— Ah Qualé Boomer? — diz Brady repentinamente irritado. — Um Bicho Papão, que tipo de pesadelo é esse?

— Digamos que, esse Bicho Papão seja diferente daquele que encontramos em Kinkow — diz Boomer temeroso. — Suponhamos que ele seja pior.

— Pior quanto? — diz Mason.

— Muito pior — diz Boomer. — Do tipo que atormenta meus pesadelos...

— Qual é o tipo que te atormenta? — diz Mikayla perdendo a paciência.

— Canibal — diz Boomer explodindo. — Pronto falei, é bem provável que ele coma a Kayla a noite, que geralmente é quando os pesadelos se passam.

— Então temos um dia inteiro para encontrar a Kayla. — diz Mason tentando manter a calma.

— Isso não pode estar acontecendo. — diz Brady sendo consolado por Mikayla. — Ela era tipo o mascote do grupo... Por que o Bicho Papão não levou outra pessoa? Por que não o Lanny? Sem ofensas Lanny.

— Sem problema — diz Lanny. — O sentimento é recíproco.

— Acho que o Bicho Papão confundiu os cheiros e acabou levando ela. — diz Boomer.

— O mais importante é: como faremos para encontrá-la? — diz Mikayla.

— Boz você consegue rastrea-la com seu cajado? — diz Mason para o rei ruivo.

— Infelizmente não — diz Boz desanimado. — Minhas habilidades só se resumem a natureza do labirinto.

— Eu posso. — diz Boomer levantando a mão. — Eu não sei como, mais descobri que tenho habilidades de rastreamento de animais, eu só preciso encontrar o Bicho Papão para que possamos achar Kayla.

— Ou o que sobrar dela — diz Lanny baixinho.

— Deve ser uma das habilidades ganhas por ser um caçador. — diz Mikayla e Mason concorda com um aceno.

— Mãos a obra, então. — diz Mason.

***

Boomer se ajoelha na terra e fareja.

— O Bicho Papão passou por aqui a cerca de uma hora e... — Boomer dá uma lambida na terra. — Quarenta e cinco minutos.

— E isso significa? — diz Brady.

— Estamos nos aproximando dele. — diz Mason animado. — Ao que parece Kayla deve estar dando muito trabalho para ser carregada.

Algumas horas se passaram desde a partida do acampamento. Boomer e Boz iam a frente do grupo, Boz descobrindo por onde não seguir, e Boomer mostrando por onde o Bicho Papão havia fugido. Eles seguiam por caminhos sinuosos cercados por cânions.

Por volta do meio-dia, eles prosseguem por um corredor entre dois paredões. Os paredões são diferentes dos outros, possuem várias heras por toda a extensão e cipós interligando-os nas alturas. Também tinham buracos, semelhantes a covas espalhadas pelas rochas. A luz do sol é fraca ali, o ambiente tinha um aspecto selvagem e hostil.

— Tem algo errado — diz Mikayla. — Ou só eu que tenho a sensação, que estamos sendo observados?

— Não é apenas uma sensação... — diz Mason. — Estamos sendo observados.

Vários cipós se remexeram repentinamente.

— São macacos. — diz Boz olhando atentamente para o alto, notando vários símios se locomovendo de um lado para o outro.

— Vamos continuar em frente sem chamar a atenção. — diz Boomer. — Talvez assim eles deixem nós passarmos sem incômodos.

— Isso não está me cheirando bem. — diz Brady.

— Quando eu vivi entre macacos, há muito tempo atrás — diz Boz sabendo o que vinha pela frente. — Eles me contaram um mito sobre uma antiga tribo de macacos inteligentes...

— E deixe-me adivinhar, você tem medo deste mito. — diz Mikayla.

— Não exatamente do mito... Mais precisamente de um personagem em particular. — diz Boz olhando ao redor procurando por algo.

Os macacos começam a gritar eufóricos pulando de um cipó para outro. O grupo continuava se movendo abaixo deles.

O grito dos macacos ecoa pelas rochas fazendo o chão tremer, o som começa a formar uma única palavra, se repetindo várias vezes.

— Karma! Karma! Karma! — dizem os macacos selvagemente.

— Por que os macacos estão pedindo calma? — diz Brady. — É eles que estão estressadinhos, pulando de um lado para o outro.

— Alguém tem alguma banana? — diz Boomer.

— Para distraí-los enquanto passamos? — diz Mason.

— Não — diz Boomer. — Simplesmente me deu vontade de comer banana. Ver todos esses macacos me deu fome.

— Será que os macacos vão nos matar logo? — diz Lanny dando um tapa na testa. — Porque eu não estou suportando tanta estupidez.

— Karma — diz Mikayla para Brady. — Significa destino no idioma sânscrito de Kinkow.

— Olhem! — diz Mason apontando para o fim do corredor.

No fim do corredor havia uma sombra grande e sinistra assentada sobre um monte de ossos.

— Por favor digam para mim que aqueles ossos são de galinha — diz Brady encolhendo.

— Aqueles ossos são de galinha — diz Boomer.

— Sério? — diz Brady.

— Não, mais você disse para dizer então eu disse. — diz Boomer.

— É o Bicho Papão assentado sobre o trono de ossos? — diz Mason preocupado.

— Não... — diz Boz. — Aquele é Karma, o Gorila Rei.