Três Reis Contra O Tempo
36 Montanha Abaixo
— Desceremos por esse beco, as rochas parecem mais lisas por ali. — diz Mikayla apontando para um declive próximo deles que serviria como ponto de largada, para a descida mortal.
— Tem certeza que isso vai dar certo? — diz Brady, temeroso. — Por que isso me parece loucura?
— Porque o plano foi seu — diz Mikayla testando a madeira do carrinho.
Não era exatamente um carrinho de rolimã, pois era maior e lembrava muito um trenó. A aparência precária era um detalhe a parte.
— O meu machado vai ser o nosso leme, e também nosso freio. — diz Mikayla mostrando para o rei como o equipamento funcionava.
Eles arrastaram o antigo tronco, agora um trenó com leme, para próximo do declive do precipício.
— Eu vou dirigir — diz Mikayla fazendo sinal para que Brady fosse na frente.
— Nem pensar a ideia foi minha... — diz Brady.
Mikayla pega um pedaço de madeira que sobrou casualmente.
— Sabe, eu não estou em um dia muito legal, você tem certeza de que está disposto a me provocar? — de repente aquele pedaço de madeira parecia intimidador.
— Isso é uma ameaça? — diz Brady estreitando os olhos.
— Sim.
— Porque funcionou. — diz Brady.
O rei se preparou para adentrar no trenó de rolimã e a vertigem o atacou de novo.
— Eu não consigo — diz Brady suando frio. — Isso é loucura até para os meus padrões.
— Rei Brady entre logo no trenó — diz Mikayla tentando empurrá-lo.
O dragão surgiu repentinamente próximo, e pousou a uns quinze metros de distância dos dois, fazendo a montanha tremer. Seu peito inflou pronto para mais uma rajada de fogo...
Mikayla com um movimento brusco lançou Brady de ponta cabeça para a parte da frente do trenó, e logo depois empurrou o veículo emergencial, ladeira abaixo.
Por muito pouco as chamas do dragão não atingem sua cabeça, mais uma labareda acerta a parte de trás do trenó onde fica o machado/leme.
O carrinho desce a montanha, cada vez mais rápido. A velocidade apaga o fogo.
— Tire essas pernas de cima de mim! — diz Mikayla tentando se acomodar na parte de trás, enquanto Brady esperneava.
Brady tentando se colocar sentado acaba acertando um chute no leme fazendo o trenó desviar do caminho original, eles passam por uma rampa que os lança para o alto.
Devido a ausência de gravidade, Brady consegue se ajeitar, sentado, ele olha para Mikayla atrás dele, irritado.
— Por que você me empurrou? — diz Brady, quando ele percebe que ainda estão suspensos no ar apenas um som ocupa a sua voz. — AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!!!!
Eles atingem o solo da montanha novamente, o movimento faz com que os dois balancem descontroladamente, Mikayla usa o leme para nivelar o trenó, fazendo com que desçam de forma mais uniforme.
— Nós já morremos? — diz Brady com os olhos fechados.
— Não — diz Mikayla. — Mais não é por falta de tentativas. Tente se abaixar um pouco, eu não estou conseguindo enxergar o caminho...
Mais um solavanco. Brady se agarra ao trenó com força.
O trenó desce a montanha cada vez mais rápido, a estrutura de madeira rangendo de forma alarmante.
Em questão de segundos eles se aproximam do solo.
— Droga o fogo do dragão danificou o freio! — diz Mikayla puxando o cabo do machado para cima e para baixo.
— A... Ar... Ah! — diz Brady chocado. — ÁRVORE!!!!
— Brady se abaixa eu não consigo enxergar! — diz Mikayla, vendo que isso seria impossível, ela pergunta: — Para que lado eu tenho que virar?
— Para a direita! — diz Brady. — Ou melhor para a esquerda! Eu não sei...
Mikayla vira para a esquerda, o trenó pega uma rampa e é lançado novamente as alturas, desta vez porém a estrutura não suporta. Brady e Mikayla são lançados ao ar, juntos com os restos do trenó.
Ambos caem sobre uma densa vegetação de arbustos.
Após alguns segundos de pura dor...
— Isso poderia piorar? — diz Brady.
— Sim, caímos sobre arbustos cheios de espinhos.
Os dois se ajeitam nos arbustos gritando. Após o momento desesperador, onde um retirou os espinhos do outro. Mikayla diz:
— Pelo menos conseguimos pegar a caniça brava. Agora só precisamos encontrar o Boz e os outros.
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