Notas iniciais
Oi :3 Coloquei um desenhinho meu para ilustrar esse capítulo. Não é um dos melhores, mas bem, se gostaram, eu posso colocar um desenho desse em todo o capítulo.

O mundo é cruel. E não foi agora que eu notei isso. É algo que eu havia percebido há algum tempo. Enquanto andava por essa cidade grande, recheada de caos e tristezas, eu vi algo terrível. Um homem grande e alto socava um pequeno garotinho indefeso que não conseguia se defender. Eu vi seus hematomas roxos e o sangue que saia da sua boca.

Não, não é essa a crueldade da qual eu estava falando. A crueldade foi quando eu dei meia volta e fingi que não vi nada. Simplesmente continuei minha vida, ignorando que aquele menino pode estar morto nesse momento. E isso foi a crueldade que eu vi. A crueldade vinda de mim.

Fechei meus olhos e remexi minha cabeça, tentando tirar esses pensamentos de mim. A verdade é que eu não sabia mais o que eu faria. Sai do meu quarto e me deparei com um boteco de segunda linha e muito sujo.

Marie estava sentada num banquinho de madeira atrás do balcão, enquanto limpava alguns copos com um pano velho. A televisão estava ligada e o garoto, que agora era meu “chefe”, estava sentado preguiçosamente num sofá, enquanto a assistia.

Eu me aproximei, mas os dois não pareceram se importar muito com a minha presença. O noticiário começou, com notícias um pouco razoáveis e logo se começou:

“Ontem à noite foram encontrados os corpos de uma família. Todos foram mortos brutalmente a facadas. O corpo da filha mais velha ainda não foi encontrado. O mais curioso é que o corpo do suposto assassino estava no local, junto com uma arma desconhecida. Os testes de DNA para descobrir quem estava na posse da arma ainda não saíram. Daremos mais informações em breve.”

Minha mente desmoronou. Sem que eu notasse, lágrimas começaram a cair dos meus olhos. Marie notou isso e veio em minha direção com um olhar de pena.

- O que houve? – Ela perguntou. Mas depois de um tempo, ela pareceu ter encaixado todas as peças. – Você é a filha mais velha? Isso... Isso parece ser cruel. – Sua voz atingiu um tom sombrio.

Me assustei um pouco, e corri para o quarto aonde estava. Marie sempre era gentil e de repente essa aura se quebrou e deu lugar a algo sombrio. Logo a porta do quarto se abriu, e Marie saiu de lá. Ela tinha um sorriso irônico em seu rosto que me deu arrepios.

- Então sua família morreu. Toda, toda. Não sobrou ninguém. Apenas você. Que loucura. – Marie disse, com um tom frenético em sua voz.

- S-Sim. – respondi timidamente.

- Você tinha uma irmãzinha então? Como foi ver ela morrer? Como foi ver ela ser esfaqueada lentamente. Deve ter sido uma morte terrível. Uma morte completamente terrível. Não deve ser? Hein? Me responda.

- O que está fazendo? – o garoto entrou no quarto com um rosto entediado.

- Ah, hum. – não sabia o que dizer.

- Oh, é a Mary. – ele falou, assim que olhou para a mulher que estava me encurralando na parede.

- M-Mary? – perguntei, enquanto meu corpo ainda tremia.

- Ok, ok. Vá pra fora. – ele disse.

- E se eu não quiser ir? Ora, está tão divertido ficar aqui. Aliás, qual é seu nome?

- A-Alice. Eu achei que soubesse. – disse, gaguejando.

- Não dá corda pra ela. – O garoto falou. – Mary, saia do quarto agora. Se não eu vou ter que fazer “aquilo”. Eu sei que você não gosta, então aja pacificamente.

- Não! “Aquilo” não! – ela deu um grunhido. – Tudo bem, eu vou.

Marie saiu do quarto e bateu a porta provocando um estrondo que pareceu até tremer as paredes. Sinceramente, ainda não sei se aquele lugar realmente tremeu ou era minha mente que estava tremendo.

- Será que é demais falar pra você ignorar isso tudo?

- É. Não dá pra ignorar isso. A Marie parecia ser alguém gentil, e de repente mudou! Como se fosse...

- Outra pessoa? Pois é. Aquela não é a Marie, era a Mary. A outra personalidade da Marie. Alguém que vive dentro dela. Na realidade, eu não sei quem é realmente dono do corpo. Seja lá quem foi, essa pessoa foi dividida ao meio. A personalidade principal é a Marie, que é a parte gentil e boa. E a Mary, que só “sai” quando ouve ou presencia uma cena cruel. Porque a Mary realmente ama cenas cruéis, embora nunca ponha nada em ação.

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- Isso é... Isso é loucura.

- Isso é a verdade. A Marie, Mary, sei lá, já sofreu muito. Ela foi presa injustamente e viu e sentiu coisas terríveis na prisão. E houve muita raiva se acumulando dentro dela. E isso fez com que ela rompe-se. Ainda bem que ela conseguiu fugir daquele inferno.

- Eu não sei o que pensar, realmente.

- Tudo bem, eu não ligo. Sério. Isso não muda nada na minha vida. Eu só não quero que pense que a Marie é alguém falso ou ruim. Mesmo Mary e Marie, todas elas são essencialmente boas, embora cada uma consiga mostrar algo.

- C-Certo. – o garoto se virou para ir embora. – Ah! E qual é seu nome?

- John.

- Ah, ok. O-Obrigada.

- Que seja. – ele falou, saindo do quarto e fechando a porta.

Notas finais
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