Tsuki City
36 壊れた - Broken
Os dois \"amigos\" de Nate saíram da sala, passando direto por mim, e indo para o lado oposto do corredor, e logo depois, saiu Near. E eu ainda estava imóvel no chão, procurando as respostas pras minhas perguntas. Ele foi até um mural, que ficava bem na frente da porta da sala que os três deixaram e quando se virou, jogou o cabelo branco para o lado, e me avistou. Ele viu meu estado e veio correndo até mim.
- Close, meu amor, o que — Interrompi.
- Não encoste! E também não me venha com essa de meu amor. Você vai terminar comigo? Não se dê ao trabalho, eu faço isso por você. Me esquece, Nate.
Virei meus cinco dedos que estavam formigando bem na face albina do garoto. Preguei a mão na cara dele. Como ele ousava fazer isso? Por pura popularidade? Eu estava muito inconformada. E dar o tapa não me ajudou, então saí correndo pelo sorredor Sul, em direção à rua de trás do colégio.
Corri o mais rápido que pude e quando cheguei em uma das janelas, verifiquei a grande altura e não me importei, pulei, e aterrisei no chão com certa dificuldade. Meus tornozelos estavam doendo mas eu não aguentava mais nem um instante, então pulei as grades, que já estava bem velhas, e não eram tão altas, cortando um pouco minha canela, e corri, corri o meu máximo. Cheguei finalmente no fim da rua, e desabei na calçada, chorando muito, desesperadamente, querendo ser acordada deste pesadelo a qualquqer momento. Me encolhi ali na rua mesmo, deitada ao lado do poste em frente à nossa casa, e fiquei assim por horas, quando ouvi bem de longe o sinal tocar e sabia que era a última aula do dia. Entrei em casa bem depressa, me tranquei no banheiro e só não me matei afogada porque Deus não quis.
Ouvi o barulho da porta, que significava que Ellie tinha chegado em casa já. Ela entrou no banheiro e me perguntou sobre os arranhões, e os roxos, e eu expliquei tudo o que tinha acontecido, na maior má vontade, por entre algumas lágrimas. Ela entendeu que eu precisava ficar sozinha, e disse que ia ficar dormindo no quarto de hóspedes, e que se eu precisasse, ela estava apenas à alguns passos de distância. Assenti com a cabeça, e afundei na água quente mais uma vez, desejando não voltar para a superfície.
\"Because I\'m broken when I\'m lonesome, and I don\'t feel right, when you\'re gone away\".
Saí do banheiro, e me joguei na cama. Acabei apagando e dormi durante a tarde inteira. Quando acordei, eram oito e meia da noite e eu desci pra comer alguma coisa. Ellie já tinha ido se deitar, e eu apenas peguei um pedaço de bolo da geladeira. Comi e depois lavei e guardei o prato. Subi novamente para o quarto e começei a escrever no meu diário. Ele já estava com as folhas no fim, e quando me dei conta, tinham acabado as folhas. Escrevi até na contra-capa e depois desisti. Não tinha espaço pra minha dor no papel. Fui até a varanda, e achei uma camisa do Near, tirei minha camiseta e coloquei sua camisa, com o perfume delicioso de Ferrari Black. Eu não conseguia acreditar ainda, e me apoiei, olhando para cima, achando um céu sem lua, sem estrelas. Olhei para a casa da frente, que me recordava muitas coisas. Já era uma hora e quinze da manhã.
\"It\'s a quarter after one, I\'m all alone and I need you now\".
Olhei para baixo da varanda e encontrei um par de olhos negros como o céu daquela noite, e segurando apenas um MP3, ouvindo músicas que não pareciam muito felizes. Entrei no quarto, coloquei um shorts jeans, saí, fechei a porta, desci as escadas e saí de casa, encontrando Lawliet. Ele me viu e retirou um dos fones de ouvido.
- Que houve L?
- Ah, sua irmã não te disse?
- Não entendi ainda.
- Eu vi ela beijando o Kasoishi hoje, no intervalo.
- Não acredito, que ridículo isso, mas ela te ama tanto, Lawliet.
Eu suspirei ao mesmo tempo que ele. Parecia que estávamos no mesmo barco.
- Era o que eu pensava também. E você está assim porque?
- Ouvi Near com Mello e Matt, ele disse que ia terminar comigo por popularidade — Eu quase cuspi a última palavra.
- Aqueles dois. Já disse pra Nate ficar longe. Não acredito.
Deixei escapar uma lágrima e senti os braços de Lawliet em minha volta. Me assutei, porque ele não parecia muito o tipo \"irmão consolador\", mas logo me rendi, porque no final das contas, ele também precisava de um abraço de uma irmã agora. Nós ficamos sentados ali por uns dez minutos, choramos um pouco e eu achava bonito o jeito dele, não esconder as emoções a partir do ponto em que ele confiava em alguém. A dor me corroía por dentro, e sabia que dentro dele também, era como ácido. Mas nós tínhamos um ao outro pra nos consolar. Ele agora era meu colo de irmão.
Eu estava quebrada, ele também. E nós íamos nos consertar aos poucos.
Eu acho.
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