Três Reis Contra O Tempo
25 Alem do Portal
— Olhem — diz Boomer apontando para o portal.
A entrada do portal brilhava suavemente, e o que antes parecia um espelho sólido, agora lembrava mais uma água prateada trepidando.
— O portal está finalmente aberto. — diz a Lady da Caverna. — Vocês já podem passar por ele.
— Você tem algum outro conselho, que não seja um poema sinistro? — diz Mason tentando espantar a nuvem da última conversa.
— Para falar a verdade tenho sim — diz Lady da Caverna se levantando, ela limpa a sujeira das pipocas que caíram e olha para o grupo a sua frente. — Como vocês contaram um segredo ao portal, vocês receberão um presente cada um, por completarem o primeiro desafio...
— Presente? — diz Boz. — Legal! Tomara que seja algo de comer, eu estou com uma fome.
— Como eu ia dizendo — diz Lady da Caverna. — O artefato do tempo lhe dará aquilo que é necessário para passar do segundo desafio, ou seja não esperem por comida ou algo do gênero.
— Aaah! — dizem os três reis desapontados.
— No mais, meus conselhos são — diz Lady da Caverna. — O labirinto é vivo e provavelmente conversará com vocês, não esperem nada direto dele, porque ele é excêntrico... E quando a pergunta certa vier à resposta é o dia do aniversário dos reis.
— Você está guardando tudo o que ela está falando na mente, não é Mikayla? — diz Boomer. — Porque eu não estou entendendo nada.
— Não se preocupe majestade, eu sei do que ela está falando. — diz Mikayla confortando não apenas Boomer, mais todos os reis, embora ela não tivesse entendido o que a Lady da Caverna queria dizer com “labirinto”.
— Agora podem ir, isso é o máximo que eu posso fazer por vocês — diz a Lady da Caverna. — Nem preciso dizer que se falharem, Kinkow nunca mais existirá. Mais se, por um obséquio, vocês conseguirem completar os desafios, o que eu duvido, eu lhe peço Mason, venha me visitar na caverna de vez em quando, é ruim às vezes ser uma Senhora da Caverna sem um Senhor da Caverna para me fazer companhia.
— Pode deixar comigo. — diz Mason para a bela Lady da Caverna, depois sussurra para Mikayla. — Não importa o que aconteça nunca me deixe ir na caverna dela, nunca.
Dito essas palavras, todos começaram a se preparar para atravessar o portal, juntos. Fizeram uma última refeição comendo algumas coisas que Boz trazia escondido nos pés. Não foi algo muito agradável, mais era melhor do que nada (ou não). Fizeram isso para desfrutar um da companhia do outro, para o caso do pior acontecer alem do portal.
Preparados o máximo que podiam, o grupo se aproximou do portal um ao lado do outro, Kayla segurava a mão de Brady, e o rei já estava tão acostumado com sua presença que nem se incomodou.
— Ah só mais uma coisa — diz Lady da Caverna. — Obrigado pelos momentos agradáveis, eu não me divirto tanto assim já faz um mil anos.
— Ah e obrigado também... Deixe me ver, por nada. — diz Lanny para a Lady da Caverna.
Mason então olha para o grupo.
— Prontos? — diz Mason.
— Na verdade, não — diz Boz. — Mais vamos ver no que dá.
— Todos beberam água e foram ao banheiro? — diz Mikayla.
Todos concordam, e caminham lado a lado, adentrando o portal. A superfície fria, semelhante à água gelada os suga para dentro, e a principio apenas o grito dos reis pode ser escutado.
— AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHAHAHAH!!!!!!!
***
A sensação que eles tinham era a de que estavam caindo em um abismo sem fim.
Uma voz poderosa vinda do nada diz:
"O caçador, o druida e o bardo são reis... O príncipe fica com a faca afiada? Talvez... Aos leais porém só resta a espada. E a filha do rei, não ganha nada."
Após a voz se silenciar, todos se encontram caídos em um chão de terra batida. Quando um viu ao outro, descobrem enfim, qual era o presente do artefato do tempo.
Brady estava vestindo uma roupa medieval, tinha um chapéu com uma longa pena, e trazia um bandolim na costa. Ele era um bardo.
Boomer estava vestindo roupas de um verde escuro, tinha um arco e um alforje com flechas sobre os ombros e uma faca de caça na cintura. Ele era um caçador.
Boz estava vestindo um longo manto verde, um chapéu pontudo sobre a cabeça e na mão trazia um cajado nodoso de madeira. Ele era um druida.
Lanny estava vestindo uma roupa espalhafatosa e colorida, um chapéu cheio de guizos chacoalhando na cabeça, na manga da roupa, porém, havia uma faca fina e afiada. Ele não era um bobo da corte, ele era um assassino.
Mason estava revestido por uma armadura brilhante, nas costas trazia uma espada gigante, que para ser manejada, precisava ser empunhada com as duas mãos, em um dos braços está um escudo com o símbolo de Kinkow. Ele era um cavaleiro.
Mikayla estava vestindo uma roupa feita de couro e peles de leão, havia ombreiras com espinhos e braceletes com taxões afiados, também vestia uma saia feita de pele de animal aberta nas laterais, e sandálias de couro e nas mãos ela trazia um enorme machado. Ela era uma guerreira.
Kayla estava vestida de Kayla, porque ela era Kayla. Não havia recebido um presente, porque seu objetivo no labirinto era apenas encontrar seu pai desaparecido.
A voz poderosa diz:
"Bem vindos... Ao labirinto do medo, onde irão enfrentar os seus maiores pesadelos".
Fale com o autor