Não era um dia muito movimentado e apesar de ser o principal ponto turístico da cidade, consegui adentrá-lo com discrição. Subi ao topo, era o ultimo ponto acessível aos turistas; fitei o chão e a primeira lágrima caiu, teria de percorrer uma distância de trezentos metros até tocá-lo. Era uma bela vista, mas a visão que havia em minha mente a superava de todas as maneiras.

À superfície parecia forte, ninguém desconfiava do que pretendia para o belo pôr-do-sol de três de Dezembro visto do alto da Torre Eiffel, seria aquela a ultima coisa que veria antes de partir; não deixei cartas, não gostava de despedidas e certamente não saberia com anunciar minha morte.

Seu sorriso tornou à minha lembrança perfurando meu peito, estava a exatos cinco passos do fim, sabia, pois já tentara outras vezes sem sucesso, entretanto não existiam motivos para continuar ali.

Dei o primeiro passo à primeira lembrança, o segundo ao relembrar seu toque, o terceiro veio ao sentir a brisa pesada de inverno em meu rosto, o quarto era uma resposta ao terceiro pelo cambaleio gerado pela altitude, mais um. Pensei. E aquele seria o ultimo.

– Demi, eu te amo, e peço desculpas por não ser forte o suficiente para aceitar isso. – Olhava para cima gritando aos céus. Fitei novamente o solo, decidi que era o momento certo.

Os braços delicados apresentaram uma força extraordinária envolvendo-me e me puxando para trás, o arrepio percorreu meu corpo ao ouvir a voz conhecida sussurrar ao meu ouvido.

– Eu também te amo Selena e não saberia o que fazer sem você por perto. – Aproximou-se e selou nossos lábios, não era um beijo muito intenso, ambas não queríamos essa intensidade, o nervosismo era percebido a cada movimento, precisávamos que fosse lento, a fim de desfrutar do momento. O fôlego se foi e a separação surgiu.

–Obrigada por estar aqui comigo agora. – Chorei desesperadamente.

– Meu amor, não chore mais, ficarei aqui para sempre ao seu lado, em todos os momentos de angustia segurarei tua mão e te ajudarei a seguir. – Abraçava-me forte transmitindo confiança.

–Demi, eu ia pular por sua causa, e agora você está aqui, como isso é possível?

– Escute, eu venho aqui todas as terças e vejo o pôr-do-sol e tento simplesmente ir embora, mas sempre me lembro do seu sorriso e penso que vale a pena esperar até a próxima terça.

– Você sabe que o nosso amor é impossível, você vai casar-se com o tal visconde. Não vou suportar te ver com outro.

– Eu não o amo, desisto de tudo por você, porque eu te amo, Selena. – Beijei-a com toda a intensidade que faltara na primeira vez, não recebi uma resposta, só então despertei de meus devaneios.

Estava ao ultimo passo do final, minha imaginação proporcionou-me apenas mais um motivo para seguir com o planejado, e o fiz. Escorreguei da torre de metal para o adeus pelo amor. Tive a certeza de que pousaria no roseiral decorativo, olhei para cima, desta vez não era devaneio, lá estava o meu amor gritando meu nome, os poucos segundos de queda não foram o alívio para a dor emocional, mas a angústia do arrependimento. Sua lágrima tocou minha face ao mesmo tempo em que toquei o solo passando para a outra vida.

Notas finais
Review?
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