Três Reis Contra O Tempo
39 Trono de Ossos
— Ah Qualé Boomer? — diz Brady repentinamente irritado. — Um Bicho Papão, que tipo de pesadelo é esse?
— Digamos que, esse Bicho Papão seja diferente daquele que encontramos em Kinkow — diz Boomer temeroso. — Suponhamos que ele seja pior.
— Pior quanto? — diz Mason.
— Muito pior — diz Boomer. — Do tipo que atormenta meus pesadelos...
— Qual é o tipo que te atormenta? — diz Mikayla perdendo a paciência.
— Canibal — diz Boomer explodindo. — Pronto falei, é bem provável que ele coma a Kayla a noite, que geralmente é quando os pesadelos se passam.
— Então temos um dia inteiro para encontrar a Kayla. — diz Mason tentando manter a calma.
— Isso não pode estar acontecendo. — diz Brady sendo consolado por Mikayla. — Ela era tipo o mascote do grupo... Por que o Bicho Papão não levou outra pessoa? Por que não o Lanny? Sem ofensas Lanny.
— Sem problema — diz Lanny. — O sentimento é recíproco.
— Acho que o Bicho Papão confundiu os cheiros e acabou levando ela. — diz Boomer.
— O mais importante é: como faremos para encontrá-la? — diz Mikayla.
— Boz você consegue rastrea-la com seu cajado? — diz Mason para o rei ruivo.
— Infelizmente não — diz Boz desanimado. — Minhas habilidades só se resumem a natureza do labirinto.
— Eu posso. — diz Boomer levantando a mão. — Eu não sei como, mais descobri que tenho habilidades de rastreamento de animais, eu só preciso encontrar o Bicho Papão para que possamos achar Kayla.
— Ou o que sobrar dela — diz Lanny baixinho.
— Deve ser uma das habilidades ganhas por ser um caçador. — diz Mikayla e Mason concorda com um aceno.
— Mãos a obra, então. — diz Mason.
***
Boomer se ajoelha na terra e fareja.
— O Bicho Papão passou por aqui a cerca de uma hora e... — Boomer dá uma lambida na terra. — Quarenta e cinco minutos.
— E isso significa? — diz Brady.
— Estamos nos aproximando dele. — diz Mason animado. — Ao que parece Kayla deve estar dando muito trabalho para ser carregada.
Algumas horas se passaram desde a partida do acampamento. Boomer e Boz iam a frente do grupo, Boz descobrindo por onde não seguir, e Boomer mostrando por onde o Bicho Papão havia fugido. Eles seguiam por caminhos sinuosos cercados por cânions.
Por volta do meio-dia, eles prosseguem por um corredor entre dois paredões. Os paredões são diferentes dos outros, possuem várias heras por toda a extensão e cipós interligando-os nas alturas. Também tinham buracos, semelhantes a covas espalhadas pelas rochas. A luz do sol é fraca ali, o ambiente tinha um aspecto selvagem e hostil.
— Tem algo errado — diz Mikayla. — Ou só eu que tenho a sensação, que estamos sendo observados?
— Não é apenas uma sensação... — diz Mason. — Estamos sendo observados.
Vários cipós se remexeram repentinamente.
— São macacos. — diz Boz olhando atentamente para o alto, notando vários símios se locomovendo de um lado para o outro.
— Vamos continuar em frente sem chamar a atenção. — diz Boomer. — Talvez assim eles deixem nós passarmos sem incômodos.
— Isso não está me cheirando bem. — diz Brady.
— Quando eu vivi entre macacos, há muito tempo atrás — diz Boz sabendo o que vinha pela frente. — Eles me contaram um mito sobre uma antiga tribo de macacos inteligentes...
— E deixe-me adivinhar, você tem medo deste mito. — diz Mikayla.
— Não exatamente do mito... Mais precisamente de um personagem em particular. — diz Boz olhando ao redor procurando por algo.
Os macacos começam a gritar eufóricos pulando de um cipó para outro. O grupo continuava se movendo abaixo deles.
O grito dos macacos ecoa pelas rochas fazendo o chão tremer, o som começa a formar uma única palavra, se repetindo várias vezes.
— Karma! Karma! Karma! — dizem os macacos selvagemente.
— Por que os macacos estão pedindo calma? — diz Brady. — É eles que estão estressadinhos, pulando de um lado para o outro.
— Alguém tem alguma banana? — diz Boomer.
— Para distraí-los enquanto passamos? — diz Mason.
— Não — diz Boomer. — Simplesmente me deu vontade de comer banana. Ver todos esses macacos me deu fome.
— Será que os macacos vão nos matar logo? — diz Lanny dando um tapa na testa. — Porque eu não estou suportando tanta estupidez.
— Karma — diz Mikayla para Brady. — Significa destino no idioma sânscrito de Kinkow.
— Olhem! — diz Mason apontando para o fim do corredor.
No fim do corredor havia uma sombra grande e sinistra assentada sobre um monte de ossos.
— Por favor digam para mim que aqueles ossos são de galinha — diz Brady encolhendo.
— Aqueles ossos são de galinha — diz Boomer.
— Sério? — diz Brady.
— Não, mais você disse para dizer então eu disse. — diz Boomer.
— É o Bicho Papão assentado sobre o trono de ossos? — diz Mason preocupado.
— Não... — diz Boz. — Aquele é Karma, o Gorila Rei.
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