Três Almas
41 40° Capítulo
Notas iniciais
Eu fiquei no mundo dos humanos. Falei com Carlos e disse que pelos conflitos meus dragões não ficariam mais nas outras divisões. Carlos concordou e disse que deveriam ficar na um, assim eles auxiliariam nas buscas também.
Mandei uma mensagem pelo computador para Helias e expliquei a situação. Eu iria permanecer um pouco no mundo humano.
July me convidou para ficar com ela a tarde. Eu e elas discutimos sobre flores, queríamos falar de tudo, menos do ocorrido trágico.
“A deusa bem que poderia me dar uma ajuda” pensei.
Eu senti um dor tão forte no meu corpo que me fez curvar e ficar agachada no chão.
—Luna? – July me ajudou.
—Estou bem. Estou bem. – levantei.
“Vá para Drakenyard” – disse Meterom, faz tempo que eu não falava com meterom.
Despedi de July e fui para casa. A dor se foi instantaneamente.
Túlio e Benezeu apareceram.
—Túlio senti uma dor forte – eu disse sentando – e melhorou quando cheguei. Acho que tem a ver com os oni’s.
—Eu temia isso. – disse Benezeu que me cumprimentou e retribui.
—Todo dragão fora de Drakenyard quando usa muito poder fica fraco depois de um tempo. Mas demora uns 100 anos até sentir os primeiros sintomas, e até uns 500 ainda dá para aguentar, depende do tanto de magia que usa. – disse Túlio.
—Mas eu...
—Você é três almas, não está em um ciclo ainda definido, mas segue até então o ciclo natural que você nasceu: Humano. Ou seja, seu corpo se cansou mais rápido. E por necessidade de ser um Dragão, teve que vir aqui para recuperar forças. Lembra que explicamos que um esqueleto de dragão na terra dos humanos vira pó depois de um tempo, mas aqui não, como o de Kalaram?
—Sim, mas Dhiren está a mil anos fora de Drakenyard! Como ele não se sentiu fraco? – perguntei confusa.
—Bem, ele tinha ossos de dragões que ele levou. Tinha objetos que vinham da terra dele. E a resistência do corpo dele é maior que a sua por ele ter só um ciclo de vida. Talvez ela tenha vindo aqui de novo, não só pela medalha, mas por recuperar forças. – respondeu Benezeu como se fosse algo óbvio o que ele disse.
—então ele vai voltar aqui, para ter mais forças. – falei.
—Sim, — túlio disse um pouco desaminado – Mas, ele já “carregou as forças”, basta um segunda em sua terra natal que melhora, ele irá se sentir fraco só daqui uns 500 anos.
—Talvez não. Ele estava usando os ossos e instrumentos para viver, tem muitos na terra dos humanos, tem tribos antigas que comercializam isso lá. – lembrei que July me falou isso um dia – Pense comigo, apesar de ele ser resistente quanta magia ele não deve usar? Os selos! – falei animada como se estivesse desenvolvendo uma tese — Eu gasto um quantidade de magia boa para os meus selos, apesar de eu ter me livrados de alguns, ainda tem os oni’s que não me deixam. Porem eles são implantados por magos biológicos (meus pais adotivos, preminger’s) e são projetados para gastar um tanto em determinada situação. Sem duvida nenhuma ele deve usar selos para ocultar presença dragão nele. E também, claro, deve usar selos de magia humana embutida, se ele tiver que lutar com alguém na terra ele teria que usar magia, mas não de dragão. Você tem noção o quanto gasta um selo de magia embutida? Eu tenho um, a magia de reequipação, mas foi implantado no útero da mulher que me gerou, se implantar em uma dulto gasta muito mais magia, sendo que o selo nem pode desenvolver com o ser que está, então é uma magia absurda!
—Mas... – Benezeu pensou bem, e sorriu.
—bem pensado Lunally – disse Túlio refletindo – Mas ele não terá que usar magia human quando lutar conosco.
—Terá! – eu disse sorrindo – Ele precisa, ele é fraco! Mas ele terá que ser rápido, se errar ele estava perdido! – eu quase pulei da cadeira.
—Vou marcar uma reunião com os conselheiros. – Túlio levantou e foi fazer o que disse.
Eu fui até meus pais, conversei com ele. Falei sobre o que falei com Túlio e Benezeu. Meu pai me disse que era para enviar Finn, Roberto, Vânia e Oliver para a divisão um, assim eu fiz.
—E quanto a você? – disse Helias
— Eu o que? – falei confusa.
—Em relação ao Hatori... – meu pai fala triste e Laila também fica aflita – Sei que eram bem ligados.
—Eu estou bem. – sorri de leve – Eu sei que tem algo que não sabemos ainda, mas mesmo assim o Hatori fez algo muito errado, atacou vocês! Minha família. Vocês são tudo que me importa.
Passei à tarde com meus pais, eu estava com saudades deles. Assistimos filmes e brincamos de coisas bobas. Eu sugeri fazermos um jantar para meus antigos professores e para Cecília, eu queria ver todos. Eles disseram que iriam providenciar.
Eu chorei a noite inteira.
Como pode o Hatori depois de tudo o que houve, fazer isso? Minha vontade é de...
“matá-lo” – disse ucy.
—Exatamente. – eu disse seria e a forma de Lucy se reproduziu em minha frente. Ela usava a armadura vermelha. Tinha cabelos roxos contados em camadas com uma franja. E olhos vermelhos.
“Podemos resolver isso” – disse Lucy levantando meu queixo.
—Vá embora sua praga. – eu disse desinteressada e ela sumiu – Minha mente é mais forte do que você pensa. Eu não vou cair em tentações tão fúteis, não preciso de sua ajuda para matar alguém.
Eu fui tomar café da manhã depois de um longo banho. Eu finalmente consegui relaxar um pouco. Paulo estava na mesa do café hoje.
—Para de comer todos os frangos empanados! – gritou meu pai com o Paulo – Você tem que dividir!
—Não! Você ainda não me pagou as 100 galinhas que prometeu! – Paulo se apossou de todo frango que tinha na mesa.
—AHRG! – Helias bateu a mão na mesa – Algum serviçal traga galinhas na casa desse morto de fome!
Um das meninas da cozinha apareceu, curvou-se para mim e para Helias e foi comprar as galinhas.
Eu ri da situação.
—Luna, nos precisamos conversar. Tenho muita coisa para te contar. – falou Paulo enquanto mordia um frango
—O que quer com minha filha? – disse Laila apontando a faca na direção de Paulo.
—Coisa nossa! — Paulo mandou língua para Laila que ficou abismada e fez cara feia para ele.
—Hoje a noite vai ter o jantar com seus amigos luna. – falou Helias e eu confirmei com a cabeça.
Sai com o Paulo, falei que eu queria ir à igreja da Fênix e no altar da Deusa. Ele me acompanhou. Demos nossas preces na igreja, falei para Deusa que ele deveria nos abençoar muito nesse momento. Que os problemas dos Onedara’s se resolvessem. Rezei por July.
Fui ao altar e entrei em baixo dele. Era igual quando eu entrei no altar na terra dos humanos. Entrei só, pois Paulo não podia, não era imperador. Observei o portal que sempre ficava aberto, por isso não dava para saber quando alguém usava, porque esse nunca fechava. Será? Eu cheguei perto tentei fechar ele como fechava os outros. Nada. Talvez esse fosse eterno.
Voltei para a floresta do nascimento. Vi Paulo sentado escorado em uma arvore, fui até ele.
—Temos grandes problemas. – Paulo declarou desanimado.
—Como assim? – eu falei desentendida.
—Eu descobri coisas. – Paulo olhou serio para mim – O que eu vou-te dizer deve ficar e sigilo, até desvendarmos tudo. – eu confirmei com um gesto de cabeça – Parece que o Hatori está sim fazendo negócios com os premnger’s. – Paulo observou minha reação, eu fui afetada, mas não desmontarei – E os scarlet’s também. – ele disse por fim e eu fiquei mais confusa.
—Eu já te falei Paulo, explique de um jeito que as pessoas entendam! – eu repeti o que ele me falou um dia.
—Não tem suas próprias frases, não? – Paulo me olhou com os olhos cerrados e uma expressão boba – Bem, eu acho que essa guerra é para determinar poder. Mas tem algo estranho, e eu não sei o que é.
—No final a gente mata todo mundo. – eu falei cruzando os braços – Muito mais fácil.
—Verdade. Eu apoio a decisão.
—Há quanto tempo eles estão fazendo negócios com os Preminger’s?
—Não sei. Vou pesquisar, então vou ter que passar mais tempo na terra dos humanos. – disse Paulo por fim.
—No final Paulo. Eu só posso confiar em vocês, dragões. – eu falei um pouco triste.
—Não diga isso pequena. – Paulo sorriu – Ainda existem outros humanos para você conhecer. – ele olhou para o chão e fechou o semblante — O Hatori foi um equivoco. Eu também não acreditei quando ele atacou os dragões.
—Eu amo ele. – eu olhei para o nada – você entende?
—Entendo. – Paulo pareceu triste.
—Você já amou alguém Paulo? — perguntei
—Já.
—Quem?
Paulo sorriu e parecia meio confuso – Ah, a pessoa não me ama, então não segui em frente. Eu estou concentrado em outras coisas, um romance só atrapalharia.
—Talvez, não. Como sabe que ela não te ama, nunca falou nada.
—Não daria certo entre nós dois. Somos muito diferentes. – Paulo ficou triste – E na posição que a pessoa está não poderia ficar comigo assim.
— Ah, não! Me fala Paulo! – eu levantei e agachei na frente dele – N-não é eu, né?
—Claro que não exibida! – Paulo fez careta – Não... Ah, a gente nem conversa direito! Você vai estranhar se eu te falar quem é. – Paulo disse como um adolescente. Nem parecia que ele era tão velho nesse momento, em momento nenhum Parecia.
—É uma ordem! Fala! – eu disse de braços cruzados – É a menina que te dá galinhas?
—Não é ela! Você não pode me obrigar! Mas, eu vou te falar – Paulo riu – Se alguém souber. Eu te mato! Serio!
—Conta!
—É a Jane da biblioteca do centro leste. – ele disse baixinho e eu dei um gritinho.
—Aquela menina é linda! Como assim a posição dele não deixa você ficar com ela?
—Ah, a gente já teve um caso, mas o pai dela não é meu fã. Você sabe por que, ele não votou em mim para ser conselheiro entende? Tipo, eu não quero que ela brigue com o pai dela por mim.
—Nossa sempre o achei tão de boa. – falei refletindo – Um caso? – olhei com censura para Paulo.
—Coisas que crianças não devem saber! – ele riu.
—Por que não tenta ter ela de novo? – eu falei seria.
—Porque no exato momento eu não sei o que vai acontecer. Temos muito a fazer Luna, quando eu disse que um relacionamento não daria certo agora, é porque não vai dar. E eu vou até ficar um tempo fora na terra dos humanos, ou seja, nem veria ela.
—Nossa! Esse é o amor mais improvável que eu já vi.
—Eu já ouvi isso antes.
—Nunca amou alguém de novo?
—Quase, mas vi que a menina era louca.
—Quem?
—Lunally.
—O que?
—Burra. – Paulo levantou e saiu andando na minha frente. Eu o segui.
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