilo não era um número, logo foi falando o moreno.
- Como assim não é um número? Deixe-me ver. – Harry resmungou quando passou os olhos pelo que havia escrito, soltando uma risada alta. – É claro que ela não iria me dar o número tão fácil, eu deveria saber.
- DÁ PRA LER ISSO? – gritou o loiro enquanto se debruçava por cima da mesa.
-“Dois universos se ligam, um negativo e o outro positivo, demonstrando a matemática da vida. Os amigos da mesa ao lado brindam com um uma xícara de café com leite o jogo empatado, trazendo à plataforma do mundo mágico a conversa. Mas não se engane, ela não está completa, consigo vem uma dezena menos um, a parte mais fácil do engenho. E quando bate a hora de todos se esvaírem, “Você é um bruxo Harry!”é falado em alto e bom som, afinal, de quantos formam a banda One Direction?”
- Cara, você está muito fodido.
- Pra caramba.
- Nunca na vida você descobre.
- Quem diria em? Seu charme falhou Harry.
Harry apenas abriu um sorriso sabendo que os garotos iriam ajudá-lo a descobrir o número dela. Catherine era um nome bonito.
Ele faria aquilo.
Ao mesmo tempo, Catherine caminhava para longe dali, mal sabendo que no Café os garotos ainda tentavam decifrar o que ela havia escrito. Riu sozinha enquanto entrava numa livraria. Não podia dizer que não se sentia atraída por Harry Styles, mas as coisas não eram tão simples assim. Catherine era fechada demais para se ater em um sorriso bonito. Não importava que ela gostasse das musicas do One Direction, ou que tivesse todos os CDs deles. Era um patamar acima, um sonho de adolescente. Ela tinha plena certeza que seria algo de um dia, porque ele não iria se apaixonar por alguém que nem mesmo tomava café. No momento que ela passava as mãos pelas lombadas dos livros, recriminou a si mesma por sequer chegar a pensar nele. Afinal, nunca mais iriam se ver.
Fale com o autor