Tudo Junto e Misturado
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Alguns minutos após a ligação de Jane, Callie e Arizona chegaram ao restaurante para almoçarem. Pediram uma mesa e se acomodaram, ambas deram rapidamente uma olhada no cardápio e escolheram o que iam comer e beber. Aproveitaram a comida entre conversas, brincadeiras e muitos sorrisos trocados entre elas.
Conversaram bastante, sobre o hospital e também sobre suas amigas Jane e Maura. Callie ainda se divertia com a ligação de Jane falando sobre Maura.
Em meio a conversa, pediram uma taça de sorvete.
Callie amava sorvete, com uma colherada sujou sua boca, e nem percebeu.
— Você está com um bigodinho de sorvete. — disse Arizona olhando fixamente para sua boca.
Callie fez um bico tentando enxergar, vendo isso, Arizona soltou uma risada gostosa e contagiosa, a fazendo rir também. Callie pegou o guardanapo, mas antes de limpar, Arizona apoiou os cotovelos na mesa e passou o dedão delicadamente em seus lábios, os tocando até de propósito, já que o sorvete estava mais para cima.
— Pronto, você está sem o bigodinho.
Callie ficou envergonhada, principalmente quando Arizona chupou seu dedo lambuzado.
— É... Obrigada. — agradeceu e continuou tomando o sorvete, porém agora limpava a boca a cada segundo.
Depois de alguns minutos a conversa voltou ao normal, quando estavam prestes a se levantarem, um homem apareceu, puxou a cadeira e se sentou, as encarando.
— O que duas mulheres maravilhosas fazem almoçando sozinhas? — perguntou sorrindo.
— Primeiro, não estamos sozinhas, eu acompanho ela e ela me acompanha. Segundo, sou muito mais macho que você, porque sou lésbica, a mais lésbica das lésbicas. Então é melhor você tirar seu cavalinho da chuva e minha amiga é muita areia pro seu. — Arizona falou e deu uma olhada de cima a baixo nele fazendo uma careta. — Caminhãozinho né, então sai daqui. — finalizou, tentando não soar tão grossa, mas não conseguindo.
— Tudo bem, mas saiba que é um desperdício de morena. — o homem comentou, olhando para Callie, que estava com a colher na boca os encarando.
— Eu não sou, mas cai fora. — disse, sem tirar a colher da boca.
O homem se levantou envergonhado, passou a mão nos cabelos e saiu de perto delas.
Ambas caíram na gargalhada e foram embora. Chegaram no hospital que estava tranquilo até colocarem os pés dentro do elevador, pois seus bipes tocaram e tiveram que sair correndo.
Maura foi para o apartamento de Fernando, que por coincidência era bem perto de onde ela trabalhava, então não demorou muito a chegar ao local. Ele tinha deixado o porteiro avisado de que Maura chegaria para ir a sua casa, então ela chegou e foi liberada por ele para subir diretamente para o número do apartamento que Fernando tinha lhe passado.
Ela tocou a campainha e Fernando a recebeu de camiseta e shorts Jeans. Ele estava maravilhoso com aquela roupa, o homem era tão sexy. Maura sorriu para ele , que a achou para entrar.
O apartamento era bem grande, assim que entrou Maura se deparou com uma linda sala de estar, depois uma sala de jantar , escada perto desses dois cômodos que levava aos quartos e uma cozinha que era separada por uma bancada enorme e muito linda. A decoração do ambiente toda era perfeita, na sala de jantar tinha um vidro transparente que levava a uma varanda onde tinha uma vista maravilhosa da cidade. A loira que era apaixonada por decoração e luxo, ficou encantada com tudo. Maura percebeu que ele era muito rico, não que isso a influênciasse de alguma maneira.
Após Maura conhecer esses cômodos no andar de baixo, ele a convidou para tomarem um vinho e cozinharam juntos. Eles conversaram bastante enquanto cozinhavam, Maura não ajudou muito, na maioria do tempo, ficava o observando cozinhar, ele era encantador, ainda mais assim todo sexy com um avental por cima daquela roupa.
Quando a comida ficou pronta, comeram na sala de jantar , conversando sobre vários assuntos, nada importante.
— Gostaria de conhecer o andar de cima? — Fernando perguntou assim que terminaram de comer.
— É, sim, claro. — Maura disse se sentindo nervosa.
Isso era uma coisa nova, pois ela nunca se sentia assim com nenhum outro homem e não sabia se isso era bom ou ruim.
— Então venha! — agarrou na mão dela delicadamente e subiu as escadas com Maura.
Fernando lhe mostrou os quartos que tinha no andar de cima, deixando o dele por último. Também lhe mostrou o banheiro enorme que tinha, a decoração impecável. Seguido de uma sala com alguns computadores, uma televisão enorme, mais um sofá bem grande, confortável e outras coisas que Maura não prestou muito atenção, pois Fernando a puxou para fora da sala, a levantando para seu quarto.
— E aqui é meu quarto. — falou abrindo a porta para ela entrar.
O quarto era bem grande, tinha uma mesa com computador no canto da parede, uma televisão em frente a cama, que também era enorme. Maura observou cada detalhe encantada, a decoração era incrível.
Quando estava no meio do quarto, Fernando a abraçou por trás, fazendo com que Maura sorrisse.
— Gostou? — perguntou dando um beijo em seu pescoço.
— Sim, a decoração é linda.
— Não mais que você. — a virou de frente para ele e olhou em seus olhos.
Maura sabia que Fernando iria beija-lá, o que não sabia era se estava realmente preparada para isso.
Ele acariciou o rosto dela e a beijou com calma, sua outra mão passeando pelo corpo de Maura. Enquanto ela retribuia o beijo, porém suas mãos continuaram paradas.
Se beijaram por algum tempo em um ritmo lento, até que ele a levou para a cama, a deitando delicadamente no colchão. O beijo agora era mais agitado, com pressa. Fernando começou a subir a blusinha de Maura, sem deixar de beija-lá.
— Fernando, não posso. — falou, se afastando do seu beijo e saiu da cama, ficando parada na frente dele que estava na cama.
— O que? Por que não? Aquela noite você estava disposta a tudo. O que mudou?
— Eu pensei melhor, aquele dia eu estava confusa, agi por impulso. Não posso fazer sexo com você agora, acabei de te conhecer.
Um silêncio se formou no quarto, Maura queria sair correndo dali por ter agido como uma mocinha, mas ela estava certa, não podia se precipitar, já tinha sofrido muito por fazer as coisas no impulso.
— Se você não quiser continuar saindo comigo tudo bem, eu entendo. — disse Maura.
— Não, não, eu quero continuar saindo com você. — retrucou com a voz um pouco alterada, se levantando e ficando na frente dela.
— Então está bom, vamos nos conhecer melhor primeiro e depois podemos, você sabe.
— Sim, vamos nos conhecer.
— E agora eu também preciso voltar para o trabalho. — disse Maura.
Fernando a levou até a porta no andar de baixo , se despediram com um beijo e ambos prometeram ligar um para o outro.
A semana foi tranquila para Maura e Jane no trabalho. Quando a detetive descobriu que Maura estava saindo com Fernando não gostou nem um pouco. Jane estava com ciúmes e isso estava destacado em sua face. Sempre que falava com Maura deixava claro que não gostava nem um pouco dele. Maura não entendia a birra que ela tinha com ele, Fernando parecia ser um cara bom.
Ele e Maura se falaram por telefone ao longo da semana e se encontraram pessoalmente uma vez para jantar e conversarem.
Callie e Arizona estavam se tornando cada dia mais unidas, ambas adoravam conversar uma com a outra.
No sábado, Callie convidou Arizona para ir em um barzinho e pediu que ela convidasse Jane também, pois ela chamaria Maura.
Callie e Maura se arrumaram e foram até a casa das outras, busca-las para irem juntas ao barzinho. Maura foi dirigindo até chegar na casa delas e depois até o bar, Callie foi do seu lado e Jane e Arizona sentaram no banco de trás.
Quando chegaram ao bar , pediram bebidas, foram para uma mesa e sentaram juntas. Beberam suas bebidas e conversaram bastante. Jane e Maura beberam mais pois no dia seguinte não trabalhariam, já Callie e Arizona não muito, pois tinham que trabalhar no Domingo.
Depois de um tempo, Jane começou a implicar com Maura, Arizona percebendo que as duas iriam ficar assim a noite toda resolveu se levantar.
— Vou dançar, vem comigo Callie?
— Que? Não! — disse não querendo ir dançar e ficar próxima de Arizona, pois só queria amizade dela e dançar juntas, poderia mudar alguma coisa.
— Callie, para com isso! Só vamos dançar, eu prometo. Só não quero ir sozinha e também não ficar aqui vendo Maura e Jane agindo iguais como duas crianças. — falou, agarrando uma das mãos de Callie, a puxando para levantar e em seguida indo para a pista de dança.
— Arizona, é bem engraçadinha, não acha? — Maura falou para Jane, ela foi irônica em suas palavras.
— Está sendo irônica agora? Depois fala de mim.
— Mas você está muito chata hoje, mais do que o normal.
— Really? Então me deixe aqui e vai atrás do Fernando. Afinal, por que você não está com ele agora? — perguntou mal humorada.
— Jane, não estou com ele agora porque eu queria estar com vocês. Caramba, vocês são minhas amigas, não quero e nem vou larga-las por ele. — respondeu. — Estou adorando a companhia do Fernando, mas amo estar com você. Então deixe esses ciúmes de lado e vamos aproveitar a noite.
Jane observou o olhar que Maura lhe deu e viu sinceridade trasmitida em seu rosto e também em suas palavras.
— Desculpa. — pediu fazendo biquinho.
— Jane, eu não sei se alguém já te falou isso, mas você fica tanto fofa quando fala assim.
— Fofa? Maura, agora você que está começando com palhaçada!
— Para com isso! É um elogio, já vi que não gosta de elogios.
— Gosto sim, mas não elogios assim. Fofa, grr... — fez careta parecendo estar com nojo.
— Você é demais. — Maura gargalhou alto, fazendo a detetive se diverti também.
As quatros passaram bons momentos juntas no barzinho, apesar de terem ido embora cedo, pois Callie e Arizona trabalhariam de manhã. Maura e Jane conversaram bastante, as provocações entre ambas não pararam, elas reclamavam uma da outra, mas gostavam bastante desses momentos. Arizona e Callie dançaram bastante, até se cansarem.
Elas chamaram Rizzoli e Isles para irem embora com elas. Maura deixou Jane em casa com Arizona, disse que ligaria de manhã e foi para casa com Callie.
No domingo, Maura ligou para Jane como tinha falado e a chamou para acompanha-lá ao shopping para fazer compras. A detetive tentou não aceitar o convite da amiga, mas ela insistiu tanto que Jane acabou aceitando.
Maura foi de carro e a buscou em sua casa, seguindo as duas para o shopping Pacific Place. Jane estava vestida com uma camiseta branca, calça preta e seus cabelos soltos, finalizando com um blazer preto. As roupas que usava eram idênticas as que usava para trabalhar.
— Jane, você não vai assim, vai? Parece que está indo trabalhar! — Maura tinha falado para a amiga assim que a encontrou em casa quando foi busca-la.
— Eu vou assim mesmo, algum problema? Se estiver, é só falar, que eu fico em casa.
— Não, está tudo bem. Vamos! — Maura tinha dito para ela .
Maura usava um vestido azul, muito fofo com um saltinho alto. Seus cabelos perfeitos estavam saltos e carregava uma bolsa simples.
Quando chegaram no shopping, Maura arrastou Jane imediatamente para várias lojas. A médica comprou várias roupas e dois pares de sapatos. Jane reclamava toda vez que Maura entrava em um loja.
— Maura! — Chamou por ela baixinho pois tinham várias pessoas passando perto delas, quando tinham acabado de sairem de uma loja e estavam andando pelo shopping. — Maura! — tornou a chamar, o tom de voz um pouco mais alto, pois a loira estava entretida vendo as vitrines de outras lojas.
— O que foi Jane? — falou enquanto continuava olhando as vitrines e andando. — Pare de reclamar, pelo menos por alguns minutinhos, por favor. — virou para olhar a morena que estava do seu lado. — Que cara é essa Jane? O que você aprontou? — perguntou ao ver a cara de constrangimento da amiga.
— Pare de falar, pare e me ajude. Meu sutiã desabotoou, eu não acredito que isso está acontecendo comigo Maura. Por isso odeio usar esse troço! — disse rapidamente. — Ande atrás de mim para ninguém perceber. Está dando para perceber? — disse ficando na frente da amiga.
— Jane não dá para perceber. Deixe que eu coloco para você! — Maura falou rindo e colocando as mãos nas costas da amiga, pronta para ajuda-lá com esse probleminha.
— Não, para com isso! — se esquivou das mãos de Maura. — Você não vai fazer isso aqui na frente de todas essas pessoas, nem pensar. Já é muito constrangedor andar com esse sutiã aberto, agora você quer levantar minha camisa na frente de todos?
— Eu não vou levantar sua camisa, só vou enfiar a mão por dentro e abotoar. Ninguém vai ver.
— Não, nem pensar! Vamos ao banheiro, ande rápido pelo amor de Deus, pare de olhar essas vitrines, você está me irritando. Venha me ajudar!
— Ok chata, vamos logo e depois podemos comer alguma coisa. — falou, andando atrás de Jane, pois ela reclamava a cada segundo, achando que alguém iria perceber que seu sutiã estava desabotoado.
Quando chegaram no banheiro, não tinha ninguém lá, então Maura colocou suas sacolas na bancada das pias para ajudar Jane.
Maura foi para atrás dela, enfiou as mãos por dentro da camisa da detetive e colocou o sutiã rapidamente.
Ao sentir as mãs da amiga em suas costas, Jane sentiu um arrepio gostoso, mas que passou rápido, pois Maura tirou as mãos de suas costas em segundos.
— Bem melhor agora. — comentou Jane.
— Espero que agora você pare de reclamar.
— Queria ver se fosse com você. Mas como essas coisas só acontecem comigo...
— Que dramática! — riu das palavras dela.
— Ahhh para! Vamos comer alguma coisa, estou com fome.
Saíram do banheiro, foram comer e depois foram embora, pois Jane continuou reclamando com Maura.
Quando Maura deixou ela em casa, combinaram de se encontrarem a noite para jantarem juntas.
No dia seguinte, Jane chegou no serviço furiosa, pois Maura havia se esquecido que iriam jantar juntas e quando abriu as portas do necrotério para pedir explicações, parecia que havia entrado junto um vendaval, já que as portas bateram com tudo na parede.
— Você me deixou plantada, SÉRIO! Aposto que me largou no escanteio para sair com o Fernando, que bela amiga você é Maura. É daquelas que arrumam namorados e esquecem das amigas, não acredito. — disse Jane brava, com a voz alterada, andando de um lado para o outro.
— Bom dia para você também, bem eu não te deixei... — encarou a amiga, sem concluir suas palavras, pois ficou espantada com a roupa da outra.
Jane usava um terninho preto, mas parecia ser uns três números maiores do que ela e havia uma gravata horrível, aquilo pareceu queimar os olhos de Maura que vestia um vestido vermelho de manga comprida, que ia até a metade de suas coxas, com um salto alto e a roupa era bem cara.
— Que coisa feia Jane! — Maura falou gargalhando. — Tirou isso do fundo do baú da sua avó?
— O que te importa?! — disse rude.
Maura se aproximou, a encarando seriamente.
— Uma gravata? Sério? — Maura se aproximou, a encarando seriamente. —Uma mulher não precisa disso para ter autoridade, pensando bem, assim você nunca vai ter autoridade.
— E você dondoca! Com esse vestidinho, está pensando que aqui é a casa da barbie? Nunca vai ter autoridade alguma também.
— Tira essa gravata! — seu olhar foi tão intenso que Jane tirou rapidamente. — Está vendo? Você me obedeceu e estou com esse vestido. — Maura sorriu.
— Aposto que dá para pagar um mês de aluguel lá de casa com esse vestidinho.
— Claro que não.
— Não seja modesta.
— Tudo bem, dá para pagar três meses de aluguel e não é apenas um vestidinho, é um vestido Chanel Tweed. Olha o toque dele em minha pele, é maravilhoso! — afirmou a médica. — E eu não te larguei porque sai com o Nando.
— Nando? Sério Maura? Que coisa mais brega. — Jane falou ao ouvir o apelido que Maura deu ao Fernando.
Se Jane já não gostava dele antes, agora com esse apelido, menos ainda.
— O Bass estava doente, ele não queria comer. Passei a noite inteira com ele no veterinário, me desculpe.
— Você é dóida de passar a noite inteira com uma tartaruga no veterinário!
— Não é tartaruga, é cágado!
— E não pensou em usar o telefone? Mandar uma mensagem, qualquer coisa. Quando vou aprender a não confiar em loiras? — brincou.
— Ei, não fale assim. Bass é importante e só não fomos jantar, para de frescura.
— Me deve um jantar.
— Se for desfazer essa cara amarrada, eu até pago. — Maura disse se aproximando um pouco mais de Jane.
Ela tirou o blazer da detetive, colocou na cadeira e se virou novamente, abrindo os três primeiros botões da camisa de Jane. Maura parou, olhou nos olhos da amiga, abrindo mais um botão e com isso deixou a mostra parte de cima dos seios de Rizzoli.
Jane que tinha os olhos fixos no rosto de Maura o tempo todo, mudou seu foco e olhou para seu corpo, vendo parte de sua camisa aberta.
— Se quiser me ver nua, é só pedir! — respondeu com um sorriso malicioso. — Isso já é abuso ao meu corpo, mas pode continuar se quiser.
Jane abriu os braços, dando passe livre para Maura, que ficou envergonhada, seu rosto ficou parecendo um pimentão.
— Ai, me desculpe! Só queria dar um jeito em você, arrumar sua camisa. — falou ainda envergonhada.
Maura abotoou um botão, seus mãos começaram a tremer quando tocou a pele de Jane, ela ficou muito nervosa após as palavras da amiga e Jane pode sentir o nervosismo dela.
— Calma Maura! Eu estava brincando. — falou e tocou nas mãos dela, que estava abotoando o último botão.
Maura olhou nos olhos de Jane quando ela tocou suas mãos. A detetive segurava as duas mãos dela, quando viu o olhar que a loira lhe deu, não resistiu e acariciou as mãos de Maura.
Ambas continuaram a se olharem, Maura demonstrava um pouco de vergonha em seu rosto. Ela tímida era a coisa mais linda e fofa que Jane já tinha visto e ela também estava nervosa assim como Maura.
Elas não saíram do lugar, parecia que o tempo tinha parado naquele momento. Seus rostos estavam bem próximos, uma conseguia sentir a respiração da outra.
Jane soltou uma das mãos de Maura, olhou com muito desejo para sua boca e com a mão livre, tocou o rosto dela acariciando delicadamente, lentamente. A médica também a olhava com desejo, sua mão tocando a da detetive. Ela queria muito que Jane a beijasse agora, não queria pensar em quais serião as consequências disso, só queria sentir o gosto dos lábios da amiga quando tocasse o seu.
Não querendo mais prolongar esse momento, Jane lentamente se aproximou mais ainda de Maura e fechou seus olhos. Maura continuava de olhos abertos quando Jane se aproximou de seu rosto, a morena levou seus lábios para o canto da boca dela, que fechou os olhos ao sentir aos lábios de Jane tocando em sua pele.
Após esse contato, ambas se afastaram uma da outra, mas suas mãos continuavam unidas, o olhar de Jane continuava encarando Maura com ternura e vice versa.
Elas estão envergonhadas por terem chegado a esse momento, quase tinham se beijado, sem nem pensarem no que podia acontecer com a amizade delas. Tinham agido por impulso, porém não se sentiam arrependidas, jamais.
Esse momento ficaria guardado na memória de ambas por muito tempo, por um longo tempo. Um momento como esse só poderia ser esquecido com um momento melhor e provavelmente ainda assim não seria esquecido. Pois o que sentiram ali, naqueles segundos, foi algo mágico e inesquecível.
Com a mão segurando a de Maura, Jane a puxou para perto de si, com carinho e a abraçou.
Um abraço com amor, meiguice, vergonha, nervosismo, afeição. Os sentimentos misturados em um abraço gostoso e demorado, pois estavam envergonhadas, não queriam olhar nos olhos uma da outra, só queriam ficar assim e esquecer do tempo.
Infelizmente não podiam ficar assim para sempre, uma protegida na abraço da outra, então se afastaram com calma, seus corpos longes.
— Me desculpa, não sei o que aconteceu comigo, simplesmente agi seguindo o meu coração, achei que era o certo a fazer. — disse Jane rapidamente.
— Não, tudo bem, eu também agi impulsivamente. — sorriu — Está tudo bem mesmo, somos amigas. Tem amigas que dão selinhos nas amigas.
— É, tem razão. Vou subir para ir trabalhar. — falou e chegou perto de Maura dando um beijo em sua bochecha. — Qualquer coisa, é só me chamar. Me refiro ao trabalho e qualquer outra coisa.
— Ok, pode deixar.
Jane saiu do necrotério e foi para sua sala trabalhar. O momento que compartilharam ficou em seus pensamentos o dia inteiro, nem conseguiu se concentrar totalmente no trabalho. Quando deu o horário de ir embora, respirou aliviada e arrumou suas coisas, saindo da sala.
Maura também pensou bastante no que tinha acontecido em seu local de trabalho ao longo do dia. Ela não tinha se arrependido de nada e sorria ao lembrar de Jane.
Na saída do prédio elas se encontraram, conversaram e se despediram sem nenhum constrangimento. O momento foi tão bom que elas não se arrependeram nem um pouco e não ficaram diferentes uma com a outra, agiram normalmente, como se nada tivesse acontecido, mas aconteceu, uma coisa simples, porém muito delicada e maravilhosa.
Na Terça-feira a tarde, Maura estava com o celular na mão lendo uma mensagem que Fernando lhe mandara, quando Jane entrou no necrotério.
— Depois eu volto. — disse ríspida.
Maura revirou os olhos achando graça e olhou para a detetive.
A relação delas normal, mesmo após o dia de ontem, o que era bom e maravilhoso.
— Espera, não fique assim, estou com saudades daquela Jane. — falou impedindo Jane de sair dali.
— Ela está bem aqui, foi você que mudou. — virou encarando Maura.
— Eu mudei? Sério, Jane? Não mudei nada, só estou começando a ter um relacionamento , foi você que mudou.
— Depois eu volto.
Maura colocou o celular na bancada e se aproximou dela, Jane mexia nas mãos doloridas e a doutora Isles percebeu. Nunca tinha perguntado o por que de suas dores.
— O que houve com suas mãos?
— Nada, vai chover.
— Jane, por favor, me deixe vê-las, talvez possa ajudá-la.
— Você mexe com cadáveres Maura, não com pessoas vivas e ninguém consegue tirar a dor de quando vai chover.
Maura ficou triste, era injusto ser tratada assim, pelo fato de estar com alguém, nunca a deixara de lado por ele. Jamais passou por sua cabeça abandonar Jane e a amizade de ambas por ele. Amava muito Jane, o que estava começando com Fernando era novo e a amizade com Jane, apesar de ser recente também, era muito forte, ela já não poderia imaginar viver em um lugar sem ter a morena do seu lado, sem ter ela reclamando sempre de coisas bobas, sem poder conviver com suas birras, com suas palavras irônicas, sem seu jeito fofo e sem as conversas delas que alegravam Maura.
A médica legista faria o que pudesse para não ficar nesse clima com Jane. Se a detetive lhe pedisse para parar de sair com Fernando, ela até faria isso, por mais que doesse no começo, mas por Jane, ela faria.
— Jane, qual é? Somos amigas, conversa comigo, não fique assim. Não quero que a gente fique assim.
— Está bom, me desculpe! Eu exagerei.
Maura sorriu para amiga e puxou um banquinho para ela e outro para a detetive Rizzoli.
— Posso saber o que aconteceu? — Maura perguntou, sem deixar de olhar para o rosto dela.
— Não!
A legista não se intimidou com o tom de voz de Jane e com delicadeza pegou uma mão dela e a outra colocou em sua perna. Quando uma das mãos de Jane tocou sua perna, sentiu um friozinho na barriga, uma sensação como se estivesse com borboletas no estômago.
Maura estava completamente apaixonada por Jane, isso era real, a química entre ambas era real. Estar com o Fernando, na verdade, era somente uma forma que encontrou para esquecer certos pensamentos que tinha com Jane. Mas ficar com ele, não estava ajudando em nada. Ela nem mesmo tinha conseguido fazer sexo com ele, pois cada vez que o beijava, só conseguia imaginar o que Jane pensaria disso e chegou até sentir que estava traindo a detetive.
Maura começou a tocar uma das mãos de Jane com carinho, enquanto a outra continuava pousada em sua perna. Isles olhou por alguns segundos nos olhos de Jane que a observava com uma expressão apaixonada, seus dedos massageavam a mão da detetive delicadamente, em movimentos lentos. A sensação era maravilhosa, Jane estava se sentindo bem melhor com esses movimentos, sua dor foi se aliviando conforme a loira a tocava, parecia que seus dedos faziam mágica.
— NÃO ACREDITO! — exclamou Jane. — A dor foi embora Maura.
Maura não falou nada, somente pegou a outra mão e fez o mesmo procedimento. A cada toque de seus dedos, deixava Jane cada vez mais relaxada e encantada por ela.
— Não sei o que aconteceu, mas os músculos se amontoam e como a palma da mão é um lugar de muita movimentação dos músculos, acabam fazendo isso quando se tem um trauma.
— Maura, eu te adoro, sério, mesmo você sendo desse jeito toda fru-fru. Com várias teorias, palavras difíceis e com uma péssima escolha de namorado, sendo eu uma ótima amiga, muito melhor do que ele e….
— Ele não é meu namorado, apenas estamos nos conhecendo. — Maura a cortou.
— Mas confessa, eu sou muito melhor que ele!
— Você quer dormir comigo? — Maura perguntou. Pois só podia ser isso, essas palavras que a amiga estava dizendo.
Jane parou e a encarou, o silêncio tomou conta do lugar.
— Não, não é isso. — mentiu e sentiu seu rosto pegando fogo. Odiava mentir, mas teve que fazer isso, não podia revelar seus sentimentos, nem conseguia entender realmente o que estava sentindo, tudo estava acontecendo tão rápido. A pergunta de Maura a deixou envergonhada, afinal quem em sã consciência não gostaria de dormir com aquela mulher? Então, Jane mentiu.
— Estou gostando do Fernando, ele parece ser um bom homem.
— Tudo bem, só não quero que ele te machuque. Não quero te ver chorando por alguém que não mereça suas lágrimas.
— Alguém deve merecer minhas lágrimas?
— Maura foi só uma expressão.
— Hã, então tente dar uma chance a ele, por mim, por favor. — fez um biquinho.
— Depois desse milagre, faço o que você quiser. — falou sorrindo para Maura.
Ambas continuaram conversando por mais alguns minutos e depois saíram, seguindo cada uma para sua casa.
Eram duas e quinze da manhã, quando bateram na porta da casa de Callie e Maura, as batidas eram desesperadas.
Callie apareceu no corredor com a cara fechada, praticamente tinha acabado de pegar no sono e foi acordada por essas batidas fortes em sua porta.
— Calma , já estou indo.— disse Callie com a voz alterada.
Quando abrriu a porta, deu de cara com Jane, dando pulinhos de frio.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou quase fechando os olhos e bocejando.
— Maura está acordada?
— Não, eu também não estava acordada quando você quase arrancou a porta com um total desespero.
— Desculpa, mas preciso muito da Maura, ela está com o Fernando?
— Não e você sabe onde é o quarto dela, então... — Callie a puxou para dentro, fechou a porta e foi para seu quarto.
Jane entrou e encontrou Maura dormindo de uma tal maneira, ela estava maravilhosa, parecia que estava sendo filmada ou tirariam fotos dela a qualquer momento. Usava uma máscara de dormir, seu lençol e colcha era tão brancos que ela teve medo de encostar e sujar.
— Maura acorde. — falou tão baixinho que quase nem ela mesmo escutou. —Acorde. — Vendo que ela nem se mexeu, foi até o quarto de Callie.
— Ela não acorda, preciso muito dela, é muito urgente. — gritou para Callie.
— Ai, por que você não grita assim com ela? Está de brincadeira comigo?
— Não, mas me ajude a acordá-la e se você for acordar cedo hoje, leve o guarda-chuva, vai chover.
— Não vai. — Se arrastou para fora da cama, quando chegou no quarto dde Maura, pegou uma almofada e jogou em seu rosto, fazendo com que ela levasse um susto.
— O que houve? — se sentou, retirando a máscara.
— Nada, mas a maluca da Jane está desesperada, não sei por que, mas dá um jeito nela, preciso dormir. — retrucou e saiu.
— Jane aconteceu algo? — Perguntou com a voz calma e olhou no relógio.
— Minhas mãos não param de doer, vai chover, quero massagem.
Maura a encarou, não acreditava que ela estava ali, na madrugada, respirou fundo e se deitou novamente.
— Vem deite-se e apaga essa luz.
Jane fez isso, tirou os sapatos, retirou a blusa que estava fria e se deitou ao seu lado.
Maura procurou suas mãos que estavam frias e as dela estavam tão quentinhas.
— Credo, que gelo! Veio correndo?
— Não, mas está muito frio.
Começou a massageá-la, seus olhos fechados e os de Jane estavam abertos a admirando.
— Para de me olhar!
— Não estou te olhando, cala boca e faça a massagem.
— Mesmo de olhos fechados podemos sentir as pessoas nos olhando, sinto isso quando estou com Fernando.
Jane puxou a mão e deu um pulo se levantando da cama.
— O que houve? — perguntou levando um susto.
— Ai, você e o Fernando devem ficar se agarrando nessa cama, credo. — respondeu fazendo caretas.
— Como você é criança Jane, não acredito nisso! Não tem idade o suficiente para falar sobre sexo?
Jane caiu na risada, vendo como estava sendo ridícula, se deitou novamente.
— Esse é o dele? — perguntou antes de colocar a cabeça na cama, apontando para o travesseiro.
— Jane, para com isso e deita. — falou tentando ser brava com ela. — E se você quer saber, eu e o Fernando nem dormimos juntos ainda!
— Não? Como não? O que está te empedindo? Não foi você que falou que queria e precisar fazer sexo? Maura, você brigou comigo quando atrapalhei sua noite aquele dia com ele. — Jane falava as palavras rapidamente. — Agora está me dizendo que não fez sexo com ele, sério? Sendo que teve oportunidades de fazer. O que te empediu?
— Eu não vou responder todas essas suas perguntas, não vou mesmo. E respondendo uma delas, não é o momento certo para fazermos isso. Como você mesma disse, eu ainda não o conheço direito. Estamos começando agora a sair e não quero me precipitar, antes eu não estava pensando direito quando resolvi que queria fazer sexo com ele e agora até te peço desculpas pela forma como me comportei com você naquele dia — respondeu sinceramente para a amiga.
No fundo de seu coração, Maura não tinha feito nada com Fernando também porque não conseguia esquecer Jane, mas não podia revelar seus verdadeiros sentimentos para ela.
— Está tudo bem, fico feliz que queira pensar melhor. — se deitou totalmente na cama, ficando bem perto da loira. — Agora continue o que você começou. — esticou sua mão para Maura continuar a massagem.
Maura se deitou e massageou as mãos dela até ver que Jane tinha adormecido. Então a observou por alguns segundos, ela poderia ficar assim, somente a olhando, por horas, mas fechou os olhos e dormiu também.
Fale com o autor