Três Reis Contra O Tempo
5 Ep1: Ato II: Problemas Atemporais Parte 1
Notas iniciais
— Certo — diz Brady respirando fundo. — Isso já aconteceu antes, vamos pensar em um plano racional e... Que, que é que eu to falando? Vamos morrer aqui, socorro!!!
Brady começa a surtar em um desespero completo. Kayla ao seu lado, olha para o relógio maluco em seu pulso:
— Não há mais tempo. — diz Kayla em um tom tão profundo de tristeza que faz Brady parar de chorar. — Está tudo acabado eu falhei... Falhei para com Kinkow...
Uma lágrima escorrega pelo rosto de Kayla.
— Olá? — diz Brady. — Eu sou o psicótico e surtado aqui! Você, sei lá, tem que ser esperta, e mostrar para mim que ainda haverá um amanhã.
— Você não entendeu? Não haverá um amanhã. — a expressão de Kayla endureceu. — Ela está vindo, e você nem mesmo sabe o significado da profecia.
— Que profecia? — diz Brady confuso.
Kayla tira o papel do bolso e lê:
Um de vocês cairá, mas nem tudo perdido estará
Sobre as fendas verão o brasão
Abaixo as portas do braseiro se abrirão
Após a trombeta soar, a filha do mal se revelará. Na mão de quem o controle estará?
— Que poema legal, tem até rima... — diz Brady distraído.
— Não é um poema, é uma profecia — diz Kayla. — O primeiro verso é sobre meu pai, ele está perdido... De resto a única coisa que sei é que a rainha vai chegar aqui também...
— Rainha? — diz Brady, ainda mais confuso. — Que rainha, não vai dizer que eu tenho uma irmã, porque pelo amor de Deus, dois irmãos já são demais... Daqui a pouco vão nos chamar de dúzia de reis.
— Quer saber? Deixa para lá. — diz Kayla perdendo a paciência. — Estou tentando explicar equação de segundo grau, para alguém que não sabe nem quanto é dois mais dois.
— Puxa, você é bem inteligente hein? — diz Brady.
— Pena, que eu não possa dizer o mesmo.
Eles ficam em silêncio por um segundo.
— Espera ai, dois mais dois é quatro né?
— É.
— Ufa, nunca fui muito bom em multiplicação. — diz Brady aliviado.
— De uma coisa estou certa — diz Kayla feliz. — Pelo menos, vou morrer sorrindo.
***
No salão real ocorria uma discussão acalorada entre os reis, o príncipe e os dois chefes da guarda (Mikayla e Mason).
— Espera ai deixa eu ver se entendi tudo — diz Boomer pedindo tempo, a explicação de Mason. — O nome do artefato do tempo do qual você falou é Artefato do Tempo?
— Isso é porque na época em que foi descoberto não havia muitas palavras, e o povo não era muito criativo... — diz Mikayla.
— E o que isso tem haver com prender o Brady? — diz Boz.
— Brady nos traiu! — disse Mikayla irritada.
— Hello — diz Lanny com tom zombeteiro. — Ele te traiu — diz apontando um dedo acusador para Mikayla. — Você e seus chifres.
Mikayla ameaçou bater em Lanny que se distanciou para atrás dos reis.
— Mikayla pare com isso, você está descontrolada! — diz Boomer.
— Alem do mais, não sabemos se Brady nos traiu, tudo o que vimos até agora foi ele abraçando uma garota — diz Boz com a razão. — E cá entre nós abraço não é nenhum crime...
Irritado Mason tirou um grosso volume do bolso e folheou rapidamente:
— Segundo a lei de Kinkow sobre namoros, capítulo 600, parágrafo 1022 é “expressamente proibido abraçar qualquer garota que não seja a sua namorada e ou parentes, e até mesmo o abraço na namorada deve ser comportado, o não cumprimento dessa lei, acarreta em uma multa devera severa de 50 chibatadas”...
Boomer se vira para Boz assustado e diz:
— Lembre-me de nunca namorar nessa ilha...
— Mas ainda não entendi porque Brady está preso — diz Boz. — Segundo a lei ele deve tomar as chibatadas, mas a lei não fala da prisão, na verdade a lei fala que devemos dar a chance do acusado se defender de forma justa...
— Onde está escrito essa lei? — diz Mason e Mikayla juntos.
Boz pega um pedaço de papel e escreve rapidamente, usando a costa de Boomer como apoio. Ao terminar ele diz entregando a Mason:
— Aqui esta a lei, sobe apoio — das costas — de um rei, e assinada por um rei ou seja ela é oficial a partir de agora.
— Mas aqui está escrito “huraráuuuuuaaaaaaiiiiiiaaaaacoguacohuhuhuhuhu” e a assinatura é a digital do dedão do pé! — diz Mason com descrédito.
— Eu só sei escrever macaques tá legal! — diz Boz perdendo a paciência. — E se não formos agora ver o ponto de vista de Brady, eu vou demitir vocês dois.
Mesmo com a expressão superséria, de Boz, Mikayla perguntou:
— Está nos ameaçando?
— Sinto muito — diz Boz em ultimato. — Eu posso até não conhecer muito o meu irmão, mas não vou permitir que lhe cometam injustiça alguma, mesmo que para isso tenha que enfrentar meus melhores amigos.
Todos ficam pasmos. Boomer se aproxima do ouvido de Boz e sussurra:
— Da onde você tirou essas ideias?
— De Neville, em Harry Potter e a Pedra Filosofal — diz Boz.
— Mas depois de dizer isso a Hermione não o petrifica? — diz Boomer.
— Bem petrificado eu já estou, e um pouco borrado também, mas eu confio em Brady e sei que ele não nos deixará na mão...
A cena muda e todos estão diante da cela na masmorra. A cela está escancarada e vazia, Brady e Kayla haviam desaparecido.
— Então qual lei vai me impedir de acabar com vocês? — diz Mikayla apertando o ombro de Boz e Boomer.
Boz e Boomer olham sem graça para Mason e Mikayla. Lanny fica gargalhando. E tudo o que Boz e Boomer conseguem dizer em meio a um sorriso sem graça é:
— Parolar?
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