Três vezes - Draco
2 Segunda Vez
Notas iniciais
Draco Malfoy viu Hermione Granger chorar três vezes. Foram três vezes em que ele teve de olhar aqueles olhos castanhos úmidos, por conta das lágrimas. Três vezes, nas quais quis correr ao seu encontro e a reconfortar. Três vezes, que se sentiu sem poder nenhum.
O ano havia sido difícil para todos, mas para a garota mais inteligente da sua idade, ele estava sendo impossível. Por mais que se esforçasse para não ceder à pressão, tinha que ajudar a todos a sua volta e a lidar com problemas que não eram seus.
Ela sabia que ia ser complicado, quando ainda nas férias de verão, Harry cismou que havia algo de errado com Draco e começou a persegui-lo. Depois, o melhor amigo achou um livro antigo de poções que era de um tal Príncipe Mestiço. Ele estava obcecado por aquilo e nem se interessava em saber quem era esse tal Príncipe Mestiço.
O estopim foi quando, durante uma briga com Draco Malfoy, o amigo usou uma magia das trevas. Ela quase não acreditou, no momento em que a contou do feito. A partir daquele acidente, tentou convencê-lo a se desfazer daquela porcaria.
No início, mesmo que não gostasse de admitir, sentia inveja dos dotes do amigo e queria saber quais eram os segredos que o livro guardam, mas com o passar do tempo e a mudança de comportamento dele, ficou preocupada com o conteúdo.
E, quando lançou o Sectumsempra no banheiro e quase matou um colega, aquilo virou uma questão de segurança. Ela precisava saber o que estava escrito ali, ou pelo menos, fazer o amigo largar aquilo, para sempre.
Mas, mesmo assim, ela aguentava sem derrubar uma única lágrima. Porém, naquela noite foi impossível não deixar as lágrimas escaparem de seus olhos, o diretor mais querido havia falecido e seu velório acontecia.
Depois que a cerimônia acabou e as homenagens foram feitas, os alunos voltaram pouco a pouco para o castelo, menos Harry e Ron, eles foram ficar com Hagrid o fazendo companhia. Hermione disse que não iria, que preferia ir ao seu dormitório. Pela primeira vez, contou uma mentira para eles.
Ela seguiu até o Lago Negro e escolheu a árvore mais afastada para se apoiar. Ali, ela chorou como nunca. Tremia, soluçava e as lágrimas saiam sem pausa. Sabia que a mudança dos tempos estava mais próxima do que nunca, a morte de Dumbledore só comprovou isso. Agora ela corria contra os relógios.
— Por que tudo tem que ser tão difícil? – murmurou.
Draco, que estava próximo ao local, viu os cabelos castanhos cacheados e o reconheceu no mesmo instante, sabia quem era a dona. E escutou quando fez a primeira indagação e escutou todas as outras.
— Por que Harry é tão teimoso, e muitas, tão burro também? Por que ele não aceita ajuda? E por que Merlin, por que as coisas não podem ser normais? Por que nós, jovens, temos que lutar em uma guerra? Isso já não deveria ter acabado? Para alguém que se exibe por se achar superior aos trouxas, usar a violência como eles faziam, não me parece tão superior assim.
Draco foi obrigado a concordar com as indagações e pensamentos da garota, jamais admitiria isso, mas ela tinha razão. No fundo, ele era obrigado a falar para si mesmo, que ela sempre tinha.
Essa foi a segunda vez que Draco Malfoy viu Hermione Granger chorar.
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