Tsuru

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Então gente, eu sou novo por aqui e essa é minha primeira fic. Ela vai ser diferente da estória do Naruto(óbvio)modificando bastante coisa. Se tiverem alguma dúvida, qualquer que seja, coloca no review e eu vou tentar responder (se eu não estiver guardando a resposta nos outros capítulos) Bom é isso aí! Espero que gostem.
;)

O breu emanava de todas as direções recheando o local com o nada. Mesmo com sua linhagem ativada, a menina não conseguia enxergar um palmo na escuridão. Mas a sensação de estar sendo observada era aterrorizante.


A respiração esbaforida parecia ser analisada por todos os ângulos. O coração, que martelava no seu interior, ouvido por todos. As pernas se movimentavam tão rápido quanto podia, mas sempre a retornava para o mesmo lugar.


De repente, tudo estava em chamas, carbonizando a escuridão. A luz que a menina expectava, só serviu para iluminar pequenos pontos distribuídos, aos pares, em seu derredor. Estranhamente, o fogo não a consumia.


Hinata apertou os olhos numa tentativa de distinguir os contornos dos seres. Os olhos albinos estremeceram o interior da menina, e o sangue fugiu-lhe do rosto. Vários Byakugans a olhavam, acompanhando todo e qualquer movimento realizado. Um conjunto de vozes entoava somente uma coisa:


– Hyuuga-Sama! Hyuuga-Sama! — O chamado que soava ansioso, nervoso que margeava um desespero velado, enchia o quarto da primogênita de Hiashi e futura líder do Clã Hyuuga. Não satisfeito com a demora da menina para esboçar qualquer reação, pegou-a pelos ombros sacudindo-a com certa brusquidão e chamou-a repetidamente.


Grande parte da consciência já havia retornado à Hinata desde o primeiro grito que Kō dera em seu quarto. Porém seu corpo inteiro estava tomado pela fadiga proporcionada pelo dia anterior, muito cansado até mesmo para resmungar um pedido educado para que a deixasse dormir, mesmo após um pesadelo.


Os treinamentos com seu pai estavam cada vez mais puxados. A um nível que o corpo de uma adolescente, de doze anos, já não aguentava mais. Tudo era motivo para repreensão e correção. A severidade dos golpes era tamanha que sempre acabavam machucando seu corpo e sempre a derrubavam de encontro ao chão. O que mais lhe doía, porém, era ver o olhar reprobatório de seu pai.


E se ao menos sua rotina contentasse-se aos treinos com seu pai, ela estaria moderadamente bem. Contudo aquilo não se limitava ali. Havia ainda os treinamentos com sua irmã — que muitos faziam questão de lembrá-la que tinha muito mais potencial que ela. -, com Neji — o gênio da família secundária que ela sinceramente achava que se encaixaria melhor no papel de líder. -, Kō — seu guarda costa e uma das únicas pessoas que Hinata podia realmente confiar, fazer e dizer as coisas que queria, mas que sua timidez normalmente a impedia. -, o time oito — time a qual fora designada a mais ou menos sete meses atrás. Não queria ser um estorvo para o grupo, então treinava constantemente com eles. — e também consigo mesma — quando já não suportava mais receber, do resto de sua família, o mesmo semblante que via no rosto de seu pai.


E todas as noites a fadiga a acompanhava ao chegar ao seu quarto. Tomava um banho que lhe custava o resto de suas energias e arrastava-se até a cama. E todas as noites antes de dormir, ela não conseguia conter as lágrimas que saltavam sem permissão de seus olhos. O fracasso tomava sua garganta deixando um rastro de desgosto que espalhava-se pelo restante do corpo.


A garganta pinicava e Hinata sabia que se gritasse — um alto grito de frustração — aquela sensação cederia, no entanto, obrigava-se continuamente a engolir aquela necessidade assim como o choro silencioso.


O Clã Hyuuga é o mais poderoso clã do País do Fogo, os integrantes do conselho faziam questão de ressaltar toda reunião do clã. Isso sempre a fazia duvidar se ela pertencia mesmo àquela família, mas seus olhos perolados sanavam qualquer dúvida.


O desejo de desistir e largar toda aquela responsabilidade, fugir de toda aquela pressão desmedida para uma menina ou adolescente era constante e pareciam crescer quando encontrava-se sozinha no quarto. Por vezes desejava não ter nascido naquele clã. Se ao menos tivesse a oportunidade.


Um sorriso triste encheu o rosto delicado da menina.


Ela sabia que não conseguiria se entregar à desistência, que antes o faria facilmente, porque toda vez que pensava em desistir, um ninja loiro de olhos azuis tomava sua mente e espantava aquela ideia.


E toda noite, antes de dormir, ela pensava nele.


– Por Kami, Hinata-Sama, acorde! — Esbravejou Kō, sacolejando o corpo delicado embaixo dele. E só então ela percebeu o terror atravessado na voz dele.


– Kō, o que está acontecendo? — Disparou rápida. O sono e o cansaço deram lugar para a preocupação oriunda da estranheza da situação. Apesar de tratá-lo como um amigo, o tratamento usado para uma líder era o único retorno que ela conseguia.


– Um golpe de estado, Hinata-Sama. Danzou está atacando a Vila. — A face da menor retorceu numa expressão de espanto e medo. E como se para comprovar o que o rapaz acabara de dizer, a morena sentiu todo o quarto estremecer e o som de uma explosão, não muito longe ela presumiu, encher seus ouvidos. — Tome, vista isto! — Estendeu o braço com uma calça azul e o casaco de cor creme. — Coloque por cima do pijama mesmo.


Tão logo as peças lhe foram dadas ela as vestiu. As tremulações de suas mãos denunciavam o medo e a preocupação crescentes. O horror da situação enchia os tutanos de seu corpo. Ela não reconheceu a própria voz quando disse:


– Onde estão Hanabi-chan, Neji-nii-san e Otou-san? — A indagação veio assim que terminou de se vestir.


– Eles estão bem, Hinata-Sama. Por favor, não se preocupe. — Respondeu. Pegou uma mochila encostada em um dos pés da cama, que até então a Kunoichi não havia notado, e colocou-a nas costas da garota.


Abriu a boca para dizer que não havia como não se preocupar e tentar conseguir uma resposta melhor do que um "Eles estão bem", todavia quando os olhares de ambos se chocaram a menina pode ver um medo tão sufocante que decidiu ficar quieta. Ela sabia que ele temia exclusivamente pela proteção dela.


– Hinata-Sama, suba em minhas costas. — Ordenou após agachar e oferecer as costas para a morena. Sem saber o que fazer, Hinata seguiu a ordem.


***


Já haviam penetrado na floresta situada ao redor da vila. Os passos rápidos também eram silenciosos, os galhos arranhavam a pele de ambos, contudo nenhuma palavra sequer era balbuciada.


A Hyuuga fitava o local sem um objetivo estabelecido. As árvores que recheavam o ambiente corriqueiro, já que este perto dali era o lugar onde treinava com o seu time, agora forneciam um aspecto aterrorizante para a menina. Os tremores proporcionados pelas bombas acionadas dentro da vila – não muito atrás de onde encontrava. -, ressoavam pelo seu corpo.


Não chorava, pois tão pouco respirava. A sensação de medo absoluto estrangulava sua garganta, obliterando-a pouco a pouco. A adrenalina corria seu corpo, ela sentia todas as suas células sendo preenchidas. Seus sentidos pareciam hipertrofiados. Não muito distante de onde estavam ela ouvia galhos sendo partidos diante de passadas pesadas.


– Kō, es-estamos sendo seguidos. E-eu não consigo ver... – Balbuciar algumas palavras entrecortadas era o máximo que conseguia.


– Eu sei, Hinata-Sama. – A frase soou distante, ele parecia mais preocupado em escolher qual caminho tomar. Ela olhou as veias destacadas na face do rapaz e, instantaneamente, sentiu-se estúpida.


Ativou sua linhagem, na medida em que seu alarme permitia. Era difícil distinguir os contornos de qualquer coisa através da iluminação precária da lua. Mas observou cinco seres perseguindo-os. Um alívio estrondoso atingiu todo o seu interior e isso foi refletido no seu semblante assim como na sua voz ao dizer:


– Kō, eles são ninjas de Konoha. – A voz mais elevada que anteriormente, afinal, eram aliados.


– Esse é o problema, Hinata-Sama. – Sussurrou. – Fique quieta. – Confusa, ela obedeceu.


– Eles estão ali. – Um deles apontava na direção deles. Não tardou até uma Kunai cortar o ar centímetros de seus ouvidos. Os passos dos algozes mais rápidos.


Kō remexeu no compartimento agarrado à sua perna, e deixou algo que a morena não identificou para trás. Não demorou muito tempo a descobrir já que dois segundos depois uma explosão ensurdecedora encheu o local, uma mão invisível empurrou ambos para frente, assim como fez o contrário com seus perseguidores.


– Hinata-Sama, se esconda naqueles arbustos. – A ordem veio seca, mas a morena sentia a preocupação. Colocou-a no chão, passou o polegar pelo rosto da menina limpando as lágrimas que deslizavam. – Fique em silêncio e não importa o que aconteça, não saia de lá até achar que está segura, certo?


Os dois sabiam que não havia muito tempo a ser gasto. Os olhos vermelhos da Hyuuga, fixados nos do rapaz. O abraço chegou inesperadamente, não falaram nada, pois as palavras entalavam-se na garganta. Kō retirou o cordão que utilizava – o sol pendia do centro. Os raios provenientes assemelhavam o desenho a uma shuriken. – o suor pingava dos elos. Apressadamente, depositou-o no pescoço da menina.


Empurrou-a para o local designado. Hinata seguiu o mais rápido que suas pernas trêmulas permitiam, e ocultou-se por entre a vegetação arbustiva. Não tardou até que ouvisse a contenda entre seu guarda costas e os acossadores.


– Ela foi por ali. – Berrou um deles.


O pânico instalava mais e mais profundamente no seu ser, parecia querer se integrar a ela. O Byakugan fora desativado para tentar manter seu Chakra em ordem, e no seu estado atual até mesmo ativar sua linhagem poderia disturbá-lo e, consequentemente, seria detectada. Controlava a respiração o máximo que podia, enquanto permanecia paralisada.


O som da batalha enchia o ambiente. Hinata abafava os sons com as mãos, empregando tanta força que realmente acreditava que poderia partir sua cabeça. Mas aquilo não era suficiente, e logo ouviu o que seria o último grito de Kō. Rapidamente, a menina mordeu a mão – a parte entre o dedo polegar e o pulso. – numa tentativa de conter o grito de desespero, pavor e, principalmente, dor. Mas seguiria as ordens de seu amigo, agora, morto.


O gosto férreo enchia sua boca quando ouviu:


– Ela conseguiu fugir. – Disse um deles. A morena deduziu que uma parte do grupo havia se separado para persegui-la. Os sons dos passos vinham mais a esquerda de onde estava, e entendeu que provavelmente Kō havia feito um clone seu para despistá-los.


– Imbecis! – A respiração forte marcava o ambiente. – Pelo menos nós conseguimos o resto da família. – O escárnio e certa satisfação eram tangíveis.


Hinata tremeu diante da afirmação. Era como se ele tivesse ciência de sua presença e almejasse atingi-la. Em estado de choque, restou à menina continuar petrificada.


– Vamos embora.


Três dias passaram depois que ouvira a voz de qualquer pessoa. Continuava escondida no mesmo local, seguindo as ordens de seu amigo.


“Fique em silêncio e não importa o que aconteça, não saia de lá até achar que está segura, certo?”


Hinata não achava que estava segura. Mas a fadiga corroía-lhe a consciência, assim como a fome, e por esses motivos que, lentamente, se retirou de seu abrigo. As olheiras assemelhavam-se a hematomas, e sua pele estava branca como uma folha de papel. Os cabelos bagunçados, os músculos retesavam-se alternando entre cãibras e as fraquezas constantes. Mas ela não importava-se com nada daquilo, pois seus olhos contemplavam com horror o corpo à sua frente.


A poça de sangue seca revestia a vegetação rasteira onde o rapaz jazia. Morto. Incerta, a Hyuuga seguiu em direção do corpo. Algumas partes da pele branquíssima eram contornadas pela cor arroxeada. O cheiro trazia a tona o desejo de expelir tudo aquilo que preenchesse seu estômago, mesmo que nada o preenchesse.


A menina retirou a bandana que cobria a testa de Kō para comprovar algo que já tinha total certeza. O selo, que desde os três anos descansava em sua testa, não estava mais lá. A vontade de sair correndo dali, deixar tudo para trás berrava no interior dela, mas era algo que ela simplesmente não podia fazer. Não deixaria Kō apodrecer a mercê do que a floresta poderia oferecer. Teria de enterrá-lo.


Arrastou o corpo o máximo que seus braços fracos permitiam. A clareira era pequena, contudo era um dos únicos lugares que permitiam a luz do sol penetrar. Pegou a Kunai que restava do compartimento preso na perna do rapaz, e começou a cavar.


A luz da lua refletia-se nos pingos de suor que gotejava do rosto de Hinata. Não proferira uma palavra sequer. As bolhas nas mãos a atrapalhavam na tarefa. Mas mais meia hora fora o suficiente para conseguir cavar a cova rasa onde Kō descansaria. Era o máximo que ela conseguia oferecer.


Puxou o corpo até encaixá-lo no buraco. Pôs a bandana ao redor dos olhos dele e o selou com terra. Arrancou algumas flores que residiam não muito longe de onde estava, e fez uma coroa de flores. Tão logo a concluiu, sussurrou algumas palavras que nem mesmo ela conseguiu escutar, e partiu em direção à fronteira do país do fogo.


Ela realmente duvidava se um dia conseguiria se sentir em segurança.


***

Notas finais
E aí?? e aí?? gostaram?? não gostaram??
Coitada da Hinata,né?? Sou mal? mas era necessário. Não sei se vocês sabem, mas o Ko aparece no anime (no capítulo que a hinata luta com o pain, eu acho),caso queiram saber como ele é. É isso aí. sugestões e críticas, me mandem um review. Me mandem um review se vocês gostaram para eu saber e me sentir incentivado a continuar.
Obrigado, Arqueiro :D