Tsufuru Mania

10 Capítulo VIII


Por algum motivo, o Rei Vegeta considerou Purin especial o bastante para lhe proferir um discurso, como um super vilão explicando seu grande plano para o mocinho.

“A muitos anos, quando chegamos neste planeta, nós não imaginamos que vocês tinham uma lua poderosa como esta. Então lutamos aos poucos, um golpe de cada vez, para conquistar nosso território. Ainda estávamos acampados em desertos e outras áreas remotas, quando a dez anos, a lua apareceu pela primeira vez desde que chegamos. Ao ver a lua cheia, nós, os saiyajins, despertamos o nosso verdadeiro poder, e nos tornamos absolutamente invencíveis. Chamamos essa nova forma de Oozaru. O único problema é que quando isso ocorre, nós perdemos a consciência e destruímos tudo em nosso caminho. Com exceção dos mais poderosos, e naturalmente isso inclui a mim.

Então quando a lua apareceu naquela fatídica noite, acabou que só destruímos uns aos outros e os nossos acampamentos, sem mesmo que vocês tivessem notado. Perdemos muita coisa, mas com isso, começamos a arquitetar um plano para usar esse poder à nosso favor. Na verdade, só foi necessário que estivessemos bem posicionados pelo mundo, e assim que descobrimos que a lua apareceria novamente após mais dez anos, nós esperamos”

Ele fez uma pausa para que Purin absorvesse as informações. Tudo fazia sentido: foi por isso que os saiyajins fizeram aquela formação estranha no céu, bem no meio da cidade. Se não fosse pela transformação, eles teriam sido aniquilados pelos tsufurujins. Purin também se lembrou de Otosu e dos outros. Será que eles também participaram do plano? Ou eles nem ao menos sabiam sobre a tal transformação em Oozaru? De qualquer maneira, já havia um traidor à vista.

- Nós estamos praticamente extintos, Purin — Sunakku começou a dizer — Keki e algumas outras pessoas da família estão vivos. Nós podemos ser apenas os melhores dos melhores, e se continuarmos a ajudar os saiyajins, iremos conquistar mais do que qualquer tsufurujin jamais conquistaria. Pense sobre isso.

Purin foi transferido para um novo quarto, onde de fato, teve tempo para pensar. Esse quarto era um pouco melhor e até tinha uma janela pequena, e a porta sempre ficava aberta. Aquilo parecia ser de propósito; havia guardas vigiando o tempo todo, como se dissessem “claro, a gente paga pra ver você tentar fugir”.

No dia seguinte, Rei Vegeta saiu daquele lugar com uma comitiva de saiyajins, trazendo também Purin, sozinho em uma carruagem velha. O caminho que eles seguiam parecia fazer mais desvios que o necessário, e Purin imaginou que era para ele próprio ver o resultado da noite dos Oozaru: a cidade estava toda em ruínas, com alguns pontos ainda pegando fogo. Não havia sinal de tsufurujin lutando, apenas corpos espalhados por aí.

Ironicamente, Purin acabou conseguindo chegar no laboratório onde estavam a maior parte das invenções de seu avô, onde tentara chegar na noite anterior, pois era para lá que a carruagem o estava levando. Era um complexo de prédios grandes e modernos, e o único lugar que parecia estar intocado, como se nada tivesse acontecido — exceto por todos os sayajins andando para lá e pra cá. Purin foi escoltado para o quarto novo, que seria sua prisão. A cama era meio dura, e ele estava sendo alimentado, embora a comida não fosse muito boa. Algumas horas depois, os guardas o levaram para uma ala do laboratório onde estavam reunidos alguns equipamentos tecnológicos aleatórios. Um deles era um protótipo do scounter. O Rei Vegeta estava ali, olhando de longe, enquanto alguns saiyajins perguntavam a Purin sobre os equipamentos. Eles nem pareciam saber o que era a maior parte daquilo, e Purin simplesmente respondeu ao que perguntavam.

Desde que foi capturado, Purin não pensou em muita coisa e se manteve calado, a não ser quando precisava responder alguma pergunta. Até mesmo quando trouxeram Keki para sua cela, após a empolgação inicial em vê-lo novamente, se limitou a dizer apenas o essencial.

- Minha mãe está bem. Ela disse que alguns de nossos tios, parentes e amigos também — contou Keki — Não fiquei sabendo de muita coisa mais, porque eles não me deixam vê-los. E…você? Como está o seu braço?

- Bem, eu acho — disse Purin, dando de ombros — Eles trocam as minhas bandagens todos os dias, e também colocaram um creme com um cheiro estranho. Devem estar acostumados a lidar com esse tipo de ferimento E de qualquer maneira, acho que eu não seria de muita utilidade se eu pegasse uma infecção e… você sabe. O Bito, ele…?

Keki fez um não com a cabeça, e eles ficaram em silêncio por um tempo, já que até então, não tiveram realmente tempo para assimilar tudo que aconteceu.

- Você acha que Chiri e os outros tiveram algo a ver com isso? — perguntou Keki em um sussurro, e continuou a falar após Purin apenas ter dado de ombros novamente — Não importa. A gente vai dar um jeito de sair daqui e colocar a família em um lugar seguro, depois vamos dar o troco nos saiyajins.

- É, tanto faz — disse Purin.

Os dias seguintes se tornaram rotina surpreendentemente rápido. Purin tinha um pouco de tempo livre pelas manhãs em sua cela, onde ficava sem fazer nada, depois era levado para um dos laboratórios no centro científico, onde precisava ficar ensinando sobre o funcionamento de todas as armas, bugigangas e parafernalhas. Os saiyajins não entendiam nada das explicações, em parte porque nunca tiveram contato com aquelas tecnologias, em parte porque Purin às vezes falava um monte de abobrinhas sem sentido que pareciam inteligentes, já que seu único entretenimento era ver a expressão confusa na cara confusa dos saiyajins. Fora isso, nem mesmo Purin sabia sobre boa parte daqueles equipamentos, já que nem todos foram desenvolvidos por seu avô. Também tinha o fato de que algumas das perguntas dos saiyajins eram simplesmente tolas.

- E isso aqui, é o que? — perguntou um deles.

- É uma torradeira, senhor.

Infelizmente as aulas tiveram que ficar mais sérias, porque depois de alguns dias, Sunakku e o próprio Rei Vegeta passaram a assisti-las bem de perto. Ele era muito mais inteligente do que os outros, então não podia ser enganado. Assim eles passaram a ver equipamentos cada vez mais avançados. Purin teve que explicar como pôde sobre os carros voadores, sapatos à jato e até a burendã, a arma laser — embora a de Purin fosse protótipo de um modelo mais avançado, e ela havia ficado casa. Rei Vegeta não prestou muita atenção nessa parte, porque os saiyajins já conseguiam voar bem rápido e atirar sem precisarem de nenhum gadget. O que chamou mesmo a sua atenção foi a nave espacial.

A nave, com seu formato esférico e uma janela rosa na frente, tinha espaço para apenas um viajante, mas tinha a capacidade de mantê-lo em uma espécie de repouso criogênico por vários meses, então não haveria a necessidade de ficar parando para coletar suprimentos em longas viagens. Teoricamente ela já funcionava, mas estava em fase de testes, e os tsufurujins não tiveram tempo para de fato usá-la. Se é para se colocar em uma bola de metal à deriva no espaço sideral, você vai querer ter certeza de que ela funciona bem.

Então todas as próximas aulas foram sobre a nave. Purin nem sabia tudo sobre aquilo, para poder ensinar, e normalmente não estaria muito motivado a aprender, já que isso ajudaria os saiyajins. Mas Keki continuava sendo levado para visitá-lo, bem como outros membros do que sobrou da família, e assim Purin concluiu que deveria fazer o que pediam, para evitar mais mortes horríveis.

Para completar o efeito psicológico, de vez em quando, Purin era levado para desfiles pelas cidades vizinhas, e todas estavam em ruínas. Não havia tsufurujins vivos, apenas saiyajins andando por aí, comemorando e reconstruindo o lugar à sua maneira. Em um dos desfiles, foram para a Cidade Central, onde foi erguida uma grande estátua do Rei Vegeta. Keki estava junto de Purin nesse dia, e eles assistiram juntos a uma cerimônia. Nela, o Rei proclamou, diante de seu exército entusiasmado, que eles finalmente venceram a guerra, e que dali em diante o planeta seria conhecido como Planeta Vegeta.

Mais tarde naquela noite, Purin e Keki estavam sozinhos na cela/quarto. Obviamente, eles se conheciam desde sempre, e desde sempre tinham o hábito de, quando um ficava triste, o outro assumia uma postura mais descontraída, para tentar animar a ambos. Normalmente Keki assumia esse papel, e ele o fazia novamente naquele momento, tão bem quanto era possível.

- Planeta Vegeta… — disse Keki, rindo, quando os guardas pareciam não estar ouvindo — o cara não tem muita criatividade para nomes, não é mesmo? Na verdade, eu fiquei sabendo que ele tem um filho, e você não vai acreditar em qual é o nome dele… — Purin apenas forçou um sorriso, e Keki continuou a falar — Eu pude ver o menino um dia desses. Acho que tem uns seis anos, mas é muito forte, pelo que dizem…

Eles estavam naquela situação há uma semana, e Purin continuava calado, sem parecer ter a intenção de fazer qualquer coisa. Aquilo estava começando a frustrar Keki.

- Cara, se anima, a gente vai conseguir sair daqui! Só precisamos de um plano — ele se levantou e ficou andando de um lado para o outro na cela, tentando pensar em algo — Olha, eu não sei, mas deve haver um jeito. Eles te levam todos os dias para aquele laboratório, não? E se você construísse alguma coisa, tipo uma armadura de ferro super resistente, e fosse atirando em todos eles até a saída?

Até o momento, Purin esteve tentando controlar todas as suas expectativas de sair dali. Por isso, estava ficando irritado com Keki, e aquele foi o ápice.

- E como… Como, cavalinhos voadores, vou construir uma armadura de ferro? Eles estão vigiando todos os meus movimentos. Eu não poderia construir nem um estilingue sem que eles soubessem do que estou tramando. Na verdade, eles já sabem que em algum momento nós vamos conspirar para fugir, mas eles também sabem que isso é em vão, porque simplesmente não há para onde fugir. Não foi simplesmente uma mudança de nome, Keki. O Planeta Planta deixou de existir, e não há o que a gente possa fazer.

- Então você espera que a gente simplesmente desista, sem nem tentar? Se é assim, por que você está ajudando os saiyajins?

- Eu só espero que, quando eu não for mais útil, eles se livrem de nós de um jeito que seja rápido.

…….

Mais uma semana se passou daquele mesmo jeito. Na maior parte do tempo, Keki fingia que aquela última conversa não aconteceu, então quando ele passava o tempo com o primo, não tocavam no assunto. Às vezes caçoavam dos saiyajins, falavam sobre comida, ou brincavam de peteca com uma bolinha de papel — de repente as aulas que tinham na escola não pareciam mais tão entediantes.

Purin não queria admitir, mas às vezes seu olhar se demorava um pouco mais nas janelas ou nas portas que davam para a saída. Ele sabia que não havia o que fazer, já que no final das contas, havia saiyajins por toda parte em um raio de vários quilômetros. Além disso, sobre construir uma armadura ou qualquer coisa que os ajudasse a escapar, também não havia chances, pois seus raptores ficavam de olho em todas as parafernalhas tecnológicas mais importantes do lugar, especialmente nas naves espaciais, nas quais o Rei Vegeta continuava bem interessado. Ele pediu uma vez que Purin estudasse sobre uma nave maior que havia no laboratório, ela tinha formato de disco e seria capaz de trazer um bom número de passageiros por vez. Mas ela era bem mais complicada do que as naves esféricas pequenas, então Purin a viu apenas uma vez até então. Ela e as outras naves ficavam em uma ala mais afastada do laboratório, e seria impossível chegar sem ser visto até elas.

Durante as noites, Purin ficava sozinho em seu quarto, e aproveitava para ficar olhando o céu estrelado, por uma janela cheia de barras que ficava próxima ao teto. Uma das estrelas mais brilhantes parecia familiar a Purin, e ele se perguntou se não era uma que ele havia visto pelo telescópio com seu avô, anos antes. Aquele pensamento o deixou relaxado, então ele continuou distraído com isso. Até o momento que ouviu passos se aproximando.