Três Reis Contra O Tempo
14 A Mui Nobre Sala do Trono
Por dentro Mikayla sabia que aquela situação não iria acabar bem, mais quando ela e Lanny, cobertos por seus mantos foram levados à sala do trono, Mikayla teve certeza disso.
Estavam diante de um salão maior do que toda Kinkow, o piso de jaspe verde refletia a grandiosidade do trono. O trono, com mais de doze metros de altura e feito de pedras preciosas, refulgia sob a luz dos lustres como uma constelação de estrelas. Havia também enormes colunas de mármore, entalhadas sob a forma da rainha em uma pose triunfal.
Mais o que realmente chamou a atenção de Mikayla, não foram os enormes guardas (que lembravam o gigante Atogh, só que um pouco mais assustadores) ao lado do trono, nem mesmo o olhar de Lanny que venerava o local como um Squonk em um lixão, mas sim uma grande passagem próxima ao trono.
— O cofre real... — balbucia Mikayla.
Só podia ser ele, pois dali Mikayla podia ver prateleiras e mais prateleiras de tesouros enfileirados.
— Senhoritas, que bom que vieram. — diz uma voz vinda do trono, tirando Lanny e Mikayla do tupor. — Só Deus sabe o quanto precisamos de cortesãs!
A voz vinha da direção do trono, mais não era da rainha, demorou um instante até Mikayla perceber um anão se aproximando deles, o mesmo anão que estava com Lanne'Ara durante a destruição de Kinkow. Mikayla olhou uma última vez para a grandiosidade do salão e depois para o anão, e teve que se segurar para não rir.
— Então cortesãs podem tirar a capa. — diz o anão incomodado com a aparência de Mikayla e Lanny, agitando suas mãozinhas.
O sangue da dupla gela, tentando ganhar tempo Mikayla diz:
— Er... Então aquele é o cofre real? Só por curiosidade.
— Isso não é assunto para cortesãs! — diz o anão irritadiço.
— É que minha amiga aqui — diz Mikayla apontando para Lanny. — Apostou comigo que você não iria me dar a resposta, porque você não é cortês o suficiente, acho que ela me deve 100 reais.
O anão corou.
— Sim aquele é o cofre da majestosa, magnífica e diva Lanne'Ara. — diz sem graça, mais voltando à seriedade prossegue. — Agora tirem a capa para eu saber se são belas o suficiente para se aproximarem de Lanne'AAAAAAAHHHHHH!!!!
O tempo de se esconder terminou. Mikayla acerta um chute direto na barriga do anão jogando-o para longe antes mesmo de ele terminar a frase.
Mikayla e Lanny tiram a capa e prosseguem correndo em direção ao cofre real, quando se aproximam da entrada os gritos do anão ricocheteiam no grande salão:
— GUARDAS! GUARDAS! PEGUEM AQUELES DOIS LADRÕES! GUAAAAAARDAS!
As portas do cofre começam a se fechar, os guardas como que despertos de uma soneca, disparam em direção aos dois. Mikayla e Lanny adentram o cofre poucos instantes depois a grande porta de metal se sela, trancafiando os dois lá dentro.
— Espero que tenha um plano — diz Lanny irado. — Porque se nos arrastou até aqui para morrermos trancafiados em um cofre eu te mato!
— Cala a boca e comece a procurar pelo relógio do limbo! — diz Mikayla buscando nas prateleiras.
Dentro do cofre luzes vermelhas piscam, e o som do alarme faria até a pessoa mais surda pedir por silêncio.
Mikayla e Lanny reviram o lugar de cabeça para baixo, mais não havia nada parecido com relógio ali.
— Olhe só para essas relíquias! — diz Lanny novamente com o olhar sonhador, limpando uma lágrima que caía. — Eu amo essa Rainha!
Ele pega uma das taças de ouro, e começa a se esfregar nela como se fosse um ursinho de pelúcia.
— Pare com isso Lanny, nosso tempo é...
A voz de Mikayla para antes de terminar a frase, o coração batendo mais acelerado do que nunca. A sua frente ela encontra uma prateleira cheia... Cheia de coroas enfileiradas cada uma contendo o nome dos reis que a usaram, na prateleira de baixo vários cedros também organizados.
Mikayla coloca a mão sobre o peito tentando se lembrar como se respira. Kayla, havia dito que Lanne'Ara era uma bruxa, mais ali estava a prova de que ela era mais do que isso, Lanne'Ara era uma Regicida. As três últimas coroas tinham gravados os nomes de Brady, Boomer e Boz.
TUM. TUM. TUM.
A enorme porta do cofre começou a se abrir novamente, revelando nada mais nada menos do que a própria Lanne'Ara, seu rosto belo e vítreo, transformado pela carranca. Mikayla sacou o facão elétrico que havia capturado de um dos guardas na prisão, e se preparou para lutar, Lanny por outro lado começou a se esconder dentro do tesouro desesperado.
A porta finalmente se abriu por completo, Lanne'Ara sorriu friamente diante do medo de Mikayla.
— Você não faz ideia do erro que cometeu criança, melhor teria sido esperar na cela pelo sacrifício.
Antes que Mikayla pudesse atacar, ou mesmo se mexer, Lanne'Ara estendeu o cajado, jogando Mikayla com um enorme baque na prateleira de coroas e cedros.
Mikayla cai no chão, desacordada, um filete de sangue escorrendo por seus lábios.
Lanne'Ara se aproxima de Mikayla e lentamente se vira em direção ao local onde Lanny estava enterrado.
Lanny sai do meio do tesouro, e faz a única coisa a seu baixo alcance.
— Eu me rendo! Oh Majestosa, Magnífica e Diva Rainha. — diz se ajoelhando. — Ficará feliz de saber aonde estão os outros prisioneiros.
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