Tsufuru Mania

17 Capítulo XV


- Você tem mais coragem do que eu me lembro! — disse o Rei Vegeta, rindo — Eu até tenho vontade de te perguntar se você não quer ser meu aliado novamente, mas não. Vou te matar agora mesmo.

- Bem… Estou bem aqui. Veja se consegue me pegar.

Vegeta voou com tudo e deu um soco, fazendo seu punho perfurar o peito de Purin. Vegeta ficou surpreso; era de se esperar que o resultado fosse ser esse, mas com um desafio daqueles, esperava que a luta fosse ser um pouco mais longa. Mas ao olhar para baixo, viu que Purin ainda estava sorrindo, mesmo com o braço do inimigo atravessando seu peito.

Purin não esboçou qualquer reação, até que sua imagem piscou e então sumiu. Vegeta olhou ainda mais para baixo, confuso, e viu um pequeno dispositivo no chão. Uma esfera. Ele não sabia disso, mas aquilo era o EchoBud, o aparelho do assistente virtual capaz de transmitir hologramas.

Aquilo era diferente de qualquer coisa que o velho saiyajin já havia visto, o que fez com que ele ficasse sem reação. Foi então que a reação veio até ele; o verdadeiro Purin apareceu e lhe deu um soco. Teve de pular para acertar na cabeça, já que era mais baixo que seu oponente. Mas o soco foi bem dado, e além disso, não foi um soco qualquer, pois havia usado o braço robótico, que era muito mais forte do que o mais forte dos tsufurujins. Isso fez com que Vegeta fosse arremessado rolando pelo chão, como um boneco de pano.

- Eu te perguntaria se você não quer se render e ir embora, mas… Vá catar coquinho.

Logo que terminou de se levantar, Vegeta olhou ao redor, pois ao sentir aquele impacto, pensou que se tratava de ainda outro inimigo que aparecera. Mas foi o próprio Purin que atacou, e logo em seguida ele foi e deu mais um soco.

Foi atingido novamente, na lateral da cabeça. Aquilo machucou, mas assim Vegeta finalmente percebeu o que estava acontecendo, e quando veio o terceiro soco, ele bloqueou com facilidade, usando o antebraço.

- Eu não tinha percebido que você arranjou um braço novo. Vocês, tsufurujins, são cheios de truques.

- Sim. Ainda tenho um monte — Com isso, Purin abriu a palma da mão robótica, e de lá saiu uma rajada de ácido verde, que atingiu queimando o rosto do inimigo.

No tempo que precisou para se recompor, Vegeta levou uma sequência de socos daquele braço robótico. Assim que se recuperou, Vegeta tentou agarrar Purin pela garganta, mas este, se aproveitando da agilidade e tamanho reduzido dos tsufurujins, pulou feito um coelho por baixo das pernas do inimigo. Vegeta virou para trás e tentou atingi-lo com um pisão, mas purin rolou para o lado e depois usou o braço para atirar uma bola de energia, que acertou.

Dessa vez, Vegeta conseguiu se recuperar mais rápido, mas então Purin tirou uma cápsula do bolso e apertou seu botão. Era uma bomba de fumaça, e como havia acontecido pouco tempo antes, Vegeta ficou desorientado, enquanto o tsufurujin podia ver tudo, graças ao scounter.

Purin aproveitou isso para acertar vários socos mais. Conseguiu causar algum dano, mas logo a fumaça se dissipou, bem como o elemento surpresa, pois o oponente já havia percebido que aquele não era um combate qualquer. Vegeta tentou acertar alguns golpes, mas estes eram todos aparados por Purin.

Apesar de o braço robótico estar fazendo todo o trabalho, aquilo estava sendo muito cansativo para Purin; os solavancos que o braço dava ao socar chacoalharam todo o frágil corpo do tsufurujin, e seu ombro já estava deslocado. Além disso, se levasse um único golpe em cheio do saiyajin, seria seu fim, então ele precisou ficar atento em cada milissegundo do combate.

Pouco tempo antes, Purin havia conseguido ver parte do combate contra contra a Chiri em forma de Oozaru, e por isso, tinha esperanças de que lutaria contra um oponente exausto, que cairia com apenas alguns golpes, mas este não foi o caso. Então Purin resolveu que ia tentar algo diferente. Vegeta ia acertar um soco no rosto do tsufurujin, mas este segurou o punho do oponente no meio do caminho, com o braço robótico, que então ativou ainda outro truque em seu repertório: Eletrocução. Vegeta caiu de joelhos, gritando enquanto a onda de choque percorria seu corpo. Aquilo foi mais um golpe que o pegou desprevenido, mas que acabou o irritando mais do que machucando. Assim que ele conseguiu puxar o braço e assim se livrar do choque, Purin já havia ativado outra bomba de fumaça.

Em meio à fumaça, Vegeta esperou com atenção, se preparando para o próximo ataque. O que ele não esperava era que o oponente havia usado essa oportunidade para fugir. Quando a fumaça se dissipou, Vegeta viu um ponto brilhante voando para longe, não muito acima do chão, e começou a persegui-lo. Obviamente era Purin, que com sapatos à jato, voava para a cidade fantasma no horizonte, não muito longe dali, onde pretendia pôr em prática seu último plano.

Os sapatos à jato não eram tão rápidos nem podiam voar muito alto. Felizmente havia uma formação de montanhas ali perto, e Purin voou através delas, para tentar despistar o saiyajin. Vegeta voou em meio a aquele labirinto para encontrar sua presa, mas com isso acabou perdendo vários segundos.

A perseguição continuou até que Purin finalmente conseguiu chegar na cidade, onde tinha mais oportunidades para se esconder. Ele foi avançando pela cidade, atirando e se escondendo, com o rei dos saiyajins em seu encalço, até que entrou em um prédio particularmente alto, e Vegeta entrou logo em seguida.

Dentro do prédio era ainda mais escuro do que fora. Mas Purin continuou avançando, até chegar mais ou menos no meio do térreo.

- Cadê você? Pode se esconder o quanto quiser, mas uma hora vou te encontrar — disse Vegeta, andando devagar pelo labirinto macabro. Ele estava quase se divertindo com a perseguição, mas também estava ficando cada vez mais debilitado, por causa da radiação, e em algum momento ele se cansaria do jogo e explodiria a cidade inteira. O que ele não esperava é que o combate ainda não estava ganho.

- AGORA, KEKI!

Com esse comando, Keki apareceu das sombras e usando a Burendã, atirou. Vegeta foi arremessado contra uma parede. Purin e Keki fugiram imediatamente. Logo que eles conseguiram sair do prédio, Keki tirou do bolso um controle remoto e apertou um botão. Bombas, que ele plantou em pontos estratégicos do prédio, detonaram.

A explosão que se seguiu arremessou os dois tsufurujins para longe — o que não foi tão ruim, pois eles estavam tentando se afastar, de qualquer maneira. Mas além disso, as estruturas do prédio foram destruídas, e ele desmoronou sob seu peso. Uma grande explosão, e então toneladas e mais toneladas de concreto caíram sobre o rei dos saiyajins, que não conseguiu escapar.

Isso causou um barulho ensurdecedor, que pareceu durar uma eternidade, enquanto o prédio caía. Quando isso finalmente terminou, segui-se um estranho momento de silêncio, como se todo o som do mundo tivesse acabado. Aquilo permitiu um momento de alívio para Purin e Keki.

Porém, não durou muito. Uma nova explosão surgiu sob os destroços do prédio. E dessa vez era o próprio Vegeta, que em meio à fúria, liberava todo seu poder. Dessa vez, não haveria mais discursos ou brincadeiras; ele iria destruir seus inimigos assim que os encontrasse.

Na confusão das explosões, os tsufurujins se separaram, e não teriam tempo para se reunir de novo. Purin voava o mais rápido que podia, mas foi avistado por Vegeta, que atirou.

Purin olhou para trás a tempo de ver o tiro, mas tudo que pôde fazer foi rebater a energia, com o braço robótico. Aquilo jogou o disparo para longe, mas também foi suficiente para destruir o braço. Purin foi arremessado para longe e caiu no chão.

Com o alvo parado, Vegeta, que estava voando alto, atirou. Mas ele percebeu que não iria acertar, pois quando o tiro ainda estava no ar, surgiu um vulto veloz que tirou Purin do caminho.

Era Chiri. Ela conseguiu puxar Purin para longe do local onde o disparo acertou. Porém, logo após isso, ela caiu novamente, ao lado do amigo, pois ainda estava exausta.

Lá do alto, Vegeta olhou para os dois, depois olhou ao redor.

- Este planeta é horrível… Eu quase tenho vontade de permitir que vocês vivam por aqui, apenas para que passem o tempo todo sendo consumidos pelo desejo de vingança, que nunca se realizaria. Mas não, nosso jogo termina aqui. Adeus — ao dizer isso, Vegeta atirou mais uma vez, e dessa vez acertou.

A explosão deixou uma enorme cratera no lugar onde Purin e Chiri estavam. Agora, não havia mais nada lá, apenas destroços. Vegeta havia se esquecido de Keki, e também de Konbu, que interferiu no combate antes, mas não importava. Ele foi até sua nave e assim saiu de Remonpai, para nunca mais voltar.