Tu Viens Avec Moi?

4 Capítulo 4 - Me guider


Notas iniciais
Eu prometi que postaria este capítulo ontem, mas eu acordei com meu pescoço doendo MUITO, então passei o dia deitada e só melhorei agora, então a primeira coisa que fiz foi postar ele! Vocês já devem estar cansados de "mimimi" né? Nos próximos capítulos esse "mimimi" vai passar, ok? kkk Este mimimi será uma base para os próximo xD Então, é isso! Espero que gostem (: Capítulo dedicado à Poc Rodrigues e Cadu haha

O que queriam dizer ao mencionarem meu nome como uma tragédia? Se eu pensava que minha mãe era confusa, eu estava errada. Na verdade, a única pessoa que possuía uma história intrigante, era eu. E o pior de tudo, foi ler aquela carta e descobrir tantos segredos vindos de um desconhecido. Ou desconhecida. Ou... Enfim, eu já não entendia nada.

Fechei os olhos com minha maior força, pronta pra desmanchar minha raiva em lágrimas. Aquele fora o inverno mais difícil que passei: perdera minha irmã e estava prestes a sofrer com uma gravidade em minha mãe, e agora... Eu descobria que o passado de nossa família não havia sido assim tão normal. Subitamente senti a primeira lágrima caindo por meu rosto e, naquele minuto, decidi que eu ficaria a parte de tudo que me fora guardado.

Peguei minha bolsa e segui em direção ao único hospital da cidade. Não ficava muito longe, mas era preciso atravessar vários quarteirões, e isso era o pior! Aliás, se você pensa que aquela cidade era como qualquer outra, onde os moradores se conheciam e encontravam nos parques, está enganado. Ela simplesmente parecia ser recolhida de todo o mundo. Literalmente.

Em meia hora, eu já estava na recepção do Hospital, revivendo o pesadelo de quando Lucy lutava pela vida. Aquelas correrias, o desespero das famílias e a dor dos pacientes, passaram a me assustar a partir de sua morte, quando tudo se transformou em dor. Anunciei minha chegada para Elisabeth e quase que automaticamente, a porta da Unidade se abriu e ela caminhou até mim.

— Olá, Ariel. – ela me abraçou e continuou – Os médicos liberaram sua entrada. Converse sobre algo positivo com sua mãe, certo? – lembrei-me de que eu teria ido ao hospital para, não exatamente ver minha mãe, e sim ter explicações. E pelo visto, não eram nada positivas, mas assenti.

— Tudo bem... Alguma novidade sobre seu estado?

— Eles já possuem suas suposições, mas nada certeiro ainda... Bom, nosso trabalho será manter ela estável e cercar as lembranças de Lucy. Agora vá, mas lembre-se do que eu disse – concordei com Elisabeth e caminhei até o quarto.

Nem mesmo entrara lá, mas pela porta de vidro, pude ver sua fraqueza. Seu olhar me encontrou, e senti um aperto em meu coração, por ver os mesmos olhos de Lucy. Elas tinham os mesmos olhos destacados com um verde alecrim.

Abri a porta e sentei na cadeira ao seu lado. Ela sorriu.

- Minha filha... Fico feliz ao saber que você esteja bem...

- Mas neste momento, precisamos cuidar de você. Não acredito que esteja tão bem quanto pensamos – “Converse sobre algo positivo com sua mãe”, seria difícil obedecer a Elisabeth sabendo daquelas cartas, mas o que eu não esperava, era que ela própria iniciaria aquela conversa.

- Eu também não acredito... Os médicos deixam transparecer suas hipóteses, e eu já tenho alguma certeza. – ela suspirou e olhou para os lados – Antes que você se pergunte, eu já me livrei daquele transe. Conversei com vários psicólogos pela manhã e eles deduziram que eu estava muito pior do que aparentava. Passei essa tarde fazendo exames e tentando esquecê-la.

Eu ainda estava perdida em toda aquela conversa e só após um tempo, percebi que ela se referia a Lucy e seus momentos de perdição. Tentei encaixar cada palavra em seu devido lugar e só consegui uma coisa: deixar uma lágrima escapar.

- Eu sei que é muito difícil para você suportar isso, mas se algo ocorrer, você precisa saber da morte de sua irmã. Lucy não foi... Atropelada por engano. A história vai muito além do que lhe contei.

- O que você quer dizer? – minha voz falhou e rapidamente, senti minhas mãos tremendo.

- Me desculpe por guardar isto em tantos anos, eu nunca encontrei a hora certa para lhe contar... Acho que este é o momento. Vocês são meias-irmãs, mas não apenas isto.

- O que?

- Sim, vocês são meias-irmãs... Eu era noiva dele e conheci outro homem, então engravidei deste. E você nasceu, mas eu não queria perder toda a família e o carinho que eu consegui, então mantive segredo. Depois engravidei de Lucy, mas desta vez, era realmente dele. Até o dia em que sua irmã morreu, ele achou que vocês eram filhas somente dele. E o tempo passou, eu não conseguia mais alimentar aquela mentira, e me mudei para esta cidade, abandonando todos. Quando se passaram alguns anos, ele me mandou cartas, prometendo que cuidaria de vocês por dois anos. Foi quando você o conheceu. O prazo foi cumprido e ele partiu de volta. E agora, com seus dezessete anos, ele descobriu que uma de vocês não era filha dele... Ele sempre fora muito temperamental, portanto sua raiva foi tão grande, que ele decidiu acabar com a vida da menina errada. Você deveria estar morta. – ela terminou as palavras e olhou fixamente para mim, esperando minha reação.

- Como você escondeu isso por dezessete anos? De sua própria filha! – levantei da cadeira. A raiva espalhava por meu sangue cada vez mais, e de repente suas palavras se ligaram – Então, aquelas fotos... E as cartas...

- Você achou a caixa? – ela parecia mais assustada do que em qualquer momento daquela conversa — Não vale a pena mexer naquele passado. Ele me segurou e fará justamente o mesmo com você. Só lhe peço que não tente entender tudo, porque o que que passei nessa cidade, isso é apenas um pouco.

“Isso é apenas um pouco”. O quarto já não era o mesmo, tudo girava e minha cabeça doía. As palavras de minha mãe não saíam da minha cabeça e finalmente, algo havia se encaixado com a carta, mas algo ainda parecia ser escondido de mim.

Você pode pensar que tudo revelava lógica, mas minha infância fora inteiramente contraditória à história — me perturbou ainda mais. Minha única reação foi sair dali. Um impulso. Corri pelo corredor, vendo o desespero dos doentes, macas atravessando em minha frente e o mundo desabando mais uma vez.

- Ariel! – alguém me puxou pelo braço e tudo voltou. Era o mesmo hospital. Apertei meus olhos e vi Elisabeth – Você está bem?

- Sim, eu estou... Mas pelo visto, minha mãe está muito melhor que eu! – aumentei o tom de voz, abatendo minha raiva.

- Na verdade, não. Foi confirmado, sua mãe tem Câncer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.