Tsukuyomi
1 Antigos amores sempre voltam.
Notas iniciais
Tsukuyomi - Deus da Lua.
Amaterasu - Deusa do Sol.
"Amaterasu, deus do Sol, guiava a todos para a luz eterna, com sua espada metálica, dourada, em mãos, que refletia o sangue dos mortais que foram sacrificados em sua glória [...]".
-Cara, que livro foda! — exclamava Clarisse, ao se deleitar em sua leitura.
Todos os seus amigos estavam lendo este livro novo, "A tormenta do dragão.", que tratava sobre mitologia japonesa. Ela não era muito fã da cultura "japa", mas estava começando a se apaixonar, a cada página que lia.
"Yokota pode fazer cosplay de Horuko!", seus pensamentos estavam a mil.
Movimenta levante a palma, de sua mão direita, sobre a capa do livro para fechá-ló. Não se importa em não usar marcador de páginas, sua memória era ótima, sempre se lembrava dos pequenos detalhes em tudo!
Deita-se em sua cama aliviada, pois conseguiu terminar de ler os capítulos dois e três rapidamente. Procurava, entre o emaranhado de suas cobertas, seu celular que não era o mais cobiçado, e muito menos o mais caro, mas amava-o com todas as forças. Drew havia lhe comprado a um ano atrás, quando eles namoravam, o que lhe fazia sentir-se triste, "ele está a tanto tempo desaparecido, aonde você será que você está, meu bem?".
Dinheiro não era problema para Clá, a maioria de seus amigos lhe chamam assim, pois vinha de uma família muito rica. Seus pais enriqueceram bastante depois que decidiram investir nos negócios de dessalinização da água, quando São Paulo e outros estados ficaram com uma escassez grande dos recursos hídricos.
-Achei! Ufa... — Apanha o celular, digita sua senha, e já abre rapidamente o aplicativo do whats, para conversar com seu grupo de amigos, os "Secundários".
"Gente, amanhã no evento, eu vou sem cosplay, ok? Ainda não terminei de ler o livro, e não achei nenhuma personagem que me atraía tanto, ou que se pareça comigo!", digita rapidamente, e logo já lê respostas amistosas; "Relaxa Clá, eu também vou sem cós, ainda não apareceu nenhum negão no livro ;-;"- responde Léo brincando- "É sobre mitologia japonesa, você espera o que idiota?! Hahaha"- Maria logo retruca.
Os outros logos foram entrando no assunto e conversando, mas Clá já estava cansada, sonolenta, e acabou dormindo com seu celular na mão.
Teve um "sonho" horrível".
Estava sobre um altar, que possuía várias estatuetas em tamanho real, pareciam ser, demônios e guerreiros. Com katanas, cajados, arcos. Não conseguia enxergar nada, o local estava encoberto nas sombras, pequenas velas iluminavam as escadas que se estendiam até o topo aonde tinha uma aterrorizante parede. Cobria tudo à sua frente, como uma muralha, atrás das figuras. Uma gravura, pintada na parede, de um grande dragão sendo domado por um homem só, com aparência espectral, e maligna.
-É lindo não é? — ela grita ao escutar a voz áspera e metálica. Não havia se tocado que um velho surgirá do seu lado.
-Que..Quem é vo.. Você?!
-Á minha cara, você logo descobrirá, mas de ante-hora, fique ciente que..
-Ciente? Você aparece do nada, me da a porra de um susto, e vem me falar para ficar "ciente"?! Aonde estou? Ciente do que?! Eu só quero a merda da minha cama.
-CALADA! — O velho sai das sombras, mostrando sua aparência por final. Era corcunda, e possuía asas negras como a noite, e cabelos longos que se estendiam até os ombros, brancos como a Lua. Dentes afiados se estendiam em sua arcada dentária inteira, carregava consigo um cajado, maior que ele, e olha que ele era alto 1,90 para mais. — COMO OUSA ATRAPALHAR AS REDONDILHAS MAIORES DE TSUKUYOMI?!
-A.. Argh.. An... — A menina desmaia, de nervosismo e pavor, e acorda em sua cama.
Levanta-se da cama ficando sentada, suava frio, com o corpo molhado, morria de calor, mesmo trajando apenas uma regata e uma calcinha rosa.
-QUE PORRA FOI ESSA?!
....
Clarisse estava correndo, a mais ou menos meia hora, do metrô até o parque do Ibirapuera. Ela anseia em contar sobre o sonho para os amigos. Ao atravessar uma rua, perdida seus pensamentos, ela quase foi atropelada.
-Olhe pra onde anda, vadia!
Gritou o homem sentado em seu SpaceFox prateado.
Ela o ignora, e continua sua corrida.
Já no parque, corre em direção ao bosque. Chegando no local encontra os secundários em formação circular, prestando atenção em algo que estava dentro da roda. Ao aproximar-se mais percebe que todos estavam com cara de espantados, assustados.
-GALERA VOCÊS NÃO SABEM O QUE EU SONHEI!
-Clá.. An.. — Thalles vira-se para olhar para ela, chorando.
Ela abre caminho entre seus amigos até avistar no chão Drew, morto, com 15 katanas cravadas entre seu tórax e suas pernas.
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