Três amigas e o amor.

44 Sílvia – Aquela proposta surpreendentemente maluca de viagem


Sílvia tocava a vida, sem grandes expectativas de mudanças do seu dia a dia, gostava de ocupar-se para o tempo passar mais depressa. No colégio, ela mantinha uma relação cordial com Artur, que era sempre muito gentil e educado com ela, mas não sentia nada por ele, além de amizade.

Então, no meio de uma manhã qualquer, não pode acreditar quando Ana veio com aquela proposta surpreendentemente maluca de viagem.

— Oi, Sílvia. Eu queria saber, se você conseguiria tirar alguns dias de folga do trabalho? — Ana perguntou, em tom casual.

— Assim de repente? Para que? E quando?

— Esse o problema, para daqui uns cinco dias. Uma loucura, não é?

— Daqui a cinco dias?! Mas para que? Que loucura é essa? – Sílvia foi pega de surpresa.

— É uma viagem relâmpago para uma praia paradisíaca com tudo pago — Ana deu a notícia de um jeito animada, tentando contagiar a amiga.

— Ana, você está brincando? Ganhou algum prêmio? — Sílvia parecia atônita

— Não, é a trabalho, mas vou ter que bancar a turista e ir com uma amiga, seria bom para ajudar no meu disfarce — Ana explicou, sem dar muitos detalhes, contaria tudo depois, calmamente.

— Puxa! Que trabalho é esse, Ana? Nada ilegal, eu espero?

— Que isso, Silvia? Você me conhece muito bem, claro, que é seguro, só que preciso manter segredo, tipo espionagem. E então, aceita?

— Uma viagem para o paraíso e de graça? Eu vou nem que tenha que inventar que toda minha família morreu ou implorar para a diretora. Pode contar comigo, Ana!

Sílvia resolveu que iria de qualquer jeito, queria sair um pouco daquele seu mundo, da sua rotina massacrante e sem graça, da sua casa, de olhar a cara de pena que seus pais, pela perda do seu tão sonhado futuro. Mas, ela não precisou mentir ou implorar. Simplesmente, conversou com a diretora do colégio, que foi bem compreensiva, conseguiria uma substituição por alguns dias, as aulas poderiam ser repostas depois.

O resto da semana passou rápido, com os preparativos da viagem, que deveria ser o mais secreta possível.

Finalmente, o fim de semana chegou e, no sábado, bem cedo, Ana e Sílvia já haviam embarcado, esperando o momento da decolagem, enquanto os derradeiros passageiros ainda entravam no avião.

— O que ele está fazendo aqui? – Sílvia indagou, vendo alguém se aproximar.

Ana acompanhou o olhar da amiga, vendo Marcelo com uma mochila nas costas, que guardou acima do assento perto dos dela, sorrindo para elas, antes de ocupar o lugar.

— Eu não sei – disse, sem desviar o olhar do recém-chegado – Eu não sabia que ele viria.

— Não me diga que Marcelo é seu cliente secreto? – Sílvia perguntou, abismada, e Ana sacudiu a cabeça afirmativamente. – Por que, Ana, depois de tudo que você sofreu se meter de novo com ele?

— Mas o caso é muito interessante, pode afetar a vida de muita gente, além de salvar um lugar lindo.

— Será que é só isso mesmo, Ana? Ou você queria ficar mais tempo junto dele? – Ana a encarou desolada. — Não precisa responder, pois está na sua cara a resposta. Eu sinceramente espero que saiba o que está fazendo.

Nesse momento, as portas foram fechadas e o avião começou a taxiar e logo começou sua corrida para alcançar o céu.