Acordei e abri os olhos bem devagar, e só quando tive certeza que não estava sonhando, me apoiei nos cotovelos e olhei tudo em volta. Percorri todo o corpo de um albino deitado ao meu lado. Ele era de tal perfeição que parecia ter sido esculpido por anjos. Podia passar o dia inteiro ali, mas tinha escola, então desci e puis a cafeteira para trabalhar enquanto fui preparar dois lanches com geléia de morango. Estava deslizando a faca pelas fatias quando fui surpreendida por um corpo albino definido me preensando contra a bancada da cozinha. Me virei de frente para ele, encarando-o.

- Neeeeeeeear, agora não, temos escola.

- Ah, poxa — Ele resmungou.

- Depois te recompenso.

- De que maneira? — Ele passou as mãos pela minha cintura, apertando forte, enquanto me olhava profundamente com um desejo que nunca tinha visto antes nele.

- Você sabe, agora vai comer, bobo — Eu o afastei e ele sorriu torto pra mim, fazendo meu coração bater mais rápido.

Seguimos o ritmo natural e saímos depois de nos arrumarmos pra escola, e assim fomos em alguns minutos de brincadeiras, selinhos e risadas, chegamos lá. No caminho tínhamos inventado uma brincadeira. Como meus cabelos eram escuros e os dele brancos, agora nos chamaríamos de Ying e Yang. As duas peças, branca e negra, que se completam. Opostos que se atraem. Até que entramos pelo portão principal e paramos na frente da secretaria.

- Ying, vou pra aula de Biologia II, te vejo na terceira aula.

- Ok azinho azinho.

- Hey, não zoe minha genética recessiva.

- Estou brincando. Te amo Yang, até mais.

Ele me mandou uma piscadinha de olho e seguimos por corredores opostos. Tive que parar para amarrar meu tênis e me abaixei, deixando meus livros no chão. Quando levantei o olhar, lá estava Mihael Keehl, ou Mello pra quem preferir.

- Olá amorzinho.

- Não sou seu amorzinho.

Me levantei, arrumando meu shorts do uniforme. Mello me engolia com os olhos azuis arregalados.

Ele me pegou pelos dois braços e me prendeu contra os armários.

- Pode ser se quiser. Agora que você não está mais com o idiota branquelo.

- Mais uma vez, não estou interessada.

Ele ia avançar para me beijar, quando o empurrei para trás com os dois pés. Ele se levantou, e já vinha com as mãos abertas para me prender de novo quando me abaixei e acertei uma giratória bem em seu rosto, deixando uma marca física e psicológica. Ferir seu orgulho ao ser rejeido e uma marca de tênis no rosto.

- E idiota, é o senhor. Vê se me erra.

Olhei para Matt, que tinha guardado o PSP e olhava receoso para mim, como se quisesse me ajudar ou alguma coisa. Ele deu um passo na minha direção.

- Relaxa Matt, estou bem. Só acho que você precisa rever suas companhias.

Joguei meus cabelos metade castanhos metade descoloridos para trás, e saí andando com meu material para a minha aula de Literatura. Com essa, defitnitivamente ele tinha aprendido que não se mexe com Close Shinzoo, muito menos se for para mencionar Nate River.

Me sentei na carteira e peguei o material enquanto sorri comigo mesma.

É.. Não provoque se não quiser vingança.